<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701</id><updated>2012-03-03T17:07:56.717-03:00</updated><title type='text'>Raul e a Literatura</title><subtitle type='html'>Crônicas, contos, poemas e outras quinquilharias de Raul Arruda Filho.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>267</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-2204046257246687099</id><published>2012-03-02T11:12:00.000-03:00</published><updated>2012-03-02T11:12:22.568-03:00</updated><title type='text'>MEDIANERAS</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Cqjjybtww04/T1DQ5DKHXpI/AAAAAAAAC2U/vfjDxEhHS0g/s1600/CALWK5MACAMHI2MFCA97X4RJCA6L5GXYCA4798XTCAAMKJ43CAKY45H4CAMFPYW4CAI72V6GCAIZL650CA0SM7P2CAPG4BP1CAAUOA8GCAYD4HVHCA4A0CJUCAP8HYXXCAAFQ2UHCADV55GE.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="268" width="188" src="http://2.bp.blogspot.com/-Cqjjybtww04/T1DQ5DKHXpI/AAAAAAAAC2U/vfjDxEhHS0g/s400/CALWK5MACAMHI2MFCA97X4RJCA6L5GXYCA4798XTCAAMKJ43CAKY45H4CAMFPYW4CAI72V6GCAIZL650CA0SM7P2CAPG4BP1CAAUOA8GCAYD4HVHCA4A0CJUCAP8HYXXCAAFQ2UHCADV55GE.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Todas as histórias de amor precisam abrir janelas para o entendimento – que é uma forma de perceber que existe luz do outro lado da parede. Mariana e Martin moram na mesma quadra, mas em edifícios diferentes. Em alguns momentos, freqüentam os mesmos ambientes. Mas, como se fosse uma maldição − ou falta de sorte −, desenvolveram uma forma muito particular de desencontro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abandono e solidão. Ele se separou do mundo dentro de um apartamento minúsculo (Av. Santa Fé, 1105, quarto andar, apartamento H). Trabalha como webdesigner.  Windows é a ferramenta que o aproxima do mundo concreto. A namorada o deixou, foi procurar pela felicidade no norte da América. Uma cachorrinha, Susú, ficou para trás. Ele adotou o animal, na vã esperança de que a dona volte para resgatar os dois. Depois de algum tempo remoendo o isolamento, obteve alguma vantagem dessa situação patética. Na falta de amor verdadeiro, cultivou um micro−romance. A mulher que trabalhava levando os cães alheios para passear o ajudou a diminuir a carência. Ele gostou da aventura e quase fez um daqueles pedidos que provavelmente o carregaria para dentro de outro turbilhão de infelicidade.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-kE-PqdG5vMQ/T1DRKdxH9PI/AAAAAAAAC2g/dGKpx_5wr2c/s1600/zzzzz.bmp" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="172" width="293" src="http://3.bp.blogspot.com/-kE-PqdG5vMQ/T1DRKdxH9PI/AAAAAAAAC2g/dGKpx_5wr2c/s320/zzzzz.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Fragilidade e solidão. O lugar onde ela mora é um pouco maior (Av. Santa Fé, 1183, oitavo andar, apartamento G). Isso não tem a menor importância. Ela é arquiteta e, por total incompatibilidade com a profissão e a vida, trabalha como vitrinista. Seus relacionamentos mais duradouros são com os manequins que veste e posiciona nas vitrines das lojas. Depois de quatro anos de vida conjugal, descobriu que estava dormindo com o homem errado. Simples assim − apesar da dor (emocional, psicológica, física). A vida tem desses descompassos, raramente conseguimos fechar esses buracos que nós mesmos escavamos dentro do coração. Nas horas vagas, gosta de brinca com o livro &lt;b&gt;Onde está Wally?&lt;/b&gt; Apesar do esforço, não consegue encontrar a figura escondida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-DMQ99X3Unfs/T1DSDECYRTI/AAAAAAAAC2s/bUWZ9QL-GjM/s1600/CAFWW50LCAR7E8Y4CAMV7OE1CA95TDI8CALEUTNICAL7QJ23CA8PW3JRCADSIR6NCACWH2YMCAM80AVYCA5SZCW8CARJU2YECAHBFIR2CA9NH08UCAMPRYHRCAYW6FNKCA3PBNI9CANJL7W1.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="183" width="275" src="http://3.bp.blogspot.com/-DMQ99X3Unfs/T1DSDECYRTI/AAAAAAAAC2s/bUWZ9QL-GjM/s320/CAFWW50LCAR7E8Y4CAMV7OE1CA95TDI8CALEUTNICAL7QJ23CA8PW3JRCADSIR6NCACWH2YMCAM80AVYCA5SZCW8CARJU2YECAHBFIR2CA9NH08UCAMPRYHRCAYW6FNKCA3PBNI9CANJL7W1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Os quatro minutos iniciais do filme mostram a geografia urbana. Os edifícios (mistura insensata de aço, concreto e vidro) parecem recipientes destinados a encaixotar as emoções. Uma ironia sutil. A cidade se chama Buenos Aires e os seus habitantes sentem falta de oxigênio. Onde há tristeza, não há calor humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A internet me aproximou do mundo, mas me distanciou da vida&lt;/b&gt;, comenta Martin, em um desses momentos de auto−crítica que costumam ser freqüentes nos que vivem sozinhos. &lt;b&gt;Então me pergunto: se mesmo sabendo quem eu procuro não consigo achar, como vou achar quem eu procuro se não sei quem é?&lt;/b&gt;, argumenta Mariana, em crise típica de quem se sente aprisionada entre quatro paredes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-EpZ9dL9T6BA/T1DSOaQyHHI/AAAAAAAAC24/5KWQu76jaH0/s1600/CADY6TU5CAKYX9V5CAZKWH2WCAK7UWXTCAYX3R62CAV3B47HCAQ2CUKDCALFFGPZCA844XOUCAGRFR3DCA7G54ZECAU7TO8RCAXCEXHPCANOL9UHCAMUWVJVCAD698Q2CAWH26AFCAHZG86D.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="184" width="256" src="http://2.bp.blogspot.com/-EpZ9dL9T6BA/T1DSOaQyHHI/AAAAAAAAC24/5KWQu76jaH0/s320/CADY6TU5CAKYX9V5CAZKWH2WCAK7UWXTCAYX3R62CAV3B47HCAQ2CUKDCALFFGPZCA844XOUCAGRFR3DCA7G54ZECAU7TO8RCAXCEXHPCANOL9UHCAMUWVJVCAD698Q2CAWH26AFCAHZG86D.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Efeito espelho. Ele se matriculou diversas vezes na natação, mas nunca compareceu. Ela conhece um sujeito na piscina. Não foi bom. Os dois fumam (ela um pouco mais do que ele), enquanto escutam &lt;b&gt;True Love Will Find You in the End&lt;/b&gt; – voz de Daniel Johnston. Alimentam – com carinho e afeto − diversas fobias (ela não consegue andar de elevador, ele tem medo de aglomerações humanas). Assistem, simultaneamente, &lt;b&gt;Manhattan&lt;/b&gt; (Woody Allen, 1979). Ao entenderem que as portas para a vida social estavam fechadas para eles, mandam abrir janelas em paredes cegas – e, pela primeira vez, percebem um ao outro. Depois, se encontram em uma dessas páginas da Internet para solitários. Seguindo as regras dos encontros virtuais, escrevem algumas trivialidades. Ela fica entediada. Ele, ansioso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Rp7pwb5V284/T1DTX3_5OBI/AAAAAAAAC3Q/bo4oPWRF3Jg/s1600/CA66KCU3CAXEPBCXCAH4TN61CAC32PWBCAOFM1I5CADNA7FRCAT25FUUCAY03TM5CA0PMJ41CATJH9USCA9T9TAICAANKI4MCAVC7YEECAJHU1QACAXM8P1TCATTCGLJCAN4TRLFCA87O1HN.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="167" width="303" src="http://3.bp.blogspot.com/-Rp7pwb5V284/T1DTX3_5OBI/AAAAAAAAC3Q/bo4oPWRF3Jg/s320/CA66KCU3CAXEPBCXCAH4TN61CAC32PWBCAOFM1I5CADNA7FRCAT25FUUCAY03TM5CA0PMJ41CATJH9USCA9T9TAICAANKI4MCAVC7YEECAJHU1QACAXM8P1TCATTCGLJCAN4TRLFCA87O1HN.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Não é por acaso que a primeira vez que eles se encontram pessoalmente, a voz de um iluminando a vida do outro, é no escuro. Faltou luz uma noite e eles saíram dos apartamentos para comprar velas. Há um primeiro toque, acidental, obviamente, mas pareceu que havia eletricidade no ar.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma manhã, como se fosse a cena final de um conto de fadas, ela olha pela janela e vê Wally. Ou melhor, Martin – que está vestindo uma camiseta igual a do personagem perdido na multidão. Sem conter a excitação, desce de elevador. Ele está aguardando. Ou melhor, guardando o amor que quer repartir com Mariana.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-kLVeJD3x-Q0/T1DTgN0OsWI/AAAAAAAAC3c/eARyubH5QXM/s1600/ccccc.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="168" width="300" src="http://1.bp.blogspot.com/-kLVeJD3x-Q0/T1DTgN0OsWI/AAAAAAAAC3c/eARyubH5QXM/s320/ccccc.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Medianeras&lt;/b&gt; (Dir. Gustavo Taretto, 2011), com Pilar López de Ayala e Javer Drolas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-2204046257246687099?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/2204046257246687099/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/03/medianeras.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/2204046257246687099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/2204046257246687099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/03/medianeras.html' title='MEDIANERAS'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-Cqjjybtww04/T1DQ5DKHXpI/AAAAAAAAC2U/vfjDxEhHS0g/s72-c/CALWK5MACAMHI2MFCA97X4RJCA6L5GXYCA4798XTCAAMKJ43CAKY45H4CAMFPYW4CAI72V6GCAIZL650CA0SM7P2CAPG4BP1CAAUOA8GCAYD4HVHCA4A0CJUCAP8HYXXCAAFQ2UHCADV55GE.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-6782437039001093861</id><published>2012-03-01T10:00:00.000-03:00</published><updated>2012-03-01T10:05:50.329-03:00</updated><title type='text'>TRINTA FRASES LITERÁRIAS</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-zcckSSunBzk/T09wyRXPxvI/AAAAAAAAC1Y/UTwilnCiLPA/s1600/125.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="183" width="275" src="http://2.bp.blogspot.com/-zcckSSunBzk/T09wyRXPxvI/AAAAAAAAC1Y/UTwilnCiLPA/s320/125.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;− Escrever é fácil: você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio, você coloca as idéias. (&lt;b&gt;Pablo Neruda&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− A televisão é muito educativa. Toda vez que alguém liga uma, eu entro em quarto para ler um livro. (&lt;b&gt;Groucho Marx&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− Ler é pensar com a cabeça dos outros. (&lt;b&gt;Arthur Schopenhauer&lt;/b&gt;) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− Você sabe qual é a diferença entre a ficção e a realidade? A ficção precisa ter sentido. (&lt;b&gt;Tom Clancy&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− O mais difícil não é escrever muito: é dizer tudo, escrevendo pouco. (&lt;b&gt;Dennis Roch&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− A primeira condição de quem escreve é não aborrecer. (&lt;b&gt;Machado de Assis&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde. (&lt;b&gt;André Maurois&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− Publicamos para não passar a vida corrigindo rascunhos. Quer dizer, a gente publica um livro para livrar−se dele. (&lt;b&gt;Jorge Luis Borges&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-mC1dREMXFHw/T09x7IWquwI/AAAAAAAAC1k/YSpwRR8SYF0/s1600/124.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="191" width="264" src="http://4.bp.blogspot.com/-mC1dREMXFHw/T09x7IWquwI/AAAAAAAAC1k/YSpwRR8SYF0/s320/124.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;− Um bom escritor não precisa de biografia. Toda a sua história está em seus livros. (&lt;b&gt;Lawrence Durrell&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− Quando escrevo, confio inteiramente no leitor para acrescentar por si próprio os elementos subjetivos que faltam à história. (&lt;b&gt;Anton Tchekhov&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− Há livros escritos para evitar espaços vazios na estante. (&lt;b&gt;Carlos Drummond de Andrade&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− Os livros não contêm a vida – apenas suas cinzas. (&lt;b&gt;Marguerite Yourcenar&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− Escrever é a única profissão em que ninguém é considerado ridículo se não ganhar dinheiro. (&lt;b&gt;Jules Renard&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− Literatura: a mais sedutora, mais enganosa, mais perigosa das profissões. (&lt;b&gt;John Morley&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− Escrever é uma boa maneira de falar sem ser interrompido. (&lt;b&gt;Jules Renard&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− Nenhum lugar proporciona uma prova mais evidente da vaidade das esperanças humanas do que uma biblioteca pública. (&lt;b&gt;Samuel Johnson&lt;/b&gt;)  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− Não há assuntos chatos, apenas escritores chatos. (&lt;b&gt;H. L. Mencken&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− A leitura é para o intelecto o que o exercício é para o corpo. (&lt;b&gt;Joseph Addison&lt;/b&gt;) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-4B19mD7L8LM/T09yD2C2_SI/AAAAAAAAC1w/2oyNW2wpigA/s1600/126.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="194" width="259" src="http://3.bp.blogspot.com/-4B19mD7L8LM/T09yD2C2_SI/AAAAAAAAC1w/2oyNW2wpigA/s320/126.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;− O escritor está sempre trabalhando em um livro, mesmo quando não está escrevendo. (&lt;b&gt;Antônio Calladon&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− O talento não é suficiente para fazer um escritor. Por trás do livro deve haver um homem. (&lt;b&gt;Ralph Waldo Emerson&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− A obra é ilustrada. O autor, não. (&lt;b&gt;Agripino Grieco&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− O escritor é o olho, o ouvido e a voz de sua classe. (&lt;b&gt;Máximo Gorki&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− O escritor original, enquanto não está morto, é escandaloso. (&lt;b&gt;Simone de Beauvoir&lt;/b&gt;) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− A literatura, como toda arte, é uma confissão de que a vida não basta. (&lt;b&gt;Fernando Pessoa&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− A literatura é uma defesa contra as ofensas da vida. (&lt;b&gt;Cesare Pavese&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-gHYbKaB-fRw/T09yMVLq-GI/AAAAAAAAC18/4bp3673Ubhc/s1600/127.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="188" width="268" src="http://1.bp.blogspot.com/-gHYbKaB-fRw/T09yMVLq-GI/AAAAAAAAC18/4bp3673Ubhc/s320/127.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;− Quando um escritor se transforma em um clássico, já não há necessidade de lê−lo: basta citá−lo. (&lt;b&gt;R. Gervaso&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− Pensa−se a partir do que se escreve e não o contrário. (&lt;b&gt;Louis Aragon&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− A leitura é conversação silenciosa. (&lt;b&gt;Walter Savage Landor&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− Para fazer literatura você tem que ser terrivelmente sincero. E é incrível: se você atinge a verdade, está fazendo ficção, que é mentira. (&lt;b&gt;Elvira Vigna&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− A literatura nasce da literatura. Cada obra nova é continuação, por consentimento ou contestação, das obras anteriores. Escrever é, pois, dialogar com a literatura anterior e com a contemporânea. (&lt;b&gt;Leyla Perrone−Moisés&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;(Imagens de Jackson Pollock)&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-6782437039001093861?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/6782437039001093861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/03/trinta-frases-literarias.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/6782437039001093861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/6782437039001093861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/03/trinta-frases-literarias.html' title='TRINTA FRASES LITERÁRIAS'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-zcckSSunBzk/T09wyRXPxvI/AAAAAAAAC1Y/UTwilnCiLPA/s72-c/125.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-1147254275804127041</id><published>2012-02-29T10:30:00.001-03:00</published><updated>2012-02-29T10:30:04.815-03:00</updated><title type='text'>UMA RELEITURA DE A PESTE</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-mNXe2XkUzI4/T04malhssBI/AAAAAAAAC0Q/4K37XYJZuSQ/s1600/QBNPOCAFONQTFCAE4WX4VCAEEFU83CADZH7DGCATDR8KNCAICIFK2CA4336HNCA3L6EUNCASBLI7PCATBL7RZCAV07EW9CA33NHM1CA41G0S8CACPS16MCAGF1WTNCATFMWEKCALBBU17CAWBWP0Y.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="193" width="166" src="http://3.bp.blogspot.com/-mNXe2XkUzI4/T04malhssBI/AAAAAAAAC0Q/4K37XYJZuSQ/s320/QBNPOCAFONQTFCAE4WX4VCAEEFU83CADZH7DGCATDR8KNCAICIFK2CA4336HNCA3L6EUNCASBLI7PCATBL7RZCAV07EW9CA33NHM1CA41G0S8CACPS16MCAGF1WTNCATFMWEKCALBBU17CAWBWP0Y.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Houve um tempo (entre os anos 30 e 80 do século passado) em que a literatura estava atrelada ao compromisso político e social. Mais do que isso, havia uma espécie de determinismo moral a mover o comportamento artístico. Nenhum escritor "de respeito" empunhava a pena (ou a caneta) sem objetivar a transformação do mundo. Em alguns momentos, essa postura de cavalheiro errante, à procura de alguma causa para justificar a espada em riste, resultava em absoluta chatice. Em outros, dava sentido à vida que estava sem sentido. Entre um descompasso e outro, milhares de jovens encheram a cabeça com as idéias enunciadas em textos como &lt;b&gt;Os Frutos da Terra&lt;/b&gt; (André Gide), &lt;b&gt;A Peste&lt;/b&gt;", &lt;b&gt;A Queda&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;O Estrangeiro&lt;/b&gt; (Albert Camus) ou &lt;b&gt;A Idade da Razão&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Entre Quatro Paredes&lt;/b&gt; (Jean−Paul Sartre).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-2AO--FeWvhw/T04m4eShZtI/AAAAAAAAC0c/vztB0eg9wog/s1600/123456.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="265" width="190" src="http://3.bp.blogspot.com/-2AO--FeWvhw/T04m4eShZtI/AAAAAAAAC0c/vztB0eg9wog/s320/123456.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;No livro &lt;b&gt;Por que ler os clássicos&lt;/b&gt;, Italo Calvino observa que &lt;b&gt;Os clássicos são aqueles livros dos quais, em geral, se ouve dizer: "Estou relendo..." e nunca "Estou lendo...".&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A releitura é uma forma de viagem, passeio a um lugar onde se esteve antes, mas... a paisagem se mostra um pouco diferente daquela que povoa as lembranças. Quer dizer,... é a mesma, mas não o é. A surpresa aparece a cada instante, a provocar algum tipo de curto−circuito emocional. Se &lt;b&gt;ninguém se banha duas vezes no mesmo rio&lt;/b&gt;”, como dizem que dizia Heráclito de Éfeso, também não é possível reler um livro com os olhos voltados ao passado. A história de cada indivíduo acrescenta novas camadas de significado ao texto (é possível que esses detalhes já estivessem ali, na primeira visita, mas, por algum motivo, não foram percebidos). Não é o texto que se modifica. É o leitor. A releitura comprova essa mudança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Vn0QpkvdesU/T04nKKuhVoI/AAAAAAAAC0o/qsLSol0Si3o/s1600/1235.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="275" width="183" src="http://2.bp.blogspot.com/-Vn0QpkvdesU/T04nKKuhVoI/AAAAAAAAC0o/qsLSol0Si3o/s320/1235.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O romance &lt;b&gt;A Peste&lt;/b&gt;, escrito em 1947, por Albert Camus (1913−1960), é um dessas narrativas que persistem &lt;b&gt;como rumor mesmo onde predomina a atualidade mais incompatível&lt;/b&gt; (Calvino, outra vez). A catástrofe apocalíptica, ocorrida na cidade de Oran, na Argélia, continua sendo uma alegoria terrível da luta travada contra os regimes políticos autoritários, o racismo e o preconceito − mesmo depois de 65 anos da publicação do livro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A modernidade substituiu os &lt;b&gt;pieds−noirs&lt;/b&gt; (pés negros, designação pejorativa para os franceses nascidos no norte de África) por outras minorias – algumas com mais, outras com menos marketing. O horror continua atual. E muito parecido ao que foi experimentado por Bernard Rieux, Jean Tarrou, Joseph Grand, Raymond Rambert, Cottard e o padre Paneloux.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, em situações de crise, os valores que orientam a conduta humana são despedaçados pela mesquinharia e pelo egoísmo. No regime de encarceramento, onde os limites físicos se confundem com a perda da racionalidade, o comportamento dos indivíduos revela aspectos que − por força das convenções sociais – costumam ficar escondidos. Nesses momentos, a civilização se confunde com a barbárie. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-u0c96oaRs7E/T04nWYdhPCI/AAAAAAAAC00/lIrIa1aV6eE/s1600/1F58WCAGUTPO9CA623SQACAWFU9Z8CA0CN3EJCA4N0NX3CAR2VBZZCAZX3EF3CAZ57S2OCADECR2FCAZR668TCAS1P18VCALAX1RYCA5PB2ZLCA22KJIXCAFWE1W3CA7HY7USCADIZXNTCAV59IBM.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="273" width="185" src="http://3.bp.blogspot.com/-u0c96oaRs7E/T04nWYdhPCI/AAAAAAAAC00/lIrIa1aV6eE/s320/1F58WCAGUTPO9CA623SQACAWFU9Z8CA0CN3EJCA4N0NX3CAR2VBZZCAZX3EF3CAZ57S2OCADECR2FCAZR668TCAS1P18VCALAX1RYCA5PB2ZLCA22KJIXCAFWE1W3CA7HY7USCADIZXNTCAV59IBM.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O enredo de &lt;b&gt;A Peste&lt;/b&gt; não é complicado. Em algum momento, Oran é invadida por milhares de ratos. Parte da população fica doente. Depois de muita indefinição e centenas de óbitos, a prefeitura admite que há uma epidemia. Como parte da estratégia preventiva e sanitária, as portas da cidade são fechadas. O estado emergencial se integra à vida urbana. Nessa ilha artificial, todos se tornam presas fáceis da morte.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resistência é liderada por Bernard Rieux. Sem o perfil dos heróis circunstanciais (ou vocação para brigar com Deus), ele não economiza esforços para combater o Mal. Diante da insaciabilidade da peste, a contabilidade da morte revela a falta de misericórdia. Assim como Sísifo, o médico está condenado a uma missão repetitiva, aparentemente inútil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-xzqrzqMUwbg/T04oAeSMR6I/AAAAAAAAC1M/Lz6qSqhc_-c/s1600/5QMHGCA6BW0RKCAACX725CAC7OFZOCATANZ3GCA1GWZPTCA6AVFY5CARYDW3NCA5WG0PPCAOZYJRVCABUZK4BCAY4F2UGCA3C85FDCAS681EJCA2TGX1DCAUW92T5CA3VQ2F5CAX6LQ9YCAEIXUW8.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="256" width="197" src="http://2.bp.blogspot.com/-xzqrzqMUwbg/T04oAeSMR6I/AAAAAAAAC1M/Lz6qSqhc_-c/s320/5QMHGCA6BW0RKCAACX725CAC7OFZOCATANZ3GCA1GWZPTCA6AVFY5CARYDW3NCA5WG0PPCAOZYJRVCABUZK4BCAY4F2UGCA3C85FDCAS681EJCA2TGX1DCAUW92T5CA3VQ2F5CAX6LQ9YCAEIXUW8.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Foi no &lt;b&gt;Diário do Ano da Peste&lt;/b&gt;, escrito por Daniel Defoe, que Camus encontrou a epigrafe de seu romance: &lt;b&gt;É tão válido representar um modo de aprisionamento por outro, quanto representar qualquer coisa que de fato existe por alguma coisa que não existe&lt;/b&gt;. O contexto metafórico expressa uma situação opressiva, onde todos (sem exceção) se tornam prisioneiros. A doença sinaliza para os regimes políticos totalitários. O inominável se torna concreto através de palavras.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Romance escrito em terceira pessoa (como se fosse um ensaio enviesado, de caráter moral), o tom narrativo de &lt;b&gt;A Peste&lt;/b&gt; beira o coloquial (embora apresente excelente correção descritiva). A discussão filosófica sobre os limites da vida está expressa sem muitas complicações. Os elementos textuais vão sendo acrescentados sem muita pressa. Em alguns momentos, esse proceder retarda o desfecho; em outros, procura fornecer verossimilhança. Ao final do relato, o leitor é informado de que o cronista dos acontecimentos trágicos é Rieux. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-ucaUOYXITkA/T04noSaLpQI/AAAAAAAAC1A/xawAq4L-kM4/s1600/12345678.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="194" width="259" src="http://1.bp.blogspot.com/-ucaUOYXITkA/T04noSaLpQI/AAAAAAAAC1A/xawAq4L-kM4/s320/12345678.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Em 1949, Camus visitou o Brasil. Em um subúrbio do Rio de Janeiro, recebeu de presente uma garrafa de cachaça. O jovem poeta que lhe entregou a bebida fez uma pergunta: &lt;b&gt;Trouxe Tarrou?&lt;/b&gt; A história não registra a resposta do romancista e filósofo. Talvez tenha sido apenas um sorriso de canto de lábio. Não importa. Tarrou sempre esteve junto com Camus.      &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-1147254275804127041?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/1147254275804127041/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/uma-releitura-de-peste.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/1147254275804127041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/1147254275804127041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/uma-releitura-de-peste.html' title='UMA RELEITURA DE &lt;i&gt;A PESTE&lt;/i&gt;'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-mNXe2XkUzI4/T04malhssBI/AAAAAAAAC0Q/4K37XYJZuSQ/s72-c/QBNPOCAFONQTFCAE4WX4VCAEEFU83CADZH7DGCATDR8KNCAICIFK2CA4336HNCA3L6EUNCASBLI7PCATBL7RZCAV07EW9CA33NHM1CA41G0S8CACPS16MCAGF1WTNCATFMWEKCALBBU17CAWBWP0Y.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-5173576551121088559</id><published>2012-02-28T11:31:00.000-03:00</published><updated>2012-03-01T10:04:31.505-03:00</updated><title type='text'>SOLDADOS DE SALAMINA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-b2oMkQ4EpF0/T0zh1Bveb5I/AAAAAAAACy8/wneE5jyIYQI/s1600/6G2ADCA4Q8HUUCA6OPMY1CABANR45CABEUK04CAV1AH3ECANW9E2CCAD52XPFCA6D8QKMCAQUKHNQCATMDRQHCA69J5N4CAE9UM2UCAQGDEWSCAIOLNW6CAV044FZCARL8035CA89800DCAMPVQAZ.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="248" width="203" src="http://1.bp.blogspot.com/-b2oMkQ4EpF0/T0zh1Bveb5I/AAAAAAAACy8/wneE5jyIYQI/s320/6G2ADCA4Q8HUUCA6OPMY1CABANR45CABEUK04CAV1AH3ECANW9E2CCAD52XPFCA6D8QKMCAQUKHNQCATMDRQHCA69J5N4CAE9UM2UCAQGDEWSCAIOLNW6CAV044FZCARL8035CA89800DCAMPVQAZ.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;É praticamente consenso na Teoria da Narrativa que os narradores em primeira pessoa não são confiáveis. Em outras palavras, são mentirosos. Tão mentirosos que chegam a acreditar que nunca será mentira o que relatam como ficção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escritor espanhol Javier Cercas gostaria – e muito − de burlar essa regra. Um de suas mais interessantes tentativas resultou no romance &lt;b&gt;Soldados de Salamina&lt;/b&gt;, que tem como enredo básico o fuzilamento, em janeiro de 1939, de Rafael Sánches Mazas (1894−1966), um dos fundadores da "Falange Espanhola". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A narrativa se assemelha a um relato jornalístico, desses que se atém exclusivamente ao registro dos fatos, sem propor interpretações ou alusões. A idéia é recuperar alguns detalhes obscuros de uma história que apresenta características de lenda. É difícil acreditar que alguém sobreviva a um pelotão de fuzilamento. Segundo Sánches Mazas, que contou esse episódio diversas vezes para os amigos, foi isso o que aconteceu. Além disso, ainda há um episódio complementar. Escondido na mata, depois de ter escapado da morte, o fascista foi descoberto por um soldado republicano − que fingiu não tê−lo visto, possibilitando inusitada chance de sobrevivência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-5DdNObZok3E/T0zi23z7oiI/AAAAAAAACzg/yDevrm_r_og/s1600/122333.bmp" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="284" width="178" src="http://1.bp.blogspot.com/-5DdNObZok3E/T0zi23z7oiI/AAAAAAAACzg/yDevrm_r_og/s320/122333.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Essa história, e seus contornos pouco verossímeis, está estruturada em interessante jogo especular. O narrador de &lt;b&gt;Soldados de Salamina&lt;/b&gt; é um jornalista e escritor chamado Javier Cercas. Nessa condição, ele muitas vezes desce do pedestal onisciente, onipresente, onipotente, e participa do texto como personagem − daqueles que não se contentam em se movimentarem pela história que estão contando, também querem interferir no andamento narrativo. O problema maior nesse ponto da discussão é que o autor de &lt;b&gt;Soldados de Salamina&lt;/b&gt; também se chama Javier Cercas, jornalista e escritor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora esses homônimos pertençam a estatutos narrativos diferentes, algumas indefinições se projetam no romance − principalmente quando o leitor não se encontra em condições para distinguir um do outro. Aliás, o emaranhado se torna um pouco mais confuso quando entra em cena um terceiro elemento. Em determinado momento do texto, Javier Cercas, o narrador/personagem, se encontra com outro personagem: Roberto Bolaño. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-gci3m9WXIxY/T0zkHrgSHtI/AAAAAAAACzs/sE517u42HHE/s1600/999999.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="192" width="262" src="http://3.bp.blogspot.com/-gci3m9WXIxY/T0zkHrgSHtI/AAAAAAAACzs/sE517u42HHE/s320/999999.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O grande senão dessa situação é que o escritor espanhol Javier Cercas foi grande amigo do escritor chileno Roberto Bolaño (1953-2003). Trocando em miúdos: Os amigos "reais" (seja lá o que isso for) são arremessados para dentro da ficção (lembrando, ao longe, &lt;b&gt;Alice no País das Maravilhas&lt;/b&gt; ou o filme &lt;b&gt;Rosa Púrpura do Cairo&lt;/b&gt;, dirigido por Woody Allen, em 1985)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O personagem Roberto Bolaño conta para o narrador/personagem Javier Cercas como conheceu uma dessas figuras que provavelmente só fazem sentido na ficção. Bolaño estava trabalhando na costa espanhola em um camping de traillers como faxineiro e vigia noturno. Entre os hospedes do lugar estava Antoni Miralles. Logo eles se tornaram amigos. Miralles chamava facilmente a atenção por ter o corpo repleto de cicatrizes, lembranças carinhosas do tempo em que foi soldado republicano em Espanha. Depois, por injunção das circunstâncias políticas, o franquismo tinha ascendido ao poder, foi para o norte de África, onde combateu as forças nazistas. No final da II Guerra Mundial, esteve no front europeu. Depois que terminou o conflito, foi viver em algum lugar de França. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-PoaxSQ4R3Nk/T0zkdYxf7uI/AAAAAAAACz4/LL_pVNr1ht0/s1600/Doc%2B001.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="320" width="213" src="http://3.bp.blogspot.com/-PoaxSQ4R3Nk/T0zkdYxf7uI/AAAAAAAACz4/LL_pVNr1ht0/s320/Doc%2B001.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A história é mirabolante, cheia de detalhes, digressões e bom humor. O narrador/personagem Javier Cercas fica deslumbrado quando descobre que Miralles esteve, em 1939, na região em que Sánches Maza foi fuzilado. Como não poderia ser diferente, resolve procurar pelo ex-soldado, suspeitando (sem o mínimo fundamento) que talvez tenha descoberto quem poupou a vida do falangista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de nova rodada de desencontros, contando com a ajuda de sua namorada, Conchi (hilariante), o narrador/personagem Javier Cercas encontra Miralles em uma casa de repouso para idosos em Dijon, França. A conversa entre os dois é muito engraçada. Miralles é um personagem divertido, daqueles que cultivam suave desrespeito pelo que os mais jovens consideram como importante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-CniINeS4vM4/T0zlMJyA6eI/AAAAAAAAC0E/jwfE9wP0Ev4/s1600/CAZ7M9HACA3ZL1G3CA3UJYMHCARJ486VCAHDG5J6CAW2J9N3CAISN01RCARNLHY9CAC3GNH5CANHFRFZCAK69125CA7ONTO6CAPD3AUUCASIBKVNCA1FRFKHCAW72D13CAGO0ZUFCAUX5NGW.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="269" width="187" src="http://3.bp.blogspot.com/-CniINeS4vM4/T0zlMJyA6eI/AAAAAAAAC0E/jwfE9wP0Ev4/s320/CAZ7M9HACA3ZL1G3CA3UJYMHCARJ486VCAHDG5J6CAW2J9N3CAISN01RCARNLHY9CAC3GNH5CANHFRFZCAK69125CA7ONTO6CAPD3AUUCASIBKVNCA1FRFKHCAW72D13CAGO0ZUFCAUX5NGW.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Ao final das 241 páginas de &lt;b&gt;Soldados de Salamina&lt;/b&gt;, cabe ao leitor decidir se a narrativa se fecha ou se continua aberta. Na ordem geral das coisas, isso pouco importa. A peripécia está em narrar uma série de histórias fantásticas com um mínimo de coerência e técnica. Como observa o narrador, em algumas ocasiões lembrar o passado é uma maneira do passado se agarrar a lembrança de quem o está narrando, um exercício de resistência contra o esquecimento.              &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;P.S&lt;/b&gt;: Há uma versão cinematográfica de &lt;b&gt;Soldados de Salamina&lt;/b&gt;, dirigida por David Trueba, em 2003.        &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-5173576551121088559?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/5173576551121088559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/soldados-de-salamina.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/5173576551121088559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/5173576551121088559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/soldados-de-salamina.html' title='SOLDADOS DE SALAMINA'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-b2oMkQ4EpF0/T0zh1Bveb5I/AAAAAAAACy8/wneE5jyIYQI/s72-c/6G2ADCA4Q8HUUCA6OPMY1CABANR45CABEUK04CAV1AH3ECANW9E2CCAD52XPFCA6D8QKMCAQUKHNQCATMDRQHCA69J5N4CAE9UM2UCAQGDEWSCAIOLNW6CAV044FZCARL8035CA89800DCAMPVQAZ.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-3807820240754041847</id><published>2012-02-27T11:13:00.000-03:00</published><updated>2012-02-27T11:19:03.035-03:00</updated><title type='text'>... AND THE OSCAR GOES TO...</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-7ePdX8_4bZk/T0uNOzzSwII/AAAAAAAACx0/P9FWd16fbHk/s1600/1111111111111111.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="272" width="185" src="http://3.bp.blogspot.com/-7ePdX8_4bZk/T0uNOzzSwII/AAAAAAAACx0/P9FWd16fbHk/s320/1111111111111111.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Todos os anos a história é sempre igual. A síndrome de vira−lata, uma das mais significativas características da nacionalidade brasileira, costuma aparecer em grande estilo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a nossa produção cinematográfica (salvo raríssimas exceções) sempre foi (do ponto de vista qualitativo e financeiro) medíocre, a única chance de obter algum destaque na indústria internacional do entretenimento está em ser contemplado com algum dos prêmios periféricos do Oscar. A bola da vez era a categoria &lt;b&gt;Melhor Canção Original&lt;/b&gt;.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na eterna (e ridícula) disputa contra &lt;i&gt;nuestros hermanos&lt;/i&gt;, os argentinos, que ostentam dois prêmios de Melhor Filme Estrangeiro decorando a sala de jantar (&lt;b&gt;História Oficial&lt;/b&gt;. Dir. Luis Puenzo, 1985; &lt;b&gt;El secreto de sus ojos&lt;/b&gt;. Dir. Juan Jose Campanella, 2009), a imprensa brasileira, seguindo a trilha aberta por uma longa história de sabujismo cultural, pensando na necessidade de compensar o visível complexo de inferioridade que alimentamos diariamente, tentou convencer o Brasil que a dupla "genuinamente" nacional Sérgio Mendes e Carlinhos Brown tinham chances reais de erguerem a taça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-nAPzlM_gO3c/T0uQtmQuIpI/AAAAAAAACyw/Hydo69rEngY/s1600/CAOS6G5BCAY34VY4CAN6J0LMCAKTYZF5CAMNYYDJCA1HK7A0CAH7IACECA27J2ATCAZHZFKRCADJ1S7CCAL5L8UHCAW5RI1QCAFLJGE7CA2ZK91QCA7HTRZICA13UHD6CA300AFACANZ2PUI.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="274" width="184" src="http://2.bp.blogspot.com/-nAPzlM_gO3c/T0uQtmQuIpI/AAAAAAAACyw/Hydo69rEngY/s320/CAOS6G5BCAY34VY4CAN6J0LMCAKTYZF5CAMNYYDJCA1HK7A0CAH7IACECA27J2ATCAZHZFKRCADJ1S7CCAL5L8UHCAW5RI1QCAFLJGE7CA2ZK91QCA7HTRZICA13UHD6CA300AFACANZ2PUI.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Deram com os burros n’água. Os "nossos" músicos e os jornaleiros. Não foi dessa vez. As araras que queriam substituir o Zé Carioca na imagem colonial que identifica a Republica do Bananão foram superadas pelos Muppets.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uivando que a música &lt;b&gt;Real in Rio&lt;/b&gt; era melhor do que &lt;b&gt;Man or Muppet&lt;/b&gt;, incapazes de entender − como manda o script decorado previamente – que é necessário levantar a cabeça, sacudir a poeira e dar a volta por cima, os perdedores não quiseram lamber as próprias feridas. Vão demorar, no mínimo, uma semana para entender o que aconteceu. De qualquer forma, a fila anda, o espetáculo continua. O ano que vem têm mais. Ou menos. Provavelmente mais tolices, menos senso critico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-nKAkZc2y5fQ/T0uNuItvqcI/AAAAAAAACyM/PedU_NVXlN8/s1600/CAB203WYCATZ35IJCA9JX0AMCAA9MMIKCA2KWPHWCAN6MCU8CAZ1UK3MCA49MBNCCA6I0K8BCATPST6RCA0M9I6OCAS0HTL9CAXQTYNACA3AYQT1CAAC0GE0CA2327MYCAWODPL8CAUBB6ES.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="273" width="184" src="http://1.bp.blogspot.com/-nKAkZc2y5fQ/T0uNuItvqcI/AAAAAAAACyM/PedU_NVXlN8/s320/CAB203WYCATZ35IJCA9JX0AMCAA9MMIKCA2KWPHWCAN6MCU8CAZ1UK3MCA49MBNCCA6I0K8BCATPST6RCA0M9I6OCAS0HTL9CAXQTYNACA3AYQT1CAAC0GE0CA2327MYCAWODPL8CAUBB6ES.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A Cerimônia do Oscar, versão 2012, foi de uma chatice inacreditável. Muito pior do que o show costumeiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cenas anteriores a premiação, no tapete vermelho, foram o de sempre, aquele eterno exibicionismo de roupas e jóias, o ridículo característico de &lt;i&gt;nouveau riche&lt;/i&gt;. Similar a uma sessão de tortura em Guantánamo, alimentarão as revistas de fofocas por várias edições. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A "festa" propriamente dita foi comandada pelo sádico−mor Billy Cristal, um sujeito que não tem brilho ou humor ou talento ou qualquer outra qualidade aproveitável. Parece um saco vazio. Aquele mesmo que é usado em demonstrações inequívocas de carinho como &lt;i&gt;privação sensorial&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;water boarding&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em compensação, Michelle Willians (a viúva de Heath Ledger), que concorria ao prêmio de melhor atriz − e não levou − estava linda, lindíssima. Os fãs mais exaltados se lembraram de &lt;b&gt;Dawson’s Creek&lt;/b&gt;, quando a felicidade não era um sonho distante.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-qyjG98G2wwg/T0uOS7SbXdI/AAAAAAAACyY/SMSnszrZmTI/s1600/CADTBK4ACAFITFYQCA32J2CKCA9LVH2CCAYKG1LYCAVSJV0FCAC7NQUGCA574AZZCA5Q0GCZCAZ700Y2CALCC8R2CAC8AG21CA2NYVG0CA03IW6RCAGW2HX0CA3DQF5DCAXV8KVWCA8WDSIC.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="273" width="185" src="http://4.bp.blogspot.com/-qyjG98G2wwg/T0uOS7SbXdI/AAAAAAAACyY/SMSnszrZmTI/s320/CADTBK4ACAFITFYQCA32J2CKCA9LVH2CCAYKG1LYCAVSJV0FCAC7NQUGCA574AZZCA5Q0GCZCAZ700Y2CALCC8R2CAC8AG21CA2NYVG0CA03IW6RCAGW2HX0CA3DQF5DCAXV8KVWCA8WDSIC.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;O Artista&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;A Invenção de Hugo Cabret&lt;/b&gt; foram os grandes premiados da noite, cinco troféus para cada um. O primeiro, quase sem diálogos, é uma "homenagem" ao cinema pré−histórico. O outro, em 3−D, é uma "homenagem" à modernidade. Os dois, instrumentalizados pela globalização, ambicionam ampliar o faturamento nos mercados europeus (sem se importar com a crise econômica que vigora no outro lado do oceano).        &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Woody Allen ganhou mais uma estatueta. Como é de costume, não compareceu à cerimônia. Avesso a toda aquela suntuosidade desnecessária, nunca fez questão de esconder que está enfadado por ganhar prêmios secundários. Desta vez deram a ele o de Roteiro Original por &lt;b&gt;Midnight in Paris&lt;/b&gt;, um filme mediano, mas que recupera a nostalgia de um tempo que só existe como ficção.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-yO2w1xSmB4I/T0uO_jPyuZI/AAAAAAAACyk/hLMFiQ_1tpw/s1600/CABI3RZKCAV67W9QCABF7I8KCAJ9RS2VCA1W2VLYCAWX9D4OCAMDLLL7CABBD66UCAOG6MDSCAN44VYRCAHMS66XCAPQMHFDCAS367N1CAWD6L6XCAIS2EE8CALWUPHYCAFCPSKTCA8QLZOR.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="273" width="184" src="http://2.bp.blogspot.com/-yO2w1xSmB4I/T0uO_jPyuZI/AAAAAAAACyk/hLMFiQ_1tpw/s320/CABI3RZKCAV67W9QCABF7I8KCAJ9RS2VCA1W2VLYCAWX9D4OCAMDLLL7CABBD66UCAOG6MDSCAN44VYRCAHMS66XCAPQMHFDCAS367N1CAWD6L6XCAIS2EE8CALWUPHYCAFCPSKTCA8QLZOR.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Christopher Plummer, 82 anos, finalmente recebeu um prêmio (Ator Coadjuvante).    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De resto, quem gosta de cinema e literatura, ficou com vontade de assistir ao ganhador da categoria Curta de Animação, &lt;b&gt;The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore&lt;/b&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que o Melhor Filme Estrangeiro, o iraniano &lt;b&gt;A Separação&lt;/b&gt; (Dir. Asghar Farhadi) é bom.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Lista de Prêmios&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Melhor filme&lt;/b&gt;: O Artista&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Melhor ator&lt;/b&gt;: Jean Dujardin (O Artista)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Melhor atriz&lt;/b&gt;: Meryl Streep  (A Dama de Ferro)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Melhor ator coadjuvante&lt;/b&gt;: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Melhor atriz coadjuvante&lt;/b&gt;: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Melhor diretor&lt;/b&gt;: Michel Hazanavicius (O Artista)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Melhor roteiro original&lt;/b&gt;: Meia-Noite em Paris (Woody Allen)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Melhor roteiro adaptado&lt;/b&gt;: Os Descendentes (Alexander Payne, Nat Faxon, Jim Rash)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Melhor animação&lt;/b&gt;: Rango&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Melhor filme estrangeiro&lt;/b&gt;: A Separação (Asghar Farhadi, Irã)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Melhor fotografia&lt;/b&gt;: A Invenção de Hugo Cabret (Robert Richardson)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Melhor edição&lt;/b&gt;: Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres (Angus Wall, Kirk Baxter)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Melhor direção de arte&lt;/b&gt;: A Invenção de Hugo Cabret (Dante Ferretti, Francesca Lo Schiavo)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Melhor figurino&lt;/b&gt;: O Artista (Mark Bridges)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Melhor maquiagem&lt;/b&gt;: A Dama de Ferro&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Melhor trilha sonora original&lt;/b&gt;: O Artista (Ludovic Bource)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Melhor canção original&lt;/b&gt;: Os Muppets (Bret McKenzie, "Man or Muppet")&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Melhor mixagem de som&lt;/b&gt;: A Invenção de Hugo Cabret&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Melhor edição de som&lt;/b&gt;: A Invenção de Hugo Cabret&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Melhores efeitos visuais&lt;/b&gt;: A Invenção de Hugo Cabret&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Melhor documentário&lt;/b&gt;: Undefeated&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Melhor documentário (curta)&lt;/b&gt;: Saving Face&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Melhor curta de animação&lt;/b&gt;: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore (William Joyce, Brandon Oldenburg)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Melhor curta-metragem&lt;/b&gt;: The Shore (Terry George)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-3807820240754041847?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/3807820240754041847/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/and-oscar-goes-to.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/3807820240754041847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/3807820240754041847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/and-oscar-goes-to.html' title='... AND THE OSCAR GOES TO...'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-7ePdX8_4bZk/T0uNOzzSwII/AAAAAAAACx0/P9FWd16fbHk/s72-c/1111111111111111.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-3142599939921734836</id><published>2012-02-24T10:46:00.000-02:00</published><updated>2012-02-25T11:18:47.087-02:00</updated><title type='text'>MILLENNIUM, O FILME</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Ip0AVIHHylI/T0eAMnsjJiI/AAAAAAAACwI/BHJR_4Kg0Eg/s1600/CAQ9JUD0CA0I3ZHZCAN9TGMMCAF7P0KVCA1JV8N6CATI31UICACT8QJ1CAUQ948PCAOWO0AQCAXA539ZCAOHHTWUCA43N4SFCA7CA8JZCAFHLSIPCADKMEGKCAVOVJVPCACLWK52CA4ICWP1.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="274" width="184" src="http://3.bp.blogspot.com/-Ip0AVIHHylI/T0eAMnsjJiI/AAAAAAAACwI/BHJR_4Kg0Eg/s320/CAQ9JUD0CA0I3ZHZCAN9TGMMCAF7P0KVCA1JV8N6CATI31UICACT8QJ1CAUQ948PCAOWO0AQCAXA539ZCAOHHTWUCA43N4SFCA7CA8JZCAFHLSIPCADKMEGKCAVOVJVPCACLWK52CA4ICWP1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;Se eu pudesse, casava com ela&lt;/i&gt;, disse um dos espectadores um pouco antes de começar a sessão. Estava se referindo a Lisbeth Salander − a garota com a tatuagem do dragão. Provavelmente, o mundo está cheio de gente que pensa igual. Salander é uma espécie de sonho de consumo da comunidade alternativa: anarquistas, roqueiros, punks, nerds, hackers, "natiurébas", intelectuais−de−fim−de–semana, hippies tardios, a fauna toda. Ah, não é possível esquecer, os fascistas também a querem (por motivos diferentes, é claro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa legião de fãs provavelmente aumentou depois da nova versão cinematográfica de &lt;b&gt;Os Homens que Não Amavam as mulheres&lt;/b&gt;. Não satisfeita que o sueco &lt;b&gt;Mænd der hader kvinder&lt;/b&gt; (Dir. Niels Arden Oplev, 2009) tivesse tentado destruir o romance escrito por Stieg Larsson, a indústria cinematográfica estadunidense e inglesa também quis cometer o crime. E conseguiu. &lt;b&gt;Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres&lt;/b&gt; (título original: &lt;b&gt;The Girl With a Dragon Tattoo&lt;/b&gt;. Dir. David Fincher, 2011) não é exatamente um fracasso, mas está muito longe de ser um filme a ser lembrado daqui a dois anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-cGFpZs2Qt1w/T0eAZM89KiI/AAAAAAAACwU/zew8YTZh1Aw/s1600/CARI6FZECAZU4357CA2EC69YCAM22K52CAEOU3RGCAQEWEZICA9CFP04CA9ISO2ZCA7LSPN0CAE3FTZRCAFK9WF9CARTPNTFCAIHAIAUCAJ2V68BCAOCJV1HCA24BCTFCALW422RCAFLMQF2.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="225" width="225" src="http://3.bp.blogspot.com/-cGFpZs2Qt1w/T0eAZM89KiI/AAAAAAAACwU/zew8YTZh1Aw/s320/CARI6FZECAZU4357CA2EC69YCAM22K52CAEOU3RGCAQEWEZICA9CFP04CA9ISO2ZCA7LSPN0CAE3FTZRCAFK9WF9CARTPNTFCAIHAIAUCAJ2V68BCAOCJV1HCA24BCTFCALW422RCAFLMQF2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Quem leu as 522 páginas do texto não deve ter gostado da adaptação. Se cinema é imagem em ação, a parte literária sempre fica empobrecida quando o roteiro "come" milhares de pormenores. No caso do romance de Stieg Larsson, que não recebeu o necessário desbaste antes de ser publicado, todos os detalhes são fundamentais.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres&lt;/b&gt; é um filme cheio de elipses, de sobressaltos, de "furos" bastante significativos. Um dos pormenores a se destacar se refere ao encontro de Mikael com Harriet Vanger na Austrália – e que não ocorre no filme. Mais uma prova de que a limitação do cinema comercial (que não consegue desenvolver narrativas com mais de duas horas e meia de duração) e a impossibilidade da adaptação literal implicam – necessariamente − em mutilação literária.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-9ZcSwppypG8/T0eDPg5yJfI/AAAAAAAACxQ/tTFKZacPIK8/s1600/CAOKEDGXCATOQNG5CAQ3027TCA7R1GX2CA71BVQOCAEFXBCPCADCFFRSCAVM7FH0CAG4ED8BCA03TVRFCASBR0NNCA4MD6VNCA4WN4WICA5PDJPICA511C2PCAFVGWHJCAW3Q6FJCAEGXTS8.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="230" width="219" src="http://2.bp.blogspot.com/-9ZcSwppypG8/T0eDPg5yJfI/AAAAAAAACxQ/tTFKZacPIK8/s320/CAOKEDGXCATOQNG5CAQ3027TCA7R1GX2CA71BVQOCAEFXBCPCADCFFRSCAVM7FH0CAG4ED8BCA03TVRFCASBR0NNCA4MD6VNCA4WN4WICA5PDJPICA511C2PCAFVGWHJCAW3Q6FJCAEGXTS8.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Outro ponto de discórdia, agora no plano cinematográfico propriamente dito, está no ator escolhido para interpretar Mikael Blomkvist. O inglês (ex−James Bond) Daniel Craig é um desastre. O cara parece estar engessado. Falta−lhe o necessário &lt;i&gt;physique du role&lt;/i&gt;, como se dizia antigamente, quando os critérios para definir o talento cênico eram outros – e bem menos cínicos.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em compensação, Rooney Mara consegue captar a essência dark de Lisbeth Salander: magérrima, estatura baixa, nunca olhando de frente para o interlocutor, faminta sexual, pesquisadora incansável, fanática por equipamentos eletrônicos. A personagem está identificada na beleza bruta do uniforme transgressor (piercings, tatuagens, botas, roupas pretas e folgadas). Provavelmente, muitos dos admiradores de Lisbeth Salander, ao vê−la ganhar vida na tela, ficaram excitados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-wokyeK5oG6w/T0eDei5u_NI/AAAAAAAACxc/rVTGv4xTxM8/s1600/Doc.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="279" width="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-wokyeK5oG6w/T0eDei5u_NI/AAAAAAAACxc/rVTGv4xTxM8/s320/Doc.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;No conjunto, o filme parece estar picotado. Muitas das imagens e idéias não fazem sentido. Entre dezenas de cenas que desapareceram entre o livro e o filme, um dos elementos decisivos para resolver o primeiro mistério (a "morte" de Harriet) é uma fotografia. O encadeamento narrativo fica prejudicado nesse trecho porque todo esse processo de raciocínio está acelerado. A forma com que Mikael constrói uma hipótese através da seqüência fotográfica no computador é atordoante. Com um pouco mais de paciência, talvez o entendimento ficasse mais fácil. É um daqueles casos em que menos não significa mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-jGUb3nminNM/T0eEaOzxJ3I/AAAAAAAACxo/Sgi-OfLb_WU/s1600/4126405386_2238cd3488_o.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="320" width="234" src="http://3.bp.blogspot.com/-jGUb3nminNM/T0eEaOzxJ3I/AAAAAAAACxo/Sgi-OfLb_WU/s320/4126405386_2238cd3488_o.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Quanto ao segundo mistério (o caso Wennerström e a "expropriação" das contas bancárias na Suíça), coitado do espectador. A solução para tamanha confusão é simples: comprar o livro e ler. Não será no filme que essa parte da narrativa terá lógica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stieg Larsson, o autor da trilogia &lt;b&gt;Millennium&lt;/b&gt;, morreu em 2004, logo depois de entregar ao seu editor os originais dos livros que constituem a trilogia. Foi vítima de um ataque cardíaco. Se vivo estivesse, depois de ver &lt;b&gt;The Girl With a Dragon Tattoo&lt;/b&gt;, talvez precisasse ser conduzido ao hospital, antecipando o colapso fatal. Nenhum escritor merece ver uma adaptação ruim de seus livros. Caso escapasse de um dano maior, Stieg Larsson, no mínimo, "morreria de vergonha".   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-3142599939921734836?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/3142599939921734836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/millennium-o-filme.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/3142599939921734836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/3142599939921734836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/millennium-o-filme.html' title='MILLENNIUM, O FILME'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Ip0AVIHHylI/T0eAMnsjJiI/AAAAAAAACwI/BHJR_4Kg0Eg/s72-c/CAQ9JUD0CA0I3ZHZCAN9TGMMCAF7P0KVCA1JV8N6CATI31UICACT8QJ1CAUQ948PCAOWO0AQCAXA539ZCAOHHTWUCA43N4SFCA7CA8JZCAFHLSIPCADKMEGKCAVOVJVPCACLWK52CA4ICWP1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-6322731953087651277</id><published>2012-02-23T15:17:00.000-02:00</published><updated>2012-02-23T15:17:27.602-02:00</updated><title type='text'>AS CRÔNICAS DE GELO E FOGO (O FESTIM DOS CORVOS – LIVRO QUATRO)</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-d0tfTG0xGvo/T0ZzQbrBdEI/AAAAAAAACvY/MTLtQaHsOv0/s1600/33333333.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="266" width="190" src="http://3.bp.blogspot.com/-d0tfTG0xGvo/T0ZzQbrBdEI/AAAAAAAACvY/MTLtQaHsOv0/s320/33333333.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A difícil arte de contar histórias (&lt;b&gt;a faculdade de intercambiar experiências&lt;/b&gt;, como dizia Walter Benjamin) encontra algumas dificuldades nestes tempos a−pós−o−moderno. A fluidez e o descartável (em conjunto com as más−intenções do capitalismo tardio e predatório que devasta a racionalidade iluminista) fizeram um estrago que vai demorar séculos para ser corrigido. Ou esquecido. No entanto, quando alguém anuncia que vai escrever uma narrativa em sete volumes, cada um deles com cerca de 700 páginas, é preciso, no mínimo, prestar atenção. O que será que ele "viu", que outros escritores não viram? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;As Crônicas de Gelo e Fogo&lt;/b&gt; é uma espécie de contos de fadas para adultos. Ou, para ser mais exato, uma fantasia para pós−adolescentes (principalmente aqueles que gostam de jogos como &lt;b&gt;Magic&lt;/b&gt; ou &lt;b&gt;Dungeons and Dragons&lt;/b&gt;). Ambientada em uma espécie de Idade Média &lt;b&gt;ad hoc&lt;/b&gt;, onde o Estado e a ambição dos indivíduos brigam a cada segundo por uma fatia de poder, a narrativa não esconde que todos (autor, narrador, personagens) estão com fome. Seja por comida, seja por algum tipo de influência no ordenamento social. Pouco importa qual é o combustível. Saciar essa necessidade é tarefa de difícil execução. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-_ZvTZdrDWXY/T0Zzh6wDFfI/AAAAAAAACvk/4ZBRiPRmHLA/s1600/031.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="222" width="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-_ZvTZdrDWXY/T0Zzh6wDFfI/AAAAAAAACvk/4ZBRiPRmHLA/s320/031.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Guardadas as devidas proporções − e descontando certos exageros − &lt;b&gt;As Crônicas de Gelo e Fogo&lt;/b&gt; é um imenso painel da condição humana. Por isso mesmo é que não é uma narrativa para ser lida em sala de aula (como, por exemplo, os volumes da série Harry Potter). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem perder tempo com discussões sobre a ingenuidade e o romantismo, as intensas batalhas – mimetizadas em rios de sangue − estão misturadas com o erotismo. O sexo aparece constantemente (em descrições, digamos, discretas). Em alguns momentos, seguindo algumas lições ministradas pela vida política, a cama é o melhor lugar para combater a morte e lutar pela vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos quatro primeiros volumes da série não houve economia de personagens. Milhares entram em cena para morrerem alguns parágrafos depois. Outros são tragados pelas maledicências palacianas (em algumas situações, muito mais selvagens, mais covardes, do que o combate corpo−a−corpo). Aqueles que sobrevivem às contendas bélicas e sociais não possuem a mínima garantia de continuar existindo. Provavelmente se transformarão em vítimas em futuro não muito distante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-PzhQjY46QRU/T0Zz5VYYBQI/AAAAAAAACvw/fJD9Fuxz2GU/s1600/CA0JY351CAOKDKOSCAQTPS5QCAHU3H13CAF7AERVCAPQZDTZCALMYVY3CAPZ4FL9CAVUKE4NCAUSJVM3CA339FL1CAN07J5HCAP00A11CAEME15VCAQP01ZKCA3TVG09CAGJ5SPMCALL7OUM.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="176" width="287" src="http://2.bp.blogspot.com/-PzhQjY46QRU/T0Zz5VYYBQI/AAAAAAAACvw/fJD9Fuxz2GU/s320/CA0JY351CAOKDKOSCAQTPS5QCAHU3H13CAF7AERVCAPQZDTZCALMYVY3CAPZ4FL9CAVUKE4NCAUSJVM3CA339FL1CAN07J5HCAP00A11CAEME15VCAQP01ZKCA3TVG09CAGJ5SPMCALL7OUM.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O genocídio ficcional serve de aviso para o leitor não se apegar afetivamente com algum personagem. Provavelmente a desgraça alcançará a todos (leitor e personagem) em alguma página.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quarto volume, denominado &lt;b&gt;O Festim dos Corvos&lt;/b&gt;, segue os princípios mais elementares da técnica diversionista. Ao mesmo tempo em que é divertido, também procura escapar do tema básico da narrativa. Em lugar de tentar responder às perguntas formuladas nos volumes anteriores, preocupa−se em acrescentar novos elementos, novas questões. De certa forma, é um exercício competente da nobre arte de "encher lingüiça". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paradoxalmente, essa estratégia (que reúne o tergiversar e o postergar) funciona. O leitor, em lugar de dar vazão à frustração, se deixa envolver pela narrativa e, momentaneamente, esquece de Jon Snow, Tyrion Lannister, dos irmãos Brandon e Rickon Stark e de Daenerys Targaryen. As ameaças contra a &lt;b&gt;Muralha&lt;/b&gt; e os dragões também ficam de lado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-_o95_hO06F8/T0Z0KR8ty6I/AAAAAAAACv8/McQMLjAaMu8/s1600/CAKL3SJZCACJABSJCAG6Z5K3CAU1EMLPCADIYM6ECAFCH6XTCA3G9WJ3CA13CJC6CAXVREU4CAKF0XDSCAL46RVACAMFKLN0CAWDX45UCAKCM3BSCAJBSDABCA4K1AXTCAVDM83ZCADHUP9M.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="243" width="208" src="http://3.bp.blogspot.com/-_o95_hO06F8/T0Z0KR8ty6I/AAAAAAAACv8/McQMLjAaMu8/s320/CAKL3SJZCACJABSJCAG6Z5K3CAU1EMLPCADIYM6ECAFCH6XTCA3G9WJ3CA13CJC6CAXVREU4CAKF0XDSCAL46RVACAMFKLN0CAWDX45UCAKCM3BSCAJBSDABCA4K1AXTCAVDM83ZCADHUP9M.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A terra devastada é o cenário do quarto volume de &lt;b&gt;As Crônicas de Gelo e Fogo&lt;/b&gt;. Personagens até então secundários ganham destaque (Jaime Lannister e Samwell Tarly, por exemplo). As sobras da guerra continuam respingando nos camponeses. A nobreza vive em um mundo a parte, incapaz de reconhecer nos destroços o esqueleto podre de um poder que não existe mais: dividem o tempo entre mexericos e novas trapaças. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final do volume, o leitor, descobre o elementar: em 586 páginas de texto nada foi decidido. Seguindo a regra básica dos folhetins: não percam o próximo capítulo.       &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-6322731953087651277?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/6322731953087651277/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/as-cronicas-de-gelo-e-fogo-o-festim-dos.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/6322731953087651277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/6322731953087651277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/as-cronicas-de-gelo-e-fogo-o-festim-dos.html' title='AS CRÔNICAS DE GELO E FOGO (O FESTIM DOS CORVOS – LIVRO QUATRO)'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-d0tfTG0xGvo/T0ZzQbrBdEI/AAAAAAAACvY/MTLtQaHsOv0/s72-c/33333333.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-226865844713989213</id><published>2012-02-22T14:26:00.001-02:00</published><updated>2012-02-24T11:43:45.173-02:00</updated><title type='text'>A MORTE DA PORTA−ESTANDARTE E OUTRAS HISTÓRIAS</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-ITOgdGjX8lk/T0UXDNzN7YI/AAAAAAAACvM/UF-F1SJE-_8/s1600/22222.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="259" width="194" src="http://1.bp.blogspot.com/-ITOgdGjX8lk/T0UXDNzN7YI/AAAAAAAACvM/UF-F1SJE-_8/s320/22222.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Morreu a porta−estandarte. A avenida colorida, o volume alto da música, os foliões dançando. A notícia se espalhou como rastilho de pólvora. Morte de manchete de jornal ou de conto antigo, época em que o amor complementava a vida e diminuía o medo da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O samba anestesiando as prestações atrasadas da geladeira. Alguns minutos antes, a mulata estava acompanhada por algumas flâmulas, panos coloridos carregados pelo vento e pela alegria. Dezenove anos. A ginga, os seios de bom tamanho, a bunda empinada, o corpo ebúrneo. Olhares e pensamentos indecentes. Convites ao pecado, às ilusões de carnaval. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deveria ter proibido que ela saísse de casa. A diversão era sua. Ela nua. Ele e ela. Ninguém mais. A multidão embaralha a felicidade. Homens mascarados, mascando a impaciência do macho à procura de fêmea. Há sempre uma possibilidade de desgraça escondida em cada esquina, em cada porta de botequim, em cada vitrine de loja.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vozes maternas apavoradas. Sem entender nada, sem saber o que aconteceu. Onde está minha filha? Corre−corre angustiado. Empurrões. Blocos de sujos sendo desfeitos. Olhares de indignação. Em seguida, o alívio: foi a filha de outra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Jubv5tvsPwU/T0UWyz8F8zI/AAAAAAAACvA/Je7OyLs0CLQ/s1600/SYLUNCANQKH5OCA7BLTE5CAJS575ECA0RMCVQCAIA9X9ZCAWLQRDNCA1JQZ7JCAYDVLOUCA40M5U2CA0RDN1OCABQ8GCSCA1YZZ7ACAPTM6SACAS3U63ZCA8FM47FCAW3TR4ECAOU0P1SCA25Y6MC.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="184" width="112" src="http://4.bp.blogspot.com/-Jubv5tvsPwU/T0UWyz8F8zI/AAAAAAAACvA/Je7OyLs0CLQ/s320/SYLUNCANQKH5OCA7BLTE5CAJS575ECA0RMCVQCAIA9X9ZCAWLQRDNCA1JQZ7JCAYDVLOUCA40M5U2CA0RDN1OCABQ8GCSCA1YZZ7ACAPTM6SACAS3U63ZCA8FM47FCAW3TR4ECAOU0P1SCA25Y6MC.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O amor não resiste à insegurança, ao medo da perda. Todas as histórias que envolvem afetos anunciam finais trágicos. Pierrôs e Colombinas mentem a respeito da sorte ao som dos tamborins, bumbos e cuícas. Nem mesmo o beijo mais apaixonado é capaz de preencher uma cama vazia. A centelha de dúvida produz a crueldade. O ciúme é uma doença incurável, secura a destruir a plantação, ausência de esperanças, impossível encontrar algum manancial d’água para eliminar a sede, para alterar a terra arrasada.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corpo da cabrocha estendido na avenida. Parece dormir. A faca esculpiu uma rosa de sangue no seio esquerdo. Ao lado, o dublê de amante e assassino − &lt;b&gt;sendo levado agora para um destino que lhe é indiferente.&lt;/b&gt; Os olhares dos passageiros dos bondes se perdem na distância, deixando para trás os paralelepípedos sujos com o horror.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida recomeça na quarta-feira de cinzas.  &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-226865844713989213?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/226865844713989213/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/morte-da-portaestandarte-e-outras.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/226865844713989213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/226865844713989213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/morte-da-portaestandarte-e-outras.html' title='A MORTE DA PORTA−ESTANDARTE E OUTRAS HISTÓRIAS'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-ITOgdGjX8lk/T0UXDNzN7YI/AAAAAAAACvM/UF-F1SJE-_8/s72-c/22222.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-4495109721551084664</id><published>2012-02-17T10:56:00.000-02:00</published><updated>2012-02-17T10:56:30.896-02:00</updated><title type='text'>ÁRABES E BRASILEIROS</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-4G9qKDC1ysE/Tz5Lymf3VFI/AAAAAAAACuE/ZKbHbC-icOs/s1600/CAF5UU12CA65MCMECAH7WMJGCAIXDLPOCAF244R6CAYT565RCA7IOU39CAXJDM4ECAA6ZOJECASGB5WWCAY5PUDFCAG6HOITCAR4XB3NCAO2L6KZCA8OLPI0CACKPM8XCAAHSGAPCA4B6IOP.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="189" width="266" src="http://2.bp.blogspot.com/-4G9qKDC1ysE/Tz5Lymf3VFI/AAAAAAAACuE/ZKbHbC-icOs/s320/CAF5UU12CA65MCMECAH7WMJGCAIXDLPOCAF244R6CAYT565RCA7IOU39CAXJDM4ECAA6ZOJECASGB5WWCAY5PUDFCAG6HOITCAR4XB3NCAO2L6KZCA8OLPI0CACKPM8XCAAHSGAPCA4B6IOP.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Durante muitos anos o que se conhecia da literatura de origem árabe se resumia a algumas lendas religiosas. E &lt;b&gt;As Mil e Uma Noites&lt;/b&gt;. Tradução ruim, de segunda mão − visto que (para seguir as regras da época) ninguém se esforçou para verter a narrativa tendo como base o texto original. Esse crime só foi corrigido recentemente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram o libanês Gibran Khalil Gibran e o egípcio Nagib Mahfuz, prêmio Nobel de literatura em 1988, que reverteram um pouco desse panorama. Os livros de Gibran foram muito lidos entre os anos 60 e 70 do século XX. A publicação da trilogia de Mahfuz sobre a vida no Cairo (&lt;b&gt;Entre Dois Palácios&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;O Jardim do Passado&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;O Palácio do Desejo&lt;/b&gt;) despertou a curiosidade de muitos leitores. E, de certa forma, possibilitou que outros autores de origem árabe fossem traduzidos e publicados no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-ZW2Dcd-xkJM/Tz5MIqSIyvI/AAAAAAAACuQ/y8ibNNUfxbk/s1600/CAOIE78ZCA4XIE2NCAG5AAMCCAD6PT3XCABZ44R1CAFOIS9XCAKHINJPCAEY9NHJCA5IONQRCAUU7IVDCA2OULYOCA20321YCA2VXUBBCA1SB8NBCARUISJPCA6AB24QCAULLWLRCAEA3ZG2.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="269" width="187" src="http://3.bp.blogspot.com/-ZW2Dcd-xkJM/Tz5MIqSIyvI/AAAAAAAACuQ/y8ibNNUfxbk/s320/CAOIE78ZCA4XIE2NCAG5AAMCCAD6PT3XCABZ44R1CAFOIS9XCAKHINJPCAEY9NHJCA5IONQRCAUU7IVDCA2OULYOCA20321YCA2VXUBBCA1SB8NBCARUISJPCA6AB24QCAULLWLRCAEA3ZG2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Atualmente, quem quiser conhecer um pouco melhor essa cultura literária não encontrará dificuldades. Desastres políticos como o 11 de setembro e a causa palestina, por motivos diferentes, criaram um público curioso para conhecer melhor a prosa e a poesia dos árabes. A indústria editorial, sem muito escrúpulo e alguma alegria, colocou nas prateleiras das livrarias tudo o que foi possível. Desde &lt;b&gt;Uma história dos povos árabes&lt;/b&gt; (Albert Hourani) até a obra humanista de Edward Said (&lt;b&gt;Orientalismo&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Cultura e Imperialismo&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Reflexões sobre o Exílio&lt;/b&gt;,...). Muitos dos romances de Tarik Ali, Elias Khoury e Tahar Ben Jelloun, para citar três escritores bastante conhecidos no Ocidente, também foram publicados ao lado de narrativas como &lt;b&gt;Tempo de Migrar para o Norte&lt;/b&gt; (Tayeb Salih), &lt;b&gt;No País dos Homens&lt;/b&gt; (Hisham Matar) ou Eu vi Ramallah (Mourid Barghouti). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem gosta de poesia encontra em &lt;b&gt;Os Poemas Suspensos&lt;/b&gt; um clássico indispensável. Aliás, a poesia árabe é de excelente qualidade e já está, em parte, disponível em português, como comprovam as publicações de &lt;b&gt;Livro das Cento e Uma Noites&lt;/b&gt; (Histórias árabes da Tunísia), &lt;b&gt;A sombra do Amado&lt;/b&gt; (Poemas de Rumi) ou &lt;b&gt;Poesia Palestina de Combate&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-mPewg4HI5F0/Tz5MialjjxI/AAAAAAAACuc/uNkJ_5BeEpA/s1600/CA62NOL2CAVQYBG3CATKNB7PCA6OXUUXCAUF0QPGCA7LGWPRCARBYRJICAZLMXE1CAPHXSI2CAM6N89JCAZO82PGCAEK90MNCALZTMUCCATXOGYCCAEA6ZENCAEB5XG8CA8EP02MCA029DU8.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="271" width="186" src="http://1.bp.blogspot.com/-mPewg4HI5F0/Tz5MialjjxI/AAAAAAAACuc/uNkJ_5BeEpA/s320/CA62NOL2CAVQYBG3CATKNB7PCA6OXUUXCAUF0QPGCA7LGWPRCARBYRJICAZLMXE1CAPHXSI2CAM6N89JCAZO82PGCAEK90MNCALZTMUCCATXOGYCCAEA6ZENCAEB5XG8CA8EP02MCA029DU8.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Contrastando com os estrangeiros, há os árabes brasileiros. A ficção está representada pela prosa densa e lírica de Raduan Nassar (&lt;b&gt;Lavoura Arcaica&lt;/b&gt;), além de Milton Hatoum (&lt;b&gt;Relato de um Certo Oriente&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Dois Irmãos&lt;/b&gt;) e Alberto Mussa (&lt;b&gt;Elegbara&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;O enigma de Qaf&lt;/b&gt;). Mamede Mustafa Jarouche, Safa Abou Chahla Jubran e Miguel Attie Filho, entre outros, representam a faceta acadêmica dos estudos árabes.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda no plano ficcional, um dos pontos altos da ficção brasileira está representado pelo projeto desenvolvido por Adriana Armory e Tatiana Salem Levy: o livro de contos &lt;b&gt;Primos&lt;/b&gt; (histórias da herança árabe e judaica). Pelo lado árabe, Alberto Mussa, Carlos Nejar, Eliane Ganem, Fabrício Carpinejar, George Bourdoukan, Luiz Antonio Aguiar, Márcia Bechara, Salim Miguel, Samir Yazbek e Whisner Fraga. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-QRdxvmNr6-c/Tz5NOV-9t6I/AAAAAAAACuo/4Eg8Vc5UQ4U/s1600/CAWIYG0CCAA0UB12CAHU5RCICAWQ0OX1CAL9J5LYCAIUJ1RPCA022RV3CAIEAGEICAU8OH3CCATC8M3BCAN2ZEFBCA3T8N3SCARLPXXECAU11VJ6CASAP28LCARHY834CA7NQJ3ACANJZARE.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="277" width="182" src="http://3.bp.blogspot.com/-QRdxvmNr6-c/Tz5NOV-9t6I/AAAAAAAACuo/4Eg8Vc5UQ4U/s320/CAWIYG0CCAA0UB12CAHU5RCICAWQ0OX1CAL9J5LYCAIUJ1RPCA022RV3CAIEAGEICAU8OH3CCATC8M3BCAN2ZEFBCA3T8N3SCARLPXXECAU11VJ6CASAP28LCARHY834CA7NQJ3ACANJZARE.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Evidentemente, há outros autores, outros livros. A prosa e a poesia árabes (seja no Brasil, seja no Oriente Médio) são muito criativas – e é um desperdício não conhecer esse manancial de belezas.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;EU SOU DE LÁ&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;(&lt;i&gt;Mahmud Darwich&lt;/i&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu venho de lá e recordo, &lt;br /&gt;que nasci como todo mundo nasce, tenho uma mãe &lt;br /&gt;e uma casa com muitas janelas, &lt;br /&gt;tenho irmãos, amigos e uma prisão. &lt;br /&gt;Tenho uma onda marinha que a gaivota arrebentou &lt;br /&gt;tenho uma visão de mim mesmo e uma folha de capim &lt;br /&gt;tenho uma lua passada no auge das palavras &lt;br /&gt;tenho comida divina de pássaros e uma oliveira &lt;br /&gt;além da quilha do tempo &lt;br /&gt;atravessei a terra antes que espadas tornassem &lt;br /&gt;os corpos banquetes. &lt;br /&gt;Eu venho dali. &lt;br /&gt;Eu faço o céu retornar à sua mãe &lt;br /&gt;quando por sua mãe chorar, &lt;br /&gt;e eu choro querendo o retorno de uma nuvem &lt;br /&gt;para me conhecer. &lt;br /&gt;Eu aprendi as palavras de tribunais manchados de sangue &lt;br /&gt;de forma a quebrar as regras. &lt;br /&gt;Eu aprendi e desmantelei todas as palavras &lt;br /&gt;para construir uma única: Lar.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-4495109721551084664?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/4495109721551084664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/arabes-e-brasileiros.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/4495109721551084664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/4495109721551084664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/arabes-e-brasileiros.html' title='ÁRABES E BRASILEIROS'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-4G9qKDC1ysE/Tz5Lymf3VFI/AAAAAAAACuE/ZKbHbC-icOs/s72-c/CAF5UU12CA65MCMECAH7WMJGCAIXDLPOCAF244R6CAYT565RCA7IOU39CAXJDM4ECAA6ZOJECASGB5WWCAY5PUDFCAG6HOITCAR4XB3NCAO2L6KZCA8OLPI0CACKPM8XCAAHSGAPCA4B6IOP.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-7875947169773303950</id><published>2012-02-16T15:15:00.000-02:00</published><updated>2012-02-17T10:41:03.806-02:00</updated><title type='text'>XIS−TUDO</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-l7bZOEdb4u8/Tz01EA49ZMI/AAAAAAAACsw/shAlBLvKrZ0/s1600/CA8MP34UCAVK1TEGCABM3700CAJLR375CA09W13KCADTO9JTCABWZ7BYCAH8F6WSCA5OIOKQCAH9TC08CAP2DPL8CA5Q72INCAUGM4GOCAOW9685CA0HT036CAQZZXOUCATLIGXFCA3GESTY.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="194" width="260" src="http://1.bp.blogspot.com/-l7bZOEdb4u8/Tz01EA49ZMI/AAAAAAAACsw/shAlBLvKrZ0/s320/CA8MP34UCAVK1TEGCABM3700CAJLR375CA09W13KCADTO9JTCABWZ7BYCAH8F6WSCA5OIOKQCAH9TC08CAP2DPL8CA5Q72INCAUGM4GOCAOW9685CA0HT036CAQZZXOUCATLIGXFCA3GESTY.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Qual é a palavra mais bonita da língua portuguesa? Essa é uma daquelas perguntas que aceitam trezentas respostas diferentes. Todas corretas. Ou erradas. Depende de quem precisa sair dessa sinuca de bico. De qualquer maneira, preferências pessoais precisam ser respeitadas. Cada indivíduo tem o direito de escolher o que lhe faz feliz, mesmo se for apenas um aprendiz. Faz parte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A formação da língua portuguesa, na variante falada no Brasil, lembra uma colcha de retalhos. Somos lexicalmente híbridos. No mínimo. Tudo começou com as tribos bárbaras que viviam no Condado Portucalense e na Península Ibérica. Quando os romanos unificaram a região − pela força das lanças e espadas −, trouxeram na bagagem o latim vulgar. Essa mistura, acrescida de um pouco de grego, formou aquilo que, na falta de melhor expressão, chamamos de língua portuguesa. Com o passar dos séculos, novos acréscimos: espanhol e árabe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando as caravelas de Pedro Álvares Cabral avistaram o Monte Pascoal, em 1500, não imaginavam a riqueza lingüística de alguns grupos indígenas (especialmente Tupi e Macro−Jê). Com a colonização de Pindorama, algumas palavras e expressões foram sendo adicionadas ao léxico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-QS6FRVmPSaA/Tz01tDiR7mI/AAAAAAAACtI/om98Vnk0ArM/s1600/CALWB0NGCAWIZZ2PCAP1XOXXCAS3M7CQCA3JFVE9CAHUB1AECATT7I7VCAYJ3VL4CA9KO445CAG89PRVCAZO2MR9CAN8NKDOCA8VPQ38CAED3IVYCA1X1WYECA0C2RSSCA1DHQU9CA76FFSP.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="179" width="143" src="http://1.bp.blogspot.com/-QS6FRVmPSaA/Tz01tDiR7mI/AAAAAAAACtI/om98Vnk0ArM/s320/CALWB0NGCAWIZZ2PCAP1XOXXCAS3M7CQCA3JFVE9CAHUB1AECATT7I7VCAYJ3VL4CA9KO445CAG89PRVCAZO2MR9CAN8NKDOCA8VPQ38CAED3IVYCA1X1WYECA0C2RSSCA1DHQU9CA76FFSP.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Os maiores acréscimos lingüísticos datam da época da escravidão. Milhares de africanos foram seqüestrados de suas moradias e trazidos à força para o Brasil. Como falavam línguas e dialetos muito diferentes (Iorubá ou Nagô, Quimbundo), a contribuição que forneceram ao português é impressionante e inestimável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por algum fenômeno difícil de explicar, mesmo com todos esses acréscimos, a estrutura básica do português não se modificou. Ao contrário de algumas regiões sul−americanas, colonizadas por espanhóis, um dialeto &lt;b&gt;crioulo&lt;/b&gt; não se formou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-_P_pi6yqktE/Tz013ae6GsI/AAAAAAAACtU/KLElP7K61tk/s1600/CA3WNJ6ZCARLCZW5CAVSFF4JCA9252SXCA3N1RWUCAFD5WDQCAL954A5CAMTZT5UCA98WP17CAA97Z1WCA2RS77PCAMPAZ8TCA6JEM6ZCA5EGBIKCA10KETSCASMFTC4CA91FC2MCA8VK2V8.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="259" width="194" src="http://3.bp.blogspot.com/-_P_pi6yqktE/Tz013ae6GsI/AAAAAAAACtU/KLElP7K61tk/s320/CA3WNJ6ZCARLCZW5CAVSFF4JCA9252SXCA3N1RWUCAFD5WDQCAL954A5CAMTZT5UCA98WP17CAA97Z1WCA2RS77PCAMPAZ8TCA6JEM6ZCA5EGBIKCA10KETSCASMFTC4CA91FC2MCA8VK2V8.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;De qualquer forma, não é possível ignorar que o Reino de Portugal, em decreto de 3 de maio de 1757, proibiu o uso da "língua geral" nas escolas. Só era permitido ensinar o português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No século XIX, algumas regiões do país receberam novos contingentes imigratórios: alemães (Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul), italianos (São Paulo, Rio Grande do Sul), japoneses (São Paulo e Paraná). Grupos menores ou menos concentrados também foram sendo absorvidos (árabes, polacos, russos). Todos esses povos contribuíram para modificar a língua portuguesa, tornando−a mais rica, mais sonora, mais inteligível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na modernidade, outras línguas "civilizadas" também deixaram suas marcas no idioma falado no Brasil. No início do século XX, o francês era a nossa segunda língua e isso resultou em centenas de palavras e expressões que foram sendo adaptadas e agregadas ao vocabulário popular. Depois da década de 70 do século XX, o interesse se voltou para o inglês. E as contribuições, muitas delas aportuguesadas, são incontáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-EfptkchgdLI/Tz03D5gn_aI/AAAAAAAACtg/yqALEUBRj0E/s1600/CA2FYD3ACAUCCGXZCA7YI0KCCAAMRPG7CAKQNWL3CA4G0XAQCA7CRG5QCACWZYYQCA8WAH9MCAX8ZLY4CAHBVBUUCALEL88VCAKV2GFPCAYKS393CASNSN64CAZ0AYR1CA8VL3KDCAZZ847X.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="195" width="259" src="http://2.bp.blogspot.com/-EfptkchgdLI/Tz03D5gn_aI/AAAAAAAACtg/yqALEUBRj0E/s320/CA2FYD3ACAUCCGXZCA7YI0KCCAAMRPG7CAKQNWL3CA4G0XAQCA7CRG5QCACWZYYQCA8WAH9MCAX8ZLY4CAHBVBUUCALEL88VCAKV2GFPCAYKS393CASNSN64CAZ0AYR1CA8VL3KDCAZZ847X.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A língua portuguesa é um organismo vivo. Passível de transformações e mudanças a qualquer instante. Dicionários são apenas registros factuais dessas mutações. A gramática não passa de um conjunto de regras lingüísticas, feitas a posterior, para explicar esses fenômenos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Figuras como Policarpo Quaresma (personagem de um romance de Lima Barreto) são ridículas exatamente porque não entendem os mecanismos históricos de (de)formação de um idioma. Falta−lhes a compreensão de a "pureza" não existe. Se consultarem um dicionário etimológico, antes de emitirem opiniões "nacionalistas", talvez descubram que palavras "legitimamente" brasileiras como &lt;b&gt;otário&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;bacana&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;cambalacho&lt;/b&gt; não são legítimas. São todas originárias do &lt;b&gt;lunfardo&lt;/b&gt; (uma gíria falada em Buenos Aires). Há outros exemplos, milhares deles, comprovação mais do que óbvia de somos mestiços, inclusive linguisticamente. E que não será a aplicação legislativa do preconceito que modificará as condições culturais do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-TCk235Dkn08/Tz03SL-6lLI/AAAAAAAACts/WxgbYW5t6JA/s1600/CA12P2LECAK366KYCAB3XJNECAFOT067CA5IB3HRCAXU0J5ICADD92O1CAAL47WJCA393B6YCA7UQQ9GCA0QMB6WCAPUO7DJCAUWO8FFCA1H0FHYCA17KJB8CA8L5PW7CAE6PG4PCATN2FZO.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="236" width="213" src="http://2.bp.blogspot.com/-TCk235Dkn08/Tz03SL-6lLI/AAAAAAAACts/WxgbYW5t6JA/s320/CA12P2LECAK366KYCAB3XJNECAFOT067CA5IB3HRCAXU0J5ICADD92O1CAAL47WJCA393B6YCA7UQQ9GCA0QMB6WCAPUO7DJCAUWO8FFCA1H0FHYCA17KJB8CA8L5PW7CAE6PG4PCATN2FZO.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Outra coisa: não existe um modo "correto" de falar ou escrever. O que importa, inicialmente, é a comunicação. Precisamos saber expressar aquilo que somos e porque o somos. Depois, e só muito depois, é que se deve adaptar o discurso dos indivíduos ao discurso uniforme da &lt;b&gt;norma culta&lt;/b&gt;, que é, basicamente, a linguagem do dominador. Entre o povo e o opressor existem muitas diferenças (que não são visíveis para quem não as quer ver!). A destruição das desigualdades ainda vai demorar. E não será oprimindo o povo com o império da gramática que a situação econômica, social e política do Brasil vai mudar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo esse passeio histórico e teórico está conectado com um propósito muito simples: anunciar que &lt;b&gt;Xis−tudo&lt;/b&gt; é uma das palavras mais bonitas da língua portuguesa!  &lt;b&gt;Xis−tudo&lt;/b&gt;? Fala sério! &lt;b&gt;Xis−tudo&lt;/b&gt; nem sequer é uma palavra dicionarizada!, reclamará fulano, sem esperar por alguma explicação. Pois é, os dicionários e as explicações muitas vezes nos confundem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo a regra de Jack, o estripador, vamos por partes. Quando o entendimento de uma palavra de origem estrangeira não ocorre adequadamente, uma reação cultural − natural na língua portuguesa − é a de adaptá−la, usando como parâmetro a fonética. Assim, no aportuguesamento, o som prevalece sobre a grafia. Não é surpresa que a palavra &lt;b&gt;cheese&lt;/b&gt; (em inglês, queijo) seja pronunciada com um som que se aproxima de &lt;b&gt;xis&lt;/b&gt;. O que assusta é outra coisa: o estranho emprego da metonímia, uma figura de linguagem &lt;b&gt;que consiste em designar um objeto por palavra designativa doutro objeto que tem com o primeiro uma relação de causa e efeito&lt;/b&gt; (Dicionário Aurélio). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-ZwTgJ0Yp9qs/Tz05nEodDII/AAAAAAAACt4/E0Ec3QYdI1w/s1600/CAL3TRG8CAPNWY79CA2BX68SCAW4SVM4CAE33PIDCAHC6AYWCAK6B6R0CAWJ80RRCAU0H8JKCAE5RIGQCA0SXIH5CA39WHV1CAKK5W4VCAJLT7PQCACUPD8VCAEZIILHCAC5L7DWCAKG8ZSZ.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="229" width="220" src="http://1.bp.blogspot.com/-ZwTgJ0Yp9qs/Tz05nEodDII/AAAAAAAACt4/E0Ec3QYdI1w/s320/CAL3TRG8CAPNWY79CA2BX68SCAW4SVM4CAE33PIDCAHC6AYWCAK6B6R0CAWJ80RRCAU0H8JKCAE5RIGQCA0SXIH5CA39WHV1CAKK5W4VCAJLT7PQCACUPD8VCAEZIILHCAC5L7DWCAKG8ZSZ.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A palavra sanduíche (&lt;b&gt;sandwich&lt;/b&gt;, no original) designa um alimento em que duas ou mais fatias de pão são intercaladas com queijo, presunto, carne, ovos, etc.. No Brasil, o sanduíche &lt;b&gt;Chesse−burguer&lt;/b&gt; (hambúrguer com queijo) sofreu um processo de contração, onde o elemento que identifica o sanduíche (&lt;b&gt;burguer&lt;/b&gt;, redução de hamburguer) é ignorando pelo falante. A população, sem entender os mecanismos de formação lexical da língua inglesa, preferiu adotar o genérico &lt;b&gt;chesse&lt;/b&gt;, ou melhor, &lt;b&gt;Xis&lt;/b&gt;. Em seguida, por exercício metonímico, &lt;b&gt;Xis&lt;/b&gt; se tornou sinônimo para qualquer tipo de sanduíche.                       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Xis−tudo&lt;/b&gt; é um sanduíche gigante, composto por todos os ingredientes disponíveis em lanchonete ou restaurante. Por outra prática de transformação semântica, também designa a sociedade plural, multirracial, multicultural e alegre que constitui o Brasil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, &lt;b&gt;Xis−tudo&lt;/b&gt; somos nós!    &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-7875947169773303950?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/7875947169773303950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/xistudo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/7875947169773303950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/7875947169773303950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/xistudo.html' title='XIS−TUDO'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-l7bZOEdb4u8/Tz01EA49ZMI/AAAAAAAACsw/shAlBLvKrZ0/s72-c/CA8MP34UCAVK1TEGCABM3700CAJLR375CA09W13KCADTO9JTCABWZ7BYCAH8F6WSCA5OIOKQCAH9TC08CAP2DPL8CA5Q72INCAUGM4GOCAOW9685CA0HT036CAQZZXOUCATLIGXFCA3GESTY.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-285831740771524563</id><published>2012-02-15T16:36:00.003-02:00</published><updated>2012-02-16T15:47:35.626-02:00</updated><title type='text'>A LITERATURA EM PERIGO</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-1b6GX2Vy5X4/Tzv5fPwnFiI/AAAAAAAACrQ/MQQ6aZyH118/s1600/15SCZCAQR3SRTCAMBH12TCAR3LES6CA0LOKI8CAZUQDNECA4UNR3ACAAOYJIYCAF2UWSNCA1S54Q5CAJAW3BXCA5D4NTJCA2LHA4OCAFMCQ4SCAGHUCIQCALV9HTQCAESAK92CAF9ODRQCAWCDSSH.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="180" width="279" src="http://1.bp.blogspot.com/-1b6GX2Vy5X4/Tzv5fPwnFiI/AAAAAAAACrQ/MQQ6aZyH118/s320/15SCZCAQR3SRTCAMBH12TCAR3LES6CA0LOKI8CAZUQDNECA4UNR3ACAAOYJIYCAF2UWSNCA1S54Q5CAJAW3BXCA5D4NTJCA2LHA4OCAFMCQ4SCAGHUCIQCALV9HTQCAESAK92CAF9ODRQCAWCDSSH.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Que futuro está reservado para a literatura no século XXI? Nenhum − se confirmadas as principais suspeitas daqueles que adoram brincar de esconde−esconde com o Apocalipse. Inclusive porque, de acordo com o calendário Maia, o mundo vai acabar daqui a alguns dias (ou meses ou anos ou séculos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes tempos em que os níveis de leitura e escrita estão em xeque (em que a Internet tem contribuído para diluir o conhecimento, em que o cinema ambiciona transformar as narrativas em entretenimento), a literatura está se equilibrando sobre o arame, correndo o risco de cair na boca do lobo. Se não conseguir desempenhar adequadamente o seu papel de "urso de circo", perderá o sentido, a direção e a utilidade. E isso quer dizer, repetindo Walter Benjamin, que &lt;b&gt;É como se estivéssemos privados de uma faculdade que nos parecia segura e inalienável: a faculdade de intercambiar experiências&lt;/b&gt;". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Pcf1qrMrehc/Tzv76GFFDSI/AAAAAAAACsY/L_JmPqYGmTU/s1600/DNJQZCAZT3IDECAGWCPDACA6HO2KYCARZ18NFCA5Q6OF7CAMY39COCARICTN4CALCB5M3CA16LGGECA8UTOVSCAXN4PEICAIYEAY7CAWKEQQ8CAKF54A4CA0NYOQRCAD5NXH3CAKV4CW3CAB8P8QR.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="288" width="175" src="http://3.bp.blogspot.com/-Pcf1qrMrehc/Tzv76GFFDSI/AAAAAAAACsY/L_JmPqYGmTU/s320/DNJQZCAZT3IDECAGWCPDACA6HO2KYCARZ18NFCA5Q6OF7CAMY39COCARICTN4CALCB5M3CA16LGGECA8UTOVSCAXN4PEICAIYEAY7CAWKEQQ8CAKF54A4CA0NYOQRCAD5NXH3CAKV4CW3CAB8P8QR.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Na modernidade, o afeto foi substituído pelo individualismo e pelo narcisismo escancarado. A noção de coletivo (envolvimento político, social e cultural) está desaparecendo da prática humana. A manipulação da ética e a flexibilização da moral passaram a dar as cartas e a determinar a ordem dos blefes. A vida foi fatiada pelo capitalismo predatório, que transformou as ruínas econômicas na parte mais importante do cenário por onde se movimentam os seres humanos. Nenhum paliativo (lícito ou ilícito) está conseguindo repor as perdas – que se acentuam a cada instante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A literatura (em especial o gênero que a define, o romance) parece não mais cumprir função social. E, portanto, está rumando para o desaparecimento, como se fosse um remake a−pós−o−moderno de &lt;b&gt;Fahrenheit 451&lt;/b&gt;, texto escrito por Ray Bradbury, em 1953 (a versão cinematográfica é de François Truffault, 1966). Nessa narrativa clássica, os livros não mais constituem artigo de primeira necessidade. Proibidos pelo Estado, a posse constitui uma violação flagrante da ordem pública. Por isso, devem ser queimados. O contraponto a essa proposta de controle intelectual é fornecido por uma pequena comunidade rebelde, que estabelece um nicho de resistência, de resiliência, ao poder do autoritarismo. Como o texto escrito não é permitido, a memória literária, ecoando a pré−história, é preservada pela transmissão oral. Nesse momento, falar se confunde com o escrever e recordar os textos condenados ao esquecimento é exercer a liberdade.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-tOEMSZG2v3c/Tzv5JvRz0hI/AAAAAAAACrE/UNv-IUQr030/s1600/images.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="278" width="181" src="http://3.bp.blogspot.com/-tOEMSZG2v3c/Tzv5JvRz0hI/AAAAAAAACrE/UNv-IUQr030/s320/images.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;As 96 páginas de &lt;b&gt;A literatura em perigo&lt;/b&gt;, escrito por Tzvetan Todorov, e publicado no Brasil em 2009, alertam para essa possibilidade assustadora: um mundo sem livros, sem histórias, sem imaginação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todorov, um dos nomes mais importantes da escola "formalista", em ritmo de &lt;i&gt;mea culpa&lt;/i&gt;, ambiciona construir um tempo em que a comunicação entre a vida e a literatura seja interligada e, se possível, inesgotável. Parte dessa tarefa está atrelada a algumas mudanças no ensino em sala de aula. O esquema tradicional de estudo (que segue a evolução cronológica − escolas literárias, autores representativos − ou utiliza a literatura como escada para uma melhor compreensão das regras gramaticais) contribui para que o leitor se afaste dos livros. Terminado o uso escolar, nada restará para ser lembrado. O aluno não mais terá preocupações com algo que está desconectado com o mundo "real", pelo menos com o mundo em que ele se movimenta. O que guardará na memória são os obstáculos para conseguir a nota mínima e o autoritarismo de uma disciplina que não o consultou sobre conteúdo, linguagem e gosto pessoal. Que o ignorou quando poderia lhe ter ajudado nas dificuldades que precisou superar.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-L-PT7vBoFik/Tzv6a6bwzmI/AAAAAAAACr0/hIeNyydvF7Y/s1600/VEP3GCAWUO7BQCACNBU9BCA63KPUBCAEYUYJWCA0D6Y4TCARMGKFVCAEELDWBCAHXZ846CAD6J1GHCA7Y2HQYCAFH962OCA2C7QI1CAAH6W4SCAXK1DRVCALXH3YDCA9QGZYSCAP29W4TCAGA2851.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="175" width="289" src="http://1.bp.blogspot.com/-L-PT7vBoFik/Tzv6a6bwzmI/AAAAAAAACr0/hIeNyydvF7Y/s320/VEP3GCAWUO7BQCACNBU9BCA63KPUBCAEYUYJWCA0D6Y4TCARMGKFVCAEELDWBCAHXZ846CAD6J1GHCA7Y2HQYCAFH962OCA2C7QI1CAAH6W4SCAXK1DRVCALXH3YDCA9QGZYSCAP29W4TCAGA2851.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Em um mundo onde a prosa e a poesia estão excluídas da vida social, onde as formas digitais estão substituindo as físicas, os livros são inúteis. Uma tentativa de subverter esse desatre está no esforço (muitas vezes heróico, muitas vezes inútil) de tentar transformar alunos em leitores. E isso significa que precisamos colocar em sala de aula professores que gostem de ler e de ensinar literatura. Sem a formação de um público leitor, capaz de conduzir através das gerações a chama do conhecimento, a literatura não terá mais sentido ou função. Urge abrir as portas da sedução para que o prazer de ler também seja uma forma de ler o prazer. Sem medo, sem culpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concluindo, no processo literário, o leitor está em primeiro lugar. Sem interlocutor, não há motivos para escrever. Infelizmente, o ensino escolar da literatura ainda não percebeu que precisa mudar, sob risco de se tornar dispensável.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-O08B35qym0k/Tzv6ifZbhXI/AAAAAAAACsA/e9x0Jll_c4U/s1600/Todorov%2B2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="275" width="183" src="http://2.bp.blogspot.com/-O08B35qym0k/Tzv6ifZbhXI/AAAAAAAACsA/e9x0Jll_c4U/s320/Todorov%2B2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-285831740771524563?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/285831740771524563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/literatura-em-perigo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/285831740771524563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/285831740771524563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/literatura-em-perigo.html' title='A LITERATURA EM PERIGO'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-1b6GX2Vy5X4/Tzv5fPwnFiI/AAAAAAAACrQ/MQQ6aZyH118/s72-c/15SCZCAQR3SRTCAMBH12TCAR3LES6CA0LOKI8CAZUQDNECA4UNR3ACAAOYJIYCAF2UWSNCA1S54Q5CAJAW3BXCA5D4NTJCA2LHA4OCAFMCQ4SCAGHUCIQCALV9HTQCAESAK92CAF9ODRQCAWCDSSH.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-6687384026792187828</id><published>2012-02-14T15:38:00.001-02:00</published><updated>2012-02-14T15:43:07.975-02:00</updated><title type='text'>"A ACADEMIA" E O RETRATO DA ALDEIA</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-oyQ2sATpnKs/TzqUI6uHyNI/AAAAAAAACpw/IfgFoja-qNc/s1600/Foto%2B150%2Bdpi.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="400" width="286" src="http://3.bp.blogspot.com/-oyQ2sATpnKs/TzqUI6uHyNI/AAAAAAAACpw/IfgFoja-qNc/s400/Foto%2B150%2Bdpi.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Foi no mezanino de "A Sua Livraria" que Edézio Nery Caon "lançou" o livro. Era setembro de 1977 e vários exemplares da novela &lt;b&gt;A Academia&lt;/b&gt; foram arremessados ao ar, na direção dos amigos que se fizeram presentes naquele convescote. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor, enquanto executava essa hercúlea tarefa, se apoiou na escrivaninha, disse: &lt;b&gt;Está lançado!&lt;/b&gt; Em seguida, deixou entrever um sorrisinho maroto de canto de lábio − uma espécie de suave desprezo pelas vaidades que movem o mundo. Sem pressa ou ansiedade, desceu a escada, recebeu cumprimentos dos amigos, autografou meia dúzia de exemplares, e não se incomodou com o curso da vida. Como lhe era típico.      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse deveria ser o trajeto normal dos acontecimentos. Não foi. Alguns dias depois, um dos personagens, perdão, uma das pessoas que suspeitaram ter servido de inspiração para o enredo da novela, se declarou indignada com a apropriação ficcional de suas trapalhadas (inclusive literárias) e publicou um artigo no jornal &lt;b&gt;Correio Lageano&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Datado de 27 de setembro de 1977, mas publicado no dia 28, &lt;b&gt;Mensagem aos homens de boa vontade&lt;/b&gt; ocupa meia página. Depois de longa introdução, onde o auto−elogio se equilibra entre as frases, o articulista − entre outros agrados − identifica que &lt;b&gt;O livro é tão impatriótico, tão injusto e tão pornográfico, que somente acreditei ser da autoria de Edézio quando isso me foi garantido por vários amigos merecedores de fé.&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-bqPi92wckkM/TzqWc_DGF6I/AAAAAAAACp8/k_nYu0EAuBk/s1600/Doc%2B002.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="400" width="295" src="http://2.bp.blogspot.com/-bqPi92wckkM/TzqWc_DGF6I/AAAAAAAACp8/k_nYu0EAuBk/s400/Doc%2B002.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A seqüência de adjetivos (impatriótico, injusto e pornográfico), que mistura conceitos difusos e, de certa forma, contraditórios, indica falta de clareza intelectual. Também expõe a miopia psicológica do articulista, que se declara incapacitado para ler o nome do autor na capa do livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A série de incoerências prossegue condenando a capa do livro, desenhada por uma das figuras mitológicas da vida cultural da província, Nereu de Lima Goss: &lt;b&gt;é igualmente ofensiva à própria humanidade, pois que apresenta caricaturas de animais como membros de uma Academia de Letras&lt;/b&gt;. Sem se importar com a "boa vontade" que solicita aos leitores de &lt;b&gt;A Academia&lt;/b&gt; (em particular) e aos lageanos (por extensão), o articulista condena − de forma veemente − o zoomorfismo artístico. Provavelmente (não) se identificou com as imagens que ilustram o livro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desfecho do parágrafo, natural para o autoritarismo político em vigência na época, é exemplar: &lt;b&gt;É uma capa que, como o livro, merecia a apreensão pela censura federal, a bem da moralidade.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse "carteiraço" (no melhor estilo "aqui quem manda sou eu") deixa expresso nas entrelinhas uma ameaça sobre o alcance do longo e inflexível braço da lei. O contexto se aclara quando se descobre que o articulista foi juiz de direito (voltado à direita).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-mfflhqkmIYM/TzqbbWlKpmI/AAAAAAAACqg/KYvPXpyxXWw/s1600/CAX2MERCCALGBCHCCAS4JDG2CAJF9NOXCA62G6PYCAFACQ1QCATMOBLVCAW4Q716CAI3OTTICA7UFN64CAI8JRU3CA428UGDCAD05UI7CAZ2CDXCCAW173ISCANYMWZECAM298JXCAZ1KKTE.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="259" width="194" src="http://4.bp.blogspot.com/-mfflhqkmIYM/TzqbbWlKpmI/AAAAAAAACqg/KYvPXpyxXWw/s320/CAX2MERCCALGBCHCCAS4JDG2CAJF9NOXCA62G6PYCAFACQ1QCATMOBLVCAW4Q716CAI3OTTICA7UFN64CAI8JRU3CA428UGDCAD05UI7CAZ2CDXCCAW173ISCANYMWZECAM298JXCAZ1KKTE.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O artigo termina em tom desconexo: &lt;b&gt;Sem objetivo de polêmica – e muito a contragosto – alinhavei estas palavras como se estivesse descrevendo um sonho mau, um horrível pesadelo, preferindo acreditar que Edézio Nery Caon, quando escreveu seu livro, estava sofrendo de um ataque de amnésia, esquecera−se do homem bom e correto que era e se transformara num autêntico lobo mau. Por isso, desejo de coração que seu ato maldoso não seja considerado pelo Senhor quando, como todos nós, dever apresentar−se perante o Supremo Juízo.&lt;/b&gt; A citação sobre a possibilidade do autor de &lt;b&gt;A Academia&lt;/b&gt; ter que se apresentar diante do Senhor, no Supremo Juízo, é emblemática advertência velada sobre a possibilidade de não haver futuro.        &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da publicação do artigo, que serviu de publicidade gratuita para um livro que não tinha muitas pretencões, foi inevitável conter o surgimento de um best−seller. Os primeiros 500 exemplares foram vendidos em menos de 48 horas. Outros 500 exemplares foram impressos em regime de urgência – e também se esgotaram rapidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pequeno detalhe precisa ser agregado a essa história. &lt;b&gt;A Academia&lt;/b&gt; é uma espécie de &lt;b&gt;roman à clef&lt;/b&gt;. A narrativa descreve algumas situações que provavelmente aconteceram, embora algumas cenas sejam frutos da imaginação do autor. Nessa mescla entre a realidade e a ficção, Edézio Caon preferiu utilizar um recurso estilístico interessante: preservou a identidade dos os personagens. Todos são designados por pseudônimos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos amigos de Edézio elaborou uma espécie de "quem é quem" em &lt;b&gt;A Academia&lt;/b&gt;. Encostado na porta da livraria, entregava cópia da lista a quem comprava um ou mais exemplares do livro. Mais do que um "plus" para a compreensão da leitura, essa relação de nomes se tornou "Cult". Os leitores, com a lista ao lado, puderam conferir os detalhes sórdidos da vida provinciana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-4ds98kD3ydY/TzqbplSTMKI/AAAAAAAACqs/O6soUG1eaCE/s1600/CAQL8TE1CABXDT6TCAJIORBMCACQAO6YCAJ5MVSGCAUHABDHCABY7GOJCA5Z72CZCASJA054CAHSHY7NCAPYT3LXCAT5M4CHCAFDDNGDCADOJ9B0CAFV1FWTCA8OWTU2CATOAZGECA605RUK.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="194" width="259" src="http://2.bp.blogspot.com/-4ds98kD3ydY/TzqbplSTMKI/AAAAAAAACqs/O6soUG1eaCE/s320/CAQL8TE1CABXDT6TCAJIORBMCACQAO6YCAJ5MVSGCAUHABDHCABY7GOJCA5Z72CZCASJA054CAHSHY7NCAPYT3LXCAT5M4CHCAFDDNGDCADOJ9B0CAFV1FWTCA8OWTU2CATOAZGECA605RUK.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Passados 35 anos da publicação de &lt;b&gt;A Academia&lt;/b&gt;, pode−se dizer que ficou muito pouco dessa história. Restam escassos exemplares do livro. Muitos deles estão acumulando poeira nas estantes das bibliotecas. Quase artesanal, impresso de maneira descuidada, repleto de erros de composição gráfica, provavelmente nunca mais será reeditado. Depois de tanto tempo, o enredo não mais provoca interesse ou riso - inclusive porque não relata em suas páginas nenhuma pornografia (como alegavam seus detratores). Além disso, muitos dos seus personagens faleceram – o que impede um contraste crítico ou algumas fofocas malévolas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, afinal, qual é o enredo de &lt;b&gt;A Academia&lt;/b&gt;? A narrativa se concentra na história ficcional da fundação da Academia Vargem−de−cimense de Letras. Alguns "intelectuais" resolvem se reunir para obter elevação cultural. Presunçosos, não medem esforços para cobrir a mediocridade com camadas de um verniz contemporâneo, moderno. Quer dizer, nem todos. Dona Jussara, professora e secretária da Academia, muito mais esperta do que a maioria, aproveita a situação para conseguir vários empréstimos e doações. Quando o cofre da instituição ficou cheio, não deixou escapar a oportunidade. Foi viver o bem−bom longe daquela gentarada ignorante. É isso. Uma história de vaidade e roubo. Nada demais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, houve quem não conseguiu abstrair a parte histórica da parte ficcional e, se julgando humilhado e ofendido por ter sido exposto em praça pública, manifestou reação intempestiva. Foram esses "chiliques" que forneceram visibilidade ao livro. Como é freqüente em casos descompensados, o que era apenas diversão se tornou holofote. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-LR2vyVHm7S8/TzqZTUaF42I/AAAAAAAACqU/uLWzzz85_Cw/s1600/Doc%2B001.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="400" width="284" src="http://3.bp.blogspot.com/-LR2vyVHm7S8/TzqZTUaF42I/AAAAAAAACqU/uLWzzz85_Cw/s400/Doc%2B001.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Uma última anedota. Na segunda edição de &lt;b&gt;A Academia&lt;/b&gt;, Edézio acresceu algumas informações paratextuais sobre o título genérico de &lt;b&gt;Opiñiões sobre A Academia.&lt;/b&gt; Aproveitando o que havia de interessante em várias publicações, fez uma espécie de coletânea de elogios ao seu livro. De &lt;b&gt;Mensagem aos homens de boa vontade&lt;/b&gt; retirou e publicou os únicos trechos que não são ofensivos (!): &lt;b&gt; (...) teci elogios a Edézio, como advogado e cidadão. (...) porque Edézio Nery Caon, com a formação cultural e a capacidade de trabalho que ninguém lhe pode negar...&lt;/b&gt;. Ao inverter os propósitos, como se houvesse sido elogiado, Edézio mostrou, mais uma vez, bom humor e ironia. Os adversários nada puderam fazer contra.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final do mesmo ano, Edézio Nery Caon publicou outro livro sobre o ridículo provincial: &lt;b&gt;A Faculdade&lt;/b&gt;, mas não obteve o mesmo êxito de &lt;b&gt;A Academia&lt;/b&gt;.           &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-6687384026792187828?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/6687384026792187828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/academia-e-o-retrato-da-aldeia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/6687384026792187828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/6687384026792187828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/academia-e-o-retrato-da-aldeia.html' title='&quot;A ACADEMIA&quot; E O RETRATO DA ALDEIA'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-oyQ2sATpnKs/TzqUI6uHyNI/AAAAAAAACpw/IfgFoja-qNc/s72-c/Foto%2B150%2Bdpi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-7486388006753285450</id><published>2012-02-13T10:53:00.000-02:00</published><updated>2012-02-14T14:57:36.526-02:00</updated><title type='text'>SEMANA DE ARTE MODERNA (1922)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-IdFlUt-srYI/TzkC2zCOJTI/AAAAAAAACnI/EeMrKIXSfVs/s1600/CAD6HYRNCAXOL9JMCAF06OXYCAIWHT0PCAPDCEETCATR0D47CAWO0AY6CA1AL4OSCAR4M9ZECA4W7MTQCAGP3UPTCAMNQCIMCAJSSYPACA2G05A8CAF5PHD1CAP3SXZOCAC516JVCA4V1R5H.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="196" width="258" src="http://1.bp.blogspot.com/-IdFlUt-srYI/TzkC2zCOJTI/AAAAAAAACnI/EeMrKIXSfVs/s320/CAD6HYRNCAXOL9JMCAF06OXYCAIWHT0PCAPDCEETCATR0D47CAWO0AY6CA1AL4OSCAR4M9ZECA4W7MTQCAGP3UPTCAMNQCIMCAJSSYPACA2G05A8CAF5PHD1CAP3SXZOCAC516JVCA4V1R5H.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Eles não eram &lt;b&gt;trezentos&lt;/b&gt;, nem &lt;b&gt;trezentos e cinqüenta&lt;/b&gt;. Para ser mais exato, nem mesmo meia centena. Conforme uma carta publicada no jornal "O Estado de São Paulo", não passavam de &lt;b&gt;uns pândegos, filhos de famílias ricas, que decidiram ser modernos apenas porque não sabem rimar.&lt;/b&gt; Talvez. Há um fundo de verdade nesse equívoco. Para alguns brasileiros, principalmente aqueles que vivem às margens da pobreza, acostumados com o adestramento que separa a casa grande da senzala, não convém participar de algumas bagunças – principalmente as artísticas, estéticas e políticas. O que não pode ser contestado é o pontapé que a Semana de Arte Moderna (des)feriu na bunda da tradição, inesquecível confusão promovida em São Paulo, nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-O5CtHeLTLIs/TzkDFdgSa2I/AAAAAAAACnU/9Pq-kY9tHZg/s1600/CAW6CBAQCAJ09ID7CAXYA0G2CADIQ90WCATB8N9MCA8QMXNNCAQHDBO1CAOX2IJKCA96CEH0CA0QPLRDCAJCO2FUCAX5N63XCAEI40L0CA1R9Y6CCAB9L1WTCAUI1OI1CAVC9UM1CA76FUGS.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="195" width="259" src="http://3.bp.blogspot.com/-O5CtHeLTLIs/TzkDFdgSa2I/AAAAAAAACnU/9Pq-kY9tHZg/s320/CAW6CBAQCAJ09ID7CAXYA0G2CADIQ90WCATB8N9MCA8QMXNNCAQHDBO1CAOX2IJKCA96CEH0CA0QPLRDCAJCO2FUCAX5N63XCAEI40L0CA1R9Y6CCAB9L1WTCAUI1OI1CAVC9UM1CA76FUGS.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;Paranóia ou mistificação&lt;/b&gt;, aleg(r)ou, aos anestesiados brasileiros, Monteiro Lobato, alguns anos antes, em 1917, cego ao tsunami que separou em fatias desiguais as iguarias nunca antes deglutidas antropofagicamente. A Velha República continuava velha, embora nesse ano precursor a amizade entre os profetas de novos tempos, Mário de Andrade e Oswald de Andrade, tenha se solidificado. Enquanto risadas e saraus esculhambam com a estreiteza mental do criador de &lt;b&gt;Emília&lt;/b&gt;, a gestação do movimento rebelde foi se desenvolvendo em alguns lançamentos literários: &lt;b&gt;Juca Mulato&lt;/b&gt; (Menotti Del Picchia), &lt;b&gt;Cinza das Horas&lt;/b&gt; (Manuel Bandeira), &lt;b&gt;Nós&lt;/b&gt; (Guilherme de Almeida) e &lt;b&gt;Há uma Gota de Sangue em Cada Poema&lt;/b&gt; (Mário de Andrade).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-4JY2aKB_MhE/TzkECaqwYjI/AAAAAAAACn0/KzXvGBFeoHo/s1600/SAM%2B2.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="170" width="297" src="http://1.bp.blogspot.com/-4JY2aKB_MhE/TzkECaqwYjI/AAAAAAAACn0/KzXvGBFeoHo/s320/SAM%2B2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Entre 1917 e 1922, embora ninguém soubesse contra o que estava realmente lutando, surgiram novos sinais de mudanças na paisagem aparentemente tranqüila da cultura brasileira − que adorava (ainda adora) copiar as idéias fora de moda da Europa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Movimentos como o &lt;b&gt;Expressionismo&lt;/b&gt;, o &lt;b&gt;Cubismo&lt;/b&gt;, o &lt;b&gt;Dadaísmo&lt;/b&gt; e o &lt;b&gt;Futurismo&lt;/b&gt; aformosaram o sentimento insurgente de demolir com os modelos obsoletos que vicejavam em terras tupiniquins. Inconformados com tudo e todos, sem saber distinguir entre quem era amigo ou inimigo, os modernistas tinham dificuldades de conviver com as contradições surgidas no embate entre o provincianismo e o cosmopolitismo industrial. &lt;b&gt;Queremos a revolução Caraíba&lt;/b&gt;, proclamará, em 1928, o &lt;b&gt;Manifesto Antropófago&lt;/b&gt;, que também gritava que &lt;b&gt;Nunca fomos catequizados. Fizemos foi Carnaval. O índio vestido de senador do Império. Fingindo de Pitt. Ou figurando nas óperas de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses.&lt;/b&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqueles que se pretendiam revolucionários eram apenas anárquicos, quase ingênuos, jovens (quase todos os participantes mais importantes tinham menos de 30 anos). Belos e malditos, ricos e malucos (salvo exceções pontuais), sem a mínima consciência de classe ou de identidade cultural, sonhavam com a fundação de um país somente possível como ficção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-I_TliyPee4w/TzkEdW9c-SI/AAAAAAAACoI/6PbkFXy71nk/s1600/CA9OPTL4CAD41BIBCAHOVGQCCARAPKKVCAHR0HLOCAIDKA79CAOKF4L3CAMEB08ACAHN9QEICATQNPG3CADPXFJ3CA0O7MGJCAR5Y250CAAFPVBTCAQCYMX9CAQ3QELPCAGALM2RCA6WN2IW.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="243" width="208" src="http://1.bp.blogspot.com/-I_TliyPee4w/TzkEdW9c-SI/AAAAAAAACoI/6PbkFXy71nk/s320/CA9OPTL4CAD41BIBCAHOVGQCCARAPKKVCAHR0HLOCAIDKA79CAOKF4L3CAMEB08ACAHN9QEICATQNPG3CADPXFJ3CA0O7MGJCAR5Y250CAAFPVBTCAQCYMX9CAQ3QELPCAGALM2RCA6WN2IW.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A ascensão e glória do &lt;b&gt;Abapuru&lt;/b&gt; (do tupi &lt;b&gt;aba&lt;/b&gt;, homem, e &lt;b&gt;puru&lt;/b&gt;, que come) principiou nas três noites em que a burguesia esclarecida, motivada pelos "melhores" ideais artísticos, tomou de assalto o Teatro Municipal de São Paulo. Assalto? Houve quem pensou em chamar a polícia. Não era para tanto. Entretanto, a arruaça foi suficiente para provocar urticária nos conservadores. E, conseqüentemente, mais uma crise na saúde pública. Faltou dermatologista para atender as incontáveis toneladas de fascistas enrustidos que contaminaram o Teatro Municipal de São Paulo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa promovida pela "fase heróica" do Modernismo foi grande, mas, como lembrou Oswald de Andrade, alguns anos depois, algumas doses de senso crítico se mostraram ausentes do cenário׃ &lt;b&gt;dos dois manifestos que anunciavam as transformações do mundo, eu conheci em Paris o menos importante, o do futurista Marinetti. Karl Marx me escapara completamente.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Jl2n3C1WOnM/TzkE9rV-eLI/AAAAAAAACoc/Z1qe32PLjfQ/s1600/CARM6SS9CAR9OLQYCA39Z5L2CAI4CH8ECAZO7QQACA5Y7AQ3CAMAI599CA39CW7ICA84ZXAVCAPC90EJCAOK9199CA0GEOBLCACUTOX6CAPXFVZHCARKIFG9CA91B43YCA4DEAMBCA4G6PI0.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="195" width="259" src="http://4.bp.blogspot.com/-Jl2n3C1WOnM/TzkE9rV-eLI/AAAAAAAACoc/Z1qe32PLjfQ/s320/CARM6SS9CAR9OLQYCA39Z5L2CAI4CH8ECAZO7QQACA5Y7AQ3CAMAI599CA39CW7ICA84ZXAVCAPC90EJCAOK9199CA0GEOBLCACUTOX6CAPXFVZHCARKIFG9CA91B43YCA4DEAMBCA4G6PI0.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A primeira noite foi comportada. Quer dizer... Entre mortos e (pre)feridos, escaparam todos com ligeiros hematomas no ego. O avô dos revoltosos, José Pereira da Graça Aranha, 54 anos de inconformismo bem−comportado, ficou sem graça depois de ser exaustivamente apupado. Sua conferência, &lt;b&gt;A Emoção Estética na Arte Moderna&lt;/b&gt;, não conferiu com o gosto do passadismo paulista. Nos intervalos, os poetas Ronald de Carvalho e Guilherme de Almeida, querendo demonstrar o quão eram modernos e inovadores, contemplaram o seleto público com alguns versos de suas lavras. Foram lav(r)ados pelas vaias, como se fossem terra ruim sendo (re)virada por tratores. Os defensores do tradicionalismo paulista não pouparam sequer os números musicais executados pelo maestro Ernani Braga.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na segunda parte do evento, antes que o vento levasse embora o distinto público, Ronald de Carvalho palestrou. Não teve melhor sorte do que os outros. &lt;b&gt;A pintura e a Escultura Moderna no Brasil&lt;/b&gt; também não agradou. Ernani Braga e Heitor Villa−Lobos tentaram acalmar a turba enfurecida com solos de piano. Igualmente frustrado foram varridos por nova saraivada de vaias. A platéia, inconformada com tanta novidade, não aceitou negociar com os artistas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-MMaYR6dctj8/TzkFZd-CTwI/AAAAAAAACoo/-00bTQjYLaM/s1600/CA7JJHR0CAYPNWEOCA4OINC4CAA4A950CAH950W7CAE03T7TCAWKZINACAVNK85VCA0NSK34CAWJUN5GCAY1P79QCACR61HOCA1EX251CA57ZMD5CAI2WMJ3CAW0XCJDCA7JRYXNCAJZFTG6.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="232" width="169" src="http://3.bp.blogspot.com/-MMaYR6dctj8/TzkFZd-CTwI/AAAAAAAACoo/-00bTQjYLaM/s320/CA7JJHR0CAYPNWEOCA4OINC4CAA4A950CAH950W7CAE03T7TCAWKZINACAVNK85VCA0NSK34CAWJUN5GCAY1P79QCACR61HOCA1EX251CA57ZMD5CAI2WMJ3CAW0XCJDCA7JRYXNCAJZFTG6.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Oswald de Andrade tentou ler alguns poemas.  Alguns anos mais tarde, em depoimento a Mário de Silva Brito, disse: &lt;b&gt;Apenas me levantei e o teatro estrugiu numa vaia irracional e infrene. Antes mesmo d’eu pronunciar uma só palavra. Esperei de pé, calmo, sorrindo como pude, que o barulho serenasse. Depois de alguns minutos, isso se deu. Abri a boca, então. Ia começar a ler, mas nova pateada se elevou, imensa, proibitiva (...) Devo ter lido baixo e comovido. O que me interessava era representar o meu papel, acabar depressa, sair, se possível.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mário de Andrade também quis fazer papel de herói. Queria falar sobre Estética. Ninguém o ouviu. Como recordou algum tempo depois: &lt;b&gt;Não sei como pude fazer uma conferencia sobre artes plásticas nas escadarias do teatro, cercado de anônimos que me caçoavam e ofendiam a valer.&lt;/b&gt;   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-_LwcSHB03To/TzkFoU7XRiI/AAAAAAAACo0/ckS8MwbtkT4/s1600/CAQI6ZB5CAT70AOPCAZ77DFYCAPYXRC8CALMXNF4CAUZSNX3CAV9S0ZSCAJRCEG0CARG8LCACA6RAG6NCA5WM2H1CAKOY8Z9CAUQBHEUCARQN3NQCAO1MW0RCAORGYLSCACSAPD6CA3YKP7U.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="183" width="275" src="http://4.bp.blogspot.com/-_LwcSHB03To/TzkFoU7XRiI/AAAAAAAACo0/ckS8MwbtkT4/s320/CAQI6ZB5CAT70AOPCAZ77DFYCAPYXRC8CALMXNF4CAUZSNX3CAV9S0ZSCAJRCEG0CARG8LCACA6RAG6NCA5WM2H1CAKOY8Z9CAUQBHEUCARQN3NQCAO1MW0RCAORGYLSCACSAPD6CA3YKP7U.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;No saguão do teatro, igualmente rechaçadas foram as pinturas de Anita Malfatti, Di Cavalcanti, John Graz, Zina Aita, J. F. de Almeida Prado e Vicente do Rego Monteiro, as esculturas de Victor Brecheret e os projetos arquitetônicos de Antonio Moya e Georg Przirembel. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos outros dois dias (15 e 17 de fevereiro) as atrações mudaram, o comportamento do público continuou igual. Relinchos, latidos, miados e gritos foram constantes. No dia 17, quando Heitor Villa−Lobos entrou em cena de casaca, com um pé calçado com sapato e outro com chinelo, o público (que não sabia que o Mestre estava com um calo inflamado) não gostou dessa "atitude futurista". Um espectador da primeira fila abriu um guarda−chuva preto em sinal de protesto ao figurino do regente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-UxcgLTqHX4g/TzkHbKphkYI/AAAAAAAACpY/efz-1Nmm4UQ/s1600/CA9PNDH9CA5YD45RCAE32WMMCACEM6AGCASQVV10CAIFD83ECA80JAM6CAN0N5OXCAEQTRKUCAHE0WH4CA04291SCAOGZIO3CAEQSXRPCAKFG007CA9JTUNGCAAH16VACAMSK9C3CAVR4NXF.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="290" width="174" src="http://1.bp.blogspot.com/-UxcgLTqHX4g/TzkHbKphkYI/AAAAAAAACpY/efz-1Nmm4UQ/s400/CA9PNDH9CA5YD45RCAE32WMMCACEM6AGCASQVV10CAIFD83ECA80JAM6CAN0N5OXCAEQTRKUCAHE0WH4CA04291SCAOGZIO3CAEQSXRPCAKFG007CA9JTUNGCAAH16VACAMSK9C3CAVR4NXF.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;De todos os que se apresentaram durante a Semana de Arte Moderna, apenas a pianista Guiomar Novaes foi aplaudida (quando tocou, sem o consentimento dos organizadores, alguns clássicos consagrados). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram três dias que inscreveram na história artística da &lt;b&gt;idolatrada salve salve&lt;/b&gt; uma quebra de valores. Em lugar dos existentes, os amotinados queriam criar uma literatura nacional, com identidade própria. &lt;b&gt;A contribuição milionária de todos os erros&lt;/b&gt; instituía o slogan adequado para decorar out−door (se, na época, a &lt;i&gt;ishperteza&lt;/i&gt; dos publicitários fosse favorável ao uso de out−doors). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cultura passou a refletir outros valores, como a liberdade formal, a apropriação da linguagem coloquial como crítica da expressão literária ou o humor descarado (que satiriza o sentimentalismo romântico e o formalismo parnasiano praticado pelos passadistas e academicistas). As revistas &lt;b&gt;Klaxon&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Estética&lt;/b&gt;,&lt;b&gt; A Revista&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Terra Roxa e Outras Terras&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Revista Verde&lt;/b&gt; e os movimentos artísticos e intelectuais &lt;b&gt;Antropofagia&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Pau−Brasil&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Verde−Amarelismo&lt;/b&gt; (mais tarde denominado &lt;b&gt;Anta&lt;/b&gt;) especificaram as novas diretrizes do comportamento cultural.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-sYculZMucFo/TzkGuOlOsKI/AAAAAAAACpM/Mkikber3E4g/s1600/SAM%2B123.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="195" width="258" src="http://2.bp.blogspot.com/-sYculZMucFo/TzkGuOlOsKI/AAAAAAAACpM/Mkikber3E4g/s400/SAM%2B123.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Como &lt;b&gt;A alegria é a prova dos nove&lt;/b&gt;, nunca mais houve outra insurreição do calibre da Semana de Arte Moderna, as armas e os barões sem fôlego para brigar pelo que precisa ser modificado. &lt;b&gt;Tupi or not tupi that is the question.&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-r6s-DlZ7kr4/TzkHsqFoSZI/AAAAAAAACpk/n-xFCzcrQkc/s1600/CA05L6P4CA42IIECCAPNYAJWCA1YCE87CADQR797CAPWG1AYCAZOMF3VCAGMQW0DCAS22HV8CAQZFRCWCA0O2Y5PCA3EFS6HCALK1B4HCADD4QMKCAKT4SCGCAPXQ8CKCAVMW062CA2P0U3V.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="160" width="256" src="http://2.bp.blogspot.com/-r6s-DlZ7kr4/TzkHsqFoSZI/AAAAAAAACpk/n-xFCzcrQkc/s400/CA05L6P4CA42IIECCAPNYAJWCA1YCE87CADQR797CAPWG1AYCAZOMF3VCAGMQW0DCAS22HV8CAQZFRCWCA0O2Y5PCA3EFS6HCALK1B4HCADD4QMKCAKT4SCGCAPXQ8CKCAVMW062CA2P0U3V.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-7486388006753285450?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/7486388006753285450/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/semana-de-arte-moderna-1922.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/7486388006753285450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/7486388006753285450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/semana-de-arte-moderna-1922.html' title='SEMANA DE ARTE MODERNA (1922)'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-IdFlUt-srYI/TzkC2zCOJTI/AAAAAAAACnI/EeMrKIXSfVs/s72-c/CAD6HYRNCAXOL9JMCAF06OXYCAIWHT0PCAPDCEETCATR0D47CAWO0AY6CA1AL4OSCAR4M9ZECA4W7MTQCAGP3UPTCAMNQCIMCAJSSYPACA2G05A8CAF5PHD1CAP3SXZOCAC516JVCA4V1R5H.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-7224593067040272069</id><published>2012-02-10T16:09:00.000-02:00</published><updated>2012-02-11T10:40:05.990-02:00</updated><title type='text'>NOS BRAÇOS VIRIS DE MINHA ESPOSA (algumas anotações sobre um conto de Mia Couto)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-dXMGrFGohDg/TzVaBAGYEPI/AAAAAAAACl0/yhpo7kZDVIw/s1600/Mia%2BCouto.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="281" width="179" src="http://4.bp.blogspot.com/-dXMGrFGohDg/TzVaBAGYEPI/AAAAAAAACl0/yhpo7kZDVIw/s320/Mia%2BCouto.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;Às vezes, penso: no fundo, eu tenho medo de mulher. E você não tem? Tem, bem que eu sei&lt;/b&gt;, comenta o narrador do conto &lt;b&gt;Joãotónio, no enquanto&lt;/b&gt;, escrito pelo moçambicano Mia Couto (nascido António Emílio Leite Couto, em Beira, no dia 5 de Julho de 1955). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contada em linguagem que muitas vezes dialoga com os neologismos de Guimarães Rosa, escondendo em formulário epistolográfico o que lhe cabe revelar gradativamente, essa história segue o compasso de tango e valsa como em pródigo e épico caso de amor, ocorrência que foge de classificação ordinária. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Narrativa em que o espanto e a falta do gozo se misturam com o alumbramento, parece abordar o velho desencontro entre homens e mulheres, mas é em outra estação que o ônibus do desejo quer desembarcar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deusa a exigir altar de devoção, &lt;b&gt;Maria Zeitona me apareceu intacta e intacteável. Dela se soltava a suspeita da brasa sob a cinza. Seu corpo falava pelos olhos. E que olhos cristalindos! Casamos, instantâneos. Eu queria sofrer a promessa daquele fogo.&lt;/b&gt; Queria e ficou no querer. Nada se cumpriu parecido com o que havia sido imaginado. Nos folguedos diários, realizados entre lençóis e gemidos, faltava sabor. Ou saber. Para surpresa de Joãotónio, Maria Zeitona cavalgava ignorância no conhecimento de temperos e doçuras. Mais que isso, inspirava insuportável impressão de desgostar do esporte. &lt;b&gt;Maria Zeitona era fria, calafrígida! Eu fazia amores era como se fosse com uma defunta.&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-D8lig5YPqwM/TzVaYu5VRJI/AAAAAAAACmA/L8qDL89Rlf4/s1600/CAUZ6CAHCAP1S2B7CA2J5KIVCAMYX3GOCA44TN7FCAO2VKXLCA2GLQPSCAWJTPXHCAZCFCPHCA9Q0O9SCA7C2J5NCABP72S1CAKBO5HYCAGX1FE9CA9O49CQCAUKF9NDCAQVY38ECAWRPJTU.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="144" width="97" src="http://3.bp.blogspot.com/-D8lig5YPqwM/TzVaYu5VRJI/AAAAAAAACmA/L8qDL89Rlf4/s320/CAUZ6CAHCAP1S2B7CA2J5KIVCAMYX3GOCA44TN7FCAO2VKXLCA2GLQPSCAWJTPXHCAZCFCPHCA9Q0O9SCA7C2J5NCABP72S1CAKBO5HYCAGX1FE9CA9O49CQCAUKF9NDCAQVY38ECAWRPJTU.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Joãotónio, frustrado por não ter conseguido extrair as labaredas em que sonhava se queimar, &lt;b&gt;Zeitona era lenha molhada: o fogo lhe desvalia&lt;/b&gt;, e antes que o desespero batesse na porta e o convidasse ao sair à procura do que não conseguia encontrar na própria alcova, encaminhou a questão para rumo inesperado: contratou famosa e rabuda prostituta para escolarizar a amada nas delícias que recheiam as artes amatórias. As duas mulheres concordam com o destrato. A esposa a cumprir &lt;b&gt;estágio com uma dessas profissionais de roça e destroca. Assim ela aprenderia a enrodilhar lençóis. Enfim, ela cometeria o pecado imortal.&lt;/b&gt; A outra, mediante algum dinheiro, garantiu que não economizaria lições sobre o ofício. Para finalizar o contrato, afirmou que, quando Maria Zeitona voltasse, &lt;b&gt;eu haveria tanto de despentear com ela que até o colchão reclamaria urgentes remendos.&lt;/b&gt;    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-qglqIBLq0Nw/TzVbhcKQR2I/AAAAAAAACmM/p9q41_BWC40/s1600/CAKOQFSNCAGV8G0OCAMEGE2YCAGD3KZVCA1BVRBACALKDDDTCAHVH6W2CAVYR2CUCADPXIENCA0SP72TCAHX2NLLCA6EMUOECAPHAT5BCAXKG940CAHSHTDRCA6MZICUCAXWT5Y6CAQ36FIE.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="279" width="181" src="http://1.bp.blogspot.com/-qglqIBLq0Nw/TzVbhcKQR2I/AAAAAAAACmM/p9q41_BWC40/s320/CAKOQFSNCAGV8G0OCAMEGE2YCAGD3KZVCA1BVRBACALKDDDTCAHVH6W2CAVYR2CUCADPXIENCA0SP72TCAHX2NLLCA6EMUOECAPHAT5BCAXKG940CAHSHTDRCA6MZICUCAXWT5Y6CAQ36FIE.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Depois de algumas semanas, Maria Zenaide voltou. Voltou diferente. Diferente? Muito diferente. &lt;b&gt;Vinha, de facto, mudada. Seus modos eram demasiados estranhos mas não da maneira que eu esperava. Caramba, mano, até ponho vergonha nesta confissão: Zeitoninha vinha com jeitos de homem!&lt;/b&gt; A mulher que lá foi, transformou−se em outra, senhora (em alguns momentos, senhor) de outros procederes, outros poderes, um enxoval de desconhecidas acrobacias. Joãotónio pagou por cartilha de alfabetização e recebeu biblioteca. Diante de tamanho desassossego, como faltava−lhe estrutura psicológica para folhear tantos volumes, nada mais restou senão sentir o espinho na carne, uma luxúria que assombrava, &lt;b&gt;ela é que me empurrava a deitar, acredite, ela é que me desapertava, me ia roubando os ares. Eu ficava para ali sem nenhuma iniciativa, executado e mandado como se fosse rapariga iniciada.&lt;/b&gt; Invertidos os papeis e as posições, aflição foi o mínimo que Joãotónio sentiu ao sentir que a corda estava espremendo as partes que diferenciam o macho da fêmea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O problema, mano, é o seguinte: eu até gosto! Me custa admitir, tanto que hesito em escrever. Mas a verdade é que me agrada esta nova condição, sendo−me dada a passiva idade, o lugar de baixo, a vergonha e o receio.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-KgG6gztQhhI/TzVcD0yqf-I/AAAAAAAACmk/eVQd-cYjHmE/s1600/CAHEEN7RCAKI0V6HCAWMXU1LCAWRZFXECAUUPUDVCA5ZKZ0KCA3WLTX9CA9OLW48CAEXVY5ZCAJIWQMQCAIE7R68CAVR941FCA75DIAWCAGYKBRKCAZL6NJOCAEC7YWHCAUW96CGCAAMRY7V.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="279" width="181" src="http://1.bp.blogspot.com/-KgG6gztQhhI/TzVcD0yqf-I/AAAAAAAACmk/eVQd-cYjHmE/s320/CAHEEN7RCAKI0V6HCAWMXU1LCAWRZFXECAUUPUDVCA5ZKZ0KCA3WLTX9CA9OLW48CAEXVY5ZCAJIWQMQCAIE7R68CAVR941FCA75DIAWCAGYKBRKCAZL6NJOCAEC7YWHCAUW96CGCAAMRY7V.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Entre quatro paredes vale tudo, diz a masculina sabedoria popular, sorriso de satisfação escorrendo pelo canto da boca como se fosse sumo de mastigada fruta madura, dessas que se apanham ao pé da árvore, no meio da tarde. Joãotónio é que não conseguiu entender o que estava se passando, sentiu medo em avançar sinal, muitos prejuízos em caso de colisão. E se ficasse viciado nas novas formas de dispor do corpo? Faria o quê?  Imerso nessas dúvidas, dívidas produzidas por amor e sexo, perdido ao não mais sentir o chão onde se movimentava com tanta firmeza e certeza antes de Maria Zeitona fazer pós−graduação naquelas loucuras, é que ele escreve a carta.            &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Mas agora, no momento que lhe escrevo, nem mais me apetece explicações. Quero desraciocinar. Em cada dia não espero senão a noite, as brandas tempestades em que eu sou Joãotónio e Joanatónia, masculina e feminino, nos braços viris de minha esposa. Por enquanto, mano, ainda sou Joãotónio. Me vou despedindo, vagarinhoso, do meu verdadeiro nome.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-z_ZNWzuvK6A/TzVcpUp5ykI/AAAAAAAACm8/RNAHBPI7OW0/s1600/mia%2B5.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="188" width="268" src="http://2.bp.blogspot.com/-z_ZNWzuvK6A/TzVcpUp5ykI/AAAAAAAACm8/RNAHBPI7OW0/s320/mia%2B5.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-7224593067040272069?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/7224593067040272069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/nos-bracos-viris-de-minha-esposa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/7224593067040272069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/7224593067040272069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/nos-bracos-viris-de-minha-esposa.html' title='NOS BRAÇOS VIRIS DE MINHA ESPOSA (algumas anotações sobre um conto de Mia Couto)'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-dXMGrFGohDg/TzVaBAGYEPI/AAAAAAAACl0/yhpo7kZDVIw/s72-c/Mia%2BCouto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-6132827093230941802</id><published>2012-02-09T14:10:00.000-02:00</published><updated>2012-02-09T15:12:21.855-02:00</updated><title type='text'>TRINTA FRASES SEM COMPROMISSOS COM O AMANHECER (Acompanhadas de algumas gravuras de Johannes Vermeer)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-a09Y66KTBRU/TzPuGhqFo0I/AAAAAAAAClE/K1KH7Wj54G8/s1600/images.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="239" width="211" src="http://1.bp.blogspot.com/-a09Y66KTBRU/TzPuGhqFo0I/AAAAAAAAClE/K1KH7Wj54G8/s320/images.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;A árvore, quando está sendo cortada, observa com tristeza que o cabo do machado é de madeira.&lt;/b&gt; (Provérbio árabe)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que está para ser feito a qualquer hora não será feito nunca. (Provérbio escocês)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Os imbecis deixam as suas marcas no que dizem.&lt;/b&gt; (Sofocleto)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há duas espécies de livros: uns que os leitores esgotam, outros que esgotam os leitores. (Mário Quintana)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O homem que só bebe água tem algum segredo que pretende ocultar dos seus semelhantes.&lt;/b&gt; (Charles Baudelaire)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu continuo sendo apenas um palhaço, o que já me coloca em nível bem mais elevado do que o de qualquer político. (Charles Chaplin)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O melhor profeta do futuro é o passado.&lt;/b&gt; (Lord Byron)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-6VdJ3nKe9-U/TzPuSSwfxKI/AAAAAAAAClQ/dX8iNnompeM/s1600/222222.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="245" width="206" src="http://2.bp.blogspot.com/-6VdJ3nKe9-U/TzPuSSwfxKI/AAAAAAAAClQ/dX8iNnompeM/s320/222222.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O insensato, quando foge de um vício, ordinariamente se precipita no oposto. (Horácio)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cansamo−nos de tudo, menos de compreender.&lt;/b&gt; (Virgílio)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ignorância não fica tão distante da verdade quanto o preconceito. (Denis Diderot)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Com a sua intuição, a juventude sabe que o mundo esta cheio de forças; mas não chega a entender qual o papel que a fraqueza, nas suas diversas formas, desempenha no mundo.&lt;/b&gt; (Hugo von Hofmannsthal)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só se escreve para provocar um amigo, conquistar uma mulher ou ganhar muito dinheiro. (Ivan Lessa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Queremos ser do nosso tempo é estarmos já ultrapassados.&lt;/b&gt; (Eugène Ionesco)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: nem ele me persegue, nem eu fujo dele; um dia a gente se encontra. (Mário Lago)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Mais difícil do que ter uma grande idéia é reconhecer uma. Especialmente se for de outra pessoa.&lt;/b&gt; (Washington Olivetto)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-rHRQHba0Qzw/TzPuhc7GYrI/AAAAAAAAClc/WkmKv6qhcTk/s1600/CACRERFNCAVATYY1CA5VC8RZCA81LNMMCA5GY73TCAVQCNS1CAYKPOZPCAT3KYXQCA74Y6FNCA1KYHJ2CAVQ42IECAEUBVVRCA7URAG2CA0XSE4TCAZVN05ICAL5BDDLCAHTJA02CAH17EXN.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="248" width="203" src="http://1.bp.blogspot.com/-rHRQHba0Qzw/TzPuhc7GYrI/AAAAAAAAClc/WkmKv6qhcTk/s320/CACRERFNCAVATYY1CA5VC8RZCA81LNMMCA5GY73TCAVQCNS1CAYKPOZPCAT3KYXQCA74Y6FNCA1KYHJ2CAVQ42IECAEUBVVRCA7URAG2CA0XSE4TCAZVN05ICAL5BDDLCAHTJA02CAH17EXN.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar, ao amigo, de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades. (Millôr Fernandes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Não use palavras muito grandes no texto. Não diga "infinitamente" quando você quer dizer "muito". De qualquer forma, não lhe restarão palavras quando quiser falar sobre algo realmente infinito.&lt;/b&gt; (C. S. Lewis)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arte não é só talento, mas sobretudo coragem. (Glauber Rocha)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Se eu gosto de poesia? Gosto de gente, bichos, plantas, lugares, chocolate, vinho, papos amenos, amizade, amor. Acho que a poesia está contida nisso tudo.&lt;/b&gt; (Carlos Drummond de Andrade) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A leitura torna o homem completo, a conversação torna−o ágil e a escrita lhe da precisão. (Francis Bacon)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;É tão difícil as pessoas razoáveis se tornarem poetas, quanto os poetas se tornarem razoáveis.&lt;/b&gt; (Pablo Neruda)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A consciência é o melhor livro de moral e aquele que menos se consulta. (Blaise Pascal) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Escrevam algo que valha a pena ler ou façam algo que valha a pena escrever.&lt;/b&gt; (Benjamin Franklin)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-BjOa5Vtb7BI/TzPut6OPRiI/AAAAAAAAClo/ttnTexgkoSY/s1600/CAGXSYBWCAY6UL2HCA3L9CJECAW3U3KECA8FFBVUCA3JIC2OCAH8UOVPCAQ0XIE2CAT4UOZKCACAG9NICAYWLMWXCAF0T1N3CA5AIR2XCAKSD7H5CAMDPV7VCAH3RN27CAO6658FCAP9YBK3.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="208" width="242" src="http://4.bp.blogspot.com/-BjOa5Vtb7BI/TzPut6OPRiI/AAAAAAAAClo/ttnTexgkoSY/s320/CAGXSYBWCAY6UL2HCA3L9CJECAW3U3KECA8FFBVUCA3JIC2OCAH8UOVPCAQ0XIE2CAT4UOZKCACAG9NICAYWLMWXCAF0T1N3CA5AIR2XCAKSD7H5CAMDPV7VCAH3RN27CAO6658FCAP9YBK3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar. (José Saramago)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;(...) a grande, a perfeita solidão exige uma companhia ideal.&lt;/b&gt; (Nelson Rodrigues)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor é uma flor delicada, mas é preciso ter coragem de ir colhê−la à beira de um precipício. (Stendhal)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;No homem, o desejo gera o amor. Na mulher, o amor gera o desejo.&lt;/b&gt; (Jonathan Swift)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer. (Ítalo Calvino)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cada um de nós é uma lua e tem um lado escuro que nunca mostra a ninguém.&lt;/b&gt; (Mark Twain)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes. (Machado de Assis)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-6132827093230941802?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/6132827093230941802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/trinta-frases-sem-compromissos-com-o.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/6132827093230941802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/6132827093230941802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/trinta-frases-sem-compromissos-com-o.html' title='TRINTA FRASES SEM COMPROMISSOS COM O AMANHECER (Acompanhadas de algumas gravuras de Johannes Vermeer)'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-a09Y66KTBRU/TzPuGhqFo0I/AAAAAAAAClE/K1KH7Wj54G8/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-9106955452264984973</id><published>2012-02-08T10:09:00.000-02:00</published><updated>2012-02-09T14:15:25.660-02:00</updated><title type='text'>WALY SALOMÃO (1944 −2003)</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-XELefrAvIrk/TzJj9UpvvnI/AAAAAAAACkI/9E1Q64FvN8c/s1600/waly%2B4.bmp" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="184" width="274" src="http://1.bp.blogspot.com/-XELefrAvIrk/TzJj9UpvvnI/AAAAAAAACkI/9E1Q64FvN8c/s320/waly%2B4.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Waly Salomão, nascido Walid, também conhecido como Waly Sailormoon, marinheiro da lua, filho de um árabe com uma baiana, ponte entre as mil e uma noites e o calor de Jequié (interior da Bahia), era nômade por natureza, nunca parou quieto em algum lugar, amante da filosofia pré−socrática, produtor musical, herdeiro do Tropicalismo, poeta marginal (&lt;b&gt;Me segura qu’eu vou dar um troço&lt;/b&gt; foi sucesso de público e crítica nos anos 60). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora tivesse voz rouca e forte, dessas que ocupam todos os espaços da sala, falava com as mãos, gesticulando palavras e pensamentos, o corpo se movendo como uma avalanche de idéias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Totrenq4v1A/TzJkK5ru_ZI/AAAAAAAACkU/yD5QIpgR1ds/s1600/CAQ4FATWCABQ38WUCAJYA1E2CAK1ILF8CA2R2OFPCAQCO0OJCA4FO2JWCA6R01G3CA5DW4F3CA22VQT3CAF1B2MMCAD0S8S5CADHDW6XCAN7ZLYUCA8MD39XCAEA1B13CAYH9ZJHCA8121A3.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="160" width="160" src="http://2.bp.blogspot.com/-Totrenq4v1A/TzJkK5ru_ZI/AAAAAAAACkU/yD5QIpgR1ds/s320/CAQ4FATWCABQ38WUCAJYA1E2CAK1ILF8CA2R2OFPCAQCO0OJCA4FO2JWCA6R01G3CA5DW4F3CA22VQT3CAF1B2MMCAD0S8S5CADHDW6XCAN7ZLYUCA8MD39XCAEA1B13CAYH9ZJHCA8121A3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Waly foi um dos convidados do &lt;b&gt;5° Encontro Catarinense dos Escritores&lt;/b&gt;, realizado em novembro de 2000, em Joinville, SC. Esbanjando simpatia e sorrisos, fez pronunciamentos, leu poemas, esculhambou com o que tinha para ser esculhambado e autografou livros. Enfim, comportou−se como um profissional. Desses que fazem jus ao cachê pago pela organização. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, em determinado momento, um curto−circuito. Em um dos eventos menores da programação estourou uma discussão. Waly estava no recinto, lá nos fundos, em uma daquelas conversas paralelas típicas de eventos literários. Comprovando que tinha bom ouvido, percebeu que alguém estava falando mal de Kostantin Kavafis. Irritado com a ignorância do sujeito e comprovando desconhecer a prudência, interrompeu a briga, solicitou a palavra e encenou espetáculo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-D8CyK7qIzQw/TzJkYchEqmI/AAAAAAAACkg/FtWavovOayA/s1600/CAI7FN2DCAW3MVLSCA342OGNCA2CBA74CAG8CH2YCAK24WFFCA3F1FIUCA207MD8CAYEPFSNCAHKWLPQCA5ZNPDQCAB4JNRGCATZEGUPCA9ICT4ECAUYZXJNCAOFV1WPCADR35MNCAX1HQXM.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="200" width="200" src="http://2.bp.blogspot.com/-D8CyK7qIzQw/TzJkYchEqmI/AAAAAAAACkg/FtWavovOayA/s320/CAI7FN2DCAW3MVLSCA342OGNCA2CBA74CAG8CH2YCAK24WFFCA3F1FIUCA207MD8CAYEPFSNCAHKWLPQCA5ZNPDQCAB4JNRGCATZEGUPCA9ICT4ECAUYZXJNCAOFV1WPCADR35MNCAX1HQXM.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Adjetivou o sujeito em alto e bom som com os mais diversos, divertidos e inumeráveis palavrões. Pudico e envergonhado, a vítima não sabia onde se meter. Sequer conseguiu encontrar alguma desculpa para escapar daquele constrangimento. Não satisfeito com o massacre, Waly, como se fosse um professor que não tem piedade com o aluno incompetente, desconstruiu toda a argumentação que gerou a polêmica. Sem indulgência, fez questão de esclarecer quais são as diferenças que separam o equívoco e a erudição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O público aplaudiu de pé  − e se pudesse, teria pedido bis.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse engraçadíssimo episódio está registrado no número 3 da revista &lt;b&gt;Babel&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se fosse um reflexo de sua personalidade, a poesia que Waly escreveu era lírica e agressiva, marginal e discursiva, cheia de ritmo e contrabando, fora de moda e dentro do pensamento selvagem, hino em louvor à contradição e ao labor estético. Como mimeses dos sons produzidos por uma orquestra sinfônica, reavivou, reanimou, re−estabeleceu o reinado do barroco, gotas de chuva se somando à tempestade, luzes e algaravias no meio da noite, detalhes sobre detalhes multiplicando o excesso, seguindo a trilha forjada por personagens/profetas/poetas como padre Antonio Vieira e Gregório de Matos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-rTinnKG271Q/TzJkzK6vyJI/AAAAAAAACks/y7XNiE0oSJw/s1600/CA7NBVPZCA47PG1DCAFL40GXCA3PHBIKCAUN6ZTKCA8V0JPFCAFQHXJVCAFBFRF3CA4WUYP9CAORVVS0CAZ5Q8SLCAM9131ZCAP2M13YCA7BZPO7CACXK8QZCAT41JLUCAG0SQ7DCA7P1VPA.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="180" width="280" src="http://4.bp.blogspot.com/-rTinnKG271Q/TzJkzK6vyJI/AAAAAAAACks/y7XNiE0oSJw/s320/CA7NBVPZCA47PG1DCAFL40GXCA3PHBIKCAUN6ZTKCA8V0JPFCAFQHXJVCAFBFRF3CA4WUYP9CAORVVS0CAZ5Q8SLCAM9131ZCAP2M13YCA7BZPO7CACXK8QZCAT41JLUCAG0SQ7DCA7P1VPA.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Editor da revista &lt;b&gt;Navilouca&lt;/b&gt; (ao lado de Torquato Neto), Waly nunca recusou o navegar por mares nunca dantes navegados. &lt;b&gt;Nado no grande livro do mundo&lt;/b&gt;, afirmou, folheando a enciclopédia do conhecimento. Mergulhou nas águas turbulentas da crítica, flutuou em traduções, foi ator e espectador das próprias performances. Escreveu letras de músicas gravadas por Maria Bethânia, Adriana Calcanhoto, Zeca Baleiro e Jards Macalé. Soldado da cultura.         &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Waly Salomão, funcionário público (secretário nacional do livro), morreu aos 59 anos, vítima de câncer, em maio de 2003. Ele sabia que toda poesia é detrito da vida.            &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-F6xgj0xOQQg/TzJlC01BFCI/AAAAAAAACk4/vE2Li8TxBMc/s1600/Doc%2B001.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="320" width="243" src="http://1.bp.blogspot.com/-F6xgj0xOQQg/TzJlC01BFCI/AAAAAAAACk4/vE2Li8TxBMc/s320/Doc%2B001.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;OLHO DE LINCE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem fala que sou esquisito hermético&lt;br /&gt;É porque não dou sopa estou sempre elétrico&lt;br /&gt;Nada que se aproxima nada me é estranho&lt;br /&gt;Fulano sicrano beltrano&lt;br /&gt;Seja pedra seja planta seja bicho seja humano&lt;br /&gt;Quando quero saber o que ocorre à minha volta&lt;br /&gt;Ligo a tomada abro a janela escancaro a porta&lt;br /&gt;Experimento tudo nunca me iludo&lt;br /&gt;Quero crer no que vem por ai beco escuro&lt;br /&gt;Me iludo passado presente futuro&lt;br /&gt;Reviro na palma da mão o dado&lt;br /&gt;Presente futuro passado&lt;br /&gt;Tudo sentir de todas as maneiras&lt;br /&gt;É a chave de ouro do meu jogo&lt;br /&gt;É fósforo que acende o fogo&lt;br /&gt;De minha mais alta razão&lt;br /&gt;Na seqüência de diferentes naipes&lt;br /&gt;Quem fala de mim tem paixão &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-9106955452264984973?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/9106955452264984973/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/waly-salomao-1944-2003.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/9106955452264984973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/9106955452264984973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/waly-salomao-1944-2003.html' title='WALY SALOMÃO (1944 −2003)'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-XELefrAvIrk/TzJj9UpvvnI/AAAAAAAACkI/9E1Q64FvN8c/s72-c/waly%2B4.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-4001892790483122320</id><published>2012-02-07T10:59:00.001-02:00</published><updated>2012-02-09T18:44:06.106-02:00</updated><title type='text'>ORIDES FONTELA (1940−1998)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-qHfDoUObG_4/TzEeq9NIDVI/AAAAAAAACjY/T_w0SQIPv9U/s1600/CAT1ITL9CAQP37M6CAFU8XRLCA3QTVQICA03GM00CAZSW0G8CACPZKC1CA2Q5VNYCATFU8BSCA6EIBW9CAHM9ZHUCA8R1I2RCA4W1I4UCAVZN0A0CA38KETKCA2OZ87GCAI1WBSFCAXZ0RRY.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="182" width="277" src="http://3.bp.blogspot.com/-qHfDoUObG_4/TzEeq9NIDVI/AAAAAAAACjY/T_w0SQIPv9U/s320/CAT1ITL9CAQP37M6CAFU8XRLCA3QTVQICA03GM00CAZSW0G8CACPZKC1CA2Q5VNYCATFU8BSCA6EIBW9CAHM9ZHUCA8R1I2RCA4W1I4UCAVZN0A0CA38KETKCA2OZ87GCAI1WBSFCAXZ0RRY.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Dizem que Orides de Lourdes Teixeira Fontela gostava de gatos e era louca. A primeira parte é verdade, a segunda... também – nenhum poeta consegue escapar da voracidade que contorna a tragédia pessoal. Sobrevivência é mais do que um substantivo perdido nas páginas frias dos dicionários. É promessa de redenção. É compromisso de viver o próximo dia com intensidade superior ao anterior. &lt;b&gt;Bendita a sede / por congregar−nos em torno / da fonte.&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulher, poeta e pobre: triste coleção de infortúnios em um mundo em que a razão e a ternura foram substituídas pela barbárie capitalista. Professora do ensino fundamental. Bibliotecária. Encrenqueira. Filósofa. Artífice. &lt;b&gt;Tudo / será difícil de dizer: / a palavra real / nunca é suave.&lt;/b&gt; (...) &lt;b&gt;(Toda palavra é crueldade.)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-4yxS6IHJIME/TzEe6TgoOjI/AAAAAAAACjk/cj2AXqHxdvQ/s1600/CAW6X23ZCAXNHNGJCANN2WZMCA3DL5PECA3R2ETNCAN14H97CAW2QO8NCAHLL3YICA9FKSL2CAZO6T4XCAUS777ACAYVCLN2CA9H6JX7CAQNV9MKCAGE0XLDCAA4E22TCAD4D1F4CANE51BO.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="276" width="182" src="http://1.bp.blogspot.com/-4yxS6IHJIME/TzEe6TgoOjI/AAAAAAAACjk/cj2AXqHxdvQ/s320/CAW6X23ZCAXNHNGJCANN2WZMCA3DL5PECA3R2ETNCAN14H97CAW2QO8NCAHLL3YICA9FKSL2CAZO6T4XCAUS777ACAYVCLN2CA9H6JX7CAQNV9MKCAGE0XLDCAA4E22TCAD4D1F4CANE51BO.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Foi "descoberta" em São João da Boa Vista (interior de São Paulo). Foi salva da glória menor que é reservada aos "poetas municipais". A crítica a acolheu desde o início (&lt;b&gt;Transposição&lt;/b&gt;, 1969). Poucos leitores, poucos amores, muitas dores. A raiva corroendo o corpo frágil, afastando amigos, destruindo pontes, se espalhando em destroços e cores. Translúcida insanidade com contornos zen-budistas. Sombras amargas que seguem/perseguem o inefável. Afável é adjetivo que nunca lhe caiu bem. Cultivava outra moda: a do insulto, do desprezo, do mal−querer. Jamais adotou artimanha de fraco. Não foi surpresa ter morrido sozinha. Costumava declamar poemas (a voz empostada, ritualizada, solene) como se estivesse rezando: &lt;b&gt;– é proibido / voltar atrás / e chorar.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Versos incandescentes renovam e repetem novos e velhos pensamentos. Repetem o que já se ouviu. Repetem de forma diferente, acrescentando significados, repartindo ilusões. Poemas são símbolos ou cicatrizes. Simplicidade de quem bebe água na fonte. Nunca negou (ao contrário, sempre confirmou) a herança e o diálogo com Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto. Complementares, cada um enfrentando, destruindo, passando por cima ou contornando as pedras que surgem pelo caminho. Versos de fina tessitura a de/cantar teoremas e silêncios, a ler o desassossego, a nomear sentimentos, a repudiar o inominável. &lt;b&gt;A tarde em mim se / repete / e nunca surgem as estrelas.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-loXlmkbB9HQ/TzEfIwzIy3I/AAAAAAAACjw/ddBvLaGhIrI/s1600/CAW7UAQ4CAG4N3MYCAK8GP74CANNQ2BZCANC65N2CAH3TXM9CA1Q8RCMCADSJVTOCAO0BTZ0CANNFYQBCASZXRO9CAUTV4QQCA0EIDBRCAOX0UP7CA6HIM5JCAVBIR7ACAZR3AR9CA22M12P.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="182" width="143" src="http://3.bp.blogspot.com/-loXlmkbB9HQ/TzEfIwzIy3I/AAAAAAAACjw/ddBvLaGhIrI/s320/CAW7UAQ4CAG4N3MYCAK8GP74CANNQ2BZCANC65N2CAH3TXM9CA1Q8RCMCADSJVTOCAO0BTZ0CANNFYQBCASZXRO9CAUTV4QQCA0EIDBRCAOX0UP7CA6HIM5JCAVBIR7ACAZR3AR9CA22M12P.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Versos são tijolos arremessados contra as vidraças da mediocridade. Poetas são donos de olaria. Repetem incansavelmente o gesto. Entre a mão e o braço, um arco a descrever a fúria. O objeto se desloca em velocidade constante. O choque. O ruído. O estilhaço. Único verso. Universo. Reverso. Transverso, travessura. &lt;b&gt;A palavra vencida / e para sempre inesgotável.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Espectros / farejam todos / os rumos.&lt;/b&gt; O sanatório em Campos do Jordão. Poetas deveriam ter alvarás para viver mais do que 58 anos. Dentro dos livros, algumas palavras se repetem incansavelmente: água, pedra, pássaro, flor, sol, estrela, silêncio. Talvez, no fim da tarde, ao abrir a &lt;b&gt;Carta&lt;/b&gt;, seja possível descobrir que &lt;b&gt;Da / vida / não se espera resposta.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vQZYQ-Sag88/TzEf_5kQ6vI/AAAAAAAACj8/maM-C8MI0YA/s1600/3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="149" width="229" src="http://3.bp.blogspot.com/-vQZYQ-Sag88/TzEf_5kQ6vI/AAAAAAAACj8/maM-C8MI0YA/s320/3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;VIAGEM&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viajar &lt;br /&gt;mas não &lt;br /&gt;para &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;viajar &lt;br /&gt;mas sem &lt;br /&gt;onde &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sem rota    sem ciclo    sem circulo &lt;br /&gt;sem finalidade possível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viajar &lt;br /&gt;e nem sequer sonhar−se &lt;br /&gt;esta viagem.    &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-4001892790483122320?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/4001892790483122320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/orides-fontela-19401998.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/4001892790483122320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/4001892790483122320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/orides-fontela-19401998.html' title='ORIDES FONTELA (1940−1998)'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-qHfDoUObG_4/TzEeq9NIDVI/AAAAAAAACjY/T_w0SQIPv9U/s72-c/CAT1ITL9CAQP37M6CAFU8XRLCA3QTVQICA03GM00CAZSW0G8CACPZKC1CA2Q5VNYCATFU8BSCA6EIBW9CAHM9ZHUCA8R1I2RCA4W1I4UCAVZN0A0CA38KETKCA2OZ87GCAI1WBSFCAXZ0RRY.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-7659421518274742872</id><published>2012-02-06T11:15:00.000-02:00</published><updated>2012-02-10T16:10:09.597-02:00</updated><title type='text'>OS OUTROS – NARRATIVA ARGENTINA CONTEMPORÂNEA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-elSGMm3xGQo/Ty_SFgXnTlI/AAAAAAAACjA/ASTWHYVx-c8/s1600/Livro.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="271" width="186" src="http://3.bp.blogspot.com/-elSGMm3xGQo/Ty_SFgXnTlI/AAAAAAAACjA/ASTWHYVx-c8/s320/Livro.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Costumamos esconder a ignorância atrás dos rótulos. Por exemplo, para negar o poder e a qualidade da literatura produzida em Uruguai, Paraguai, Equador, Venezuela, Colômbia, Bolívia, Peru, Argentina, Chile, Suriname, Guiana Francesa e Guiana Inglesa, freqüentemente usamos o título genérico "sul−americana". Ao reunir escritores tão diversos como Julio Ramón Ribeyro e Daniel Alarcón, Mempo Giardinelli e Osvaldo Soriano, Felisberto Hernández e Juan Carlos Onetti, José Donoso e Alberto Fuguet em um "balaio de gatos", imagina−se um constructo ideológico capaz de negar o acesso às diferenças, à alteridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte desse engano, o caso argentino, adquire visibilidade na coletânea &lt;b&gt;Os outros – narrativa argentina contemporânea&lt;/b&gt;, organizada pelo escritor e psicanalista argentino Luis Gusmán. O volume apresenta 27 contos praticamente desconhecidos do público brasileiro. As exceções são Martin Kohan e Alan Pauls – nomes reconhecidos pelo imaginário literário brasileiro. O texto escrito por Sergio Bizzio (&lt;b&gt;Cinismo&lt;/b&gt;) também não é estranho: serviu de base para o roteiro de &lt;b&gt;XXY&lt;/b&gt; (Dir. Lucía Puenzo, 2007), filme vencedor da Semana de Crítica do Festival Internacional de Cinema de Cannes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-R-F-LZxmqYQ/Ty_R9A7T1MI/AAAAAAAACi0/jeMwHV7tFbI/s1600/CAZIXNJ7CA1WXBXNCAR7PPZBCAW1WIFICAMKNON1CA9LS0N9CAWKLAEZCAUYC20DCA92TUDKCA5R4SMPCAW9KO1FCA6CC3TICARPMQV4CAXQCI60CADS7H88CAO7IEWWCA1YTFVYCAM61KQH.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="267" width="189" src="http://1.bp.blogspot.com/-R-F-LZxmqYQ/Ty_R9A7T1MI/AAAAAAAACi0/jeMwHV7tFbI/s320/CAZIXNJ7CA1WXBXNCAR7PPZBCAW1WIFICAMKNON1CA9LS0N9CAWKLAEZCAUYC20DCA92TUDKCA5R4SMPCAW9KO1FCA6CC3TICARPMQV4CAXQCI60CADS7H88CAO7IEWWCA1YTFVYCAM61KQH.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Os escritores argentinos contemporâneos precisam sobreviver à sombra deixada por Jorge Luis Borges. Diante de tamanha herança, uma encruzilhada se estabelece. Ou seguir o caminho trilhado pelo Mestre ou abrir nova estrada. Poucos possuem o espírito de combate dos engenheiros rodoviários. Ao mesmo tempo, ninguém quer ser acusado de ser imitador. Tamanho conflito deságua em constantes tentativas de reler, ritualizar, reatualizar, dissolver e esquecer o passado. Nem sempre essas incursões ao tragicômico fabular resultam em experiências bem−sucedidas. Inclusive porque as fraturas múltiplas e conflitantes espelham os destroços da história política, social e cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não bastasse Borges, outros nomes também pesam sobre os ombros daqueles que decidem fazer da escrita uma forma de conviver com os próprios fantasmas. Entre Julio Cortázar, Juan José Saer, Roberto Arlt, Macedonio Fernández, Manuel Puig e Ricardo Piglia, uma avalanche está pronta para soterrar vitimas e culpados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-u0o0tNkxuo4/Ty_Rx3do2oI/AAAAAAAACio/jQH5PnBMDZQ/s1600/Alan.bmp" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="176" width="176" src="http://1.bp.blogspot.com/-u0o0tNkxuo4/Ty_Rx3do2oI/AAAAAAAACio/jQH5PnBMDZQ/s320/Alan.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A antologia de Luis Gusmán não quer seguir um caminho particular. Tampouco quer repetir formulas. E nesse fazer o que é possível, faz o que é necessário – apesar dos tropeços (inevitáveis nesse tipo de trabalho). O fato é que, além de fornecer visibilidade para a literatura argentina, alguns contos estão muito acima de outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O escolhido&lt;/b&gt; (C. E. Feiling) surpreende o leitor. As três cenas que o compõe parecem estar desconectadas até o parágrafo final, onde o horror se revela. Impressionante "tour de force" narrativo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Kh86JQhrBFg/Ty_Rit2WiQI/AAAAAAAACic/MCQpSmnKg4A/s1600/CAJ0QNWZCAU1DXRUCA19G9W8CAN2HE1GCA2SR0C3CAHFD8BRCAZN8VT2CAY72XRWCA8UFURPCADEFQVWCAIJQDEOCA0W6943CAXHSVS0CA2H1KF6CATXCSCLCAJDR5WXCAP4HQNXCAQAVT8J.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="275" width="183" src="http://2.bp.blogspot.com/-Kh86JQhrBFg/Ty_Rit2WiQI/AAAAAAAACic/MCQpSmnKg4A/s320/CAJ0QNWZCAU1DXRUCA19G9W8CAN2HE1GCA2SR0C3CAHFD8BRCAZN8VT2CAY72XRWCA8UFURPCADEFQVWCAIJQDEOCA0W6943CAXHSVS0CA2H1KF6CATXCSCLCAJDR5WXCAP4HQNXCAQAVT8J.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Em &lt;b&gt;Exótica&lt;/b&gt; (Ana Kazumi Stahl), a narrativa se fixa no eterno descompasso entre o imaginário e o real. No embate cultural, decidir pelo novo muitas vezes significa enfrentar a decepção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O cerco&lt;/b&gt; (Martin Kohan) é uma alegoria muito bem construída, sem se reportar diretamente aos governos autoritários. Ao leitor cabe a decisão de encontrar os necessários paralelos ou de lê-la como se fosse uma fábula de inspiração kafkaniana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A pele de cavalo&lt;/b&gt; (Ricardo Zelarrayán) parece contar algumas aventuras picarescas, mas subitamente se desloca para o inesperado. Esse andamento, ao contrário da dispersão, fornece unidade ao desencontro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-5dTyPjSZmwY/Ty_SXyw9qoI/AAAAAAAACjM/AQvSv-Nb_N0/s1600/CA5R36S5CA68RO6FCA5X7AY5CAPQ5RB0CANGK94WCAMZ2UAHCA159DRBCAD7VUTFCA65HEIWCAU3702ECAX03Y1ZCA67XUS9CAQ474EPCAGB3LG0CAQTSC2HCAEORYNXCAE4DU8FCA7GOZY0.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="194" width="259" src="http://2.bp.blogspot.com/-5dTyPjSZmwY/Ty_SXyw9qoI/AAAAAAAACjM/AQvSv-Nb_N0/s320/CA5R36S5CA68RO6FCA5X7AY5CAPQ5RB0CANGK94WCAMZ2UAHCA159DRBCAD7VUTFCA65HEIWCAU3702ECAX03Y1ZCA67XUS9CAQ474EPCAGB3LG0CAQTSC2HCAEORYNXCAE4DU8FCA7GOZY0.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Há outros contos igualmente interessantes. Muitos deles margeando a literatura intimista, o "eu" se pronunciando com intensidade. Há também exemplos da pesquisa formal, o monólogo interior manifesto como ferramenta da enunciação que tangencia a poética. Apesar das questões políticas não se apresentarem de forma visceral, elas também estão presentes em todo o livro. A opressão possui inúmeras faces e sempre está armando emboscadas para os ingênuos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de &lt;b&gt;Os outros – narrativa argentina contemporânea&lt;/b&gt;, o leitor se torna cúmplice dessa literatura que promete recompensar o incômodo com alguns prazeres − como se fosse uma mulher que vai revelando, lentamente, segredos agradavelmente excitantes.                &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-7659421518274742872?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/7659421518274742872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/os-outros-narrativa-argentina.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/7659421518274742872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/7659421518274742872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/os-outros-narrativa-argentina.html' title='OS OUTROS – NARRATIVA ARGENTINA CONTEMPORÂNEA'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-elSGMm3xGQo/Ty_SFgXnTlI/AAAAAAAACjA/ASTWHYVx-c8/s72-c/Livro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-7497081204460201032</id><published>2012-02-03T15:38:00.000-02:00</published><updated>2012-02-06T16:08:46.930-02:00</updated><title type='text'>JAMES JOYCE E EU</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-gNj0X7_RIL8/TywYpaN0yCI/AAAAAAAACgk/2-BkkeJd0tc/s1600/CABZ6UGFCA4ZIE5CCA2RCVQ1CAWRA6BXCA13PGEWCAVCZL99CAKYN4IRCAWWTG3BCASPOUCLCAHW3RRDCAYQ5HO2CALFJK6ICAO8I4VICAJWQHTUCA3I4B4DCAJK9FLWCA53EUMBCAG52NMD%255B1%255D.JPG" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="259" width="194" src="http://4.bp.blogspot.com/-gNj0X7_RIL8/TywYpaN0yCI/AAAAAAAACgk/2-BkkeJd0tc/s320/CABZ6UGFCA4ZIE5CCA2RCVQ1CAWRA6BXCA13PGEWCAVCZL99CAKYN4IRCAWWTG3BCASPOUCLCAHW3RRDCAYQ5HO2CALFJK6ICAO8I4VICAJWQHTUCA3I4B4DCAJK9FLWCA53EUMBCAG52NMD%255B1%255D.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Se tivesse sobrevivido ao alcoolismo, à cegueira, à úlcera no duodeno, à falência econômica e às diversas catástrofes naturais, James Augusta Joyce teria celebrado 130 anos no dia 02 de fevereiro. Primogênito entre dez irmãos, pai de dois filhos (Giorgio e Lucia), esposo de Nora, escritor magistral, adjetivos não faltam para nomeá−lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha história pessoal está ligada com a de James Joyce.  Estive em Zurich, durante dois dias, em novembro de 1990. Foi naquela cidade, em diferentes períodos, que &lt;b&gt;Jim&lt;/b&gt; viveu vários anos, foi lá que ele morreu, é lá que ele está enterrado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de sair do Brasil, embriagado pela leitura de duas biografias (Richard Ellmann e Chester G. Anderson), imaginei, com a mesma alegria daqueles pré−adolescentes que vão para a Disneylândia, uma espécie de passeio sentimental por aquelas ruas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-LRyOrBiYy0w/TywZhOmurdI/AAAAAAAACgw/HNlXUtckx_4/s1600/DOCv%2B002%255B1%255D.JPG" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="294" width="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-LRyOrBiYy0w/TywZhOmurdI/AAAAAAAACgw/HNlXUtckx_4/s320/DOCv%2B002%255B1%255D.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Depois do almoço, apesar da garoa que insistia em molhar a cidade, procuramos pelo número 8 da &lt;b&gt;Augustinergasse&lt;/b&gt;. É uma transversal da &lt;b&gt;Bahnhofstrasse&lt;/b&gt;, o coração comercial de Zurich. A rua é estreita, escura e sinuosa. As casas são antigas. O endereço corresponde a um sobrado de dois andares. Na porta fechada, um cartaz anunciava que o &lt;b&gt;Museu James Joyce&lt;/b&gt; só abriria no dia seguinte. Pensei em ir embora, mas a mulher que, dois anos depois, se transformaria na mãe do meu filho discordou. Unindo as palavras à ação, apertou a campainha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algum tempo depois, uma senhora simpática nos autorizou a visita. A biblioteca impressiona. Centenas de cópias de uns poucos livros. A diferença é que estão escritos em diferentes idiomas e dialetos. Fui informado que um dos objetivos do museu (que não é museu, no sentido formal do termo, e sim um instituto de pesquisas) é reunir todas as traduções possíveis dos livros escritos por James Joyce. Claro, também estão lá ensaios críticos, obras de referências, dicionários,... Quase tudo o que se possa imaginar sobre o universo bibliográfico joyceano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outra sala, o delírio produzido pelo fetiche. Escrivaninha, cópias de manuscritos, canetas, gravatas, bengala, caixa vazia de charutos, algumas peças de arte. A presença do personagem é superior ao homem que usou aqueles objetos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em dado momento, a diretora da instituição me pergunta pelo tradutor brasileiro de &lt;b&gt;Ulisses&lt;/b&gt;. Tento explicar que não conheço (não o conhecia) Antonio Houaiss e que há outras pessoas interessadas em divulgar a obra de Joyce no Brasil. Depois de algum esforço, citei os Irmãos Campos, José Geraldo Vieira, Hamilton Trevisan, Paulo Leminski. Não tenho certeza se fui entendido.                   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-CeCAVBGSJyM/TywaU21H-UI/AAAAAAAAChI/ubnKm6bB6nU/s1600/untitled%255B1%255D.bmp" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="232" width="217" src="http://1.bp.blogspot.com/-CeCAVBGSJyM/TywaU21H-UI/AAAAAAAAChI/ubnKm6bB6nU/s320/untitled%255B1%255D.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Antes de irmos embora, comprei um lote de postais. Custaram caro. Guardo−os como se fossem relíquias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta ao burburinho das ruas, caminhamos pelas calcadas, tentando se esconder da garoa. As ruas estão cheias. Os guarda−chuvas nos atropelam. Há certa pressa, uma urgência não declarada no ar. A impressão é que todos querem fugir, o mais rápido possível, do centro da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda aquela agitação precisava ser controlada com uma boa caneca de cerveja estupidamente gelada, é o que decido. Sou lembrado que isso é delírio: na Suíça, a cerveja é servida na temperatura ambiente. Tudo bem, vamos ao &lt;b&gt;Odeon&lt;/b&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-OLkp1o89NVk/TywanDGI3UI/AAAAAAAAChU/QFMF9pWy7wk/s1600/DOCv%2B003%255B1%255D.JPG" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="225" width="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-OLkp1o89NVk/TywanDGI3UI/AAAAAAAAChU/QFMF9pWy7wk/s320/DOCv%2B003%255B1%255D.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O prédio é lindo. São cinco andares de uma arquitetura de cartão postal. Conta a lenda que &lt;b&gt;Jim&lt;/b&gt; cansou de encher a cara nesse boteco. Dizem que Vladimir Ilitch Ulianov, mais tarde conhecido por Lênin, também comparecia no estabelecimento para "molhar a palavra". Há quem aposte que os dois tenham estado juntos muitas tardes e noites, talvez um ao lado do outro. Provavelmente nunca conversaram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentamos nas banquetas do balcão em forma de "U" e pedimos cerveja – servidas em copos enormes, sob "bolachas" cor−de−rosa, em forma de coração. Impossível ler o que lá está escrito: alemão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ambiente do bar é estranho, pesado, como se estivesse esfumaçado. A iluminação é ruim. Ou melhor, &lt;i&gt;kitsch&lt;/i&gt;. Nas mesas, muitas pessoas conversando, rindo, bebendo. De repente, algumas coisas se revelam para nosso particular escândalo. Estamos em um bar "gay"! O carinho exagerado das mulheres, na mesa próxima; o moço bonito, de terno, que conversa com o rapaz de jeans; o garçom... Pedimos mais cerveja e ficamos, provincianamente, a exercitar o voyeurismo. Pergunto para mim mesmo: como será que Joyce reagiria, nessa situação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-NCkCIo1h3l8/TywbDFoogQI/AAAAAAAAChg/6NjShzbEC_Y/s1600/DOCv%2B004%255B1%255D.JPG" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="320" width="226" src="http://3.bp.blogspot.com/-NCkCIo1h3l8/TywbDFoogQI/AAAAAAAAChg/6NjShzbEC_Y/s320/DOCv%2B004%255B1%255D.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Com fome, fomos embora. A garoa havia se transformado em temporal. O taxi nos deixa em frente ao &lt;b&gt;Pfauen&lt;/b&gt;, o restaurante onde parte do &lt;b&gt;work in progress&lt;/b&gt; (mais tarde conhecido como &lt;b&gt;Finnegans wake&lt;/b&gt;) foi escrito. Enquanto esvaziava dezenas de garrafas de Fendant, Joyce imaginava aquelas maravilhas linguísticas que muita gente não consegue entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O salão é enorme. Com direito a um mezanino que leva a outro salão, no andar superior. O restaurante estava lotado. Pedimos peixe agridoce e frango. Vinho, também. Procuro, nas paredes, alguma menção a respeito de Joyce. Em vão. A comida e a bebida estavam ótimos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de pagar a conta, fizemos questão de conhecer todo o restaurante. Do alto da escada, olhando por uma janela, percebo que a chuva está diminuindo. Ao olhar para o outro lado, vejo o candelabro gigantesco que ilumina o salão: é perturbadoramente bonito. Ao mesmo tempo, há um "quê" de desencontro, de objeto fora de lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em frente ao hotel, depois de pagar o taxi, senti a chuva me envolver em um abraço carinhoso. O reflexo das lâmpadas no rio Limmat aumentou o calor do meu corpo. Por um instante, pensei, mais uma vez, naquele homem magro, eternamente sem dinheiro, obcecado pela própria obra literária e que viveu vários anos, entre 1915 e 1941, naquela cidade maluca. "Melhor curar o porre debaixo das cobertas", lembrou−me a futura mãe do meu filho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela manhã, o trem nos levou embora. Nas ruas de Berna, encontramos ursos, canivetes, &lt;i&gt;fundues&lt;/i&gt;, praças, pessoas jogando xadrez em tabuleiros gigantes e um sol de fazer inveja ao Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-jrHZSnImTg8/TywbbIFHlEI/AAAAAAAAChs/Pv29vA31dCg/s1600/DOCv%2B006%255B1%255D.JPG" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="260" width="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-jrHZSnImTg8/TywbbIFHlEI/AAAAAAAAChs/Pv29vA31dCg/s320/DOCv%2B006%255B1%255D.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;P.S:&lt;/b&gt; Esse texto é um resumo do artigo &lt;b&gt;Pelas ruas de Zurich, com James Joyce&lt;/b&gt;, publicado originalmente no jornal &lt;b&gt;A Notícia&lt;/b&gt; (Joinville, SC, 21 de setembro de 1996, p. C−8)   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-7497081204460201032?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/7497081204460201032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/james-joyce-e-eu.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/7497081204460201032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/7497081204460201032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/james-joyce-e-eu.html' title='JAMES JOYCE E EU'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-gNj0X7_RIL8/TywYpaN0yCI/AAAAAAAACgk/2-BkkeJd0tc/s72-c/CABZ6UGFCA4ZIE5CCA2RCVQ1CAWRA6BXCA13PGEWCAVCZL99CAKYN4IRCAWWTG3BCASPOUCLCAHW3RRDCAYQ5HO2CALFJK6ICAO8I4VICAJWQHTUCA3I4B4DCAJK9FLWCA53EUMBCAG52NMD%255B1%255D.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-3576163059463097556</id><published>2012-02-02T15:28:00.000-02:00</published><updated>2012-02-02T15:35:57.281-02:00</updated><title type='text'>A LITERATURA RUSSA E A SOLIDÃO DA ESTEPE</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-4q24NCrgknI/TyrFojscXKI/AAAAAAAACfo/KLh3_D6nKwQ/s1600/untitled.bmp" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="225" width="225" src="http://3.bp.blogspot.com/-4q24NCrgknI/TyrFojscXKI/AAAAAAAACfo/KLh3_D6nKwQ/s320/untitled.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A literatura russa acabou em 1945. Ou alguns anos antes. Talvez com o suicídio de Vladimir Vladimirovitch Maiakovski, em 1930. Ou então em alguma data imprecisa entre as mortes das poetisas Marina Ivánovna Tsvetáeva e Anna Akhmátova (Anna Andreievna Gorienko) em 1941 e 1966, respectivamente.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase toda a memória da vida literária russa antecede ao fim da Segunda Guerra Mundial. Salvo algumas exceções (Boris Leonidovitch Pasternak, Vladimir Vladimirovitch Nabokov, Josif Aleksándrovitch Brodsky [Joseph Brodsky] ou Alexander Issaievitch Soljenítsin), nenhum autor ou livro conseguiu obter grande destaque depois desse período. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois motivos podem ser considerados para tentar explicar esse descompasso: a) a qualidade dos clássicos é de tal magnitude que poucos escritores modernos conseguem alcançar (ou ultrapassar) esse patamar; b) não há interesse editorial na produção contemporânea. Independente de qual hipótese seja válida, a literatura russa vive do passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-wTQGeAK6PG8/TyrF1pvCvsI/AAAAAAAACf0/kDm4SeDSh5Q/s1600/CAIZ5GL0CAF12DLHCARULVKZCAEXRGR7CA5ONX32CAUHOEBGCAIV27UACAECM707CAA201QDCARR170JCARDOT0RCA6DAY8YCA15X3Y2CA1J1I8JCAWCUCAMCAHJGAIZCA3MUKANCA3JXW8M.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="171" width="114" src="http://1.bp.blogspot.com/-wTQGeAK6PG8/TyrF1pvCvsI/AAAAAAAACf0/kDm4SeDSh5Q/s320/CAIZ5GL0CAF12DLHCARULVKZCAEXRGR7CA5ONX32CAUHOEBGCAIV27UACAECM707CAA201QDCARR170JCARDOT0RCA6DAY8YCA15X3Y2CA1J1I8JCAWCUCAMCAHJGAIZCA3MUKANCA3JXW8M.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Isaac Emmanouilovitch Babel, Fiodor Mikháilovitch Dostoiévski, Nikolai Vasilyevitch Gogol, Maksim Gorki (Alexei Maksimovitch Pechkov), Aleksandr Serguéievitch Púchkin, Anton Pavlovitch Tchekhov, Liév Nikolaivitch Tolstoi, Ivan Serguéievitch Turguêniev – oitos nomes não compõem uma síntese. No entanto, embora haja outros nomes igualmente importantes, são esses que usualmente representam a história da literatura russa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, a Glasnost e a Perestroika abriram as portas da liberdade e condenaram a literatura russa ao ostracismo. Os russos seguem escrevendo. E publicando. Isso não é suficiente. Falta a esses autores o charme da perseguição política. Falta−lhes o marketing das organizações de esquerda. Um exemplo é Victor Pelevin, que teve um de seus livros publicados no Brasil, &lt;b&gt;O elmo do horror&lt;/b&gt;, mas, salvo engano, ninguém lhe deu a mínima importância. Seguindo o mesmo caminho Boris Akounine, Andrei Dmitriev, Ludmila Oulitskaia, Mikhail Chichkine e Mark Kharitonov continuam ilustres desconhecidos, apesar do sucesso de seus livros no leste europeu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-SDUTVp6FmCE/TyrGNCxYi0I/AAAAAAAACgA/BVgtAVklJ6g/s1600/CASIEJY0CAE0GNEGCA9KM0PECAAI60LVCA4HBXIFCAJL4AK4CA6Q1VS0CAGENDEVCA3TCN3UCAKBSTWWCARPJI8DCAMAZQMRCAZH1W2SCA4KIIMOCAYK5PIWCABMH3ZFCAM0EWO7CA2I5Z2T.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="269" width="188" src="http://1.bp.blogspot.com/-SDUTVp6FmCE/TyrGNCxYi0I/AAAAAAAACgA/BVgtAVklJ6g/s320/CASIEJY0CAE0GNEGCA9KM0PECAAI60LVCA4HBXIFCAJL4AK4CA6Q1VS0CAGENDEVCA3TCN3UCAKBSTWWCARPJI8DCAMAZQMRCAZH1W2SCA4KIIMOCAYK5PIWCABMH3ZFCAM0EWO7CA2I5Z2T.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Em compensação, os clássicos estão sendo constantemente re−editados, atualmente em traduções diretas do original, visto que as edições mais antigas eram versões do inglês ou do francês. Quase toda a obra de Dostoievski está disponível nas livrarias. Tchekhov aparece e desaparece das prateleiras com invejável elegância, edições cada vez mais bonitas. Em alguns círculos mais esclarecidos, Babel é Cult, desses em que muitos fãs se ajoelham diante do altar. Depois que os Irmãos Campos traduziram alguns poetas russos, todos mortos e enterrados, qualquer volume que contenha esses versos imortalizados pela cultura saudosista dos "velhos tempos" – seja stalinista, seja anti−comunista – garante um lugar nas estantes mais esclarecidas da intelectualidade burguesa.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Rússia continua onde sempre esteve. Gélida e misteriosa como a Sibéria, bonita e quente como um gole de vodka. Nós, os leitores, é que nos deslocamos para longe da literatura gerada nas noites intermináveis das estepes.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-UOCfL5pdj14/TyrHhZ-RNwI/AAAAAAAACgY/T82UtoeSKdA/s1600/CAC8E09KCAT8GYADCA6NO2HTCATYIYLBCA9EK5L5CA0L2R42CAIP1PU7CAVG5FIWCAE0E4IACA8PKOXNCANJUU29CAD9CV1HCA1C2QWECAZQ3O39CA74G631CAHSRW88CACGWSUDCACEVP1Z.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="285" width="177" src="http://3.bp.blogspot.com/-UOCfL5pdj14/TyrHhZ-RNwI/AAAAAAAACgY/T82UtoeSKdA/s320/CAC8E09KCAT8GYADCA6NO2HTCATYIYLBCA9EK5L5CA0L2R42CAIP1PU7CAVG5FIWCAE0E4IACA8PKOXNCANJUU29CAD9CV1HCA1C2QWECAZQ3O39CA74G631CAHSRW88CACGWSUDCACEVP1Z.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;P.S.: &lt;/b&gt;o saudosismo é tanto que alguns escritores modernos ainda estão tentando recriar a atmosfera literária de uma Rússia que não existe mais.  Exemplares nesse sentido são o inglês Martim Amis (&lt;b&gt;Casa de encontros&lt;/b&gt;) e o brasileiro Bernardo Carvalho (&lt;b&gt;O filho da mãe&lt;/b&gt;).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-3576163059463097556?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/3576163059463097556/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/literatura-russa-e-solidao-da-estepe.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/3576163059463097556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/3576163059463097556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/literatura-russa-e-solidao-da-estepe.html' title='A LITERATURA RUSSA E A SOLIDÃO DA ESTEPE'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-4q24NCrgknI/TyrFojscXKI/AAAAAAAACfo/KLh3_D6nKwQ/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-601618453846777612</id><published>2012-02-01T15:49:00.000-02:00</published><updated>2012-02-01T16:58:44.640-02:00</updated><title type='text'>VINTE CINCO CITAÇÕES SOBRE LIVROS</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-jrjiJAQl-JI/Tyl5ZwVD3nI/AAAAAAAACe4/k7vohI5sPts/s1600/livros%2B1.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="225" width="225" src="http://2.bp.blogspot.com/-jrjiJAQl-JI/Tyl5ZwVD3nI/AAAAAAAACe4/k7vohI5sPts/s320/livros%2B1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria. &lt;b&gt;(Jorge Luis Borges)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A companhia dos livros dispensa com grande vantagem a dos homens. &lt;b&gt;(Marquês de Maricá)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqueles que começarem a queimar livros, logo acabarão queimando pessoas. &lt;b&gt;(Heinrich Heine)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não se faz boa literatura com boas intenções nem com bons sentimentos. &lt;b&gt;(André Gide)&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A literatura é sempre uma expedição à verdade. &lt;b&gt;(Franz Kafka)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante. &lt;b&gt;(Clarice Lispector)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há livros de que apenas é preciso provar, outros que têm de se devorar, outros, enfim, mas são poucos, que se tornam indispensáveis, por assim dizer, mastigar e digerir. &lt;b&gt;(Francis Bacon)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhas em direção da solidão. Eu, não. Eu tenho os livros. &lt;b&gt;(Marguerite Duras)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há livros escritos para evitar espaços vazios na estante.&lt;b&gt;(Carlos Drummond de Andrade)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A literatura não permite caminhar, mas permite respirar &lt;b&gt;(Roland Barthes)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O romance é a chave dos quartos secretos de nossa casa. &lt;b&gt;(Louis Aragon)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um clássico é algo que todos queriam ter lido, mas que ninguém quer ler. &lt;b&gt;(Mark Twain)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-N45YnjdsyEs/Tyl5wIZXZTI/AAAAAAAACfE/DHLWTZY8ldQ/s1600/livros%2B3.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="191" width="264" src="http://3.bp.blogspot.com/-N45YnjdsyEs/Tyl5wIZXZTI/AAAAAAAACfE/DHLWTZY8ldQ/s320/livros%2B3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;“Diga-me o que lês e eu dir-te-ei quem és” é verdade; mas eu te conheceria melhor se me dissesses o que relês. &lt;b&gt;(François Mauriac)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os eruditos são aqueles que leram nos livros; mas os pensadores, os gênios, os iluminadores do mundo e os promotores do gênero humano são aqueles que leram diretamente no livro do mundo. &lt;b&gt;(Arthur Schopenhauer)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em literatura, o meio mais seguro de ter razão é estar morto. &lt;b&gt;(Vitor Hugo)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O moralismo é antítese da Literatura. A literatura começa precisamente quando recusamos ser moralistas e instintivamente somos perversos. Quem escreve não pode olhar para onde toda a gente está a olhar, mas para o outro lado. &lt;b&gt;(Gonçalo Tavares) &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os miseráveis não têm outro remédio a não ser a esperança. &lt;b&gt;(William Shakespeare)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os livros são abelhas que levam o pólen de uma inteligência a outra. &lt;b&gt;(James Lowell)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autores são atores. Livros são teatros. &lt;b&gt;(Wallace Stevens)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os livros têm os mesmos inimigos que o homem: o fogo, a umidade, os bichos, o tempo; e o seu próprio conteúdo. &lt;b&gt;(Paul Valery)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-OLr2vrfoFi4/Tyl6nZhhkaI/AAAAAAAACfc/c93javlp21A/s1600/livros%2B2.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="222" width="227" src="http://2.bp.blogspot.com/-OLr2vrfoFi4/Tyl6nZhhkaI/AAAAAAAACfc/c93javlp21A/s320/livros%2B2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Em ciência leia sempre os livros mais novos. Em literatura, os mais velhos. &lt;b&gt;(Millôr Fernandes)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os livros são amigos que nunca nos deixam mal. &lt;b&gt;(Thomas Carlyle)&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Livros são os mais silenciosos e constantes amigos; os mais acessíveis e sábios conselheiros; e os mais pacientes professores. &lt;b&gt;(Charles Eliot)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos escritores esgotam-se antes dos seus livros. &lt;b&gt;(Sofocleto)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há aqueles que não podem imaginar o mundo sem pássaros; Há aqueles que não podem imaginar o mundo sem água; Ao que me refere, sou incapaz de imaginar um mundo sem livros. &lt;b&gt;(Jorge Luis Borges)&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-601618453846777612?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/601618453846777612/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/vinte-cinco-citacoes-sobre-livros.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/601618453846777612'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/601618453846777612'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/02/vinte-cinco-citacoes-sobre-livros.html' title='VINTE CINCO CITAÇÕES SOBRE LIVROS'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-jrjiJAQl-JI/Tyl5ZwVD3nI/AAAAAAAACe4/k7vohI5sPts/s72-c/livros%2B1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-8751853552522502525</id><published>2012-01-31T11:11:00.000-02:00</published><updated>2012-02-03T11:20:07.767-02:00</updated><title type='text'>ANA CRISTINA CESAR</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-WEx5LFwABBI/TyfldOUwOgI/AAAAAAAACdk/itFsXYn2oEs/s1600/CA7QOSP0CA8E3T7VCAQH8JZVCATP7ZNTCAMFVY4VCA9PFWJ2CA9XXWFDCAUYV2PLCA8PI5OWCAA84Y2HCAK08PR7CAUG4X0MCA39AXI4CATB3VR2CAAUILDFCA71KC6ICA67B2E8CAV0AU7K.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="181" width="279" src="http://2.bp.blogspot.com/-WEx5LFwABBI/TyfldOUwOgI/AAAAAAAACdk/itFsXYn2oEs/s320/CA7QOSP0CA8E3T7VCAQH8JZVCATP7ZNTCAMFVY4VCA9PFWJ2CA9XXWFDCAUYV2PLCA8PI5OWCAA84Y2HCAK08PR7CAUG4X0MCA39AXI4CATB3VR2CAAUILDFCA71KC6ICA67B2E8CAV0AU7K.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Sei que cheguei tarde, mas houve um momento em que pensei em me casar com Ana Cristina Cesar. Estava a encenar reprise da cena descrita no poema &lt;b&gt;Happy end&lt;/b&gt;, um clássico da geração mimeógrafo. Não tenho certeza, parece que são versos de Cacaso: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;o meu amor e eu &lt;br /&gt;nascemos um para o outro &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;agora só falta quem nos apresente&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-OSibqEKYotY/TyfnDtohncI/AAAAAAAACd8/jNlGC8KwneU/s1600/567.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="259" width="144" src="http://1.bp.blogspot.com/-OSibqEKYotY/TyfnDtohncI/AAAAAAAACd8/jNlGC8KwneU/s320/567.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Eis o problema: ninguém nos apresentou. Só conheço a poesia escrita por Ana Cristina Cesar (Ana C, como é costume grafar o seu nome). É a distância que nos une. Claro, eu a vi em dezenas de fotografias, um punhado de poemas e cartas (nenhuma para mim!). Foi através da projeção imagética que construí o entusiasmo amoroso. Foi através desse mecanismo perverso que acordei do sonho bom e percebi que minha paixão jamais seria correspondida. Nosso encontro nunca foi possível. Um dos obstáculos estava na diferença de idade, sete anos nos afastaram. Lonjura cronológica ou psicológica mais do que suficiente para separar o interior de Santa Catarina do Rio de Janeiro. Além disso, quando comprei o primeiro de muitos exemplares de &lt;b&gt;A teus pés&lt;/b&gt;, ela já estava morta. Eu ainda não sabia disso, só o soube depois de ter presenteado alguns amigos com o livro. Deslumbramento. O que descobri de imediato é que a mulher capaz de escrever aqueles versos cheios de pontas (feitos para machucar o leitor), provavelmente se divertia asfixiando os homens − para depois soprar lentamente o oxigênio nos pulmões vazios através de beijos enlouquecedores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-B2NDu9gWO1A/TyfnWuKP1SI/AAAAAAAACeI/8SyfZUiX4WY/s1600/CAVOHSNBCA208PU9CA8CIUM1CAKNAEKKCADRAFP3CATQQGG2CAK5ULV0CASH4P3NCAH6SSGICAGALJ3PCAJBPG0RCA1EDHQ4CAO86LLDCACSL3KGCAFWDVB1CAAHFJ33CAJOQF5KCAR90DF2.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="184" width="274" src="http://3.bp.blogspot.com/-B2NDu9gWO1A/TyfnWuKP1SI/AAAAAAAACeI/8SyfZUiX4WY/s320/CAVOHSNBCA208PU9CA8CIUM1CAKNAEKKCADRAFP3CATQQGG2CAK5ULV0CASH4P3NCAH6SSGICAGALJ3PCAJBPG0RCA1EDHQ4CAO86LLDCACSL3KGCAFWDVB1CAAHFJ33CAJOQF5KCAR90DF2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Em 1983, ela tinha 31 anos. E uma vivência que me deixaria envergonhado se soubesse um terço dos detalhes sórdidos − que me deixam constrangido, quase vinte anos depois de sua morte. &lt;b&gt;Retrato de época&lt;/b&gt;. Entre o Rio de Janeiro e a Inglaterra, um turbilhão de emoções, a voracidade da liberação sexual, a iconoclastia juvenil, a luta contra a repressão política. O corpo fala, relata, contrata, delata. Eram de metal precioso as dezenas de corações despedaçados, inclusive o próprio, muitas dessas historias escorrendo sub−repticiamente na &lt;b&gt;Correspondência Incompleta&lt;/b&gt;, organizada pelo Armando Freitas Filho e a Heloisa Buarque de Hollanda. São cartas que mencionam outras loucuras, inúmeras "viagens" intelectuais, literárias, químicas, a destruição interna, a perda de contato com o mundo externo – a esperança de encontrar abrigo depois das portas da percepção, lá nos jardins suspensos dos paraísos artificiais.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-4Dm-wQmOOoM/TyfnlhLHq2I/AAAAAAAACeU/oTWa2ew0eGQ/s1600/CAM464R4CAYKSBYMCA24CWVJCACZ3IVBCALEHNGJCAVPRLEECA5MG64CCA6JA9RACA1DL0BVCAPF0SYUCAPBY1K3CAVXMHRYCAP8OK6GCAUA2CJQCA8MSMQHCA3AC1R9CAO4T9S0CAZ3LQPT.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="225" width="225" src="http://3.bp.blogspot.com/-4Dm-wQmOOoM/TyfnlhLHq2I/AAAAAAAACeU/oTWa2ew0eGQ/s320/CAM464R4CAYKSBYMCA24CWVJCACZ3IVBCALEHNGJCAVPRLEECA5MG64CCA6JA9RACA1DL0BVCAPF0SYUCAPBY1K3CAVXMHRYCAP8OK6GCAUA2CJQCA8MSMQHCA3AC1R9CAO4T9S0CAZ3LQPT.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;Estou bonita que é um desperdício&lt;/b&gt;, imaginei a poeta sussurrando no meu ouvido. Arrepiou tudo. Ninguém consegue resistir a esse tipo de provocação. Quase cometi uma écloga em retribuição. Coisa de rapaz deslumbrado com mulher fatal. Um haicai já estava de bom tamanho, mas sequer essa síntese fui capaz de compor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um amor que é anestésico, &lt;b&gt;há um amor // que entra de férias&lt;/b&gt;. Não queria nenhum dos dois. Queria um pouco mais, muito mais, provavelmente ultrapassar limites. Certamente, em algum momento, alguém me diria que isso é demais. Eu responderia, jamais, ciente de que é difícil manter o controle com &lt;b&gt;Essas molas a gemer no quarto ao lado&lt;/b&gt;, trechos da trilha sonora que anuncia a felicidade de outro casal. Entre sobressaltos, colagens de sentimentos alheios e crises de ansiedade, digo para mim mesmo, &lt;b&gt;Te acalma minha loucura!&lt;/b&gt; Digo sem acreditar no que estou a dizer, sem saber se serei capaz de cumprir com essa promessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-ip29Db2BRlQ/Tyfn5PQ7QfI/AAAAAAAACeg/z5DckSY4bwg/s1600/CAUPWSPOCAFQ4PO4CAB4HW2CCA9PMT2JCAJEULK9CAO3IEQLCA9BY9SQCAH6IJ3ACAAW1JCWCA5Z131FCAXUIVX9CA1STWCKCAKFHTM3CAG0V4UACA9WVFLMCA91LW1XCABK3S5JCAYWROBS.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="276" width="182" src="http://1.bp.blogspot.com/-ip29Db2BRlQ/Tyfn5PQ7QfI/AAAAAAAACeg/z5DckSY4bwg/s320/CAUPWSPOCAFQ4PO4CAB4HW2CCA9PMT2JCAJEULK9CAO3IEQLCA9BY9SQCAH6IJ3ACAAW1JCWCA5Z131FCAXUIVX9CA1STWCKCAKFHTM3CAG0V4UACA9WVFLMCA91LW1XCABK3S5JCAYWROBS.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Na &lt;b&gt;Correspondência completa&lt;/b&gt;, descubro que Thomas era um nome capaz de alterar o eixo do mundo. Diante da possibilidade de repetir cenas de &lt;b&gt;Casablanca&lt;/b&gt;, pensei em modificar meu nome. Brincar de ser outro. Mas, o fato é que &lt;b&gt;Não estou conseguindo explicar minha ternura, minha ternura, entende?&lt;/b&gt;. Desisti de cometer essa imprudência. Também não aceitei ser chamado de Augusto. Depois de outras leituras, suturas na alma, alguém me informou que alimentar fantasias não diminuiria a minha fome. Ou o apetite que a corroia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cenas de abril&lt;/b&gt; foram encenadas no dia 29 de outubro. Arpejos e tragédia suburbana, &lt;b&gt;Ser a greta, // o garbo&lt;/b&gt;, as palavras deslizando pela página, corpos colados um ao outro, compondo o poema, o grego teorema, a certeza de que nada, nem mesmo um terremoto, seria capaz de diminuir o desespero e acalmar a dor. No fim da história, nenhum nome de homem ou mulher foi capaz de impedir os &lt;b&gt;passos para atravessar o saguão do mal−entendido&lt;/b&gt;, como (d)escreveu o Armando Freitas Filho, em um daqueles poemas−epitáfios que foram escritos depois do vôo sem volta, sem fim, o corpo despedaçado no meio da rua.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não casei com Ana Cristina Cesar. Inédito e disperso, só me restou repetir – como um mantra: &lt;b&gt;Ai que enjôo me dá o açúcar do desejo&lt;/b&gt;.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-M-3b0P8Nfe0/TyfoJjtTwXI/AAAAAAAACes/oju85aUMbk4/s1600/CAFQ6O4QCAUWCPE5CADRWOOKCACE76MPCAN556D1CATQTE0ECADHJCX7CABKJGEHCAHLPMVECASB1EOWCAYHP1AWCAFTTMD1CATYOI3TCAJ7MCB2CAY31KYDCARZ33TJCAQXSUYLCA6M2LCU.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="269" width="187" src="http://3.bp.blogspot.com/-M-3b0P8Nfe0/TyfoJjtTwXI/AAAAAAAACes/oju85aUMbk4/s320/CAFQ6O4QCAUWCPE5CADRWOOKCACE76MPCAN556D1CATQTE0ECADHJCX7CABKJGEHCAHLPMVECASB1EOWCAYHP1AWCAFTTMD1CATYOI3TCAJ7MCB2CAY31KYDCARZ33TJCAQXSUYLCA6M2LCU.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-8751853552522502525?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/8751853552522502525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/ana-cristina-cesar.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/8751853552522502525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/8751853552522502525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/ana-cristina-cesar.html' title='ANA CRISTINA CESAR'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-WEx5LFwABBI/TyfldOUwOgI/AAAAAAAACdk/itFsXYn2oEs/s72-c/CA7QOSP0CA8E3T7VCAQH8JZVCATP7ZNTCAMFVY4VCA9PFWJ2CA9XXWFDCAUYV2PLCA8PI5OWCAA84Y2HCAK08PR7CAUG4X0MCA39AXI4CATB3VR2CAAUILDFCA71KC6ICA67B2E8CAV0AU7K.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-2776204826514575435</id><published>2012-01-30T10:42:00.001-02:00</published><updated>2012-01-30T14:50:28.271-02:00</updated><title type='text'>UM ESTUDO SOBRE A TANATOFOBIA</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-reB1z_F4W70/TyaIboDuoUI/AAAAAAAACb4/bsnbA8BKI0A/s1600/Barnes.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="250" width="160" src="http://1.bp.blogspot.com/-reB1z_F4W70/TyaIboDuoUI/AAAAAAAACb4/bsnbA8BKI0A/s320/Barnes.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O bom−humor como antídoto contra o medo da morte. Essa é uma das diversas sugestões defendidas pelo escritor inglês Julian Barnes, no texto autobiográfico &lt;b&gt;Nada a temer&lt;/b&gt;, originalmente publicado em 2008. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordando com a tese de que escrever é visitar os mortos, pelo menos aqueles a quem a literatura paga tributos diariamente, o autor de &lt;b&gt;Um toque de limão&lt;/b&gt; estabelece inúmeras ligações − algumas inusitadas − entre a precariedade da vida e a tanatofobia (o medo da morte).  Ciente de que a literatura não deve ser entendida como profilaxia contra a morte, Julian Barnes evoca o pensamento de Gustave Flaubert, &lt;b&gt;Mal nós entramos neste mundo e pedacinhos de nós começam a cair&lt;/b&gt;. Ou seja, a liturgia das células em decomposição muitas vezes se confunde com a possibilidade do fim da vida estar próximo, assustadoramente próximo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-UTffmWkgl7U/TyaNyZA8pXI/AAAAAAAACdA/HEgwvP3dNtM/s1600/CAE498XLCANXKWPBCACP08IQCA2PH39NCAE2V9T4CARO7TCFCA9PEEGFCA9GU2EZCA8SHHDNCAJJD2PDCA4Q9CRJCAMYHHI5CAZIPRRYCASKTUIKCAN9T77CCABMBVQPCA8VNSBYCAE395H2.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="290" width="173" src="http://2.bp.blogspot.com/-UTffmWkgl7U/TyaNyZA8pXI/AAAAAAAACdA/HEgwvP3dNtM/s320/CAE498XLCANXKWPBCACP08IQCA2PH39NCAE2V9T4CARO7TCFCA9PEEGFCA9GU2EZCA8SHHDNCAJJD2PDCA4Q9CRJCAMYHHI5CAZIPRRYCASKTUIKCAN9T77CCABMBVQPCA8VNSBYCAE395H2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Para aqueles que se preocupam com o prazo de validade da vida, a paranóia adora brincar de esconde−esconde com os fantasmas mais íntimos. E isso resulta no entendimento psíquico de que é verdadeira a hipótese de que a morte está pronta para surpreender a todos nós a qualquer instante. Talvez até esteja respirando atrás da porta, nesse instante. Como alerta Julian Barnes, o problema é de difícil resolução: &lt;b&gt;Não é só olhar para a cova que é difícil, mas olhar para a vida&lt;/b&gt;. E para aqueles que não resolveram algumas das questões essenciais da existência, a fuga surge como uma maneira de buscar o esquecimento dos problemas − sendo a mortalidade um dos momentos cruciais desse processo de negação.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Literatura e morte constituem uma dupla imbatível. Estão sempre juntas. Desde o &lt;b&gt;Apocalipse bíblico&lt;/b&gt; até parte da literatura contemporânea. Ao lado, como um anjo adormecido, o medo causado pelo espectro da morte. O músico Dmitri Shostakovich lembrou que &lt;b&gt;A ironia está em que, sob a influência desse medo, as pessoas criam poesia, prosa e música; isto é, fortalecer seus elos com os vivos e aumentar sua influência sobre eles.&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-6DIWFaVDEco/TyaNNDGq8mI/AAAAAAAACc0/rOqd_tt_rlo/s1600/CAPZIQY4CAWKCMYNCA63TTZJCA0SI56YCAF02DH1CA1D8QIKCAV4ZE3NCA0VLRQNCAE693N6CAO5S0I0CAJB9S1CCAKI2NDWCA0VXTEHCA6SKZIICA7GZG3FCAM97Y3XCA29CWN3CAPR1YZ7.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="268" width="188" src="http://3.bp.blogspot.com/-6DIWFaVDEco/TyaNNDGq8mI/AAAAAAAACc0/rOqd_tt_rlo/s320/CAPZIQY4CAWKCMYNCA63TTZJCA0SI56YCAF02DH1CA1D8QIKCAV4ZE3NCA0VLRQNCAE693N6CAO5S0I0CAJB9S1CCAKI2NDWCA0VXTEHCA6SKZIICA7GZG3FCAM97Y3XCA29CWN3CAPR1YZ7.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Em clássicos literários como &lt;b&gt;A divina comédia&lt;/b&gt; (Dante Alighieri), &lt;b&gt;O diário do ano da peste&lt;/b&gt; (Daniel Defoe), &lt;b&gt;A Peste&lt;/b&gt; (Albert Camus) e &lt;b&gt;A montanha mágica&lt;/b&gt; (Thomas Mann), a possibilidade de extinção da vida constitui o tema principal. Personagens como Hans Castorp e Bernard Rieux são faces da mesma moeda. Enquanto o segundo arrisca a própria vida para salvar a de outros, o primeiro quer encontrar uma maneira de salvar a si mesmo. Entre os contemporâneos, não é possível esquecer as obras de Emil Cioran (&lt;b&gt;Breviário da decomposição&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Silogismos da amargura&lt;/b&gt;) e Susan Sontag (&lt;b&gt;A doença como metáfora&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;AIDS como metáfora&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;A dor dos outros&lt;/b&gt;, o conto &lt;b&gt;Assim vivemos agora&lt;/b&gt;). No Brasil, a poesia de Manuel Bandeira está toda impregnada pela proximidade com &lt;b&gt;a indesejada das gentes&lt;/b&gt;. Em outros momentos, o enfoque é ficcional. &lt;b&gt;As memórias póstumas de Quincas Borba&lt;/b&gt; (Machado de Assis) e &lt;b&gt;A morte e a morte de Quincas Berro d’Água&lt;/b&gt; (Jorge Amado) querem esclarecer diversas questões que ficaram para trás. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-_6dUmnh0UR4/TyaM5z2Q7vI/AAAAAAAACco/505LT5pe8HM/s1600/CA5QUHXPCAJ9VLUFCAABIISKCA0CFVULCAE52RP9CAN8U2JYCAYJPYOHCAL781INCAF915MNCAY42SJBCAH9YDMUCAHKFY76CAS3U3V9CAA4UFJLCA1TAW0QCA9U0938CA91B94WCAKHIASJ.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="275" width="183" src="http://4.bp.blogspot.com/-_6dUmnh0UR4/TyaM5z2Q7vI/AAAAAAAACco/505LT5pe8HM/s320/CA5QUHXPCAJ9VLUFCAABIISKCA0CFVULCAE52RP9CAN8U2JYCAYJPYOHCAL781INCAF915MNCAY42SJBCAH9YDMUCAHKFY76CAS3U3V9CAA4UFJLCA1TAW0QCA9U0938CA91B94WCAKHIASJ.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Epitáfios, as últimas palavras, o que os familiares escrevem nas lápides e nos elogios fúnebres. São esses pequenos gestos de resistência humana que procuram preservar a memória daqueles que "foram embora". Mesmo naqueles momentos em que faltam as palavras para expressar a dor – e o alívio −, a morte está envolta em sentimentos muito complexos, individuais, particulares.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Unindo riso, tristeza e o saudável escárnio que acompanha os nativos das ilhas britânicas, Julian Barnes também se preocupa com a transitoriedade do existir. Provavelmente é esse o motivo que o faz atravessar as 252 páginas de &lt;b&gt;Nada a temer&lt;/b&gt; contando casos familiares, mostrando o quanto as suas memórias diferem das de seu irmão filósofo ou tornando público o ressentimento contra a mãe que, depois de ler um de seus romances, disse: &lt;b&gt;Um dos meus filhos escreve livros que consigo ler, mas não consigo entender, e o outro escreve livros que consigo entender, mas não consigo ler&lt;/b&gt;. Ela não entende a filosofia de Jonathan e abomina a ficção produzida por Julian.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Q-EZARbg0Ws/TyaOXW4heFI/AAAAAAAACdM/2nblDG7eQcY/s1600/CA3EUT7ICANU5B4NCAUQ9Z4CCA505LBVCAU016HRCAPMDEK6CADFWVH7CAXFAR4BCAXCTWHBCACLW8ITCACN3RYLCAYP16QOCAJL8O84CADG58FUCAPE6NNACAZGIXKACA882QSJCA1FXQFM.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="259" width="194" src="http://3.bp.blogspot.com/-Q-EZARbg0Ws/TyaOXW4heFI/AAAAAAAACdM/2nblDG7eQcY/s320/CA3EUT7ICANU5B4NCAUQ9Z4CCA505LBVCAU016HRCAPMDEK6CADFWVH7CAXFAR4BCAXCTWHBCACLW8ITCACN3RYLCAYP16QOCAJL8O84CADG58FUCAPE6NNACAZGIXKACA882QSJCA1FXQFM.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;Nada a temer&lt;/b&gt; é um livro comportado, mais uma conversa entre amigos do que uma análise exaustiva. Até porque não é esse o propósito.  A literatura confessional impede que Barnes faça algo diferente do que o consagrou. É muito mais divertido relembrar algumas histórias literárias, os &lt;b&gt;Diários&lt;/b&gt; (&lt;b&gt;Journal&lt;/b&gt;) de Jules Renard à frente de várias centenas de mortos convocados a deporem em favor da vida. No fundo, a pretenção de Julian Barnes talvez seja a de invadir o território do irmão e filosofar sobre o tema. Será? Certamente não é a favor da morte que ele gasta tempo e reflexão. De qualquer forma, como escreveu Montaigne, citando Cícero, &lt;b&gt;Filosofar não é outra coisa senão preparar−se para a morte&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-93H2AOtSpCE/TyaOlBRouQI/AAAAAAAACdY/us9Aj6JhUp4/s1600/Barnes%2B2.bmp" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="169" width="298" src="http://1.bp.blogspot.com/-93H2AOtSpCE/TyaOlBRouQI/AAAAAAAACdY/us9Aj6JhUp4/s320/Barnes%2B2.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;P.S&lt;/b&gt;: Para quem tem interesse no entrecruzamento entre morte e literatura, não falta bibliografia. Cinco possibilidades: &lt;b&gt;Mortes imaginárias&lt;/b&gt; (Michel Schneider), &lt;b&gt;Morte em Veneza&lt;/b&gt; (Thomas Mann), &lt;b&gt;Descanse em paz&lt;/b&gt; (Joyce Carol Oates), &lt;b&gt;Vésperas&lt;/b&gt; (Adriana Lunardi), &lt;b&gt;Memorial do fim&lt;/b&gt; (Haroldo Maranhão). &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-2776204826514575435?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/2776204826514575435/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/um-estudo-sobre-tanatofobia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/2776204826514575435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/2776204826514575435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/um-estudo-sobre-tanatofobia.html' title='UM ESTUDO SOBRE A TANATOFOBIA'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-reB1z_F4W70/TyaIboDuoUI/AAAAAAAACb4/bsnbA8BKI0A/s72-c/Barnes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-2838216002777312114</id><published>2012-01-27T14:49:00.000-02:00</published><updated>2012-01-27T14:51:16.140-02:00</updated><title type='text'>COLECIONANDO LIVROS</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-ZJPZylyrKSY/TyLTDCJGzzI/AAAAAAAACbI/nPO-iNbaMVI/s1600/CAKZYADSCAGQ7G0UCAYN1E0NCAMLZMCLCAVB60TCCAM3A1YECAJQX23XCAISML6MCAALATA2CAQF9LJVCALD479DCAMHK25VCA1S4VVACAOJHIUPCAQDLLGFCA2OAUXGCAE1S8SQCA82MEA2.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="204" width="246" src="http://3.bp.blogspot.com/-ZJPZylyrKSY/TyLTDCJGzzI/AAAAAAAACbI/nPO-iNbaMVI/s320/CAKZYADSCAGQ7G0UCAYN1E0NCAMLZMCLCAVB60TCCAM3A1YECAJQX23XCAISML6MCAALATA2CAQF9LJVCALD479DCAMHK25VCA1S4VVACAOJHIUPCAQDLLGFCA2OAUXGCAE1S8SQCA82MEA2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Entre os leitores obsessivos é comum "esgotar" a obra de um autor.  Por exemplo, alguns amigos costumam comprar e ler (em alguns momentos, reler) quase toda a obra de Anton Tchekov, Fiodor Dostoievski, Ernest Hemingway, Philip Roth, John Updike, Amos Óz, Ítalo Calvino, Juan Carlos Onetti e José Saramago. São escritores que satisfazem determinadas idiossincrasias. E que escrevem criativamente sobre assuntos que emocionam. Raramente o leitor se decepciona ao comprar e ler qualquer um dos livros escritos por eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um fenômeno paralelo está vinculado à temática. Outro amigo coleciona livros de ficção com animais. Aquelas histórias açucaradas de cachorrinhos que salvam vidas? Ele tem todas! Também tem relatos sobre golfinhos, tartarugas e ornitorrincos, gatos e cobras, porcos e leões. Sem exageros, sua pequena biblioteca temática (quase duzentos volumes) é um zoológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-iTEfxuwZxTs/TyLTQsgQvJI/AAAAAAAACbU/wBK1mJRr1Fw/s1600/Mestre%2Bde%2Barmas.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="200" width="200" src="http://3.bp.blogspot.com/-iTEfxuwZxTs/TyLTQsgQvJI/AAAAAAAACbU/wBK1mJRr1Fw/s320/Mestre%2Bde%2Barmas.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Coleções temáticas quase nunca me interessaram. Exceto, umas duas vezes. Talvez a mais importante tenha ocorrido depois de ler um exemplar de &lt;b&gt;Mestre de Armas – seis histórias sobre duelos&lt;/b&gt; (org. Cláudio Figueiredo, 2007). Poucos livros me causaram tanto prazer.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias depois, revi o filme baseado no conto de Joseph Conrad (&lt;b&gt;Os duelistas&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;The duellists&lt;/b&gt;. Dir. Ridley Scott, 1977). Fiquei atônito. O primeiro filme do diretor de &lt;b&gt;Blade Runner&lt;/b&gt; (a cena final é, de certa forma, um duelo!) é obra-prima, belíssima fotografia e a qualidade indiscutível de captar a essência proposta pelo texto original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colocar a vida em risco na defesa de alguns ideais, nem sempre compreensíveis ou justos, refletiu em alguns de meus valores. Na modernidade − de onde o romantismo foi expulso −, pouco se discute sobre a honra e o heroísmo. Parece assunto fora de moda. Coerente com o contemporâneo é a emboscada e a covardia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-P8CaB7JVpVE/TyLTftl9dpI/AAAAAAAACbg/wc5S-Bk9c3E/s1600/CAERLT0TCAY4XP2FCA9PCJCCCARVXQEUCASBFPEXCAB0A4WUCA702AYRCABBAR39CAVKH78BCAHPC0C6CA0HAPV4CAQO028TCA7KYY8OCA02F9JKCA6J0Q7PCAKRG19UCA95PW40CAZBSBTA.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="275" width="183" src="http://4.bp.blogspot.com/-P8CaB7JVpVE/TyLTftl9dpI/AAAAAAAACbg/wc5S-Bk9c3E/s320/CAERLT0TCAY4XP2FCA9PCJCCCARVXQEUCASBFPEXCAB0A4WUCA702AYRCABBAR39CAVKH78BCAHPC0C6CA0HAPV4CAQO028TCA7KYY8OCA02F9JKCA6J0Q7PCAKRG19UCA95PW40CAZBSBTA.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Junto com as narrativas escritas por Joseph Conrad, Arthur Schnitzler, Guy de Maupassant (um estudo sobre a covardia), Henrich von Kleist, Ivan Turguêniev e Vladimir Nabokov, há uma introdução ao tema. Cláudio Figueiredo, com bom humor, relata várias histórias interessantes e cita alguns romances relacionados com duelos. Foi uma revelação. E o início de uma nova mania.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acessei a internet, mais especificamente &lt;i&gt;www.estantevirtual.com.br&lt;/i&gt;, e comecei a busca. Foi difícil. Alguns títulos não estavam disponíveis. Outros, em compensação, possuem várias traduções. Comprei, por exemplo, &lt;b&gt;O duelo&lt;/b&gt; (Anton Tchekov), numa dessas edições pouco confiáveis, fruto de direitos autorais que se transformaram em domínio público. Parte do prazer se perdeu ao imaginar o sabor literário que perdi nessa tradução de alguma tradução inglesa ou estadunidense. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma lacuna se preencheu quando anexei ao acervo um clássico legítimo, &lt;b&gt;O herói do nosso tempo&lt;/b&gt; (Mikhail Liérmontov), traduzido diretamente do russo. Aqui, a leitura foi diferente, parecia banquete em restaurante francês. Até porque na época em que viveu Liérmontov, a moda na corte russa era falar e imitar os costumes parisienses. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-tlKQkcNVSUk/TyLT3ahJL-I/AAAAAAAACbs/ZO07njoUGRg/s1600/CALVRVAYCAW4MCE8CADFZPGFCAMA30QACA6LA70TCA23Z1BVCAYOXHO5CAI5DA1NCAHHD3A7CAMVINX8CAITH51ICALI09JNCA0ZW82ICALMBRIICA0ENZMMCA6KZA81CABNVLYZCA9UB2R3.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="197" width="256" src="http://3.bp.blogspot.com/-tlKQkcNVSUk/TyLT3ahJL-I/AAAAAAAACbs/ZO07njoUGRg/s320/CALVRVAYCAW4MCE8CADFZPGFCAMA30QACA6LA70TCA23Z1BVCAYOXHO5CAI5DA1NCAHHD3A7CAMVINX8CAITH51ICALI09JNCA0ZW82ICALMBRIICA0ENZMMCA6KZA81CABNVLYZCA9UB2R3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Paguei um valor razoável (bem acima da tabela) em edição de 1933 de &lt;b&gt;O duelo&lt;/b&gt; (A. Kuprin). O livro está inteiro, bem conservado e alguém escreveu em uma de suas páginas iniciais que o exemplar foi adquirido em 17 de março de 1939. Há algo de anacrônico em folhear um livro vinte anos mais velho do que seu leitor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sou um fã do David Grossman, não me contive e adquiri um texto infanto−juvenil, &lt;b&gt;O duelo&lt;/b&gt;. Na minha avaliação, seu valor está em ser um objeto colecionável.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li, deliciado, cada um dos livros citados. De vez em quanto, faço uma pesquisa pelos sítios de busca da Internet, tentando descobrir se existe alguma novidade sobre o assunto. Fico torcendo para ser surpreendido. Infelizmente, raramente acontece. Embora não tenha pretensões de formar uma coleção, ainda continuo interessado no tema.  &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-2838216002777312114?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/2838216002777312114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/colecionando-livros.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/2838216002777312114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/2838216002777312114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/colecionando-livros.html' title='COLECIONANDO LIVROS'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-ZJPZylyrKSY/TyLTDCJGzzI/AAAAAAAACbI/nPO-iNbaMVI/s72-c/CAKZYADSCAGQ7G0UCAYN1E0NCAMLZMCLCAVB60TCCAM3A1YECAJQX23XCAISML6MCAALATA2CAQF9LJVCALD479DCAMHK25VCA1S4VVACAOJHIUPCAQDLLGFCA2OAUXGCAE1S8SQCA82MEA2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-5755808000499516218</id><published>2012-01-26T14:19:00.003-02:00</published><updated>2012-01-26T14:19:57.278-02:00</updated><title type='text'>SIMONE CAMPOS NO SHOPPING</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-xGqJSajTZ9I/TyF6HnVXL4I/AAAAAAAACaM/O-vgQL7H65w/s1600/Simone.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="180" width="280" src="http://1.bp.blogspot.com/-xGqJSajTZ9I/TyF6HnVXL4I/AAAAAAAACaM/O-vgQL7H65w/s320/Simone.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Sob/sobre a proteção do trocadilho bi−lingüístico, Simone Campos, aos 17 anos, escreveu uma dessas narrativas que, logo depois de seu lançamento, desaparecem de circulação. O motivo sério ou fútil, difícil de explicar ou entender, implica no surgimento de fenômeno relativamente comum: alguns amigos do/a autor/a e/ou críticos literários, na tentativa (muitas vezes in/útil) de garantir lugar na história literária para esse livro, por falta de palavra melhor, "Cult" (um conceito, por definição, discutível), passam a dedicar todos os esforços possíveis e imaginários para promover o objeto de suas paixões.     &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A primeira edição de &lt;b&gt;No Shopping&lt;/b&gt; tem formato de livro de bolso, apenas 72 páginas.  Na época de sua publicação, 2000, teve três tiragens e alguma badalação. Depois, caiu em suave esquecimento. Parece não requerer muito esforço na leitura. Parece. Felizmente, não é texto assim tão fácil. Há uma densidade muito bem elaborada, quase trabalho profissional. Quase. De qualquer forma, alguns/muitos/inúmeros leitores derrapam nas páginas que compõem a narrativa desconexa, ágil, confusa, bem escrita, tribal, criativa, cheia de reticências e reminiscências de um tempo que ainda não cumpriu com suas obrigações trágicas. Nos momentos mais ternos, aqueles que jamais serão eternos, o texto tenta e consegue brincar com a rima fornecida pela tradição literária. Nada muito profundo, o suficiente para cutucar algum rato de biblioteca precoce ou a pouca espessa camada cultural obtida nas aulas de literatura no segundo grau.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-haAZ5lA_6ys/TyF6WhxekuI/AAAAAAAACaY/CYDRbDXRmQ8/s1600/noshopping2.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="320" width="202" src="http://4.bp.blogspot.com/-haAZ5lA_6ys/TyF6WhxekuI/AAAAAAAACaY/CYDRbDXRmQ8/s320/noshopping2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;No Shopping&lt;/b&gt;, como qualquer narrativa pop que se preze, utiliza linguagem contemporânea, afiada pelo sub−texto, cortante em múltiplos sentidos, sentidos nos escorregões múltiplos dos personagens − em alguns casos, pré−anunciados; em outros descasos, pronunciados. Nos melhores momentos, saltam faíscas para todos os lados, o suficiente para começar um incêndio (sem duvida, criminoso). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Essa história será contada como me foi contada. Por essa menina. A memória jovem dela confunde os fatos. Prometo que às vezes eles vão soar confusos e dispersos&lt;/b&gt;, avisa a narradora, sem identificação, em alguns momentos indiferente aos acontecimentos, em outros emitindo opinião e posição/oposição sobre os fatos relatados. Em todas essas situações, procurando omitir que o grande segredo, aquele que vale um milhão de euros, não será entregue, logo de cara. A idéia é manter a tensão, o suspense, evitar que alguns leitores percebam que o cheque não tem fundo, não há saldo ou salvação que resolva a equação mal formulada pela vida, mimetizada pela literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história confusa que une − e separa − Délia, Juliana, Yuri, Victor e os demais personagens secundários é puro drama de adolescentes, composta pela ausência de substância e diversos equívocos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yuri ama Délia – que não sabe exatamente o que quer. Juliana ama Victor – que não ama ninguém. Juliana fica furiosa, ao suspeitar que, talvez, Délia tenha colocado as mãos (e outras partes do corpo) no corpo de Victor. Rompimento da amizade, com direito a gritos e escândalo. A velha cena heróica da luta pelo macho que não pertence a nenhuma das fêmeas. Enquanto isso, como se estivessem participando de novela diferente, Délia e Yuri, entre tapas e beijos, vão se acertando e errando, como convém aos casais que sentem tesão ou algo que talvez se aproxime do amor. Pelo menos, é isso o que sente o menino. Pelo mais, a menina quer salvar o menino do mundo das drogas, a erva maldita ou o pó brilhante que o solícito atendente da vídeo−locadora fornece aos clientes fiéis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente, algumas das tramas paralelas não possuem a mínima importância, embora sirvam de pilar de sustentação para que a carpintaria narrativa não resulte em escombros. Situações similares se repetem nos filmes que Yuri e Délia assistem nos finais de tarde, no shopping. Será?   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-tf8X9SciAtE/TyF736cUVAI/AAAAAAAACaw/gco23rcBFbI/s1600/CAUB5DKCCAT9JLH5CA22A3NFCA09Z8KWCAYQFHXWCATJINAGCADQYQ20CA8RP6KXCA878N0OCAZROONVCAFWAU7NCARHJF73CAHV3S76CAC27QCCCAIMW792CA4X7BAGCA21V753CAUQYRO6.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="194" width="259" src="http://3.bp.blogspot.com/-tf8X9SciAtE/TyF736cUVAI/AAAAAAAACaw/gco23rcBFbI/s320/CAUB5DKCCAT9JLH5CA22A3NFCA09Z8KWCAYQFHXWCATJINAGCADQYQ20CA8RP6KXCA878N0OCAZROONVCAFWAU7NCARHJF73CAHV3S76CAC27QCCCAIMW792CA4X7BAGCA21V753CAUQYRO6.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Personagem importante, o shopping, aparece e desaparece da narrativa. É o local em que as personagens estão amarradas e amordaçadas. Locus e objeto. Manipulado e manipulador. Espelho que reflete  a crítica quase lúcida - em alguns momentos apenas o esperneio adolescente contra o consumo desenfreado: &lt;b&gt;Sábado era dia sem descanso para os burgueses que vendem e para os que compram. Estes, indianamente perfilados, sofriam no estacionamento, nas cabines das lojas, na hora de pagar, arrastando−se pelo deserto refrigerado. Carregavam muitas sacolas e nenhuma culpa. Milhares de rostos cretinos formando uma estatística.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou, em versão mais divertida, esculacho a-pós-o-moderno, vale lembrar a cena protagonizada por Délia e Yuri:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;b&gt;A fome interminável do Shopping levou−os ao meio da praça, onde faziam sua escolha. Délia queria ir ao cibercafé. Yuri não. Achando−se conhecedor da raça, ele tentou até se amotinar. Bateu o pé. Mas aquela sereia sabia cantar para marinheiros nostálgicos, se preciso.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Ah! Que saudades da minha infância tecnológica!&lt;br /&gt;Do meu XT de letras verdes&lt;br /&gt;64 KB de RAM&lt;br /&gt;Todos os meus árcade&lt;br /&gt;Bad command or filename...&lt;br /&gt;Dobrai a lingual, ó insensato!&lt;br /&gt;Sei o que é WordStar 2.0!&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Depois Yuri ficou sério. Murmurou:&lt;br /&gt;− Você é cruel demais com os poetas.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-lVl8yVxtpik/TyF8HupePpI/AAAAAAAACa8/mD1B4FYDp3k/s1600/CAKQP7WBCA0X6IVPCAHFR6DXCAFPDCHFCA4TU9SPCAJGLUGQCAZ9NLOPCA5IKV5ICALUZ84UCAC90GZ7CA1OYRKACAF635S7CAIWURP8CASXHW6RCARREEYGCA668JPZCAVXTM7TCA0U42CP.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="179" width="282" src="http://4.bp.blogspot.com/-lVl8yVxtpik/TyF8HupePpI/AAAAAAAACa8/mD1B4FYDp3k/s320/CAKQP7WBCA0X6IVPCAHFR6DXCAFPDCHFCA4TU9SPCAJGLUGQCAZ9NLOPCA5IKV5ICALUZ84UCAC90GZ7CA1OYRKACAF635S7CAIWURP8CASXHW6RCARREEYGCA668JPZCAVXTM7TCA0U42CP.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Não de deve comprar emoções no shopping. Na confusão entre o descartável e o permanente, algumas coisas ficam para trás. A poesia é a menos importante. Mãos vazias, ilusões plenas, o leitor chega à última página, cheio de dúvidas. Talvez precise reler &lt;b&gt;No Shopping&lt;/b&gt; – ciente de que existem respostas, mas que talvez esteja fazendo as perguntas erradas.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-zyZGbguP3aI/TyF7ldqUY4I/AAAAAAAACak/hE70D7rJfA0/s1600/afeianoite.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="320" width="209" src="http://1.bp.blogspot.com/-zyZGbguP3aI/TyF7ldqUY4I/AAAAAAAACak/hE70D7rJfA0/s320/afeianoite.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;P.S: Além de &lt;b&gt;No Shopping&lt;/b&gt;, Simone Campos publicou &lt;b&gt;A Feia Noite&lt;/b&gt; (2006) e o romance “on-line” de ficção científica &lt;b&gt;Penados y Rebeldes&lt;/b&gt; (2007). Alguns de seus contos podem ser encontrados nos livros &lt;b&gt;Geração 90 – Os Transgressores&lt;/b&gt; (org. Nelson de Oliveira, 2003), &lt;b&gt;25 Mulheres que Estão Fazendo a Nova Literatura Brasileira&lt;/b&gt; (Org. Luiz Ruffato, 2004) e &lt;b&gt;Entre nós&lt;/b&gt; (Org. Luiz Ruffato, 2007).&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-5755808000499516218?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/5755808000499516218/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/simone-campos-no-shopping.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/5755808000499516218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/5755808000499516218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/simone-campos-no-shopping.html' title='SIMONE CAMPOS NO SHOPPING'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-xGqJSajTZ9I/TyF6HnVXL4I/AAAAAAAACaM/O-vgQL7H65w/s72-c/Simone.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-819104131134716716</id><published>2012-01-25T11:22:00.000-02:00</published><updated>2012-01-25T11:23:39.256-02:00</updated><title type='text'>QUATRO POEMAS MENORES, QUE ESTAVAM ESQUECIDOS, E DUAS GRAVURAS DE RENOIR</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-RIdSqokSgWQ/TyABu1n3GlI/AAAAAAAACaA/Ck5EmpQDFu4/s1600/Renoir%2B3.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="196" width="257" src="http://1.bp.blogspot.com/-RIdSqokSgWQ/TyABu1n3GlI/AAAAAAAACaA/Ck5EmpQDFu4/s320/Renoir%2B3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;DECLARAÇÃO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sou tudo&lt;br /&gt;o que você&lt;br /&gt;quiser,&lt;br /&gt;menos&lt;br /&gt;um caso qualquer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;MINHA CIDADE&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sentados no calçadão &lt;br /&gt;os bois &lt;br /&gt;esperam &lt;br /&gt;os fazendeiros &lt;br /&gt;engordarem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-A0lCjMXTXjk/TyABV9OyGpI/AAAAAAAACZo/cs5Wew7aKrI/s1600/Renoir%2B2.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="310" width="163" src="http://4.bp.blogspot.com/-A0lCjMXTXjk/TyABV9OyGpI/AAAAAAAACZo/cs5Wew7aKrI/s320/Renoir%2B2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;LOUCA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;até que não era feia &lt;br /&gt;só que tinha &lt;br /&gt;o estranho hábito &lt;br /&gt;de querer encontrar &lt;br /&gt;um pai para o filho &lt;br /&gt;que nunca teve&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;FLAGRANTE&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vizinha&lt;br /&gt;por favor&lt;br /&gt;tome conta da minha criança&lt;br /&gt;que eu quero ver a novela&lt;br /&gt;sossegada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(ARRUDA FILHO, Raul. &lt;i&gt;Um abraço pra quem fica&lt;/i&gt;. Lages: Prefeitura do Município de Lages, 1984)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-819104131134716716?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/819104131134716716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/quatro-poemas-menores-e-que-estavam.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/819104131134716716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/819104131134716716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/quatro-poemas-menores-e-que-estavam.html' title='QUATRO POEMAS MENORES, QUE ESTAVAM ESQUECIDOS, E DUAS GRAVURAS DE RENOIR'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-RIdSqokSgWQ/TyABu1n3GlI/AAAAAAAACaA/Ck5EmpQDFu4/s72-c/Renoir%2B3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-7922002695772604074</id><published>2012-01-24T11:30:00.000-02:00</published><updated>2012-01-28T15:24:31.272-02:00</updated><title type='text'>"A FELICIDADE É FÁCIL", DIFÍCIL É ESCREVER UM ROMANCE</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-PI27ro9X8hI/Tx6sYjw3L3I/AAAAAAAACXk/Qp1tQrkLBfM/s1600/CAKSNYGVCA6ZG1UACATY10SQCAA7SITTCA5V0U97CAVBV0IOCAM81876CA8PA1VVCAVDE652CAL3NKNBCAD95B1CCAGRGSTYCAE7YOT4CAXP21VGCA1HY8GECA3QAUXNCAO7WCHZCAMONVFH.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="204" width="247" src="http://2.bp.blogspot.com/-PI27ro9X8hI/Tx6sYjw3L3I/AAAAAAAACXk/Qp1tQrkLBfM/s320/CAKSNYGVCA6ZG1UACATY10SQCAA7SITTCA5V0U97CAVBV0IOCAM81876CA8PA1VVCAVDE652CAL3NKNBCAD95B1CCAGRGSTYCAE7YOT4CAXP21VGCA1HY8GECA3QAUXNCAO7WCHZCAMONVFH.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O segundo romance escrito por Edney Silvestre foi publicado em 2011, tem título de livro de auto−ajuda, &lt;b&gt;A felicidade é fácil&lt;/b&gt;, apresenta epígrafe em francês de um trecho do filme &lt;b&gt;Asas do Desejo&lt;/b&gt;, escrito e dirigido por dois alemães (Peter Handke e Wim Wenders), e se concentra em um período da história recente, o governo Fernando Collor de Mello. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse conjunto de aparentes contradições não atrapalha o texto que muita gente devorará "de uma sentada", as 219 páginas fluindo diante dos olhos ávidos do leitor, com estilo cortante, desses que parecem acenar gulosamente para o "quero mais". Parte dessa vertigem é conseqüência do uso abusivo de anacronias literárias, mistura competente de analepses (também chamadas de flashback) e prolepses, recursos cada vez mais raros na literatura contemporânea. Obviamente, esse truque não é nenhum ovo de Colombo. Se utilizado de forma competente, adiantar e recuar a ordem temporal de alguns trechos de uma narrativa fornece um dinamismo que a arquitetura textual em ordem natural (início, meio e fim, nessa ordem) muitas vezes não consegue obter. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-7gd0bImmAe8/Tx6vZ9YSziI/AAAAAAAACXw/mc2yOqm53TU/s1600/Edney%2B1.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="282" width="179" src="http://2.bp.blogspot.com/-7gd0bImmAe8/Tx6vZ9YSziI/AAAAAAAACXw/mc2yOqm53TU/s320/Edney%2B1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Tendo como eixo dramático o primeiro bloco narrativo e reconstruindo o enredo ao longo de cenas que vão acrescentando inúmeras camadas de informações, mas em ordem pouco ortodoxa, o romance desliza na direção do desfecho sem grandes tropeços, ampliando a curiosidade do leitor ao fim de cada um dos 17 capítulos, a cada soma de novos elementos. Esse tipo de encadeamento, acrescido de vários monólogos interiores, fornece suspense e impede que a atenção (e a tensão) narrativa se disperse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tentativa de seqüestro, em São Paulo, do filho de um publicitário ligado ao governo federal detona o conflito. A associação entre agências de publicidade e o governo federal está conectada com um dos problemas mais significativos das narrativas contemporâneas. Ou seja, a necessidade psicológica do leitor de buscar amparo em fatos que ainda estão gravados na sua memória (e no inconsciente coletivo). Leitores menos experimentados e/ou mais mal−intencionados recordarão de episódios policiais (e pouco públicos) em que se misturam histórias de sequestros e nomes de publicitários como Roberto Medina, Luiz Salles, Washington Olivetto e Marcos Valério. Mas não são apenas as sombras desses quatro personagens que servem de moldura para a estrutura do texto e se deslocam transversalmente pela narrativa. Também adentra ao palco o inconfundível Turco (&lt;b&gt;"Rouba, mas faz". O povão gosta dele. Enquanto estiver construindo túneis e viadutos, e mandando matar bandidos, continuará sendo eleito.&lt;/b&gt;) ou alguns novos ricos, figurinhas eternamente presentes nas colunas sociais (&lt;b&gt;Cuidando da conta de uma rede de supermercados dos arrogantes filhos de um português semianalfabeto, a quem a inflação e a falta de escrúpulos transformaram em milionário em menos de uma década.&lt;/b&gt;). A classe política verde−amarela também é identificada nesse espetáculo grotesco (&lt;b&gt;Quando estava perto evitavam citar cargos e sobrenomes. Só usavam prenomes. O Fernando. O Marcílio. O Bernardo. A Zélia. O Leonel. O Pedro. A Teresa. Se queriam evitar revelações ou demonstrar intimidade com os poderosos, para ela tanto fazia.&lt;/b&gt;).  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-uDElAaYS2Co/Tx6yNOqTTAI/AAAAAAAACY4/w_l-4hSW5IQ/s1600/caras.bmp" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="183" width="275" src="http://4.bp.blogspot.com/-uDElAaYS2Co/Tx6yNOqTTAI/AAAAAAAACY4/w_l-4hSW5IQ/s320/caras.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Como &lt;b&gt;Amar é um verbo que só faz sentido em publicidade&lt;/b&gt;, o maior peso social acaba sendo despejado nas costas dos pobres. Para quem precisa trabalhar de sol-a-sol, a felicidade nunca foi fácil, é preciso tentar renová-la a cada dia. Como peso extra, há um pacote de pragas bíblicas a separar a casa grande e a senzala. Enquanto os ricos se divertem construindo ligações perigosas, aos trabalhadores resta o discurso religioso, onde se misturam ignorância e má-fé. Ou então, o desastre que é descobrir que o menino surdo−mudo, filho dos empregados, Irene e Stephan, foi raptado em lugar do bem−nutrido filho do patrão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado da situação, os seqüestradores são mercenários multinacionais (argentino, uruguaio, chileno, brasileiro), alguns deles mimetizando os ideais da direita reacionária, saudosa de um tempo que já não mais existe, mas esperta o suficiente para farejar onde está o dinheiro e, conseqüentemente, se adaptar aos novos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o Brasil procura adentrar na modernidade, superando o arcaísmo que o acompanha desde a época da colonização, a classe política (e seus asseclas) se locupleta no assalto diário ao erário público. Na tarefa sempre complicada de explicar o porquê do patrimônio pessoal de alguns dirigentes políticos ser incompatível com o salário que recebem ao final de cada mês "laranjas" surgem a todo instante  − entre eles, sem fazer muito alarde, alguns valorosos publicitários, os abre−alas da corrupção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-mnQW2J4iVoE/Tx6xvdRm5HI/AAAAAAAACYg/S7JGLjOSb5s/s1600/caras%2Bpintadas.bmp" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="225" width="225" src="http://4.bp.blogspot.com/-mnQW2J4iVoE/Tx6xvdRm5HI/AAAAAAAACYg/S7JGLjOSb5s/s320/caras%2Bpintadas.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A tarefa proposta pela narrativa escrita por Edney Silvestre está em retratar esse movimento de usurpação da dignidade nacional por parte da República de Alagoas. Travestida de narrativa policialesca, parte da intenção ficcional se cumpre, apesar da óbvia ausência de densidade do enredo (que é encoberto pela esperteza de usar uma forma narrativa pouco usual). Também falta um pouco mais de profundidade ao descrever as duas quadrilhas. Como o romance está concentrado em São Paulo, a política "suja" praticada em Brasília ficou restrita ao mundo "limpo" dos crimes de colarinho branco. Mesmo assim − e isso é uma qualidade −, ao final do romance, é arriscado apontar quem são os criminosos: os políticos ou os seqüestradores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra deficiência está no fato de diversos personagens (Olavo, Ernesto, Daniel, Emiliano) serem "planos" (como gostava de definir E. M. Foster). Falta−lhes humanidade, sentimentos, interação com a estrutura narrativa. A escolha da fórmula "menos é mais" como elemento constituinte das características mais significativas das personagens aumentou a superficialidade temática.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, se &lt;b&gt;A felicidade é fácil&lt;/b&gt;, difícil é escrever um romance.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-3G7cHcaVNy4/Tx6yArwDMFI/AAAAAAAACYs/Ogp3tydXA1Y/s1600/CAN8GR50CA7FIUTBCA19RMGSCAHX2S8SCA4RXZNOCA6J4HBMCA95DA22CAGIHSZVCAYLLCF9CA8O0NK5CA8UR72NCAXCKKK4CABB43DBCA7EVH0ICA012WFPCAL094KJCA4N39E5CARTQJTW.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="278" width="181" src="http://2.bp.blogspot.com/-3G7cHcaVNy4/Tx6yArwDMFI/AAAAAAAACYs/Ogp3tydXA1Y/s320/CAN8GR50CA7FIUTBCA19RMGSCAHX2S8SCA4RXZNOCA6J4HBMCA95DA22CAGIHSZVCAYLLCF9CA8O0NK5CA8UR72NCAXCKKK4CABB43DBCA7EVH0ICA012WFPCAL094KJCA4N39E5CARTQJTW.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;P.S&lt;/b&gt;: Edney Silvestre é o autor de &lt;b&gt;Se eu fechar os olhos agora&lt;/b&gt;, vencedor do Prêmio Jabuti, categoria Melhor Romance, em 2010. Apresenta o programa &lt;b&gt;Espaço Aberto Literatura&lt;/b&gt;, na televisão a cabo.    &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-7922002695772604074?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/7922002695772604074/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/felicidade-e-facil-dificil-e-escrever.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/7922002695772604074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/7922002695772604074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/felicidade-e-facil-dificil-e-escrever.html' title='&quot;A FELICIDADE É FÁCIL&quot;, DIFÍCIL É ESCREVER UM ROMANCE'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-PI27ro9X8hI/Tx6sYjw3L3I/AAAAAAAACXk/Qp1tQrkLBfM/s72-c/CAKSNYGVCA6ZG1UACATY10SQCAA7SITTCA5V0U97CAVBV0IOCAM81876CA8PA1VVCAVDE652CAL3NKNBCAD95B1CCAGRGSTYCAE7YOT4CAXP21VGCA1HY8GECA3QAUXNCAO7WCHZCAMONVFH.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-8509103145339172928</id><published>2012-01-23T11:35:00.001-02:00</published><updated>2012-02-28T11:11:57.360-03:00</updated><title type='text'>O ANO DO DRAGÃO</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Pxhz9wF0qoQ/Tx1hKkXvYzI/AAAAAAAACWo/8t5vX6hk5_k/s1600/CAF16E03CADHE7B4CAHUQEXACA86ITFDCA0S726ICA7JYNAMCAF4A4DECAG7NGGOCAWACGA4CAYWX7C1CAJKWMQOCAEZHYFRCAX63TXSCATQYJGNCAT11W8TCAVLF0AICARS31SICAK66WIH.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="201" width="250" src="http://1.bp.blogspot.com/-Pxhz9wF0qoQ/Tx1hKkXvYzI/AAAAAAAACWo/8t5vX6hk5_k/s320/CAF16E03CADHE7B4CAHUQEXACA86ITFDCA0S726ICA7JYNAMCAF4A4DECAG7NGGOCAWACGA4CAYWX7C1CAJKWMQOCAEZHYFRCAX63TXSCATQYJGNCAT11W8TCAVLF0AICARS31SICAK66WIH.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Começou o ano do dragão. Ano 4710  do calendário chinês. Segundo uma antiga lenda, Buda convidou todos os animais para uma festa de Ano Novo. Apenas doze compareceram. Cada um deles recebeu como presente um ano, de acordo com a ordem de chegada: rato (ou camundongo), boi (ou búfalo – vaca, na Tailândia), tigre (pantera, na Mongólia), coelho (gato, na Tailândia), dragão (crocodilo, na Pérsia), cobra (ou serpente – pequeno dragão, na Tailândia), cavalo, cabra (ou bode ou carneiro), galo (ou galinha), macaco, cão, porco (ou javali). A cada 60 anos, a regência é do cavalo de fogo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dragão é o animal mais poderoso do horóscopo chinês: orgulhoso, altivo, determinado, vaidoso, passional, cheio de vitalidade e potência sexual. Sempre está procurando por uma causa para lutar – e faz desse objetivo a razão de seu existir. Com tantas qualidades mágicas, ilusórias ou não, muitos pais chineses se programaram para que seus filhos nasçam neste ano, seguindo o vaticínio de que serão abençoados com sorte, força e fortuna. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-uNrEdJ_fa2w/Tx1hd5kyC7I/AAAAAAAACW0/s6oKQYDiqfY/s1600/CAJKOCK2CAYP49KACA3IQNTECAT5N4FGCA1X7J2JCA407LVYCA17WTNTCAWKFSG8CAUZXAV4CAE0HASDCASMGN10CAKOOHVICAXQC7S5CAXMT63WCABOAQP5CAC0WI83CAYSPLL9CA1G2SDL.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="194" width="260" src="http://1.bp.blogspot.com/-uNrEdJ_fa2w/Tx1hd5kyC7I/AAAAAAAACW0/s6oKQYDiqfY/s320/CAJKOCK2CAYP49KACA3IQNTECAT5N4FGCA1X7J2JCA407LVYCA17WTNTCAWKFSG8CAUZXAV4CAE0HASDCASMGN10CAKOOHVICAXQC7S5CAXMT63WCABOAQP5CAC0WI83CAYSPLL9CA1G2SDL.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;No Oriente, o dragão representa o imperador ou alguém que detém muito poder.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Ocidente, a palavra dragão vem do grego &lt;b&gt;drakón&lt;/b&gt; e também do latim &lt;b&gt;draco&lt;/b&gt;. Provavelmente é derivada dos verbos gregos &lt;b&gt;derkomai&lt;/b&gt; (ver) ou &lt;b&gt;deskesthai&lt;/b&gt; (lançar olhares). Quer dizer, o dragão está relacionado com a visão e, por analogia, com o conhecimento. Segundo algumas lendas, assim como o saber é perigoso, olhar nos olhos de um dragão pode ser destrutivo. Em outras línguas, as palavras que o nominam, &lt;b&gt;drache&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;drake&lt;/b&gt;, também servem para designar as serpentes. Em algumas situações também se utiliza as palavras &lt;b&gt;worm&lt;/b&gt; ou &lt;b&gt;wyrm&lt;/b&gt; (verme).     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com o horóscopo chinês, há cinco tipos de dragão: metal, madeira, água, fogo e terra. O ano de 2012 será regido pelo dragão água, que se caracteriza por ter personalidade própria, ser democrático e liberal (embora não seja um conciliador). Pode se transformar em um negociante de sucesso. Na antiguidade, quatro dragões da água governavam os quatro oceanos do mundo: &lt;b&gt;Ao Kuang&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Ao Jun&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Ao Shun &lt;/b&gt;e &lt;b&gt;Ao Chi&lt;/b&gt;. Todos moravam no fundo das águas e eram escravos do Imperador de Jade.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-POkTjA-_5GY/Tx1hvzheKcI/AAAAAAAACXA/8Rs3mWUeZiw/s1600/CAQZ5Y0ICASFZI75CAHA9K8SCAXD1TO7CALMY6H3CA5T9F41CAP3TCELCAT57HOUCAK96AK3CAKBQV16CA8YP8YICA4CA307CATZF7MRCA1JPY7MCAD2KH65CAJZQEPHCAA1A9NVCA0YJ7SH.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="256" width="197" src="http://1.bp.blogspot.com/-POkTjA-_5GY/Tx1hvzheKcI/AAAAAAAACXA/8Rs3mWUeZiw/s320/CAQZ5Y0ICASFZI75CAHA9K8SCAXD1TO7CALMY6H3CA5T9F41CAP3TCELCAT57HOUCAK96AK3CAKBQV16CA8YP8YICA4CA307CATZF7MRCA1JPY7MCAD2KH65CAJZQEPHCAA1A9NVCA0YJ7SH.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O cristianismo costumava aceitar a existência dos dragões. Principalmente quando eles estão relacionados com a história de Jorge, um cavalheiro da Capadócia, na Ásia Menor, que lutou nas cruzadas e que é o santo protetor da Inglaterra. A bandeira do país de Gales é composta por um dragão vermelho sobre um campo verde e branco.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conta uma lenda que, em indeterminada cidade pagã do norte de África, um dragão assustava o povo. Para tentar acalmar a fera, o povo sacrificava ovelhas e seres humanos.  Certa vez, a filha do rei foi sorteada para ser entregue ao monstro.  Um pouco antes de ser morta,  ela foi salva por um cavaleiro que voltava das Cruzadas. O dragão foi morto e a princesa libertada.  Todos os habitantes da região se converteram ao Cristianismo como agradecimento ao herói. Em outra versão dessa mesma história, o dragão se abrigava num pântano. Quase todas as moças já haviam sido sacrificadas. A última era a filha do rei. Jorge, o cavaleiro, chegou ao pântano e libertou a princesa. O dragão foi amarrado e conduzido até o povoado, onde, na presença de todos, Jorge o matou. O herói recusou a mão da moça em casamento e manteve a castidade de missionário cristão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-6IfquSw2VYE/Tx1h26LSmUI/AAAAAAAACXM/QIKfdqoh-Q0/s1600/CAH03NEJCA1B1X08CAW88UXOCAJ31GP6CAVZO0SVCAADB95ACAVEOU1CCAFA900QCAKC6BM9CAE6XUNUCAAOIFHQCATHXW10CAEOD2IWCAR98ZL3CAP9HPT8CAVTW8OBCAKCCEOFCAMTSBAQ.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="194" width="259" src="http://1.bp.blogspot.com/-6IfquSw2VYE/Tx1h26LSmUI/AAAAAAAACXM/QIKfdqoh-Q0/s320/CAH03NEJCA1B1X08CAW88UXOCAJ31GP6CAVZO0SVCAADB95ACAVEOU1CCAFA900QCAKC6BM9CAE6XUNUCAAOIFHQCATHXW10CAEOD2IWCAR98ZL3CAP9HPT8CAVTW8OBCAKCCEOFCAMTSBAQ.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O que isso tudo tem a ver (a haver) com a literatura? Não sei. Provavelmente nada. Ou tudo. Os desígnios da natureza e da imaginação são insondáveis e inesperados − como uma vertente de água, que, em filetes cristalinos, brota no meio das pedras para saciar a nossa sede. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dragões são seres que estão presentes em diversos relatos mitológicos. Na mitologia grega eles são abundantes. Os homens comandados por Cadmo, que estava procurando por sua irmã Europa, raptada por Zeus, foram atacados por um dragão. Hércules derrotou &lt;b&gt;Ládon&lt;/b&gt;, que protegia os pomos de ouro no jardim das Hespérides. Na mitologia nórdica, um exemplo significativo é &lt;b&gt;Fafner&lt;/b&gt;, do &lt;b&gt;Anel dos Nibelungos&lt;/b&gt;. Na mitologia anglo-saxã, o grande destaque é &lt;b&gt;Grendel&lt;/b&gt;, o dragão que atacou a Dinamarca e que seria morto por &lt;b&gt;Beowulf&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dragões raramente são animais amistosos, desses que costuma−se levar ao parque para brincar no gramado. Costumam ser comandados por homens e mulheres ambiciosos, que querem impor o terror como instrumento de dominação – como não poderia ser diferente, costumam ser derrotados nas cenas finais da trama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-0QCAFcPVORo/Tx1iGiFoS7I/AAAAAAAACXY/5Xz-6iiC3OM/s1600/CAMJ0UMXCAFEOK0DCACQ4B2ECAPBL5W4CAB80H22CAIVD72UCA3N2IF2CA6RKU4JCAO5R0BWCAZMDSAACA17CAJ0CAYG1LXXCA3T3XVSCA83PT50CA37BQM8CAHGRO1ACAI3VBP8CA1OAQ19.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="160" width="122" src="http://2.bp.blogspot.com/-0QCAFcPVORo/Tx1iGiFoS7I/AAAAAAAACXY/5Xz-6iiC3OM/s320/CAMJ0UMXCAFEOK0DCACQ4B2ECAPBL5W4CAB80H22CAIVD72UCA3N2IF2CA6RKU4JCAO5R0BWCAZMDSAACA17CAJ0CAYG1LXXCA3T3XVSCA83PT50CA37BQM8CAHGRO1ACAI3VBP8CA1OAQ19.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Enfim, os dragões costumam frequentar a literatura que muitos tolinhos jamais considerarão como "séria" (seja lá o que isso for!). Desajeitados como os dinossauros, cuspindo imensas labaredas de fogo, embora sejam seres fascinantes, os dragões costumam fazer grandes estragos nos lugares retratados nos textos destinados ao público infanto−juvenil: velhos romances de capa−e−espada (dos tempos do Távola Redonda ou do Santo Graal) ou em narrativas fantásticas como as séries &lt;b&gt;Dragões de Pern&lt;/b&gt; (Anne McCaffrey), &lt;b&gt;Crônicas de Spiderwick&lt;/b&gt; (texto de Holly Black, ilustrações de Tony DiTerlizzi), &lt;b&gt;Trilogia da Herança &lt;/b&gt;(Christopher Paolini), &lt;b&gt;O Senhor dos Anéis&lt;/b&gt; (J. R. R. Tolkien), &lt;b&gt;Harry Potter &lt;/b&gt;(J. K. Rowling) e &lt;b&gt;Crônicas de Fogo e Gelo &lt;/b&gt;(George R. R. Martin).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lizabeth Salander, a protagonista da trilogia &lt;b&gt;Millennium&lt;/b&gt; (Stieg Larsson), tem um dragão tatuado nas costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No romance &lt;b&gt;Cobras e Piercings&lt;/b&gt;, escrito pela japonesa Hitomi Kanehara, os dragões ligam Shiba, Ama(deus) e Lui. Shiba é um tatuador punk e skinhead. Ele possui uma tatuagem na parte posterior da cabeça: um dragão enrolado no próprio rabo. Ama tem varias tatuagens pelo corpo, inclusive um dragão nas costas. Lui, namorada de Ama, contrata os serviços de Shiba para tatuar em suas costas um dragão sem olhos e um &lt;b&gt;Kirin&lt;/b&gt; (animal quimérico da mitologia chinesa, parecido com uma girafa.), também sem olhos.  Segundo a lenda de &lt;b&gt;garyotensei&lt;/b&gt;, um pintor estava desenhando os olhos de um dragão, último detalhe do quadro em que estava trabalhando. Quando terminou, o animal ganhou vida e saiu voando.        &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja para o bem ou para o mal, começou hoje o ano do dragão. &lt;b&gt;Ni hao&lt;/b&gt;. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-8509103145339172928?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/8509103145339172928/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/o-ano-do-dragao.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/8509103145339172928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/8509103145339172928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/o-ano-do-dragao.html' title='O ANO DO DRAGÃO'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Pxhz9wF0qoQ/Tx1hKkXvYzI/AAAAAAAACWo/8t5vX6hk5_k/s72-c/CAF16E03CADHE7B4CAHUQEXACA86ITFDCA0S726ICA7JYNAMCAF4A4DECAG7NGGOCAWACGA4CAYWX7C1CAJKWMQOCAEZHYFRCAX63TXSCATQYJGNCAT11W8TCAVLF0AICARS31SICAK66WIH.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-8441550994999632345</id><published>2012-01-20T10:38:00.004-02:00</published><updated>2012-01-20T10:38:51.694-02:00</updated><title type='text'>O BRASIL E OS LIVROS</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-aMC3PtCjZ1E/TxlfWxlHJXI/AAAAAAAACV4/7yRvfwH1eH8/s1600/CAXSM240CAG9P4VVCAV8LK4GCABSXSV0CAUBHL8MCA7D4VQACA6RGFRZCAQVBE9NCAK1R9BCCAEUO55ACAHWZHVPCAK5SM6MCABKWCT9CA9Q1E97CA615W8HCAWL3B7BCAGKQSGPCACVGE39.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="228" width="176" src="http://2.bp.blogspot.com/-aMC3PtCjZ1E/TxlfWxlHJXI/AAAAAAAACV4/7yRvfwH1eH8/s320/CAXSM240CAG9P4VVCAV8LK4GCABSXSV0CAUBHL8MCA7D4VQACA6RGFRZCAQVBE9NCAK1R9BCCAEUO55ACAHWZHVPCAK5SM6MCABKWCT9CA9Q1E97CA615W8HCAWL3B7BCAGKQSGPCACVGE39.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O Brasil foi "descoberto" em 1500. Mas, a história do livro em terras portuguesas deste lado do Atlântico somente teve início em 1808. Teoricamente, foram 300 anos de obscuridade (com um pequeno intervalo durante a invasão holandesa, na década de 1640). O governo colonial considerava crime de alta periculosidade a importação de equipamentos gráficos. Em outras palavras, era proibido publicar. Uma das razões desse descalabro tem explicação política: conflitos entre o governo do marquês de Pombal (1750−1777) e os jesuítas. Proibido aqui, porque durante muitos anos as gráficas inglesas funcionaram noite e dia para imprimir jornais, livros e folhetos destinados à lusa possessão sul-americana.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a fuga da família real para o Brasil e a emissão de uma carta régia, no dia 13 de maio de 1808, pelo Príncipe Regente, Dom João, que modificou o panorama mercantilista. O documento que instituiu a reprodutibilidade técnica em terras tropicais foi impresso no Rio de Janeiro, em um dos dois prelos (prensas) com 28 fontes de tipos para impressão, que Portugal comprou da Inglaterra e que, por conta das turbulências políticas portuguesas de 1807, ficaram, durante muitos meses, encaixotados no cais de Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-vWZxRfJZwPI/TxlfmJCEniI/AAAAAAAACWE/Wo-k3ky8nMY/s1600/CAFF7YXBCA49AIAMCA52SZ9NCAPIZE0OCAWV8ZQPCAQJHE0DCAAQX3LTCA0DGBK3CA3PMYDZCA6Y22HZCAX9J3O9CA93XFEICA8MZB97CAYLGHRICAJ4VEVUCAOUICDPCAG8KYS7CABNTC9C.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="181" width="278" src="http://4.bp.blogspot.com/-vWZxRfJZwPI/TxlfmJCEniI/AAAAAAAACWE/Wo-k3ky8nMY/s320/CAFF7YXBCA49AIAMCA52SZ9NCAPIZE0OCAWV8ZQPCAQJHE0DCAAQX3LTCA0DGBK3CA3PMYDZCA6Y22HZCAX9J3O9CA93XFEICA8MZB97CAYLGHRICAJ4VEVUCAOUICDPCAG8KYS7CABNTC9C.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Entre 1808 e 1821, a Imprensa Régia foi monopólio do governo regencial. Esse privilégio foi contestado em 1811, quando o comerciante Manuel Antonio da Silva Serva instalou uma tipografia em Salvador. Como os preços cobrados pelo Rio de Janeiro eram abusivos, não foi difícil conseguir várias encomendas de trabalho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o fim do monopólio, surgiram as primeiras tipografias particulares na capital real. Historiadores relatam que, em 1822, o Rio de Janeiro contava com cerca de sete gráficas. Um número significativo se for considerado que, na mesma época, Paris contava com 480 livrarias e 850 tipografias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-V48B1Q_Hxz0/Txlfw--_1hI/AAAAAAAACWQ/i2ZaD_Gzw3Q/s1600/CAL43ZXZCAH1D1LWCAKHV8RYCA550JJXCA6GG0XKCADSFRQYCAKZ7G3HCAIA5QVFCA8N6210CAFK20TQCA3B7WWOCA1NE4RYCAD6YT0UCANVL3TFCAK7BB4CCALT8H1ACAXK532OCAVXLKRY.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="277" width="182" src="http://2.bp.blogspot.com/-V48B1Q_Hxz0/Txlfw--_1hI/AAAAAAAACWQ/i2ZaD_Gzw3Q/s320/CAL43ZXZCAH1D1LWCAKHV8RYCA550JJXCA6GG0XKCADSFRQYCAKZ7G3HCAIA5QVFCA8N6210CAFK20TQCA3B7WWOCA1NE4RYCAD6YT0UCANVL3TFCAK7BB4CCALT8H1ACAXK532OCAVXLKRY.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A partir da Independência, a indústria gráfica nacional progrediu significativamente e se espalhou por "todo" o Império. No entanto, os livros continuavam sendo importados da Europa. Além da precariedade dos "parques gráficos", a elite intelectual do Brasil era completamente dependente da cultura produzida no outro lado do mar. Tentando reagir (mas não muito) contra esse atrelamento, surgiram alguns personagens significativos. Talvez o mais importante tenha sido Francisco de Paula Brito, que, entre tantas contribuições, imprimiu a primeira constituição brasileira, em 1824. Ao redor de Paula Brito se reuniram os mais significativos nomes do movimento romântico de 1840−1860. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não poderia ser diferente, impressores se transformaram em livreiros. O que era "composto" e gravado na sala dos fundos era discutido e vendido no balcão da livraria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-KtNAR23FisU/Txlf-hNDllI/AAAAAAAACWc/UqlYTfzMdSI/s1600/CAN48P27CA89HQ4ECASN0CQ6CA6B8E0ACABLE8MCCAFBSRHFCAQKAZN9CAO1EJ9NCARTGJZJCA9U3I8CCAABCCDNCADI15DRCAH5RAR2CAUUQ0W7CABS8F3GCA9F4L5PCATW0QTGCABD1HMV.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="267" width="189" src="http://1.bp.blogspot.com/-KtNAR23FisU/Txlf-hNDllI/AAAAAAAACWc/UqlYTfzMdSI/s320/CAN48P27CA89HQ4ECASN0CQ6CA6B8E0ACABLE8MCCAFBSRHFCAQKAZN9CAO1EJ9NCARTGJZJCA9U3I8CCAABCCDNCADI15DRCAH5RAR2CAUUQ0W7CABS8F3GCA9F4L5PCATW0QTGCABD1HMV.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Mas, qual teria sido a primeira publicação sobre o Brasil? Rubens Borba de Moraes considera que foi um folheto de oito páginas, &lt;b&gt;Mundus Novus&lt;/b&gt;, escrito por Américo Vespúcio e publicado por Johannes Otmar, em 1504, na cidade alemã de Augsburg. O mesmo autor revela que o primeiro impresso brasileiro também foi um folheto (22 páginas) e surgiu no Rio de Janeiro em 1747. Impresso por Isidoro da Fonseca, seu título era &lt;b&gt;Relação de entrada que fez... D. F. Antônio do Desterro Malheiro, Bispo do Rio de Janeiro... Composta pelo Doutor Antônio Rosado da Cunha...&lt;/b&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao saber dessa publicação, e de outras duas, Lisboa mandou fechar a tipografia, aprender os impressos e remeter tudo ao Reino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre 1808 e 2012 a indústria do livro, assim como outros setores comerciais, se desenvolveu bastante, assimilou a tecnologia e tornou o acesso à cultura mais fácil, ágil e democrático. Entre tropeços e pequenas vitórias, foi uma aventura e tanto! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-8441550994999632345?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/8441550994999632345/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/o-brasil-e-os-livros.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/8441550994999632345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/8441550994999632345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/o-brasil-e-os-livros.html' title='O BRASIL E OS LIVROS'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-aMC3PtCjZ1E/TxlfWxlHJXI/AAAAAAAACV4/7yRvfwH1eH8/s72-c/CAXSM240CAG9P4VVCAV8LK4GCABSXSV0CAUBHL8MCA7D4VQACA6RGFRZCAQVBE9NCAK1R9BCCAEUO55ACAHWZHVPCAK5SM6MCABKWCT9CA9Q1E97CA615W8HCAWL3B7BCAGKQSGPCACVGE39.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-6837776990324499743</id><published>2012-01-19T17:14:00.000-02:00</published><updated>2012-01-21T11:06:31.784-02:00</updated><title type='text'>SÍNDROME DE STENDHAL</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Qc2dioOgoek/TxhpkRfBfZI/AAAAAAAACVI/yif4oRut4TU/s1600/Stendhal.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="253" width="199" src="http://1.bp.blogspot.com/-Qc2dioOgoek/TxhpkRfBfZI/AAAAAAAACVI/yif4oRut4TU/s320/Stendhal.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Conta a lenda que Henri-Marie Beyle, alguns dias antes de completar 28 anos, em 1811, diante dos afrescos que estão na igreja de Santa Croce, em Florença, teve uma espécie de desfalecimento.  Segundo o seu relato no livro &lt;b&gt;Roma, Nápoles e Florença&lt;/b&gt;, publicado em 1817, ele atingiu &lt;i&gt;o grau supremo de sensibilidade em que as “sugestões divinas” da arte se mesclam com a sensualidade apaixonada da emoção&lt;/i&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intérpretes mais modernos desse episódio, utilizando-se das ferramentas teóricas fornecidas pela psicologia e pela psicanálise, dizem que (diante da beleza plástica das artes religiosas) o homem que alguns anos depois adotaria o pseudônimo de Stendhal, não conseguiu se conter e teve um orgasmo. E esse acontecimento atingiu tal força e potência que a perda da consciência foi resultado natural. Beyle, que naqueles tempos ainda não se chamava Stendhal, escreveu que &lt;i&gt;Quando saí de Santa Croce, fui tomado de palpitações... A fonte da vida secou dentro de mim e caminhei com medo de cair no chão.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-y4R5AbUCLTM/Txhp7RzZN0I/AAAAAAAACVU/9yT4IlZE8IA/s1600/Giotto%2B%25281%2529.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="224" width="225" src="http://1.bp.blogspot.com/-y4R5AbUCLTM/Txhp7RzZN0I/AAAAAAAACVU/9yT4IlZE8IA/s320/Giotto%2B%25281%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Se isso tem algum sentido, ou não, pouco importa, pois havendo divergência entre os acontecimentos e a lenda, a lenda ganha com vários corpos de vantagem. De qualquer forma, o futuro autor de dois dos mais importantes romances do século XIX, &lt;b&gt;O vermelho e o negro&lt;/b&gt; (publicado em 1830) e &lt;b&gt;A cartuxa de Parma&lt;/b&gt; (publicado em 1839), foi o primeiro caso da doença identificada em 1979 por um psiquiatra florentino. Segundo esse estudioso, as riquezas artísticas de Florença são responsáveis por mais de cem casos registrados de tonteiras e náuseas em locais onde estão expostas algumas das mais importantes obras-primas italianas. Diante dessa eventualidade, o guia &lt;b&gt;Firenze Spettacolo&lt;/b&gt; listou alguns lugares que devem ser evitados pelos burgueses semi-letrados que são sensíveis ao ponto de serem tragado pela vertigem causada pela arte que jamais conseguirão imitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-3KQpejPVP9Q/TxhqIMAj6qI/AAAAAAAACVg/16IrZiDU98w/s1600/Giotto%2B%25282%2529.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="193" width="262" src="http://2.bp.blogspot.com/-3KQpejPVP9Q/TxhqIMAj6qI/AAAAAAAACVg/16IrZiDU98w/s320/Giotto%2B%25282%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Os italianos são um caso raro na história humana. As pinturas, afrescos e esculturas criadas por Giotto, Michelangelo, Botticelli e Rafael, entre outros, são únicas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum outro país consegue rivalizar com “a bota” em termos de qualidade artística. A França produziu pensadores e vinhos maravilhosos; Bélgica tem excelente chocolate; Suíça ficou famosa por canivetes e esconder dinheiro roubado; Espanha nos legou histórias de bravura; Alemanha nos mostrou o poder militar, iniciado com Bismarck e Von Clausewitz, além disso, eles produzem as melhores “Würst” do mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-1wao0vBQnyw/Txhrayu7LoI/AAAAAAAACVs/nwn9RNmGSsg/s1600/Giotto%2B3.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="179" width="282" src="http://1.bp.blogspot.com/-1wao0vBQnyw/Txhrayu7LoI/AAAAAAAACVs/nwn9RNmGSsg/s320/Giotto%2B3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Mas, os italianos... Bem, os italianos, antes de tudo, sempre procuraram se divertir. Muitas vezes, isso é necessário admitir, à custa dos outros. Mas, deixando de lado a megalomania dos Césares e as loucuras protagonizadas por Mussolini e Berlusconi (em muitos momentos, faces da mesma moeda), quem é que consegue resistir a aquelas refeições imensas, a aquele vinho rascante de trattoria, a aquelas ragazzas que enlouquecem olhares e produzem erupções vulcânicas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Itália, cada igreja é um museu. Cada museu é um deslumbramento. Cada alumbramento, uma forma de conversar com Deus – se é que esse sujeito existe! Então, talvez o melhor a fazer seja as malas e ir desfalecer nos braços dessa mulher carinhosa (e possessiva) que se esparrama no Adriático e no Mediterrâneo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-6837776990324499743?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/6837776990324499743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/sindrome-de-stendhal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/6837776990324499743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/6837776990324499743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/sindrome-de-stendhal.html' title='SÍNDROME DE STENDHAL'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Qc2dioOgoek/TxhpkRfBfZI/AAAAAAAACVI/yif4oRut4TU/s72-c/Stendhal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-4702778965183066561</id><published>2012-01-18T09:43:00.000-02:00</published><updated>2012-01-18T15:20:49.854-02:00</updated><title type='text'>ROBERTO BOLAÑO</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-eFaQGMRIk8M/TxatSKpRjVI/AAAAAAAACUA/_JKxIkW_2AI/s1600/CA3UO0B8CASLFL3YCAGJ5QCPCAQEBXYCCAETZHRUCAA8X1T1CANJVG2LCAOFWEVPCALCX2YLCAOWQ2UVCA0031BVCA9J7IPPCAR60I1TCAT2VW5NCAE8AR0CCA0GQZHVCA3T5UZGCATVW18U.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="221" width="228" src="http://2.bp.blogspot.com/-eFaQGMRIk8M/TxatSKpRjVI/AAAAAAAACUA/_JKxIkW_2AI/s320/CA3UO0B8CASLFL3YCAGJ5QCPCAQEBXYCCAETZHRUCAA8X1T1CANJVG2LCAOFWEVPCALCX2YLCAOWQ2UVCA0031BVCA9J7IPPCAR60I1TCAT2VW5NCAE8AR0CCA0GQZHVCA3T5UZGCATVW18U.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Roberto Bolaño foi o último mártir a ser canonizado pela literatura mundial. Sua morte de insuficiência hepática, em 2003, aos 50 anos, no auge do potencial criativo, renovou o mito ideológico da pequena−burguesia de que a arte é um dos portais para a imortalidade. E pouco importa se a lenda impressa combina minimamente com os fatos ocorridos ou imaginados, porque um dos muitos objetivos da literatura é ser confundida com a vida que poderia ter sido e que não foi.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1968, aos 15 anos, a família de Bolaño se mudou do Chile para o México. Em 1973, Roberto resolveu voltar para casa, disposto a viver o sonho proposto pelo governo socialista de Salvador Allende (eleito em 1970). Por um desses caprichos da sorte (ou do azar) escolheu conhecer primeiro o continente. Segundo o que ele mesmo escreveu sobre essa tumultuada viagem de ônibus, foi uma espécie de &lt;i&gt;a viagem iniciática de todos os jovens pobres latino−americanos&lt;/i&gt;. Depois de inúmeras aventuras, chegou ao Chile na véspera do golpe militar promovido pelos asseclas de Augusto Pinochet. O inevitável aconteceu: foi preso. Como se fosse um dos capítulos de algum dos romances que Roberto escreveria vinte anos depois, o acaso surgiu outra vez: um dos guardas tinha sido seu colega de colégio. Foi com a ajuda desse amigo que conseguiu fugir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Uwnkfibk6N8/TxauJjJPPoI/AAAAAAAACUM/uodjTtnyjtk/s1600/CAEIY1CXCAMDHTB4CA13T93VCA1CGDGDCAN2IPATCAEK832MCA4EMEROCAFH2GKXCAJGJ405CA5KRZSSCAI949GPCAI25WB5CALRV91UCAA7EGAWCA9HRN1ZCAEMX0OTCAEZGLRUCAFQG0LO.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="274" width="184" src="http://2.bp.blogspot.com/-Uwnkfibk6N8/TxauJjJPPoI/AAAAAAAACUM/uodjTtnyjtk/s320/CAEIY1CXCAMDHTB4CA13T93VCA1CGDGDCAN2IPATCAEK832MCA4EMEROCAFH2GKXCAJGJ405CA5KRZSSCAI949GPCAI25WB5CALRV91UCAA7EGAWCA9HRN1ZCAEMX0OTCAEZGLRUCAFQG0LO.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Essa história mirabolante e pouco crível talvez tenha sido a gênese de um dos textos seminais da literatura de língua espanhola. As 622 páginas de &lt;b&gt;Los detectives salvajes&lt;/b&gt;, vencedor do premio Rómulo Gallegos de 1999, estão divididas em três partes assimétricas que glosam (e gozam de) diversos gêneros literários, incluindo nessa brincadeira quase borgeana, quase especulo inverso do jogo da amarelinha proposto por Cortázar, romances de formação, novelas epistolares, fragmentos de diários, narrativas de viagem e histórias policiais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;b&gt;Os detetives selvagens&lt;/b&gt;, conforme o diário de Juan Garcia Madero, parte da juventude literária mexicana dos anos 70 do século XX se reunia em torno de Arturo Belano e Ulises Lima, os criadores do realismo visceral. As cenas que constituem a espinha dorsal da segunda parte do enredo estão pontuadas por (cerca de 50) narradores múltiplos que, por vias transversas, muitas vezes em episódios que parecem estar desconectados com a história principal, contam a loucura que resultou na procura pela desaparecida poetisa Cesárea Tinajero na imensidão do desértico estado de Sonora, a nordeste do território mexicano. Na parte final, centrada em 1976, o diário de Madero estabelece o fecho para a peripécia protagonizada por Belano e Lima, embora deixe o leitor perplexo, a se perguntar se não precisa reler o texto, visto que, assim como alguns truques de prestidigitação, algum fio parece ter ficado solto, a reter o entendimento sobre o que aconteceu, como aconteceu e o porquê de toda essa ilusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-PLkqMS40t5U/TxauW5S3h7I/AAAAAAAACUY/57GrALnWkao/s1600/CAS9721JCAFG20ORCAJ3PHHOCARMRUIGCASDX9USCASE2VKHCA5LTFC9CASI4YFYCAKTVK81CAFC3MBJCAE6EPP7CASYYN1LCAV1WUPQCA6U09PCCAI55JTHCAQ0X1X1CA228PFMCA8TT8JS.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="275" width="183" src="http://3.bp.blogspot.com/-PLkqMS40t5U/TxauW5S3h7I/AAAAAAAACUY/57GrALnWkao/s320/CAS9721JCAFG20ORCAJ3PHHOCARMRUIGCASDX9USCASE2VKHCA5LTFC9CASI4YFYCAKTVK81CAFC3MBJCAE6EPP7CASYYN1LCAV1WUPQCA6U09PCCAI55JTHCAQ0X1X1CA228PFMCA8TT8JS.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Em outro romance, &lt;b&gt;Noturno no Chile&lt;/b&gt;, Bolaño também criou uma trama quase surrealista, onde o protagonista se envolve em uma situação constrangedora: sacerdote, poeta e crítico literário, ministra aulas de marxismo para a Junta Militar. Ao mesmo tempo, freqüenta saraus em uma casa que também é utilizada para torturar presos políticos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os fantasmas do autoritarismo se repetem diversas vezes, romance após romance, na obra de Bolaño, denunciando o avanço inexorável da barbárie, do fascismo militar e da negação dos direitos humanos mais elementares. O exemplo mais evidente se encontra em &lt;b&gt;La literatura nazi en América&lt;/b&gt;, em que conjuga o mito de Janus, o deus romano de duas faces: entre o torturador e o poeta, entre a vanguarda e o autoritarismo, a humanismo desaparece, soterrado pela ausência de razão.               &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Estrela distante&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Amuleto&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Putas Assassinas&lt;/b&gt; são alguns dos títulos que impedirão que o nome do escritor nascido em Santiago de Chile, em 1953, seja esquecido. Seu testamento literário, o inacabado &lt;b&gt;2666&lt;/b&gt;, foi planejado, por razões econômicas, para ser publicado em cinco volumes. Com uma estrutura híbrida (romance policial, ensaio filosófico e comédia), a narrativa esta centrada em uma história que em alguns momentos parece se aproximar de &lt;b&gt;Os detetives selvagens&lt;/b&gt;, em outros se afasta de qualquer modelo estrutural proposto anteriormente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-dfPbXcKuexg/TxawJ3iMrdI/AAAAAAAACU8/2UlBQTo9Iqo/s1600/CA1CM0ZMCA1754GYCAEA1BEXCAW411AECAJ9NZR3CA4OAJJOCAIB1WAKCAA5X6PYCAOLZ7WQCA5RQM6VCAVMK6KUCAIAFOGBCACP9CO5CA8D0IXLCAAFUXJOCAGF72MOCAYX72SWCA6O76KN.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="269" width="187" src="http://4.bp.blogspot.com/-dfPbXcKuexg/TxawJ3iMrdI/AAAAAAAACU8/2UlBQTo9Iqo/s320/CA1CM0ZMCA1754GYCAEA1BEXCAW411AECAJ9NZR3CA4OAJJOCAIB1WAKCAA5X6PYCAOLZ7WQCA5RQM6VCAVMK6KUCAIAFOGBCACP9CO5CA8D0IXLCAAFUXJOCAGF72MOCAYX72SWCA6O76KN.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Bolaño foi (ainda o é) um ícone dos escritores de língua espanhola. Tanto que alguns amigos o transformaram em personagem em, pelo menos, dois romances: &lt;b&gt;Mantra&lt;/b&gt;, escrito pelo argentino Rodrigo Fresan (outro malabarista da carpintaria narrativa) e &lt;b&gt;Soldados de Salamina&lt;/b&gt;, escrito pelo espanhol Javier Cercas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em alguns momentos, os dias difíceis de um escritor que somente começou a publicar quando tinha 40 anos, Roberto Bolaño precisou engolir o orgulho. Com esposa e filho pequeno para sustentar, morando em Espanha, qualquer emprego era agarrado com as duas mãos, tábua de salvação para quem ainda alimentava a esperança de não morrer de fome. Em um desses momentos foi vigia noturno de camping (episódio recriado no romance "Pista de gelo").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Javier Cercas,que foi seu amigo, &lt;i&gt;a coragem e honestidade invioláveis com que Bolaño assumiu sua vocação de escritor e o fato incontornável de que ele é, até onde sei e ao menos até que alguém se apresse a provar o contrário, o escritor latino−americano mais imprescindível de sua geração.&lt;/i&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-eshvnpvtYNo/Txavscp-ZSI/AAAAAAAACUw/wR6x7N9yEfc/s1600/CAUDH41RCATRXBLNCAXEB15OCAJU1DISCA54833MCA2W9T56CAUL4MSCCA7C1TV6CAO8W9BKCA4NUQFECAELH4Y6CAV1T758CAJ3N7DWCAS3TNEGCAMJNF80CAYBQ6RRCAXZPTRACAPM5AL3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="279" width="181" src="http://4.bp.blogspot.com/-eshvnpvtYNo/Txavscp-ZSI/AAAAAAAACUw/wR6x7N9yEfc/s320/CAUDH41RCATRXBLNCAXEB15OCAJU1DISCA54833MCA2W9T56CAUL4MSCCA7C1TV6CAO8W9BKCA4NUQFECAELH4Y6CAV1T758CAJ3N7DWCAS3TNEGCAMJNF80CAYBQ6RRCAXZPTRACAPM5AL3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-4702778965183066561?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/4702778965183066561/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/roberto-bolano.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/4702778965183066561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/4702778965183066561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/roberto-bolano.html' title='ROBERTO BOLAÑO'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-eFaQGMRIk8M/TxatSKpRjVI/AAAAAAAACUA/_JKxIkW_2AI/s72-c/CA3UO0B8CASLFL3YCAGJ5QCPCAQEBXYCCAETZHRUCAA8X1T1CANJVG2LCAOFWEVPCALCX2YLCAOWQ2UVCA0031BVCA9J7IPPCAR60I1TCAT2VW5NCAE8AR0CCA0GQZHVCA3T5UZGCATVW18U.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-6932248384007027771</id><published>2012-01-17T10:16:00.001-02:00</published><updated>2012-01-17T10:25:57.517-02:00</updated><title type='text'>VINTE E CINCO CITAÇÕES LITERÁRIAS</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-8LzMGU9LEBE/TxVkUwy4bjI/AAAAAAAACS4/tJMiXnrFCNk/s1600/3.bmp" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="250" width="202" src="http://3.bp.blogspot.com/-8LzMGU9LEBE/TxVkUwy4bjI/AAAAAAAACS4/tJMiXnrFCNk/s320/3.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Há sempre algo de ofensivo nos detalhes da astúcia. (&lt;b&gt;AUSTEN, Jane&lt;/b&gt;: Persuasão)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem três coisas que os homens podem fazer com as mulheres: amá-las, sofrer por elas, ou torná-las literatura. (&lt;b&gt;STILLS, Stephen&lt;/b&gt;) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever foi a tábua à qual me agarrei para não ser considerado um idiota. (&lt;b&gt;CONY, Carlos Heitor&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casar deve ser para sempre. É uma pena, porque neste mundo de hoje, em que tudo tem que ser reaprendido a cada cinco anos, faz tempo que o sempre acabou. (&lt;b&gt;MONTEIRO, Reinaldo&lt;/b&gt;: As Afinidades)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Literatura, a volúpia de mentir por escrito. (&lt;b&gt;MORAES, Reinaldo&lt;/b&gt;: Tanto faz)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi capaz de vencer o habito de uma vida inteira de pacificar as mulheres com surpresas embrulhadas em papel colorido. (&lt;b&gt;McEWAN, Ian&lt;/b&gt;: Solar)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Academia Brasileira de Letras se compõe de 39 membros e um morto rotativo. (&lt;b&gt;FERNANDES, Millor&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora eu não me importe de ser considerado inteligente, confesso que compreendo a grande desgraça de ser identificado como intelectual. (&lt;b&gt;BELLOW, Saul&lt;/b&gt;: Trocando os pés pelas mãos e outras histórias)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo já foi dito uma vez, mas como ninguém escuta é preciso dizer de novo. (&lt;b&gt;GIDE&lt;/b&gt;, André)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-79Ht6MiQX0k/TxVnRTt-RQI/AAAAAAAACT0/K_Yz3s9AU2U/s1600/7.bmp" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="254" width="198" src="http://3.bp.blogspot.com/-79Ht6MiQX0k/TxVnRTt-RQI/AAAAAAAACT0/K_Yz3s9AU2U/s320/7.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Filosofar não é outra coisa senão preparar−e para a morte (&lt;b&gt;CICERO&lt;/b&gt;, citado por &lt;b&gt;MONTAIGNE, Michel de&lt;/b&gt;: Ensaios)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela lambeu o mamilo dele com os meneios simples e firmes de um gato que se limpa. (&lt;b&gt;FRANZEN, Jonathan&lt;/b&gt;: Liberdade)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe, afinal de contas, certa felicidade na infelicidade, se ela for uma infelicidade do tipo certo. (&lt;b&gt;FRANZEN, Jonathan&lt;/b&gt;: Liberdade)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentiu também um forte cheiro de água−de−colônia, ou de perfume, talvez de madressilva, que o excitou muito, disse−me, já que uma das suas fraquezas eram esses aromas refinados das mulheres, "que as envolvem", acrescentou, já emocionado, "e ao cheirar o ar perto delas parece que você está cheirando−lhes a pele debaixo da roupa". (&lt;b&gt;MOLINA, Antonio Muñoz&lt;/b&gt;: Carlota Fainberg)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Costumo pensar nesta casa como um barco. Um velho navio a vapor cortando a custo a lama pesada de um rio. A floresta imensa. A noite em volta. – Felix disse isso e baixou a voz. Apontou num gesto vago os vagos livros: − Está cheio de vozes, o meu barco. (&lt;b&gt;AGUALUSA, José Eduardo&lt;/b&gt;: O vendedor de passados) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos que pretendem empreender essa viagem, o autor pede que levem consigo, para o caso de se perderem, três distinções básicas: ciúmes é querer manter o que se tem; cobiça é querer o que não se tem; inveja é não querer que o outro tenha. (&lt;b&gt;VENTURA, Zuenir&lt;/b&gt;: Mal secreto).      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-7P0xJ-P3x5w/TxVldXJruiI/AAAAAAAACTQ/UeHMp1coU9c/s1600/CABPX704CAP8DJZECAXJWAQLCA3EWOJ3CAHSFGKHCA2BV2QACAFSIWEXCA3LMQ1PCA5QOTPMCA33A30ECANNZ881CA9Z0CACCA6B7JNSCAKP6BS7CA1FPEYNCATWRPZTCAEL5D39CAMQNNQ6.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="253" width="199" src="http://4.bp.blogspot.com/-7P0xJ-P3x5w/TxVldXJruiI/AAAAAAAACTQ/UeHMp1coU9c/s320/CABPX704CAP8DJZECAXJWAQLCA3EWOJ3CAHSFGKHCA2BV2QACAFSIWEXCA3LMQ1PCA5QOTPMCA33A30ECANNZ881CA9Z0CACCA6B7JNSCAKP6BS7CA1FPEYNCATWRPZTCAEL5D39CAMQNNQ6.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Todas as famílias felizes são parecidas entre si. As infelizes são infelizes cada uma a sua maneira. (&lt;b&gt;TOLSTOI, Leon&lt;/b&gt;: Ana Karenina)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as famílias felizes são mais ou menos diferentes; todas as famílias infelizes são mais ou menos semelhantes. (&lt;b&gt;NABOKOV, Vladimir&lt;/b&gt;: Ada ou Ardor)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo precisa ser arrumado. Ponho as mesmas coisas juntas, separando o parecido do diferente. É o que fiz a vida inteira. As pessoas misturam tudo. Jogam tudo fora no mesmo lugar. É assim que produzem lixo. Lixo é a confusão que fazemos ao jogar as coisas fora. (&lt;b&gt;BERGER, John&lt;/b&gt;: O dia do casamento)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria das pessoas não dá atenção aos detalhes – disse Samuel. – Mas são os detalhes que me espantam. (&lt;b&gt;STEINBECK, John&lt;/b&gt;: Vidas Amargas [A leste do Eden])&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez fosse melhor medir as distâncias de outra maneira. Não por espaço e tempo, como se faz agora. Mas pelo que se aprende no caminho. (&lt;b&gt;CARRASCOZA, João Anzanello&lt;/b&gt;: Caçador de vidro)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-hoDbQQJMJfM/TxVl3Yn4inI/AAAAAAAACTc/qJ2AR7JceCE/s1600/CASF6ERACAWWBTFBCA19GWP1CAN2U23XCAIQTWWVCABD3ZCMCA2SFWHNCADVYC1PCA7SY31XCADMU6YICAPVS3LICA11DS7BCAF9FTU2CAPLVVLACAJ12YZFCAIKU4UPCAAHETATCAXHUKY4.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="197" width="256" src="http://1.bp.blogspot.com/-hoDbQQJMJfM/TxVl3Yn4inI/AAAAAAAACTc/qJ2AR7JceCE/s320/CASF6ERACAWWBTFBCA19GWP1CAN2U23XCAIQTWWVCABD3ZCMCA2SFWHNCADVYC1PCA7SY31XCADMU6YICAPVS3LICA11DS7BCAF9FTU2CAPLVVLACAJ12YZFCAIKU4UPCAAHETATCAXHUKY4.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Brigas de família são coisas amargas. Não seguem nenhuma regra. Não são como dores ou feridas; são mais como farpas na pele, que custam a sarar porque não há substância suficiente. (&lt;b&gt;FITZGERALD, Francis Scott&lt;/b&gt;: Babilônia revisitada)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca estamos infinitamente longe daqueles que odiamos. Pela mesma razão, portanto, poderíamos crer que nunca estaremos absolutamente perto daqueles que amamos. Quando embarquei já conhecia esse principio atroz. Mas há verdades que merecem a nossa atenção, e há outras com as quais não nos é conveniente dialogar. (&lt;b&gt;PIÑOL, Albert Sánchez&lt;/b&gt;: A pele fria).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fevereiro chegava, e eu continuava minha carreira de imbecil olímpica que, temo, se iniciou desde meu nascimento, mas que só agora obtinha seu mais que merecido reconhecimento público. (&lt;b&gt;VIGNA, Elvira&lt;/b&gt;: Nada a dizer)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Ne39otblwhs/TxVmTkJ1ytI/AAAAAAAACTo/wI7aCO-EEu4/s1600/CA16ORLGCA57F9DMCACA6WHGCAH1C44WCARFHNQ6CA0JSFW0CAH3NLBPCAGIBLDWCA3N43RKCACJ3UN7CAJL0DSOCAX461K3CAQX2KBICA9MZ88QCA9WRLI1CA7V975FCAQYNQSNCAKXJLBL.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="172" width="230" src="http://3.bp.blogspot.com/-Ne39otblwhs/TxVmTkJ1ytI/AAAAAAAACTo/wI7aCO-EEu4/s320/CA16ORLGCA57F9DMCACA6WHGCAH1C44WCARFHNQ6CA0JSFW0CAH3NLBPCAGIBLDWCA3N43RKCACJ3UN7CAJL0DSOCAX461K3CAQX2KBICA9MZ88QCA9WRLI1CA7V975FCAQYNQSNCAKXJLBL.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A inveja não pode se dar entre pessoas que mal se conhecem. Não se invejam pessoas de outras terras nem de outras épocas. Não se invejam os forasteiros, e sim os da mesma aldeia; não os de mais idade, os de outra geração, e sim os contemporâneos, os camaradas. E a maior inveja se da entre irmãos. Não é à toa que existe a lenda de Caim e Abel... (&lt;b&gt;UNAMUNO, Miguel de&lt;/b&gt;: Abel Sanchez)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí, o professor Plumb e a senhora Chase empurraram o resto do bolo para o lado, deixaram os restos da refeição espalhados na mesa como dois amantes abandonando uma cama desfeita em um motel barato, e partiram para a porta da galeria. (&lt;b&gt;COE, Jonathan&lt;/b&gt;: Bem−vindo ao clube) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-6932248384007027771?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/6932248384007027771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/vinte-e-cinco-citacoes-literarias.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/6932248384007027771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/6932248384007027771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/vinte-e-cinco-citacoes-literarias.html' title='VINTE E CINCO CITAÇÕES LITERÁRIAS'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-8LzMGU9LEBE/TxVkUwy4bjI/AAAAAAAACS4/tJMiXnrFCNk/s72-c/3.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-8062753044398099331</id><published>2012-01-16T10:35:00.000-02:00</published><updated>2012-01-16T10:47:36.800-02:00</updated><title type='text'>SHERLOCK HOLMES</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-1_zEZCzy2B4/TxQWqShZYdI/AAAAAAAACRU/FDGHqeWhKdE/s1600/CAGZTTVTCAVJSJDJCAV8JQQSCA8DVWXRCA0G15R8CAD9U42JCASFSH93CAZAQ1IZCAP8TCLHCAXUGGOUCAQ5IK7JCA2FWZP4CAYRA6WGCATURK6HCA07M5U0CAVHVNGTCAP1LNF2CA2W1RHY.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="188" width="268" src="http://1.bp.blogspot.com/-1_zEZCzy2B4/TxQWqShZYdI/AAAAAAAACRU/FDGHqeWhKdE/s320/CAGZTTVTCAVJSJDJCAV8JQQSCA8DVWXRCA0G15R8CAD9U42JCASFSH93CAZAQ1IZCAP8TCLHCAXUGGOUCAQ5IK7JCA2FWZP4CAYRA6WGCATURK6HCA07M5U0CAVHVNGTCAP1LNF2CA2W1RHY.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Hollywood nunca deu folga para aqueles que imaginam haver vida inteligente fora dos padrões capitalistas. Não bastasse a desculpa de que cinema e literatura utilizam−se de linguagens diferentes − muitas vezes conflitantes −, a vontade mórbida de ganhar dinheiro com as ruínas produzidas pelo desrespeito com a história cultural também ajuda a ampliar esse proceder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob a discutível alegação de que o cinema consegue captar as características mais importantes de algumas narrativas em que a ação supera a descrição, uma tendência relativamente freqüente nos últimos 30 anos é a adaptação cinematográfica de determinados clássicos literários. Algumas histórias−em−quadrinhos também foram atingidas por esse flagelo. Batman, Super−homem, Hércules, Tarzan, James Bond e dezenas de outros heróis e super−heróis foram transpostos para projeção em tela grande. Sem se importar que parte significativa do imaginário ficcional fosse jogada na lata de lixo (e sem direito à reciclagem), os produtores de filmes elaboraram um catálogo de cenas e maneirismos que devem ser repetidos constantemente para que as bilheterias batam recordes de arrecadação. Final feliz e brigas coreográficas são dois ingredientes indispensáveis.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-OLm_4ARHx_o/TxQZghErjzI/AAAAAAAACSs/IKPz4xluePE/s1600/Doc.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="278" width="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-OLm_4ARHx_o/TxQZghErjzI/AAAAAAAACSs/IKPz4xluePE/s320/Doc.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A última vítima (conhecida) da ganância insana que rege a superficialidade do cinema comercial foi um dos grandes detetives literários, Sherlock Homes. Vários filmes com esse personagem foram feitos em diversas épocas da história do cinema – alguns passáveis, nenhum que merecesse consideração. Acreditando que o desastre não estava completo, Hollywood apostou, recentemente, nos atores Robert Downey Jr e Jude Law para recriar os personagens criados por Sir Arthur Conan Doyle. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-OY_h2l34sCY/TxQYXGG8_NI/AAAAAAAACR4/LflYyLA2D2k/s1600/untitled.bmp" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="270" width="186" src="http://3.bp.blogspot.com/-OY_h2l34sCY/TxQYXGG8_NI/AAAAAAAACR4/LflYyLA2D2k/s320/untitled.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Evocar, com alguma imprecisão, diversos detalhes de &lt;b&gt;Um estudo em vermelho&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;O cão dos Baskervilles&lt;/b&gt;, que li na adolescência, causa prazer. Em contrapartida, nada é possível recordar do primeiro &lt;b&gt;Sherlock Homes &lt;/b&gt;(Dir. Guy Richie, 2009), que vi a somente dois anos. Será que a memória criou algum tipo de bloqueio contra algo que considerou despropositado? Provavelmente. Na versão literária, o morador de 221B Baker Street é um homem sedentário, usuário de cocaína (algumas vezes, morfina), dono de uma inteligência inigualável − capaz de associar o invisível e o improvável em segundos. Muitas vezes se mostra capaz de resolver os enigmas sem sair do apartamento em que mora. Quem estabelece a conexão entre esse ser quase vegetativo e o mundo urbano, pré−industrial, governado pela rainha Vitória, é o seu biógrafo, médico e amigo, John H. Holmes, que, contra todas as regras do bom senso, além de suportar as idiossincrasias de Holmes, as incentiva. Em síntese: Sherlock é o protótipo do detetive cerebral, capaz de fornecer explicações para mistérios pouco ortodoxos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-XA6xEvld3D8/TxQY5Qy-erI/AAAAAAAACSQ/09EVKM7vO8k/s1600/2.bmp" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="284" width="177" src="http://2.bp.blogspot.com/-XA6xEvld3D8/TxQY5Qy-erI/AAAAAAAACSQ/09EVKM7vO8k/s320/2.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;No mundo iletrado do cinema de ação, Sherlock Holmes se transformou em Bruce Lee. Impossível não pensar nessa possibilidade ao assistir &lt;b&gt;Sherlock Homes 2 – O jogo das sombras&lt;/b&gt; (Dir. Guy Richie, 2011). A pancadaria começa na primeira cena e parece nunca mais terminar. Embora o Sherlock literário se apresente como um aficionado do boxe, além de dominar a esgrima e arte de usar da bengala como arma de defesa e ataque, raramente se mete em complicações físicas. Pacifista, abomina quem utiliza pistolas, espingardas e canhões. O cérebro é a sua grande arma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O enredo de &lt;b&gt;Sherlock Holmes 2 - O jogo das sombras &lt;/b&gt; apresenta tanto non-sense que somente aqueles que ignoram (ou desprezam) a literatura conseguem se divertir. O combate entre Sherlock e Moriarty fica diluído por explosões, lutas corporais com cossacos, ciganos anarquistas, efeitos especiais e uma tonelada de bobagens. O prazer estético e intelectual é substituído pela descarga continua e ininterrupta de adrenalina. Com exceção de algumas ridículas sutilezas humorísticas e da divertida participação de Stephen Fry (interpretando Mycroft, o irmão mais velho de Sherlock), todos os demais ingredientes do filme provavelmente teriam ofendido mortalmente Sir Arthur Conan Doyle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sherlock do cinema é a antítese do Sherlock literário. Como isso se tornou possível? Quando a arte se transforma em um produto comercial, quando perde a identidade ou ganha uma nova (oposta à origem), o capitalismo triunfa. E a barbárie se estabelece – como se fosse dona de nossos corações e mentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Ul2DGGK0WuY/TxQZM0dOSLI/AAAAAAAACSg/XGLY0oibb0E/s1600/ZZ5B10A735.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="189" width="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-Ul2DGGK0WuY/TxQZM0dOSLI/AAAAAAAACSg/XGLY0oibb0E/s320/ZZ5B10A735.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-8062753044398099331?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/8062753044398099331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/sherlock-holmes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/8062753044398099331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/8062753044398099331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/sherlock-holmes.html' title='SHERLOCK HOLMES'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-1_zEZCzy2B4/TxQWqShZYdI/AAAAAAAACRU/FDGHqeWhKdE/s72-c/CAGZTTVTCAVJSJDJCAV8JQQSCA8DVWXRCA0G15R8CAD9U42JCASFSH93CAZAQ1IZCAP8TCLHCAXUGGOUCAQ5IK7JCA2FWZP4CAYRA6WGCATURK6HCA07M5U0CAVHVNGTCAP1LNF2CA2W1RHY.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-212627483392600647</id><published>2012-01-13T10:49:00.000-02:00</published><updated>2012-01-13T10:50:33.895-02:00</updated><title type='text'>UMA HISTÓRIA ANTIGA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-t8-rjWMuJhI/TxAmPa6R93I/AAAAAAAACQk/Dt3BCyIuuRA/s1600/5555555.bmp" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="195" width="259" src="http://1.bp.blogspot.com/-t8-rjWMuJhI/TxAmPa6R93I/AAAAAAAACQk/Dt3BCyIuuRA/s320/5555555.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Dizem que o sucedido se assucedeu lá pelas bandas da Coxilha Rica. Certeza ninguém tem não, até porque quem contou o episódio, várias vezes, foi Antonio Luís, que sempre está bêbado lá no Bar da Felicidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois o fato é que Ignácio, dono de imensa sesmaria, era o melhor amigo de Eleutério, outro latifundiário. Não havia carreirada, festa de igreja ou noitadas no night club &lt;i&gt;Assunción&lt;/i&gt; em que um estivesse longe do outro. Eram unha e carne. Mais do que irmãos, compartilhavam de inúmeras afinidades comuns. Até que...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia brigaram. Coisa pequena. Parece que uma vaca derrubou uma cerca e invadiu a propriedade do outro. Um empregado, sem perceber a extensão do gesto, prendeu a rês em um galpão. Tudo aconteceu em um dia ruim. Na manhã seguinte, Eleutério acusou Ignácio de roubo. Discutiram. Depois disso não mais foi possível acerto. Quase houve violência física. O ódio tomou conta dos dois. Um mudava de calçada quando o outro. Ostensivamente, forjaram boatos para se denegrirem mutuamente. Passaram a promover discórdias e inimizades. Onde o Ignácio estava o Eleutério não entrava. Aliás, Eleutério só fazia negócios com exclusividade – quem comprava ou vendia alguma coisa para Ignácio podia se preparar para, como ele fazia questão de dizer em voz alta, &lt;i&gt;morrer de fome&lt;/i&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-XRJIRJVDZIs/TxAmw2D3MCI/AAAAAAAACQw/px7uP1pDYdY/s1600/CAKPLOBICAJM52F3CA0SLGAVCACPJUPYCA8HUICZCATAOYOKCAVBY2J0CAVKGRYPCAOH1VD6CA4093T7CAKF8GJGCA5R0XZHCA58EA8WCA46RBM7CA0UEIYMCAH6JITPCALVL896CAF4XZ99.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="194" width="259" src="http://1.bp.blogspot.com/-XRJIRJVDZIs/TxAmw2D3MCI/AAAAAAAACQw/px7uP1pDYdY/s320/CAKPLOBICAJM52F3CA0SLGAVCACPJUPYCA8HUICZCATAOYOKCAVBY2J0CAVKGRYPCAOH1VD6CA4093T7CAKF8GJGCA5R0XZHCA58EA8WCA46RBM7CA0UEIYMCAH6JITPCALVL896CAF4XZ99.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Na festa de São Sebastião, um foi pela manhã, o outro pela tarde. O padre teve a maior dificuldade para administrar a crise. E as "prendas"... No início, nenhum dos dois queria saber do assunto. O padre, à bem de São Sebastião, conversou com os dois. Poucos sabem o que foi tratado nessas conversas, o fato é que os ex−amigos entraram em uma competição brutal para provar quem era o maior devoto. O sucesso da festa foi garantido por uma briga insana, dizia o padre, enquanto enxugava o suor da testa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia aconteceu algo que mudou tudo. Eleutério teve um enfarte e foi levado as pressas para a capital. Ignácio, tão logo soube do fato, começou a falar do adversário e disse, entre trezentos palavrões, que o diabo era capaz de se regenerar, já que o inferno era muito pequeno para ser dividido com &lt;i&gt;aquele fio−duma−égua&lt;/i&gt;. E, por conta da doença, pagou várias rodadas de cachaça para os freqüentadores da bodega do Chico Cascavel. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-7W7O0Vjow1g/TxAnv0bwZFI/AAAAAAAACQ8/F4YSih_33D0/s1600/CAHJ9KM0CAOIP6D1CA6MUN7TCAXSLJ2QCAHGE91SCAH88USWCAO3C9ASCAUCXYIDCAZEHDKSCADKBT3ZCAG6YP0BCAGUJQ00CATSRKZ8CAW7PUADCAZW6C2WCAVOGDAOCA0K4L15CAZIYKKB.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="206" width="245" src="http://2.bp.blogspot.com/-7W7O0Vjow1g/TxAnv0bwZFI/AAAAAAAACQ8/F4YSih_33D0/s320/CAHJ9KM0CAOIP6D1CA6MUN7TCAXSLJ2QCAHGE91SCAH88USWCAO3C9ASCAUCXYIDCAZEHDKSCADKBT3ZCAG6YP0BCAGUJQ00CATSRKZ8CAW7PUADCAZW6C2WCAVOGDAOCA0K4L15CAZIYKKB.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Quando Eleutério morreu, Ignácio não teve dúvidas: mandou estourar duas caixas de foguetes Caramuru, especialmente encomendados para a ocasião. Para quem quisesse ouvir, quase gritava: &lt;i&gt;Já vai tarde, lazarento!&lt;/i&gt;. Para coroar a demonstração de rancor, compareceu ao enterro. Foi se certificar se era verdade que o desafeto iria comer capim pela raiz. Cumprimentou a viúva e foi olhar o cadáver. Ao redor, parentes e vizinhos fizeram silencio, digamos, sepulcral. O rosto tranqüilo do morto só aumentou a raiva de Ignácio, que não conseguiu se controlar e, como se quisesse expulsar o ódio que estava corroendo as suas entranhas, cuspiu no morto. Depois, foi embora, o som de suas botas ecoando naquele fim de tarde, como se fosse o anúncio de novas tragédias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-oVQnZ6cHD_U/TxAoGG9iqMI/AAAAAAAACRI/s_0tpsDPJVU/s1600/CAH0YPKKCA26KZWZCAVAXOZCCA9IVGLUCAENBBXZCAUH6XMYCAX9JSB2CATRZ2ODCACKS7RICA2KJ3DCCAH6JT4DCAJJ033SCAKOBGLWCAIOYHCUCAVRWCN2CAPFT8KYCA9X7IP8CACU7VJE.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="251" width="200" src="http://1.bp.blogspot.com/-oVQnZ6cHD_U/TxAoGG9iqMI/AAAAAAAACRI/s_0tpsDPJVU/s320/CAH0YPKKCA26KZWZCAVAXOZCCA9IVGLUCAENBBXZCAUH6XMYCAX9JSB2CATRZ2ODCACKS7RICA2KJ3DCCAH6JT4DCAJJ033SCAKOBGLWCAIOYHCUCAVRWCN2CAPFT8KYCA9X7IP8CACU7VJE.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Nos meses seguintes, os dias foram arrancados da folhinha do Sagrado Coração de Jesus. Ignácio se sentia mais leve e, paradoxalmente, mais sozinho. Não era raro vê−lo assoviando músicas de baile. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de um ano, Ignácio mudou. Uma transformação repentina. Se tornou um homem triste. Melancólico. Reclamava de qualquer coisa. Daquela onipotência aristocrática só restaram vestígios esparsos. Magro, parecia estar à espera da morte. Só adquiria vigor quando montava no cavalo e, na companhia da matilha de cães de caça, se dirigia ao cemitério. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto a cachorrada latia sem parar, Ignácio fazia o cavalo pisar no túmulo do inimigo. Depois, voltava para casa, os olhos anuviados de lágrimas.               &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-212627483392600647?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/212627483392600647/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/uma-historia-antiga.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/212627483392600647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/212627483392600647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/uma-historia-antiga.html' title='UMA HISTÓRIA ANTIGA'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-t8-rjWMuJhI/TxAmPa6R93I/AAAAAAAACQk/Dt3BCyIuuRA/s72-c/5555555.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-7459479016435465741</id><published>2012-01-12T11:44:00.001-02:00</published><updated>2012-01-12T15:58:55.623-02:00</updated><title type='text'>GRANTA</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-5-1DufuQkBE/Tw7htBRf_3I/AAAAAAAACPo/Lxvf97PPiQ8/s1600/CAIAP80ZCAO1F68BCA4K83TUCASOPRBRCAZIT2EQCA6GCP15CAS3YTSPCAULV0BDCA3K113JCAV0O4SDCAY2BVB5CA27075WCA81EDTCCA0NB4YECAKG7TVLCAUE50S5CAWXEI9FCAOXOL1C.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="73" width="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-5-1DufuQkBE/Tw7htBRf_3I/AAAAAAAACPo/Lxvf97PPiQ8/s320/CAIAP80ZCAO1F68BCA4K83TUCASOPRBRCAZIT2EQCA6GCP15CAS3YTSPCAULV0BDCA3K113JCAV0O4SDCAY2BVB5CA27075WCA81EDTCCA0NB4YECAKG7TVLCAUE50S5CAWXEI9FCAOXOL1C.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A história das publicações literárias brasileiras não repousa no mar da tranqüilidade. Ao contrário. Tempestades e naufrágios é que não faltam. Piratas também são freqüentes. Enfim, por diferentes motivos e situações, saques, estupros e contrabandos acompanham o alegre valsar do empreendedorismo cultural. Conseqüentemente, a vida movimentada de revistas e jornais tem como espelho o comportamento romântico: oscilar entre a efemeridade e a enfermidade galopante. Completa a paisagem a falência econômica. Em síntese: em algumas ocasiões a resistência é um pouco mais consistente, em outras menos. Todas terminando na vala comum do esquecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-IAgCM_NZnck/Tw7h7TbbVfI/AAAAAAAACP0/CNp7yY_oO4s/s1600/CAGIIK1VCAKAGVOJCA33PZRTCA5THAO4CAEKGIC1CABROZBUCAEAKRMWCAZGV48KCAC1R53PCAGKH5SMCAW161XNCA3MUOE1CA43AO4ZCA359MN8CAH8DPV2CAS0SUTUCAW5KXXFCA8P06MY.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="225" width="225" src="http://1.bp.blogspot.com/-IAgCM_NZnck/Tw7h7TbbVfI/AAAAAAAACP0/CNp7yY_oO4s/s320/CAGIIK1VCAKAGVOJCA33PZRTCA5THAO4CAEKGIC1CABROZBUCAEAKRMWCAZGV48KCAC1R53PCAGKH5SMCAW161XNCA3MUOE1CA43AO4ZCA359MN8CAH8DPV2CAS0SUTUCAW5KXXFCA8P06MY.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Tendo esse histórico como referência, o mundo literário nacional recebeu − com surpresa, quatro anos atrás − a notícia de que uma das mais importantes revistas literárias do mundo, a inglesa &lt;b&gt;Granta&lt;/b&gt;, teria uma edição brasileira. Periodicidade semestral. Seguindo o pessimismo habitual, muitos leitores apostaram que não duraria cinco números. Erraram feio. Acaba de ser publicado o número oito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revista em forma de livro, preferida de dez entre dez escritores, raramente os funcionários das livrarias a conhecem. Mesmo em empresas mais qualificadas como a Saraiva ou a Curitiba, sem insistência não é possível conseguir um exemplar. E isso só ocorre depois de longa e muitas vezes cansativa busca no "sistema", também conhecido como o deus que protege os incompetentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Zt9uPKa2v5Y/Tw7iQOebI4I/AAAAAAAACQA/gwrg7ZUOTQ8/s1600/granta%2B3.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="271" width="186" src="http://4.bp.blogspot.com/-Zt9uPKa2v5Y/Tw7iQOebI4I/AAAAAAAACQA/gwrg7ZUOTQ8/s320/granta%2B3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Uma das muitas qualidades de &lt;b&gt;Granta&lt;/b&gt; é que todos os seus números são temáticos. Ambição, família, longe daqui e sexo foram alguns dos assuntos abordados. Também foram publicadas três antologias: melhores jovens escritores norte−americanos, melhores jovens escritores em espanhol e uma seleção de textos do William Boyd. Reunindo ficção (contos, trechos de romances, poesia), jornalismo literário, fotografia e memória de escritores consagrados ou pouco conhecidos, a revista quer mostrar algumas coisas básicas sobre o tema escolhido. Não há intenção de esgotar o assunto. Isso, além de pretensioso, seria impossível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro ponto a favor da revista é a inclusão de alguns brasileiros. Foram publicados textos de Bernardo Carvalho, Ricardo Lísias, Sergio Sant’Anna, Luis Fernando Veríssimo, Ronaldo Correia de Brito, Reinaldo Moraes e Antonio Cicero, entre outros.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-eQVecVvQuSQ/Tw7ipup7dQI/AAAAAAAACQM/H7lAWxc83b0/s1600/CA8M3WQQCAKMYGXECASC1OK5CA32W32LCA2H9U8HCAS2K8VTCAKYR62WCAN66KATCAO4PZG2CABI8WZXCAEUCU9FCAET46ACCA7P0BRKCAGHME95CAGIIOAICA0SROFBCABESWWMCA98E004.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="225" width="225" src="http://2.bp.blogspot.com/-eQVecVvQuSQ/Tw7ipup7dQI/AAAAAAAACQM/H7lAWxc83b0/s320/CA8M3WQQCAKMYGXECASC1OK5CA32W32LCA2H9U8HCAS2K8VTCAKYR62WCAN66KATCAO4PZG2CABI8WZXCAEUCU9FCAET46ACCA7P0BRKCAGHME95CAGIIOAICA0SROFBCABESWWMCA98E004.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O número mais recente (oito) está concentrado nas relações de trabalho. É a edição com maior número de contribuições brasileiras: seis. Cinco textos e as fotografias de Walter Carvalho. Desses, um ilustre desconhecido, bruno bandido, assim em minúsculas, é talvez o autor que mais surpreenda. Não pela abordagem, &lt;b&gt;A arte de apagar cigarro com cuspe&lt;/b&gt; nada acrescenta ao velho conflito entre o fim da adolescência e as agruras do mundo adulto, mas pelo estilo narrativo sem arestas, sólido como o de um escritor veterano (desmentido ao final do volume: bruno nasceu em 1990). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro texto acima da média, &lt;b&gt;Se Deus existisse, seria um meia de primeira&lt;/b&gt;, do bósnio Alexandar Hemon, poderia ter sido escrito por algum brasileiro. Poderia. Mas nunca o será. Nossa relação com as futilidades da vida é de outra ordem e o olhar que o fanatismo esportivo lança sobre o futebol é tão sagrado que jamais será possível alcançar um tom que una humor e inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro conto digno de nota é &lt;b&gt;Dejeuner sur l’Herbe&lt;/b&gt;, de Mario Sabino. Com conhecimento de causa (Sabino é editor em &lt;b&gt;Veja&lt;/b&gt;), o autor detona com o comportamento profissional de seus colegas de profissão. Quem trabalha ou trabalhou em redação de jornal (ou revista) vai identificar o ambiente e o comportamento ali descrito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, &lt;b&gt;Granta&lt;/b&gt; é ótima. O difícil é ficar esperando pelo próximo número (em junho). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-fgcR_P8bMow/Tw7i171ceOI/AAAAAAAACQY/-aIGllLijcc/s1600/GRANTA.JPG" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="320" width="219" src="http://4.bp.blogspot.com/-fgcR_P8bMow/Tw7i171ceOI/AAAAAAAACQY/-aIGllLijcc/s320/GRANTA.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;(Para quem quiser arriscar, o próximo número será sobre jovens escritores brasileiros) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-7459479016435465741?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/7459479016435465741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/granta.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/7459479016435465741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/7459479016435465741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/granta.html' title='GRANTA'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-5-1DufuQkBE/Tw7htBRf_3I/AAAAAAAACPo/Lxvf97PPiQ8/s72-c/CAIAP80ZCAO1F68BCA4K83TUCASOPRBRCAZIT2EQCA6GCP15CAS3YTSPCAULV0BDCA3K113JCAV0O4SDCAY2BVB5CA27075WCA81EDTCCA0NB4YECAKG7TVLCAUE50S5CAWXEI9FCAOXOL1C.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-8593270288072322948</id><published>2012-01-11T09:38:00.000-02:00</published><updated>2012-01-12T11:46:39.578-02:00</updated><title type='text'>A LATA DE LEITE</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-CdB-LAkfv3c/Tw1v7bk5mtI/AAAAAAAACOg/a8j6LG-TCS0/s1600/s.bmp" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="225" width="225" src="http://2.bp.blogspot.com/-CdB-LAkfv3c/Tw1v7bk5mtI/AAAAAAAACOg/a8j6LG-TCS0/s320/s.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Entrou no supermercado sem mapa, bússola ou astrolábio. Se estivesse de posse de toda essa parafernália, além de um bom GPS, ainda assim se sentiria perdido. Queria levar um pequeno presente quando fosse visitar a filha recém−nascida da sobrinha. Então, descobrir onde estavam escondidas as latas de leite era o objetivo. Esconder é o verbo adequado para definir a situação. Passeou por todos os corredores e em nenhuma prateleira foi capaz de encontrar o alimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurou com a meticulosidade de um Sherlock Holmes. E nada. Tinham desaparecido. Encontrou o sabão em pó e o vinho. Definitivamente, não era isso o que estava buscando. Quase comprou uma garrafa daquele tinto português super−caro que estava a namorar nos últimos três meses. Seria um rombo no cartão de crédito. Melhor deixar para outra oportunidade. Para garantir a saúde financeira, virou o rosto para o outro lado e abandonou o delírio.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-u6wuzkhd6Zc/Tw1wUt2YdgI/AAAAAAAACOs/URczMuYsTBw/s1600/CA9OA542CAFN34W5CAG7SS1PCAYK6B8MCA2TF3L4CA83O63JCAO8RDOPCA5903E1CAM13BBWCA1V3I81CAU37NEGCA3LRUNZCAV4JV11CAYQRCJLCAHK57SWCA052IDXCAZY3WD6CAI3S3OT.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="194" width="259" src="http://2.bp.blogspot.com/-u6wuzkhd6Zc/Tw1wUt2YdgI/AAAAAAAACOs/URczMuYsTBw/s320/CA9OA542CAFN34W5CAG7SS1PCAYK6B8MCA2TF3L4CA83O63JCAO8RDOPCA5903E1CAM13BBWCA1V3I81CAU37NEGCA3LRUNZCAV4JV11CAYQRCJLCAHK57SWCA052IDXCAZY3WD6CAI3S3OT.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;E o leite? Continuava em lugar incerto e não identificado. Igualmente fora do cenário estavam os funcionários do estabelecimento. Se fosse paranóico, ou melhor, um pouco mais paranóico, imaginaria que alguma conspiração maluca havia engolido os funcionários. E o leite.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que o desespero cobrasse a taxa de consumação mínima e transformasse a situação em drama de terceira categoria, pediu ajuda para a primeira mãe acompanhada por criança que encontrou. Quase perguntou: &lt;i&gt;Pelas cólicas infantis que destroem o sono dos pais despreparados, onde é que estão escondidas as latas de leite?&lt;/i&gt; Quase. No último segundo, mudou de tática e com um tom de neutralidade civilizada, fez outra pergunta. &lt;i&gt;Por favor, será que a senhora poderia me ajudar? Estou procurando comida para criança pequena.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-GM5ZTwauAZE/Tw1x1_8aPJI/AAAAAAAACO4/yMG2eW6afRw/s1600/CAWT1CKVCAO74529CABJ8QJMCA32GTGKCA2R2HB8CAGPXPLDCAYDJBXDCA5ABXOLCASAWNX8CAEDQMLFCA5L4UG5CA4QAD3LCA6SSHSHCA5CIHOHCAQXYPA1CAVTVEO6CAD61JY6CAUL30LD.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="194" width="259" src="http://1.bp.blogspot.com/-GM5ZTwauAZE/Tw1x1_8aPJI/AAAAAAAACO4/yMG2eW6afRw/s320/CAWT1CKVCAO74529CABJ8QJMCA32GTGKCA2R2HB8CAGPXPLDCAYDJBXDCA5ABXOLCASAWNX8CAEDQMLFCA5L4UG5CA4QAD3LCA6SSHSHCA5CIHOHCAQXYPA1CAVTVEO6CAD61JY6CAUL30LD.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Claro que ela sabia. E, sem o menor esforço, forneceu a direção. Não satisfeita em ajudar, mostrou que tinha conhecimento prático sobre o tema. Tanto que, antes de qualquer coisa, perguntou pela idade da criança. Ao saber que a menina não tinha mais do que quinze dias de vida, não perdeu tempo e começou a enumerar os tipos de leite possíveis de serem encontrados na prateleira. Foi uma aula. Daquelas que fazem os alunos ficarem olhando para o relógio, consumidos de ansiedade pelos minutos que faltam para o início do intervalo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Constrangido, ele só pensava em escapar o mais rápido possível. Era injusto ter que agir educadamente justamente no momento em que estava tentando ser educado. Usualmente costuma escolher a rispidez como fecho natural para esse tipo de situação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-18Nx0gTHamk/Tw1yYF2Hv9I/AAAAAAAACPE/_2XKH43MbzQ/s1600/r.bmp" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="194" width="259" src="http://3.bp.blogspot.com/-18Nx0gTHamk/Tw1yYF2Hv9I/AAAAAAAACPE/_2XKH43MbzQ/s320/r.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Controlou a aflição. Talvez por estar encenando um "momento ternurinha", agüentou o discurso maternal como se fosse um recital de poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente, a menininha que acompanhava aquela mãe solicita perdeu a paciência e mostrou ao mundo o seu mais interessante talento: as lágrimas. Sem a mínima solidariedade com o problema alheio, enquanto a garota chorava metade da Catarata do Iguaçu, ele aproveitou a oportunidade e se despediu. Antes, justificou: &lt;i&gt;A bebê não é minha, é filha da minha sobrinha.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De onde é que surgiu esse mecanismo de defesa? Será que a possibilidade de ser confundido com algum pai−avô colocou em polvorosa o medo inconsciente de ter outro filho? Uns dez anos de terapia quiçá sejam suficientes para explicar o porquê desse temor ter se manifestado no primeiro momento de descuido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que os fantasmas tomassem conta do espetáculo, acelerou o passo. Dobrou no corredor à direita, seguiu em frente e, tandanrandam, como se fosse passe de mágica, estava diante de centenas, quem sabe milhares, de latas de leite. Uma mais cara do que a outra. Meio quilo de urânio enriquecido provavelmente seria mais barato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-hzOy-Y7E3QA/Tw10cfnr9GI/AAAAAAAACPc/BQ_wQ4gVBFs/s1600/CAGYMNQRCACYXP4HCA11JWR0CA8C8Z4QCA6GSWM2CA22NHA5CAP9SVH3CAA3PEU3CARAHI0YCA2G3TLDCADKGK12CAVX029WCA472KENCA8AXB6LCAZ6MEHHCAI0FPYCCAG1FCYICA4VEGP9.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="183" width="276" src="http://4.bp.blogspot.com/-hzOy-Y7E3QA/Tw10cfnr9GI/AAAAAAAACPc/BQ_wQ4gVBFs/s320/CAGYMNQRCACYXP4HCA11JWR0CA8C8Z4QCA6GSWM2CA22NHA5CAP9SVH3CAA3PEU3CARAHI0YCA2G3TLDCADKGK12CAVX029WCA472KENCA8AXB6LCAZ6MEHHCAI0FPYCCAG1FCYICA4VEGP9.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Procurou pelo papel onde havia anotado a marca que deveria comprar, mas isso não foi suficiente. Cada tipo de leite é dividido em sub−categorias, cores, números e embalagens com diversas quantidades. Como se estivesse na antecâmara do inferno pensou em desistir e comprar uns dois pacotes de fraldas. Cinco segundos depois, a razão mostrou que essa bobagem era uma bobagem. Fraldas existem em vários tamanhos, tipos e marcas. Repetir a mesma comédia não tinha graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ciente de que não há lugar mais solitário no mundo do que os corredores de um supermercado, telefonou para quem de direito e pediu socorro. Socorrido foi. O leite adequado para a criancinha estava diante dos seus olhos. Pegou a lata, colocou na cestinha e foi procurar por outros itens necessários para o dia−a−dia de quem quer sobreviver na selva urbana.  &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-8593270288072322948?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/8593270288072322948/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/lata-de-leite.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/8593270288072322948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/8593270288072322948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/lata-de-leite.html' title='A LATA DE LEITE'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-CdB-LAkfv3c/Tw1v7bk5mtI/AAAAAAAACOg/a8j6LG-TCS0/s72-c/s.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-3295620852397593262</id><published>2012-01-09T10:43:00.000-02:00</published><updated>2012-02-04T16:24:22.644-02:00</updated><title type='text'>OS LIVROS QUE FICARAM PARA TRÁS</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-J3K-8EmtcXI/TwrdyOVRKsI/AAAAAAAACNY/p4oMyf7g3fI/s1600/CA95SL2OCA9WOUIYCAH6HYGNCASRW64TCAD90DXTCAMFEU1FCAP5QP9ACA682270CA525W3KCA1TAZMMCA2TXOX7CAEDE9EOCAHTOT39CA2DQJ0HCA7C68D0CAO7504PCA3DIHJOCAU2V1YB.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="194" width="259" src="http://2.bp.blogspot.com/-J3K-8EmtcXI/TwrdyOVRKsI/AAAAAAAACNY/p4oMyf7g3fI/s320/CA95SL2OCA9WOUIYCAH6HYGNCASRW64TCAD90DXTCAMFEU1FCAP5QP9ACA682270CA525W3KCA1TAZMMCA2TXOX7CAEDE9EOCAHTOT39CA2DQJ0HCA7C68D0CAO7504PCA3DIHJOCAU2V1YB.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Uma amiga espalhou a quem interessar possa, e para os fins que porventura forem necessários, que estava lendo o &lt;b&gt;Ulisses&lt;/b&gt;, do James Joyce. Uma página por dia. Levou quase três anos para completar o desafio. E toda vez que comenta a experiência faz caras e bocas, revira os olhinhos, e diz que foi incrível.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro amigo, um pouco mais cético, não acredita nesse tipo de maluquice. Adepto da tese de que alguns textos foram escritos para NÃO serem lidos e que o &lt;i&gt;mise−en−scène&lt;/i&gt; está acima de qualquer suspeita, algumas vezes faz algum comentário obscuro sobre esta ou aquela obra, freqüentemente "citando" os romanos em latim e os gregos em grego. Paulo Mendes Campos, em crônica antiga, chamou esse proceder de &lt;i&gt;o cinismo dos vencedores&lt;/i&gt;. A idéia geral que edulcora essa desfaçatez é que poucos realmente leram os grandes clássicos e que uma camada mínima de verniz cultural é suficiente para gerar &lt;i&gt;renome de humanista garantido&lt;/i&gt; (outra vez Paulo Mendes Campos). Em outras palavras, no mundo das aparências intelectuais, é possível dizer as maiores barbaridades correndo um risco ínfimo de ser desmascarado.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-cTaxSoaPrnc/Twrd5rhIqLI/AAAAAAAACNk/AWWhQAAQ60I/s1600/121.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="241" width="209" src="http://3.bp.blogspot.com/-cTaxSoaPrnc/Twrd5rhIqLI/AAAAAAAACNk/AWWhQAAQ60I/s320/121.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Na crônica citada acima, e publicada em &lt;b&gt;Os bares morrem numa quarta-feira&lt;/b&gt;, o irônico Paulo Mendes Campos defende a idéia de que basta ler a primeira frase para conhecer o livro inteiro. Exemplifica com Kafka, André Gide e Maquiavel. Poderia ter escolhido outros autores, mas esses dão conta do recado.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, dá um conselho precioso e bem−humorado para quem sente prazer em "fazer bonito", sem se aprofundar, nas conversas literárias:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;...) em se tratando de escritores portugueses, elogie o sabor da sintaxe lusíada; escritores franceses, a finura, digo, a "finesse"; escritores germânicos, a densidade; inglês, o "fog" poético; eslavos, a psicologia inesperada; asiáticos, o misticismo milenar; africanos, o primitivismo; brasileiros, a força telúrica; norte−americanos, os fabulosos direitos autorais.&lt;br /&gt;Restam praticamente os autores hispano−americanos e os australianos. Comente a imaturidade dos primeiros, "apesar de certo surto renovador nos últimos anos". Quanto aos escritores da Austrália, mude habilidosamente a conversa para uma discussão se canguru joga ou não joga boxe. Todos vão adorar...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-NChzU2lNFCs/TwreVuJ5u0I/AAAAAAAACNw/PiMepm5PJZA/s1600/123.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="224" width="224" src="http://4.bp.blogspot.com/-NChzU2lNFCs/TwreVuJ5u0I/AAAAAAAACNw/PiMepm5PJZA/s320/123.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;De minha parte, estou reservando a aposentadoria (que não sei se virá ou quando virá) para a prática desse saboroso esporte que é a leitura dos clássicos. Evidentemente Dostoievski, Conrad, Henry James, Flaubert, Balzac, Dickens, Sartre, Camus e Thomas Mann costumam freqüentar a cabeceira da minha cama. São autores que não ficaram para trás. E que sempre me acompanharam. Sem o que essa gente escreveu não é possível imaginar a carpintaria literária. Por outro lado, tenho visível débito, por exemplo, com &lt;b&gt;A procura do tempo perdido&lt;/b&gt; (Marcel Proust), &lt;b&gt;A divina comédia&lt;/b&gt; (Dante Alighieri) e algumas das tragédias de Sófocles, Eurípedes e Ésquilo. Os exemplares parecem acenar lá das estantes, mas finjo não os ver. Sei que não é justo, mas... quem sabe no ano que vem!?!? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-_lGm7pc7LLQ/TwrfEdH-87I/AAAAAAAACOI/XLeQL6pO04U/s1600/CAQ4VJDJCAW63DG0CAWQSHG5CAGF5FM0CAHXECA9CAPYVXFYCAC7VG5DCAVY69OKCAIBNYMNCA051C0XCAR1ENRBCA4MPL1VCAIZ1Q7BCA4K2DIQCAH77X0ECAB08WAYCAFB1LOJCAVE0TIY.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="242" width="208" src="http://4.bp.blogspot.com/-_lGm7pc7LLQ/TwrfEdH-87I/AAAAAAAACOI/XLeQL6pO04U/s320/CAQ4VJDJCAW63DG0CAWQSHG5CAGF5FM0CAHXECA9CAPYVXFYCAC7VG5DCAVY69OKCAIBNYMNCA051C0XCAR1ENRBCA4MPL1VCAIZ1Q7BCA4K2DIQCAH77X0ECAB08WAYCAFB1LOJCAVE0TIY.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Se tivesse tempo e dinheiro, queria repetir o gesto de um terceiro amigo que, certa vez, comprou uma coleção completa do Shakespeare, não lembro quantos volumes, talvez uns vinte, talvez mais. Como faz algum tempo que não o vejo, imagino que a essas alturas do campeonato deve conhece todos os textos de cor e salteado. Provavelmente recita, nos dias de sol, seus trechos favoritos – no original e em diversas traduções, que uma só não basta para quem escolhe um autor como companheiro nesse desatino que costumam chamar de existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tivesse tempo e dinheiro, não deixaria para trás todos os livros que ainda não li. Livros que, se tiver sorte, ainda vou ler. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-iLYEf4wgpIw/TwrfRimCdUI/AAAAAAAACOU/hSEYjT4-Ys4/s1600/120.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="200" width="252" src="http://1.bp.blogspot.com/-iLYEf4wgpIw/TwrfRimCdUI/AAAAAAAACOU/hSEYjT4-Ys4/s320/120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;(Unidos pela amizade e pelos livros: Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Manuel Bandeira, Mário Quintana e Paulo Mendes Campos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-3295620852397593262?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/3295620852397593262/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/os-livros-que-ficaram-para-tras.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/3295620852397593262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/3295620852397593262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/os-livros-que-ficaram-para-tras.html' title='OS LIVROS QUE FICARAM PARA TRÁS'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-J3K-8EmtcXI/TwrdyOVRKsI/AAAAAAAACNY/p4oMyf7g3fI/s72-c/CA95SL2OCA9WOUIYCAH6HYGNCASRW64TCAD90DXTCAMFEU1FCAP5QP9ACA682270CA525W3KCA1TAZMMCA2TXOX7CAEDE9EOCAHTOT39CA2DQJ0HCA7C68D0CAO7504PCA3DIHJOCAU2V1YB.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-8577885342619098157</id><published>2012-01-06T10:41:00.000-02:00</published><updated>2012-01-09T11:07:15.493-02:00</updated><title type='text'>AMOR: QUATRO LETRAS TOLAS</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-LieOjPdPM5Y/Twbom-ee0DI/AAAAAAAACMo/-KdLb8jef4U/s1600/CAN6BVZVCAYRXIQKCAB8HG03CAH4AR1WCA3VF9YTCATVD5Z3CAZ8C4ZMCAVWWWY8CARP0I3NCAK9ML6SCA0YOXTICAO9F7UFCAPWKU59CAPVTEJ1CAD8L45LCAQL2LZICAQ1UX9ECAY53S0N.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="183" width="275" src="http://2.bp.blogspot.com/-LieOjPdPM5Y/Twbom-ee0DI/AAAAAAAACMo/-KdLb8jef4U/s320/CAN6BVZVCAYRXIQKCAB8HG03CAH4AR1WCA3VF9YTCATVD5Z3CAZ8C4ZMCAVWWWY8CARP0I3NCAK9ML6SCA0YOXTICAO9F7UFCAPWKU59CAPVTEJ1CAD8L45LCAQL2LZICAQ1UX9ECAY53S0N.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Não há nada mais complicado do que os relacionamentos amorosos. Na melhor das hipóteses, se assemelham ao caminhar na corda−bamba ou ficar preso na areia movediça. Ao menor descuido − catabum! − a catástrofe assume o centro do palco e se instala como se tivesse direitos vitalícios para bagunçar a vidinha mais ou menos de qualquer indivíduo mais ou menos que resolveu perder o sossego em alguma confusão mais ou menos.      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela história fofinha de que "quando um não quer dois não brigam" raramente se aproxima da verdade. Conversa pra boi dormir. Em qualquer deus-nos-acuda afetivo, alguém sempre está em pé de guerra. Borduna na mão. Disposto a destruir o outro sem piedade. Dá até para ouvir o som do crânio rachando. Isso se a vítima tiver sorte. Normalmente não tem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-z8JQYpbY_jQ/Twbo7qZ5n-I/AAAAAAAACM0/8q0z34gGh-A/s1600/CAD6CPP5CAW5RF90CAPESUZRCAXRSQBNCATBI34GCALOQT0ZCASWDORZCADWBA05CABPKLTCCA2HSZWHCA8PNR9ICAXWWBOICAGNSJ4KCAPY1FFPCA2UK66ECAG6G36SCAYK4Q2VCAV6JNNW.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="179" width="281" src="http://4.bp.blogspot.com/-z8JQYpbY_jQ/Twbo7qZ5n-I/AAAAAAAACM0/8q0z34gGh-A/s320/CAD6CPP5CAW5RF90CAPESUZRCAXRSQBNCATBI34GCALOQT0ZCASWDORZCADWBA05CABPKLTCCA2HSZWHCA8PNR9ICAXWWBOICAGNSJ4KCAPY1FFPCA2UK66ECAG6G36SCAYK4Q2VCAV6JNNW.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Claro, a diversão proporcionada pela reconciliação vale qualquer sacrifício. Embora os rituais de conquista sejam exercícios de crueldade, ninguém foge da arapuca. Brincar com o passarinho na gaiola é diversão garantida. Inclusive porque ficar estressado pelo resto da vida nunca foi bom negócio. Preciosos instantes de tranqüilidade são alimentos essenciais para corações combalidos. Deixar – impunemente − a toalha molhada em cima da cama, por exemplo, constitui pequena compensação para o tumulto diário. É nesses momentos que a vida adquire algum sentido. Infelizmente, o preço da liberdade cobra juros e correção monetária. Por isso, enquanto o boleto, quinhentas salgadíssimas parcelas, não aterrissa debaixo da porta cabe aproveitar beijinhos, abraços e muito mais. Aliás, é por esse "muito mais" que o combate encontra suas mais importantes justificativas. Sem medir esforços. Ou tréguas. Cinco minutos (recorde mundial!) de sexo selvagem recarrega as baterias por algumas semanas. Verdade ou não, pouco importa. A canalhice masculina exige que esse assunto seja relatado (sem os detalhes íntimos, claro) em final de tarde, lá no boteco da esquina, entre cervejas e gargalhadas.           &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-F-DGUJm17iw/TwbqVOiOLmI/AAAAAAAACNA/klDx29GiLY8/s1600/4.bmp" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="223" width="226" src="http://3.bp.blogspot.com/-F-DGUJm17iw/TwbqVOiOLmI/AAAAAAAACNA/klDx29GiLY8/s320/4.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Como ninguém consegue conviver com a felicidade, a paz desaparece de forma delicada, deliciosa. Duelo ao final da tarde ou no meio da noite, quem é que consegue sacar a arma primeira? Pouco importa, é hora do quebra−pau. Literal. Nenhuma novidade. Elefante em loja de louças não brinca com origami. Uma palavra na hora errada, um gesto menos apaixonado, flores de plástico, uma adolescente que caminha pela calçada (vestindo um daqueles shortinhos que provavelmente causará o desalinhamento dos planetas). Qualquer coisa. Até coisa nenhuma. Que o estado natural dos relacionamentos é a guerra. Tiros trocados entre algozes não doem − muito. Velhos hematomas costumam ser substituídos por novas cicatrizes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Motivos justos para agressão bélica, tiros de canhão, gritos ou esquecer-se de comprar o iogurte favorito da cara metade são causados por ataques de carência, chatice explícita, ciúme mórbido ou grude excessivo. É o horror, o horror. Não há tesão que resista a esse massacre. Exaurir o veio aurífero com dinamite.      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-DtflxJ4NePk/TwbrliuMZpI/AAAAAAAACNM/jOSaET9Zddo/s1600/CA02X19CCAYG0PVFCAXUK6Y8CAQIKC4VCA3K57NICA9UTLD2CAVJSF11CAHK26BKCAEDAA2LCAEDUQA2CAIPFUUZCA3BK1M8CAQCJIOJCA01IV8NCA7A7XRACA8M2UH1CAKM7ZEYCAONM5Q7.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="180" width="240" src="http://3.bp.blogspot.com/-DtflxJ4NePk/TwbrliuMZpI/AAAAAAAACNM/jOSaET9Zddo/s320/CA02X19CCAYG0PVFCAXUK6Y8CAQIKC4VCA3K57NICA9UTLD2CAVJSF11CAHK26BKCAEDAA2LCAEDUQA2CAIPFUUZCA3BK1M8CAQCJIOJCA01IV8NCA7A7XRACA8M2UH1CAKM7ZEYCAONM5Q7.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Amor rima com flor e dor. Nos piores poemas. Não há dúvidas ou dívidas. É preciso força e determinação para disputar bola dividida. Diversão é aquilo na mão e a mão naquilo. Sem apertar ou arranhar, que golpe sujo não vale. Quer dizer, vale−tudo entre quatro paredes, desde que as paredes não caiam em cima do casal, espetáculo sem igual nas manchetes do jornal. Então, (de)compostos no ritmo sem ritmo das regras propostas pelo cio, cabe começar a arruaça. Nem que seja por pirraça. Bobo é quem deixa de perceber essas sutilezas da paixão. Da ilusão. Miragem e oásis fazem parte da paisagem. Melhor se houver bastante sacanagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o estopim para gerar tanta energia sempre encontra abrigo na possibilidade de novo round. Para principiar incêndio basta isqueiro. Ou caixa de fósforos. Ao longe, como se fosse raio solar, o olhar fagueiro alimenta o fogaréu. O amor é isso, quatro letras tolas, prêmio de loteria ou música. Beijo, porrada e desejo. Entre as chamas da cama, você diz que me ama. Eu também.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-8577885342619098157?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/8577885342619098157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/amor-quatro-letras-tolas.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/8577885342619098157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/8577885342619098157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/amor-quatro-letras-tolas.html' title='AMOR: QUATRO LETRAS TOLAS'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-LieOjPdPM5Y/Twbom-ee0DI/AAAAAAAACMo/-KdLb8jef4U/s72-c/CAN6BVZVCAYRXIQKCAB8HG03CAH4AR1WCA3VF9YTCATVD5Z3CAZ8C4ZMCAVWWWY8CARP0I3NCAK9ML6SCA0YOXTICAO9F7UFCAPWKU59CAPVTEJ1CAD8L45LCAQL2LZICAQ1UX9ECAY53S0N.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-3330663758166649124</id><published>2012-01-05T17:39:00.000-02:00</published><updated>2012-01-06T13:31:16.791-02:00</updated><title type='text'>O DECLINIO DO IMPÉRIO AMERICANO E AS INVASÕES BÁRBARAS</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-DkU7aJ8yW80/TwX2ddKBx9I/AAAAAAAACK8/Y9d1ky4R69A/s1600/invas%25C3%25B5es%2B3.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="256" width="183" src="http://2.bp.blogspot.com/-DkU7aJ8yW80/TwX2ddKBx9I/AAAAAAAACK8/Y9d1ky4R69A/s320/invas%25C3%25B5es%2B3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Seguindo a adaptação de uma das definições de Ítalo Calvino, &lt;b&gt;Um clássico (...) nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer&lt;/b&gt;, determinadas obras de arte estão constantemente a pedir revisitações. Ver/ler/ouvir outra vez alguns filmes, livros, músicas, pinturas, danças, implica em aceitar que a surpresa interromperá − a cada instante – o que até então parecia ser inquestionável. Cada reencontro amplia o leque de significados e significantes, acrescentando camadas de entendimento no resultado final. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se isso não ocorrer, fica comprovado que a riqueza que havíamos imputado no primeiro encontro era miragem, um entusiasmo passageiro, um amor de verão.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na outra ponta da confusão, aquela que consagra as grandes paixões, assistir filmes como &lt;b&gt;O Declínio do Império Americano&lt;/b&gt; (&lt;b&gt;Le déclin de l’empire américain&lt;/b&gt;. Dir. Denys Arcand, 1986) e &lt;b&gt;As Invasões Bárbaras&lt;/b&gt; (&lt;b&gt;Les invasions barbares&lt;/b&gt;. Dir. Denys Arcand, 2004) equivale ao reencontro com uma antiga amante. Enquanto as lembranças de um passado que parecia destinado ao esquecimento reacendem as brasas do arrebatamento, a perspectiva de usufruir de novas delícias abre as portas da percepção física e emocional. No bosque dos afetos, o complemento alimenta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesses dois filmes, a vida e a morte estão unidas (e separadas) por dezoito anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-_ECjiOWBgAQ/TwX5KZyKxBI/AAAAAAAACLs/jUVOJBSln0M/s1600/CAYP1TVMCAHOOMVBCAQMLW7RCA5G1J4SCARQAIW8CARRMU9TCA12OQHNCAO3FMAHCAUUQE8TCA2QGSJPCAQ4OSW8CACBYUCMCAZA8O34CALJ6OXBCA1KPJD4CAOUO6TGCAUYOFSECAAJ1AX7.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="165" width="306" src="http://3.bp.blogspot.com/-_ECjiOWBgAQ/TwX5KZyKxBI/AAAAAAAACLs/jUVOJBSln0M/s320/CAYP1TVMCAHOOMVBCAQMLW7RCA5G1J4SCARQAIW8CARRMU9TCA12OQHNCAO3FMAHCAUUQE8TCA2QGSJPCAQ4OSW8CACBYUCMCAZA8O34CALJ6OXBCA1KPJD4CAOUO6TGCAUYOFSECAAJ1AX7.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Em &lt;b&gt;O Declínio do Império Americano&lt;/b&gt; um grupo de amigos e amigas (quase todos professores universitários) traçam a linha de separação entre gêneros e sensibilidades. Em alguns momentos, a oposição entre o ser e o estar no mundo se pronuncia em alto e bom tom; em outros, todos querem a mesma coisa: liberdade. Querer não é poder, como lembra Remy na cena inicial: &lt;b&gt;A História não é uma ciência moral. Os direitos, a compaixão, a justiça são noções estranhas à História&lt;/b&gt;. Embora ele não diga, também é estranha à História a falsa consciência de que os indivíduos constroem o próprio destino.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-g_m48l6m-1Q/TwX2wSeNRyI/AAAAAAAACLI/zhcwELAhuDw/s1600/CAN96BW4CA03A71RCASZSEC1CAA7Z30HCAU7THHOCAFBLPHXCATG0UQ5CA3LMPC6CAAPO3XOCANPXB7BCAHWFQTKCA9WPQM0CA43HDAXCAILBW73CAV0V9V7CA9JXSLLCASOV6MPCA30C5HU.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="183" width="275" src="http://2.bp.blogspot.com/-g_m48l6m-1Q/TwX2wSeNRyI/AAAAAAAACLI/zhcwELAhuDw/s320/CAN96BW4CA03A71RCASZSEC1CAA7Z30HCAU7THHOCAFBLPHXCATG0UQ5CA3LMPC6CAAPO3XOCANPXB7BCAHWFQTKCA9WPQM0CA43HDAXCAILBW73CAV0V9V7CA9JXSLLCASOV6MPCA30C5HU.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Os homens (Remy, Pierre, Claude e Alain) se reúnem em uma espécie de condomínio privado na beira de um lago. Enquanto preparam o jantar, conversam. Muito. Basicamente sobre a vida sexual. Com exceção de Allain (que é jovem e provavelmente ainda não possui experiências significativas), os outros não se inibem de falar sobre o desejo, porque desejam e de que maneira costumam se servir nesse banquete em que todos comem e se lambuzam vorazmente.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-1Oxkdo6ygEg/TwX3-AOrXWI/AAAAAAAACLU/cG6BpGUSgbU/s1600/CA5Z1TIUCAQ7SBCOCAVSOJ1GCAD308O5CAW8AEO2CAVJY7J0CAP7GM3DCARW6XPRCAY8NU2GCAF2BEEXCAGCB0OVCA641EGYCAQWZYQTCA3VP1R9CAH3H3BVCANVXAUCCAJMYUWYCAPZPE8M.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="186" width="271" src="http://3.bp.blogspot.com/-1Oxkdo6ygEg/TwX3-AOrXWI/AAAAAAAACLU/cG6BpGUSgbU/s320/CA5Z1TIUCAQ7SBCOCAVSOJ1GCAD308O5CAW8AEO2CAVJY7J0CAP7GM3DCARW6XPRCAY8NU2GCAF2BEEXCAGCB0OVCA641EGYCAQWZYQTCA3VP1R9CAH3H3BVCANVXAUCCAJMYUWYCAPZPE8M.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Enquanto isso, em uma academia de ginástica, as mulheres (Louise, Danielle, Diane e Dominique)... conversam! O assunto principal é... sexo! Mas esses diálogos mostram visíveis diferenças de opiniões sobre isso e aquilo. Sexo é bom, mas pode ser melhor se acompanhado por algo mais. A palavra amor não é pronunciada, embora esteja presente em cada frase. Até mesmo Diane, que não se detém diante de nenhum obstáculo sexual, gostaria de ter um homem para chamar de seu. Além disso, a conversa das mulheres está envolta na lealdade aos sentimentos e, conseqüentemente, na omissão. Enquanto falam de seus maridos e parceiros ocasionais, deixam de citar várias histórias paralelas (principalmente as que Remy protagonizou).       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar é o que os intelectuais mais gostam de fazer, como lembra Louise depois de quase duas horas de projeção. Homens e mulheres estão reunidos. De forma um pouco mais comedida, continuam falando sobre o falo − o órgão masculino condenado, na maior parte do tempo, à languidez, a inércia, à ausência de ação. É isso o que insinua o amante de Diane, intruso a interromper a refeição. Esse ligeiro mal−estar não atrapalha o curso da vida. O grande empecilho surge depois, quando o desatino resolve cobrar dívidas que ainda não foram saldadas. Dominique perde a paciência quando recebe uma crítica desfavorável ao seu último livro. Ao revelar quem dormiu com quem, consegue desagradar a todos. Vasos de cristal não podem mais ser recuperados depois que se espatifaram no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-t4lB0VAXG-I/TwX4dBm1vmI/AAAAAAAACLg/V9mfpULB7TE/s1600/Invas%25C3%25B5es.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="268" width="188" src="http://1.bp.blogspot.com/-t4lB0VAXG-I/TwX4dBm1vmI/AAAAAAAACLg/V9mfpULB7TE/s320/Invas%25C3%25B5es.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Parte desse cenário volta à tona com &lt;b&gt;As Invasões Bárbaras&lt;/b&gt; (vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2004). O tempo, dezoito anos, não eliminou ressentimentos. Sebastien, atendendo um pedido de Louise, visita Remy − condenado a uma cama de hospital público. &lt;b&gt;Olá, cavalheiro&lt;/b&gt;, saúda o filho. &lt;b&gt;Meu jovem&lt;/b&gt;, responde o pai. E essa indiferença polida é tudo o que parecem ter a transmitir um ao outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não o é. A proximidade da morte muda perspectivas, estabelece laços, diminui o rancor. Quer dizer, tudo ao seu tempo, porque o filme, entre outras coisas, é um grande ataque à religião católica. Remy não economiza argumentos, nem estatísticas, para condenar o genocídio indígena no continente americano. Investido da fúria de um iluminista, embora fora de tom e de lugar, o professor se manifesta em grande estilo para a freira que trabalha no hospital. É a maneira intempestiva que escolheu para mostrar que a doença não o deixou impotente. E isso significa, entre tantas coisas, que não colocou (e não colocará) a alma à venda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em compensação, Sebastien não perde tempo com escrúpulos intelectuais. Rapidamente descobre como funciona a estrutura do hospital e, sem grandes dores de consciência, compra tudo o que é necessário para ampliar o conforto do pai. Paga em dinheiro, que é para não deixar rastros ou constranger quem corrompe. Também não mede esforços para trazer para perto do pai os velhos amigos. Deixa que a fraternidade se espiche e se espalhe, escondendo as lágrimas, tentando negar que Remy está próximo da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-XnrQdQ7oA_4/TwX5n49zmtI/AAAAAAAACL4/QLf3ml90DvI/s1600/CABGYQIPCAAFHCU5CAZ2AM13CA1NCN2LCALA18WRCAKC195WCA85M5K1CAPR05A8CAXGOZRJCAR4GAWDCAS2D3RCCAAWDLM4CA423MNXCAXM1JN9CAJIZ757CAO0BNAECARMAJUWCAWI9POE.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="168" width="301" src="http://2.bp.blogspot.com/-XnrQdQ7oA_4/TwX5n49zmtI/AAAAAAAACL4/QLf3ml90DvI/s320/CABGYQIPCAAFHCU5CAZ2AM13CA1NCN2LCALA18WRCAKC195WCA85M5K1CAPR05A8CAXGOZRJCAR4GAWDCAS2D3RCCAAWDLM4CA423MNXCAXM1JN9CAJIZ757CAO0BNAECARMAJUWCAWI9POE.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Nathalie, a filha de Diane, ajuda Sebastien. Viciada em heroína, faz o meio de campo entre o homem doente e os traficantes. E logo estabelece um vínculo amoroso com Remy, substituto imediato do pai que nunca teve. Como um anjo da guarda, ela o faz entender o estoicismo, compreender que não há mais motivos para se apegar a algo que desapareceu na poeira do tempo: &lt;b&gt;Não é a sua vida atual que [você] não quer deixar. É a sua vida passada. E essa já está morta.&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro tema abordado no filme é a eutanásia (prática, sem amparo legal, de abreviar o sofrimento de um doente incurável). E, mais uma vez, o anti−clericalismo se pronuncia. Com a fúria de uma represa que arrebentou. Com a doçura de quem não quer perder tempo com a insensibilidade. A cerimônia do adeus protagonizada pelos amigos de Remy é emocionante, um tributo a aquele que fez da vida um combate contra a barbárie. O filme não deixa claro quem são esses bárbaros, mas permite vislumbrar os danos causados pela ignorância, pelo valor venal/letal do capitalismo e pelo desapego afetivo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-JRJ7IetoAJE/TwX5_L2P6MI/AAAAAAAACME/dLwGDloBSG0/s1600/Invas%25C3%25B5es%2B2.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="183" width="275" src="http://3.bp.blogspot.com/-JRJ7IetoAJE/TwX5_L2P6MI/AAAAAAAACME/dLwGDloBSG0/s320/Invas%25C3%25B5es%2B2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Parte do dano é quase recuperado quando pai e filho se abraçam pela última vez. &lt;b&gt;Sabe o que lhe desejo?&lt;/b&gt;, pergunta Remy. &lt;b&gt;Não&lt;/b&gt;. &lt;b&gt;Que tenha um filho como você.&lt;/b&gt; Para quem se mostrou, até aquele instante, um resistente, esse não é o melhor epitáfio. Alguns minutos antes, quando mencionava o poder de destruição dos bárbaros, Remy disse, com um senso de humor duvidoso, ao ver o filho, &lt;b&gt;Eis seu príncipe que se aproxima&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cumprido o ritual, Sebastien empresta o apartamento do pai para Nathalie. Como se fosse um complemento natural, eles se beijam. Mas, em seguida, a moça o empurra para fora. Para fora do apartamento. Para fora de sua vida. É preciso recusar, de uma forma ou de outra, repetir a história de Remy, Diane e todos os outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-B3SGSNnKDA8/TwX8CaLkONI/AAAAAAAACMc/1y6qHEaDrFY/s1600/CATHFV6DCAALI4MMCAWIKZB1CAGKGAWSCAYYJM2GCAQJRGB9CAZ6JMLHCAQAPWKXCAJTG6DGCAKB22CUCA0PB7F1CA1HD3SECASDSI04CA74KW8MCAK9ZG8PCA5YX3TJCAR12Y5ICAS28ZBJ.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="259" width="194" src="http://1.bp.blogspot.com/-B3SGSNnKDA8/TwX8CaLkONI/AAAAAAAACMc/1y6qHEaDrFY/s320/CATHFV6DCAALI4MMCAWIKZB1CAGKGAWSCAYYJM2GCAQJRGB9CAZ6JMLHCAQAPWKXCAJTG6DGCAKB22CUCA0PB7F1CA1HD3SECASDSI04CA74KW8MCAK9ZG8PCA5YX3TJCAR12Y5ICAS28ZBJ.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;(Denys Arcand,diretor de &lt;b&gt;Le déclin de l’empire américain&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Les invasions barbares&lt;/b&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-3330663758166649124?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/3330663758166649124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/o-declinio-do-imperio-americano-e-as.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/3330663758166649124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/3330663758166649124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/o-declinio-do-imperio-americano-e-as.html' title='O DECLINIO DO IMPÉRIO AMERICANO E AS INVASÕES BÁRBARAS'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-DkU7aJ8yW80/TwX2ddKBx9I/AAAAAAAACK8/Y9d1ky4R69A/s72-c/invas%25C3%25B5es%2B3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-2108339493673239330</id><published>2012-01-04T09:21:00.000-02:00</published><updated>2012-01-04T09:21:45.848-02:00</updated><title type='text'>VINTE E CINCO FRASES PARA SAUDAR 2012</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-K1Ez_yuRsI0/TwQ2KN3LdMI/AAAAAAAACKk/e4ElYPGdOhM/s1600/Itarar%25C3%25A9.bmp" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="227" width="222" src="http://2.bp.blogspot.com/-K1Ez_yuRsI0/TwQ2KN3LdMI/AAAAAAAACKk/e4ElYPGdOhM/s320/Itarar%25C3%25A9.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;1) &lt;b&gt;Negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados.&lt;/b&gt; (Barão de Itararé)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) O homem que consegue governar uma mulher consegue governar uma nação. (Honoré de Balzac)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) &lt;b&gt;Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou.&lt;/b&gt; (Magalhães Pinto)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) Guarde um pouco de dinheiro todos os meses – e, no fim do ano, você ficará surpreso com o pouco que tem. (Samuel Haskins)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) &lt;b&gt;É um progresso quando um canibal passa a comer com garfo?&lt;/b&gt; (Stanislaw J. Lec)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6) Ninguém fica completamente infeliz diante do fracasso do seu melhor amigo. (Groucho Marx)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7) &lt;b&gt;Pregar a verdade e propor alguma coisa útil para a humanidade é uma receita infalível para se ser perseguido.&lt;/b&gt; (Voltaire) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8) Quando todos pensam igual é porque ninguém está pensando. (Walter Lippman)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9) &lt;b&gt;Se houver alguém rindo é porque ainda não ouviu as más notícias.&lt;/b&gt; (Bertolt Brecht)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-zYYoMimn-I4/TwQ1kscUTUI/AAAAAAAACKY/QNc0sT4X_fo/s1600/CA7U0F1PCA9UN11NCA50V9HSCAICE0IJCALLSUESCAK7XZS3CA0I18KRCA3ZM1E1CAFN98GNCAKS0A1CCAW70B10CAE6U1KUCADBATQGCA2PZ4K3CAGYI3RXCA9QWH3ICAO5I10HCAGX2NGP.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="281" width="179" src="http://1.bp.blogspot.com/-zYYoMimn-I4/TwQ1kscUTUI/AAAAAAAACKY/QNc0sT4X_fo/s320/CA7U0F1PCA9UN11NCA50V9HSCAICE0IJCALLSUESCAK7XZS3CA0I18KRCA3ZM1E1CAFN98GNCAKS0A1CCAW70B10CAE6U1KUCADBATQGCA2PZ4K3CAGYI3RXCA9QWH3ICAO5I10HCAGX2NGP.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;10) Leis são como teias de aranha: boas para capturar mosquitos, mas os insetos maiores rompem a sua trama e escapam. (Sólon)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11) &lt;b&gt;Se o sujeito está com o rabo no forno e a cabeça na geladeira, não se pode dizer que ele está com uma ótima temperatura média.&lt;/b&gt; (Delfim Neto)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12) Onça, quando dá o bote, é porque já olhou tudo que tinha de olhar. (Guimarães Rosa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13) &lt;b&gt;Excluído o impossível, o que restar, por mais improvável, deve ser a verdade.&lt;/b&gt; (Arthur Conan Doyle)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14) Subdesenvolvimento não se improvisa. É obra de séculos. (Nelson Rodrigues)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15) &lt;b&gt;Há mais maneiras de se matar um gato do que atirando nele um piano de cauda.&lt;/b&gt; (Matthew Head)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16) Em certas circunstâncias, um palavrão provoca um alivio inatingível até pela oração. (Mark Twain)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17) &lt;b&gt;O pessimista é uma pessoa que, podendo escolher entre dois males, escolhe ambos.&lt;/b&gt; (Oscar Wilde)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18) Recessão é quando seu vizinho perde o emprego; depressão é quando você perde o seu. (Harry S. Truman)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19) &lt;b&gt;Se não puder ser inteligente, seja engraçado.&lt;/b&gt; (Harold Ross)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-gNO-SzgRGdY/TwQ1bw1x25I/AAAAAAAACKM/xdZfqKrPTHM/s1600/CAFMG4SGCA0BQ958CA8AW9MECAWKBL7FCAKOZB00CARP37A4CAQYBE6GCA3T2T9FCAZLBRLXCAPBBNFPCAKZSN8ICAO5EF6PCACT0MMUCAJXKEC5CAPXRNR0CA4G3MOUCA3UA8GBCAK7MOUO.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="272" width="185" src="http://3.bp.blogspot.com/-gNO-SzgRGdY/TwQ1bw1x25I/AAAAAAAACKM/xdZfqKrPTHM/s320/CAFMG4SGCA0BQ958CA8AW9MECAWKBL7FCAKOZB00CARP37A4CAQYBE6GCA3T2T9FCAZLBRLXCAPBBNFPCAKZSN8ICAO5EF6PCACT0MMUCAJXKEC5CAPXRNR0CA4G3MOUCA3UA8GBCAK7MOUO.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;20) Pagar pensão à ex−mulher é como servir feno fresco a um cavalo morto. (Groucho Marx)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21) &lt;b&gt;Se você tem de perguntar quanto custa, é porque não pode comprar.&lt;/b&gt; (J. Pierpont Morgan)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22) A guerra é o capitalismo sem luvas. (Tom Stoppard) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23) &lt;b&gt;Conhece−se um homem pela maneira com que ele gere a sua empresa.&lt;/b&gt; (Ambrose Bierce)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24) Não é que eles não vejam a solução. O que eles não enxergam é o problema. (G. K. Chesterton) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;25) &lt;b&gt;O político brasileiro é um sujeito que vive às claras, aproveitando as gemas e sem desprezar as cascas.&lt;/b&gt; (Barão de Itararé)&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-2108339493673239330?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/2108339493673239330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/vinte-e-cinco-frases-para-saudar-2012.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/2108339493673239330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/2108339493673239330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/vinte-e-cinco-frases-para-saudar-2012.html' title='VINTE E CINCO FRASES PARA SAUDAR 2012'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-K1Ez_yuRsI0/TwQ2KN3LdMI/AAAAAAAACKk/e4ElYPGdOhM/s72-c/Itarar%25C3%25A9.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-6769371854443048335</id><published>2012-01-03T10:18:00.000-02:00</published><updated>2012-01-03T10:34:59.742-02:00</updated><title type='text'>SEXTA−FEIRA, SÁBADO, DOMINGO: UM ANO A MENOS, UM ANO A MAIS</title><content type='html'>Não fiz muito esforço para celebrar a mudança do calendário. Apenas deixei o tempo escorrer junto com a areia na ampulheta. Talvez essa seja uma imagem antiga, mas já faz tempo que não uso relógio (o celular é multifuncional) ou qualquer outro instrumento de medição cronológica. Além disso, perdi o interesse na passagem do tempo − para meu desespero, não estou ficando mais jovem a cada dia que passa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-WrQxyO_pMMo/TwLyYqL6PrI/AAAAAAAACJE/3PRbPlc6RZ8/s1600/Doc%2B001.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="198" width="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-WrQxyO_pMMo/TwLyYqL6PrI/AAAAAAAACJE/3PRbPlc6RZ8/s320/Doc%2B001.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Aproveitei a metade da tarde de sexta-feira para ir ao cinema. Durante duas horas, acompanhado por imenso pacote de pipocas e refrigerante, deixei Ethan Matthew Hunt salvar o mundo. Tarefa que ele cumpriu com alguma dificuldade, depois de destruir uma prisão russa, parte de um hotel em Dubai e uns quinze carros em Bombaim. Diante dessas imagens do mundo globalizado, anotei mentalmente que "já não fazem mais heróis como antigamente".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-f3gCraNfTAU/TwLy6i0cfKI/AAAAAAAACJc/KS0ddMSp19Y/s1600/Doc.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="320" width="196" src="http://3.bp.blogspot.com/-f3gCraNfTAU/TwLy6i0cfKI/AAAAAAAACJc/KS0ddMSp19Y/s320/Doc.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Depois dessa overdose de adrenalina artificial, só me restou passar a noite com Jane. Não a do Tarzan. Outra. Também não era a Jane Fonda. Ou a Jane Birkin. Ou a Jane Doe. Por mais que os meus sonhos impróprios para menores de 18 anos dissessem o contrário, não foi com nenhuma dessas deusas. Uma das tarefas a que me propus em 2011 era ler &lt;b&gt;Mansfield Park&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Persuasão&lt;/b&gt;, romances de Jane Austen. Quase falhei nesse desafio. O primeiro já havia devorado no meio do ano. Mas, o segundo... Nos estertores do ano que estava findando, encontrei uma edição de bolso. Comprei o livro e levei Anne Elliot para a cama. Foi bom. Apesar do puritanismo anglicano e da notória voracidade das personagens de Austen por casamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de tamanho esforço noturno, dormi durante boa parte da manhã de sábado. O sol me chamou pra rua. Eu fui. Fui só. Almoço, vídeo−locadora, banca de jornais, supermercado − não ignorei nenhum dos penduricalhos da vida social, comercial e cultural dos burgueses semi−letrados. Voltei para casa, carregado de sacolas. Se tivesse lembrado alguma letra de samba, talvez espantasse os transeuntes com a minha voz de taquara rachada. Poupei a humanidade desse vexame.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-pHNObfQi8mo/TwL1mLBK7EI/AAAAAAAACJo/gTDcWdYvs8U/s1600/maravilhas-mesa-de-sinuca.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="240" width="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-pHNObfQi8mo/TwL1mLBK7EI/AAAAAAAACJo/gTDcWdYvs8U/s320/maravilhas-mesa-de-sinuca.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;No final da tarde, sinuca e cerveja − que isso é de lei. O placar não foi o esperado, mas como é de conhecimento amplo, geral e irrestrito, todos os jogos são caixinhas de surpresas (hoje ganha, amanhã perde, depois empata). Entre tacadas, risadas e algumas "ampolas de pão líquido" a vida seguiu o seu curso como uma super−modelo anoréxica na passarela׃ elegante e altiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas horas depois, o evento−mor: na casa de minha mãe, enquanto foguetes explodiam lá fora, a gata tentava se esconder atrás dos móveis. Abrimos uma garrafa de espumante quase vagabundo e brindamos ao velho e ao novo ano. Foi isso. Nada demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-VNaPdbtU3Fc/TwL12NHsQDI/AAAAAAAACJ0/6gWOf0yIj74/s1600/Jane%2B2.bmp" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="225" width="225" src="http://1.bp.blogspot.com/-VNaPdbtU3Fc/TwL12NHsQDI/AAAAAAAACJ0/6gWOf0yIj74/s320/Jane%2B2.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Voltei para casa. Voltei para Jane. Mas... Álcool demais não faz bem para certas atividades. Incapaz de cumprir com minhas funções, depois de apagar a luz, virei para o lado e dormi − como freqüentemente acontece na vida de quem, digamos, bebeu além da conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No domingo, ressaca. Nada muito grave. Isotônicos e coca−cola ajudaram a resolver o problema. O CD da Esperanza Spalding, "tocando sem parar" também ajudou muito nesse período de transição. A tarde foi devorada com DVDs, sanduíches de queijo e salame, bolo de chocolate. Ah, também me redimi com Jane. Perdão, com Anne Elliot. E vibrei quando ela, finalmente, se acertou com o capitão Wentworth. Foi o desfecho perfeito para um final de semana banal.        &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-6769371854443048335?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/6769371854443048335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/sextafeira-sabado-domingo-um-ano-menos.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/6769371854443048335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/6769371854443048335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/sextafeira-sabado-domingo-um-ano-menos.html' title='SEXTA−FEIRA, SÁBADO, DOMINGO: UM ANO A MENOS, UM ANO A MAIS'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-WrQxyO_pMMo/TwLyYqL6PrI/AAAAAAAACJE/3PRbPlc6RZ8/s72-c/Doc%2B001.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-8148979291407029793</id><published>2012-01-02T16:05:00.000-02:00</published><updated>2012-01-06T15:06:16.042-02:00</updated><title type='text'>DANIEL PIZA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-7M4f4tFA-pc/TwHyGFTx8AI/AAAAAAAACH8/w5bii18fjwM/s1600/Daniel%2B5.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="259" width="195" src="http://1.bp.blogspot.com/-7M4f4tFA-pc/TwHyGFTx8AI/AAAAAAAACH8/w5bii18fjwM/s320/Daniel%2B5.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Daniel Piza morreu. Foi isso que descobri na manhã de 31 de dezembro. Ele tinha 41 anos e estava passando férias na casa de parentes em Gonçalves (MG). Sofreu um AVC (Acidente vascular cerebral). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucos sentirão sua falta. Que importância deve ser atribuída a um jornalista cultural? Nenhuma. Em um país de analfabetos, onde ler e pensar são considerados como perda de tempo, reunir as palavras "jornalismo" e "cultura" em uma mesma frase comprova o inesgotável poder humorístico da língua portuguesa. Esse momento de glória da &lt;b&gt;última flor do Lácio, inculta e bela&lt;/b&gt; atinge o seu ápice nas redações dos jornais, lugar onde os interesses comerciais determinam o poder corrosivo da barbárie. Ninguém (com um mínimo de senso crítico) consegue suportar a quantidade de resenhas amorfas e releases laudatórios que são publicados diariamente em benefício da mediocridade alimentada pelos interesses capitalistas (e anti−iluministas) da indústria cultural. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-T54Xn2VZ_XI/TwHyuhg9OAI/AAAAAAAACII/G1P9qQHcG9E/s1600/Daniel%2B3.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="200" width="200" src="http://3.bp.blogspot.com/-T54Xn2VZ_XI/TwHyuhg9OAI/AAAAAAAACII/G1P9qQHcG9E/s320/Daniel%2B3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Daniel morreu. Apesar da pouca idade, trabalhou em diversos lugares e publicou 17 livros. É bastante. Além de ter organizado uma importante coletânea de frases (&lt;b&gt;Waaal – o Dicionário da Corte de Paulo Francis&lt;/b&gt;), publicou &lt;b&gt;Questão de gosto&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Aforismos sem Juízo&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Jornalismo  cultural&lt;/b&gt;. Como biografo escreveu sobre Ayrton Senna, Paulo Francis e Machado de Assis. Traduziu, entre outros autores, Henry James (&lt;b&gt;A Arte da Ficção&lt;/b&gt;) e H.G. Wells (&lt;b&gt;A Máquina do Tempo&lt;/b&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniel morreu e com essa perda o Brasil ficou sem um dos representantes de algo capaz de fazer a diferença no meio da turba bárbara: opinião. Nem sempre a mais correta ou a mais plausível.  Isso não importa. Na linha dos mestres Paulo Francis, H. L. Mencken e George Bernard Shaw, melhor errar do que calar. Melhor estabelecer o debate do que engolir em seco os interesses escusos e escuros dos pára-quedistas culturais. Nenhum soldado da infantaria pensa em escapar incólume. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-kLVOmyG5E9k/TwHy-AI8hfI/AAAAAAAACIU/oei8Pp5-Ka8/s1600/Daniel%2B2.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="160" width="160" src="http://4.bp.blogspot.com/-kLVOmyG5E9k/TwHy-AI8hfI/AAAAAAAACIU/oei8Pp5-Ka8/s320/Daniel%2B2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Daniel gostava de escrever. Literatura, cinema, música, dança, teatro, política, educação, tudo era motivo para uma nota, para um comentário. Entre a seta e o alvo, o percurso da flecha. Nada escapava de suas observações. Sem essas frescuras de separar isso daquilo, adorava futebol e sempre escrevia sobre o "ludopédio". Estava ciente de que a cultura popular nos salvará da subnutrição intelectual. Ao mesmo tempo, não se deixava abater pelo rebaixamento de um empreendimento comercial que somente se preocupa com os números relacionados com vendas maciças. E isso está comprovado em alguns de seus &lt;b&gt;aforismos sem juízo&lt;/b&gt;: sínteses morais de um tempo que somente existe como ficção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-_edSM0U43rM/TwHzTGAZvII/AAAAAAAACIg/A9N4xJYpmgI/s1600/Daniel.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="180" width="240" src="http://1.bp.blogspot.com/-_edSM0U43rM/TwHzTGAZvII/AAAAAAAACIg/A9N4xJYpmgI/s320/Daniel.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Como escreveu Paulo Francis a respeito de Anthony Burgess: &lt;b&gt;O que vai fazer mais falta é o banquete, a alegria de sua personalidade, a coragem de explicar o mundo como é, impondo sua civilização pessoal ao que criticava.&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniel morreu e, nestes &lt;b&gt;Tristes tropiques&lt;/b&gt;, o show precisa continuar.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-8148979291407029793?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/8148979291407029793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/daniel-piza.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/8148979291407029793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/8148979291407029793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2012/01/daniel-piza.html' title='DANIEL PIZA'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-7M4f4tFA-pc/TwHyGFTx8AI/AAAAAAAACH8/w5bii18fjwM/s72-c/Daniel%2B5.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-7938711612232897242</id><published>2011-12-30T11:14:00.000-02:00</published><updated>2011-12-30T11:16:27.696-02:00</updated><title type='text'>CINEMA ARGENTINO: ALEGRIA E TALENTO</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-1GXk2ieL7vU/Tv20bC080PI/AAAAAAAACGk/bMvpimtrk5Y/s1600/CAL7Q01JCAEHT0K5CACI4Q2SCAFGF6GICA54E5M9CAQTUDX2CAVSF04KCA8Q306ICAFEU7O5CAV859JECAQXYOV1CACZ642DCAHCW0DOCAXC4XPVCAKRNQUBCAXLEDNOCA3R4TJKCAY79LFW.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="180" width="280" src="http://4.bp.blogspot.com/-1GXk2ieL7vU/Tv20bC080PI/AAAAAAAACGk/bMvpimtrk5Y/s320/CAL7Q01JCAEHT0K5CACI4Q2SCAFGF6GICA54E5M9CAQTUDX2CAVSF04KCA8Q306ICAFEU7O5CAV859JECAQXYOV1CACZ642DCAHCW0DOCAXC4XPVCAKRNQUBCAXLEDNOCA3R4TJKCAY79LFW.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Enquanto o cinema brasileiro corre para um lado e outro, feito barata tonta, com uma câmera na cabeça e nenhuma idéia na mão, o cinema argentino assombra o mundo com talento e engenhosidade. Lembrar que "los hermanos" ganharam o Oscar de melhor filme estrangeiro duas vezes (&lt;b&gt;História Oficial&lt;/b&gt;. Dir. Luis Puenzo, 1985; &lt;b&gt;El secreto de sus ojos&lt;/b&gt;. Dir. Juan Jose Campanella, 2009) somente valoriza os argumentos dos pessimistas – que desprezam com força e nojo as comédias fáceis, dirigidas e protagonizadas pelos canastrões que integram o elenco da Globo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-wpSTufI3yog/Tv22NLGNx3I/AAAAAAAACGw/VG5HFhCSs1E/s1600/CA9T4OOACAJ5622FCAG7LVWJCAY2E7WDCAPZNCGUCABP416HCAVC803SCAMPQD1KCABIEP7GCAU5ZQFVCABNLPX2CA3924YDCAPDNX6FCAJC2MBFCADWLAVXCAQ06470CAUBAIWGCAJ8K1CA.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="173" width="291" src="http://1.bp.blogspot.com/-wpSTufI3yog/Tv22NLGNx3I/AAAAAAAACGw/VG5HFhCSs1E/s320/CA9T4OOACAJ5622FCAG7LVWJCAY2E7WDCAPZNCGUCABP416HCAVC803SCAMPQD1KCABIEP7GCAU5ZQFVCABNLPX2CA3924YDCAPDNX6FCAJC2MBFCADWLAVXCAQ06470CAUBAIWGCAJ8K1CA.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Outro fato: não temos, nunca tivemos, um Ricardo Darin - o maior e o mais importante ator do cinema latino-americano! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o Brasil não conseguir um cinema plural, livre e com diversificação nas fontes de financiamento, não será possível sair do atoleiro. Atualmente, inexistem condições para o surgimento de outro Humberto Mauro ou Glauber Rocha.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem duvidar do talento argentino, recomenda−se, entre tantos, dois filmes recentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Txx5uF0MRnE/Tv22g_N9V8I/AAAAAAAACG8/tx2RU2c7wnA/s1600/CABGFHMGCAS7RPX5CA2ZD5DYCAJTY52XCASKGYG7CAK3160DCA6FALBXCA2Q3ECWCAZ3HP8HCAYRP8EWCAYO6XAQCA51E1X0CAH6PG3OCA0YJE2LCA6PZOF2CAT5KPCQCA8D18BQCARYB8OY.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="264" width="176" src="http://4.bp.blogspot.com/-Txx5uF0MRnE/Tv22g_N9V8I/AAAAAAAACG8/tx2RU2c7wnA/s320/CABGFHMGCAS7RPX5CA2ZD5DYCAJTY52XCASKGYG7CAK3160DCA6FALBXCA2Q3ECWCAZ3HP8HCAYRP8EWCAYO6XAQCA51E1X0CAH6PG3OCA0YJE2LCA6PZOF2CAT5KPCQCA8D18BQCARYB8OY.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;O Homem do lado&lt;/b&gt; (&lt;b&gt;El hombre de el lado&lt;/b&gt;. Dir. Mariano Cohn e Gastón Duprat, 2009) é uma comédia sombria, pendendo para o drama. Quase todo centrado nas figuras de Leonardo Kachanovsky (interpretado por Rafael Spregelburd) e Victor Chubello (interpretado por Daniel Aráoz), o filme retrata um dos grandes problemas contemporâneos: o vizinho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonardo é designer de moveis, professor na universidade, adora musica instrumental de vanguarda, bons vinhos e mora em La Plata, na &lt;b&gt;Casa Curutchet&lt;/b&gt; (o único trabalho de Le Corbusier na América Latina).   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Victor é o oposto. Mora na casa ao lado. Grosseiro, intrometido, violento. E quer abrir uma janela em uma parede que, de certa forma, invadirá a privacidade da família de Leonardo. Além disso, incidirá na alteração inadequada da estética arquitetônica proposta por Le Corbusier. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-LEI7GHh7eks/Tv23pJHPXQI/AAAAAAAACHI/W084VSNp6Rg/s1600/untitled.bmp" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="183" width="275" src="http://3.bp.blogspot.com/-LEI7GHh7eks/Tv23pJHPXQI/AAAAAAAACHI/W084VSNp6Rg/s320/untitled.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Seguem−se conversações inúteis. Em todas Victor obtém vantagem, seja intimidando, seja forçando intimidades. Atitudes mais drásticas são tomadas, mas não resolvem o problema. A figura do vizinho passa a ser um contrapeso no delicado equilíbrio familiar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desfecho é cruel, revelando o quanto há de complexidade nos relacionamentos humanos. Nas histórias de mocinhos e bandido, ninguém é inocente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-4VoqpUzSduo/Tv236-NoJbI/AAAAAAAACHU/OFuBFKxMRqg/s1600/CAW2VYNJCAF2NF2CCA779I9NCA0V4YEJCA10F1TJCA3WDC8QCAEZY9LDCATR5LZUCA9AAZUFCAPJU524CAFZQG5LCAWBAADDCAGARD9ECAEGM8X7CAHVZO6ICAJ7W1PZCAP87JIDCAD2X29G.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="270" width="187" src="http://3.bp.blogspot.com/-4VoqpUzSduo/Tv236-NoJbI/AAAAAAAACHU/OFuBFKxMRqg/s320/CAW2VYNJCAF2NF2CCA779I9NCA0V4YEJCA10F1TJCA3WDC8QCAEZY9LDCATR5LZUCA9AAZUFCAPJU524CAFZQG5LCAWBAADDCAGARD9ECAEGM8X7CAHVZO6ICAJ7W1PZCAP87JIDCAD2X29G.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;Um conto chinês&lt;/b&gt; (&lt;b&gt;Un conto chino&lt;/b&gt;. Dir. Sebastian Borensztein, 2011) inicia com uma imagem inusitada: uma vaca caindo do céu. Logo depois, vemos um chinês sendo assaltado por um taxista argentino. Roberto de Cesare (interpretado por Ricardo Darin) socorre a vítima. E só consegue se livrar de Jun Hio (interpretado por Ignacio Huang) no final do filme. &lt;br /&gt;Roberto é o dono de uma casa de ferragens. Cultiva hábitos metódicos, como apagar as luzes do quarto exatamente às 23 horas ou contar os parafusos das caixas que vende. E fica furioso quando descobre que estão faltando um ou dois. A única coisa que destoa um pouco de sua rotina é o estranho hobby de colecionar notícias insólitas. Mas, mesmo assim, criou uma liturgia diária para ler os jornais e selecionar o material. Nada abala o seu dia−a−dia, nem mesmo o interesse de Mari, a irmã de um amigo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma cena emblemática, Mari comenta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;− Você é rabugento, eremita, sensível, bom e corajoso. Além disso, tem esse olhar que me mata.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que Roberto faz, diante dessa declaração de amor? Fica em silêncio, a remoer os pensamentos. A única coisa que consegue dizer, depois de vários segundos de silêncio, é:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;− Você é muito gentil.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-irqYhnZmjcg/Tv242cmnRCI/AAAAAAAACHw/ok0y7UFMJKU/s1600/CAKI5D6JCA8TI2IUCAYNVWK9CAJ51OYECA6P9UBTCAPISLFPCAPF6CDBCAX39Y08CA5WM8EGCAMM47SUCARZ7CVPCAMB9CF9CAB5HLUQCALS61HLCAHA3218CA00T8N1CAK5BV15CA6HS6Q6.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="193" width="261" src="http://4.bp.blogspot.com/-irqYhnZmjcg/Tv242cmnRCI/AAAAAAAACHw/ok0y7UFMJKU/s320/CAKI5D6JCA8TI2IUCAYNVWK9CAJ51OYECA6P9UBTCAPISLFPCAPF6CDBCAX39Y08CA5WM8EGCAMM47SUCARZ7CVPCAMB9CF9CAB5HLUQCALS61HLCAHA3218CA00T8N1CAK5BV15CA6HS6Q6.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Sem sentimentos pelo outro, pode−se dizer. Jun Hio é quem altera toda essa desordem afetiva. Sem falar uma única palavra em espanhol, está procurando por um tio que não vê há muitos anos. Roberto, que não fala chinês, o acolhe e enlouquece com a presença do estranho. Quer se livrar da visita incômoda. Ao mesmo tempo, não consegue conviver com a culpa. É divertido ver o quando cada um dos personagens administra essa situação. Visitas à embaixada, passeios pelo bairro oriental, a ajuda de um tradutor (um motoboy do restaurante chinês). Todos esses elementos vão acrescentando camadas de humanidade ao desencontro afetivo e lingüístico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o parente de Jun Hio é encontrado, as relações entre os dois homens é de outra ordem. E é o presente de despedida de Jun (a pintura de uma vaca, na parede) que une as pontas desencontradas dessa aventura.                &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-7938711612232897242?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/7938711612232897242/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2011/12/cinema-argentino-alegria-e-talento.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/7938711612232897242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/7938711612232897242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2011/12/cinema-argentino-alegria-e-talento.html' title='CINEMA ARGENTINO: ALEGRIA E TALENTO'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-1GXk2ieL7vU/Tv20bC080PI/AAAAAAAACGk/bMvpimtrk5Y/s72-c/CAL7Q01JCAEHT0K5CACI4Q2SCAFGF6GICA54E5M9CAQTUDX2CAVSF04KCA8Q306ICAFEU7O5CAV859JECAQXYOV1CACZ642DCAHCW0DOCAXC4XPVCAKRNQUBCAXLEDNOCA3R4TJKCAY79LFW.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-6202357937777996040</id><published>2011-12-29T15:56:00.000-02:00</published><updated>2011-12-29T16:17:19.962-02:00</updated><title type='text'>MELANCOLIA, UM FILME DE LARS VON TRIER</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-_PPcEuAuqi8/TvymjGf7GEI/AAAAAAAACFo/cBtXlKKKJTs/s1600/CAWMK1RBCA71EOP9CA9DPUKTCA0YHQFWCAU06JALCADGITNBCAC0QBZ5CAGU3PUTCAYB4RM0CA5349LVCA714RGWCA6JKCTKCATBU6QSCA66AV23CA8VYU9VCA4L7XOJCATB17CXCA1L7OJ5.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="272" width="185" src="http://2.bp.blogspot.com/-_PPcEuAuqi8/TvymjGf7GEI/AAAAAAAACFo/cBtXlKKKJTs/s320/CAWMK1RBCA71EOP9CA9DPUKTCA0YHQFWCAU06JALCADGITNBCAC0QBZ5CAGU3PUTCAYB4RM0CA5349LVCA714RGWCA6JKCTKCATBU6QSCA66AV23CA8VYU9VCA4L7XOJCATB17CXCA1L7OJ5.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Que os defensores dessa coisa amorfa que alguns críticos chamam de "cinema de arte" me perdoem: prazer é fundamental. Filme chato será eternamente filme chato, seja "artístico" ou "trash". Adaptando essa proposta para os dias de hoje, cada uma das partes da pavorosa e reacionária série &lt;b&gt;Crepúsculo&lt;/b&gt; merecia ganhar uma dúzia de Palmas de Ouro do Festival de Cannes se o padrão de comparação fosse o "cult" &lt;b&gt;Melancolia&lt;/b&gt; (&lt;b&gt;Melancholia&lt;/b&gt;. Dir. Lars van Trier, 2011). Bocejos e vontade de desligar o DVD foram os efeitos mais suaves (e constantes) em um filme que conseguiu a proeza herética de transformar Kristen Dunst e Charlote Gainsbourg em mulheres feias.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O enredo da película é ridículo. A primeira parte (&lt;b&gt;Justine&lt;/b&gt;) conta a história confusa de um casamento confuso. E que não se concretiza. O noivo e a noiva chegam atrasados, em uma limusine enorme. Parecem felizes. Só parecem. Despido &lt;i&gt;o véu diáfano da fantasia&lt;/i&gt;, como diria o Conselheiro Acácio, as máscaras mostram as más caras, tão "reais" quando a quantidade de sentimentos ruins que logo em seguida são jogados na tela e, conseqüentemente, no expectador que teve a péssima idéia de assistir essa bobagem.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-gCevrpQqEzQ/TvyqwgyRQMI/AAAAAAAACF0/In60Ns71GUo/s1600/Lars-von-Trie-fuck-tattoo.png" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="240" width="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-gCevrpQqEzQ/TvyqwgyRQMI/AAAAAAAACF0/In60Ns71GUo/s320/Lars-von-Trie-fuck-tattoo.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Além da visível dissintonia entre as irmãs Justine e Claire, o noivo parece figurante de pantomima. John, o cunhado de Justine, pagou todas as despesas da cerimônia e pressiona para que tudo se resolva em bom termo, como mandam as regras da civilidade social. Entre os demais integrantes da festa, o único que merece algum destaque é o pai da noiva, uma figura, e que chama todas as mulheres por um único nome, redução explicita da feminilidade, como se elas não tivessem identidade ou livre arbítrio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para arrematar o festival de clichês deprimentes, algumas cenas com câmera de mão acenam para uma fotografia modernosa, lembrança nostálgica do extinto e enterrado movimento &lt;b&gt;Dogma 95&lt;/b&gt; – e constantemente exumado por tolices de teatro filmado como &lt;b&gt;Dogville&lt;/b&gt; (Dir. Lars van Trier, 2003). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-PP7Sg_hI3bg/TvyrPLV7jyI/AAAAAAAACGA/69seWtHmPBU/s1600/CA491NLOCAXNJNNOCA5W012SCAUOBKY3CAZUK422CAAMLVV9CAQCOIK9CA2G0APECA0VTZKRCAVT0ZR0CACBVFUDCAAHNEH5CAQX2ASJCAUZK44PCA1POBAFCALT3WG7CA32XGAFCA83NA09.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="168" width="300" src="http://2.bp.blogspot.com/-PP7Sg_hI3bg/TvyrPLV7jyI/AAAAAAAACGA/69seWtHmPBU/s320/CA491NLOCAXNJNNOCA5W012SCAUOBKY3CAZUK422CAAMLVV9CAQCOIK9CA2G0APECA0VTZKRCAVT0ZR0CACBVFUDCAAHNEH5CAQX2ASJCAUZK44PCA1POBAFCALT3WG7CA32XGAFCA83NA09.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Quando a câmera se fixa, o casamento desanda. E, enquanto foge do noivo e do patrão (que quer um slogan para uma campanha publicitária), a noiva − demonstrando todo o mal−estar que a reveste − faz sexo com outro homem. Nada demais. Apenas tédio. Ou um elemento tolo de um roteiro que beira o non−sense. Há pouca amarração entre as cenas. O desespero artificial pontua cada fotograma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de um pouco mais de uma hora, inicia a segunda parte (&lt;b&gt;Claire&lt;/b&gt;) – que consegue ser mais deprimente. Justine está catatônica; Claire, histérica. Enquanto isso, John (interpretado por Kiefer Sutherland) brinca de astrônomo. Um planeta errante está se aproximando da Terra. Segundo cálculos matemáticos, não há perigo de colisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Snw-0LEsCl8/Tvyr3V5GNRI/AAAAAAAACGM/d6_bS4kMkL8/s1600/CAZK3D0TCAIIK9S1CAT8WCLGCAZ5LD3WCAH9X7R3CAOGDF54CAIVOS57CAV9F3PPCA099SAXCALK2OYYCA9BUFSHCADUI171CA9Q2GYPCAH4MMTVCA8OY98PCA8L1IRXCAFLETVCCASNHUAW.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="163" width="309" src="http://2.bp.blogspot.com/-Snw-0LEsCl8/Tvyr3V5GNRI/AAAAAAAACGM/d6_bS4kMkL8/s320/CAZK3D0TCAIIK9S1CAT8WCLGCAZ5LD3WCAH9X7R3CAOGDF54CAIVOS57CAV9F3PPCA099SAXCALK2OYYCA9BUFSHCADUI171CA9Q2GYPCAH4MMTVCA8OY98PCA8L1IRXCAFLETVCCASNHUAW.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O final é apocalíptico – e previsível. Todas as almas desesperadas são destruídas pelo choque planetário. Ridículo. E chato. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos blockbusters catástrofes (&lt;b&gt;Armageddon&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;O dia depois de amanhã&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;2012&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Guerra dos mundos&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Independence day&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;A estrada&lt;/b&gt;, e mais uma centena de outras bobagens de igual quilate) essas fantasias são mais divertidas. E, de certa forma, esperançosas. Sempre sobra alguém na cena final para dar continuidade à saga. Lars Von Trier, patético, não concede redenção. Na sua ânsia de brincar de deus vingativo, quer é destruir o mundo. Provavelmente, o mundo que o obrigou a dirigir um filme tão chato. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Framboesas de Ouro&lt;/b&gt; (&lt;b&gt;Razzie Awards&lt;/b&gt;) para &lt;b&gt;Melancolia&lt;/b&gt; e Lars Von Trier.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-d9ZOes8U_iA/TvysDP3KhlI/AAAAAAAACGY/ShUXq9DH8eU/s1600/CAPUU8BMCAKNEPYJCAY39PCRCA05TE3QCAP4DW80CAE521EJCAKF41HMCAU0FWSPCALPJEXWCAQM6N1BCAYUYVJQCAY6C7J7CAI21AM8CA5W2PUYCA25602UCAPCCW9LCARM3AL0CAYR50TO.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="185" width="272" src="http://1.bp.blogspot.com/-d9ZOes8U_iA/TvysDP3KhlI/AAAAAAAACGY/ShUXq9DH8eU/s320/CAPUU8BMCAKNEPYJCAY39PCRCA05TE3QCAP4DW80CAE521EJCAKF41HMCAU0FWSPCALPJEXWCAQM6N1BCAYUYVJQCAY6C7J7CAI21AM8CA5W2PUYCA25602UCAPCCW9LCARM3AL0CAYR50TO.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;(Kristen Dunst e Charlote Gainsbourg, belas e formosas, em uma sessão de entrevistas para promoção de &lt;b&gt;Melancolia&lt;/b&gt;). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-6202357937777996040?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/6202357937777996040/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2011/12/melancolia-um-filme-de-lars-von-trier.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/6202357937777996040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/6202357937777996040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2011/12/melancolia-um-filme-de-lars-von-trier.html' title='MELANCOLIA, UM FILME DE LARS VON TRIER'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-_PPcEuAuqi8/TvymjGf7GEI/AAAAAAAACFo/cBtXlKKKJTs/s72-c/CAWMK1RBCA71EOP9CA9DPUKTCA0YHQFWCAU06JALCADGITNBCAC0QBZ5CAGU3PUTCAYB4RM0CA5349LVCA714RGWCA6JKCTKCATBU6QSCA66AV23CA8VYU9VCA4L7XOJCATB17CXCA1L7OJ5.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-5284105332676050899</id><published>2011-12-28T09:48:00.000-02:00</published><updated>2011-12-28T09:51:06.954-02:00</updated><title type='text'>JEROME DAVID SALINGER</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-YAlVX1mC42o/Tvr8rVTh6_I/AAAAAAAACEI/5aJwz0tql_4/s1600/CALYDMK2CAJPTVH7CAS9U7QRCA3O3TLHCASID2S0CA05ZMJ5CAOSDU0XCA6Y9KUQCA0NFEE6CAEI2TOTCAXD4C5CCAWTGHGRCA9EZ237CA02O8ATCA539A7DCAH1XAGVCAWGQN2VCA5BZ4C5.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="188" width="268" src="http://3.bp.blogspot.com/-YAlVX1mC42o/Tvr8rVTh6_I/AAAAAAAACEI/5aJwz0tql_4/s320/CALYDMK2CAJPTVH7CAS9U7QRCA3O3TLHCASID2S0CA05ZMJ5CAOSDU0XCA6Y9KUQCA0NFEE6CAEI2TOTCAXD4C5CCAWTGHGRCA9EZ237CA02O8ATCA539A7DCAH1XAGVCAWGQN2VCA5BZ4C5.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Todos nós, nos moldes daquela velha seção daquela velha revista, possuímos um &lt;i&gt;tipo inesquecível&lt;/i&gt;. O meu era um escritor que não publicou uma única linha em muitos anos e que morava em Cornish, no interior de New Hampshire, no interior de Estados Unidos. Era. Porque, de acordo com o anúncio de seus filhos, ele faleceu no dia 28 de janeiro de 2010, aos 91 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jerome David Salinger ou J. D. Salinger, como era conhecido, publicou quatro volumes e ameaçou uma edição capa dura de &lt;b&gt;Hapworth 16, 1924&lt;/b&gt;. Em gesto caritativo com a humanidade (que ele detestava amorosamente), resolveu permitir a edição de conto antigo, originalmente publicado na revista &lt;b&gt;The New Yorker&lt;/b&gt;, em 1965. Escolheu uma editora pequena, quase de fundo de quintal, a &lt;b&gt;Orchise Press&lt;/b&gt;, localizada em Alexandria, Virginia. Depois, por um desses tumultos que afligem os corações ofegantes, retirou a permissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-HhVSNLS5_3U/Tvr_4XiN-YI/AAAAAAAACEU/ug0a1FRdqOw/s1600/CAQA8KW3CAQZABA1CAZOVX6FCA0VKUU3CA99208WCARCCUZ7CAPZTIL1CA3BJG9UCA87SM7KCA7BVTN9CAT65Z75CA4ONW1QCAF4B0BTCAJY70SQCA74B3EJCA4U4ZCLCAHKCKHOCA1QGCGQ.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="273" width="185" src="http://3.bp.blogspot.com/-HhVSNLS5_3U/Tvr_4XiN-YI/AAAAAAAACEU/ug0a1FRdqOw/s320/CAQA8KW3CAQZABA1CAZOVX6FCA0VKUU3CA99208WCARCCUZ7CAPZTIL1CA3BJG9UCA87SM7KCA7BVTN9CAT65Z75CA4ONW1QCAF4B0BTCAJY70SQCA74B3EJCA4U4ZCLCAHKCKHOCA1QGCGQ.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O grande problema de &lt;b&gt;Sonny&lt;/b&gt; (como era conhecido na juventude) era simples: ele odiava publicidade. Recluso, defendendo o direito de ser esquecido, ficava furioso quando via o seu nome emparedado nas páginas das revistas e dos jornais – outdoors da notoriedade de que sempre procurou fugir, barulho a constranger o silêncio que ele construiu nos últimos 55 anos de sua vida. Uma síntese para isso tudo poderia ser uma das frases pronunciada por Teddy (no conto homônino): &lt;i&gt;Depois que eu sair por essa porta talvez eu só exista na mente das pessoas que me conhecem&lt;/i&gt;. Ou, em outra versão, digo, aversão a jornalistas, escritores, ensaístas, biógrafos e outros abelhudos, Salinger talvez ambicionasse uma vida similar a de Seymour Glass (&lt;i&gt;See more glass?&lt;/i&gt;, pergunta a menininha em &lt;b&gt;O dia ideal para os peixes−bananas&lt;/b&gt;), um sujeito confuso que, desprezando o suicídio lento que é o corpo se arrastando pela vida, gotas e mais gotas perfurando a pele a cada instante, prefere o encontro imediato com a morte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-XDz_DgmOkDI/TvsALTLp7PI/AAAAAAAACEg/GwBWuu1Rb3s/s1600/CAUGYUMYCAZYUHL6CAFGFQDLCAJC1LQNCA6KYYDVCANYS4BZCAAPKWF2CAIY1DCLCA6H03PSCARLRLTLCALY2LOMCAE3DC0HCA4QASEHCA896375CA73X4J4CATQMIAWCAQ7KMR3CAJFUDNV.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="280" width="180" src="http://4.bp.blogspot.com/-XDz_DgmOkDI/TvsALTLp7PI/AAAAAAAACEg/GwBWuu1Rb3s/s320/CAUGYUMYCAZYUHL6CAFGFQDLCAJC1LQNCA6KYYDVCANYS4BZCAAPKWF2CAIY1DCLCA6H03PSCARLRLTLCALY2LOMCAE3DC0HCA4QASEHCA896375CA73X4J4CATQMIAWCAQ7KMR3CAJFUDNV.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Comprovando que a vida é diferente da ficção, o escritor viveu ate os 91 anos e, nesse tempo, precisou esperar pelo fim de algumas guerras. Ex−combatente da guerra de 1939−1945, Salinger sabia o valor dessas historias narradas nas matinês das tardes de domingo, os carroções da caravana em chamas, cercados pelos índios, na hora H ouve−se o clarim proclamar a boa nova, na frente da cavalaria surge o nosso amigo, carne e osso, coração e mente, contradição e coerência, uma dessas versões mitológicas do super−herói, Holden Caulfield, um guri furioso com as injustiças do mundo e metido a filósofo nas horas vagas (ou seja, todas), e que é o protagonista de &lt;b&gt;O apanhador no campo de centeio&lt;/b&gt; (aquele livro de triste memória, que um sujeito muito confuso, Mark Chapman, carregava em uma das mãos, numa dessas muito malucas manhãs de Nova Iorque, quando pediu autógrafo ao John Lennon e, depois, meio assim de bobeira, como para não perder a viagem, em lugar de cantar alguma canção − &lt;b&gt;I shot the Sheriff&lt;/b&gt;, de Bob Marley, por exemplo – resolveu, lentamente, mover um dedo e acionar o gatilho do revolver e ouvir e ver (&lt;i&gt;ever&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;forever&lt;/i&gt;) o disparo, o sangue escorrendo pelo corpo do ídolo, a vida perdendo o jogo. Nada demais, só mais uma dessas histórias horríveis que decoram os programas de televisão, e que a gente torce para ser ficção e, claro, nunca são).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio dessas neuroses que constituem a tessitura do existir estava J. D. Salinger, tentando fugir de todas essas pequenas tragédias burguesas que atingem as pessoas através das horas e dos sonhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-oRbfaMfi4A4/TvsAoeAkEgI/AAAAAAAACEs/TDwqHuwbHvE/s1600/CAF36J6MCATR4606CA1JSD7KCADGBD32CAGCH7WHCARQBHJSCA5P5FULCAOO1IF1CADRFASFCAMM19MFCA8D1TGRCARNNRSOCA0L1SB1CAJDB6U5CAQFTO4RCA6PIVS3CATA0CNSCAUNNQF4.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="256" width="166" src="http://3.bp.blogspot.com/-oRbfaMfi4A4/TvsAoeAkEgI/AAAAAAAACEs/TDwqHuwbHvE/s320/CAF36J6MCATR4606CA1JSD7KCADGBD32CAGCH7WHCARQBHJSCA5P5FULCAOO1IF1CADRFASFCAMM19MFCA8D1TGRCARNNRSOCA0L1SB1CAJDB6U5CAQFTO4RCA6PIVS3CATA0CNSCAUNNQF4.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Apesar do barulho ao redor, ele sempre tentou permanecer em silêncio. Razões ele teve, basta lembrar dois episódios horríveis. Joyce Maynard, uma ex−namorada, publicou livro contando a história amorosa que eles viveram. A moça não escreveu elogios. Em outro livro, Margaret, uma de suas filhas, não poupou ressentimento em um desses desabafos cruéis contra o pai ausente, pouco amoroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alem disso, há o episódio do incêndio. Em 1993, parte de sua casa foi destruída. Enquanto ele acompanhava o trabalho dos bombeiros, talvez chorando pelos inúmeros manuscritos que talvez foram devorados pelas chamas, dezenas de jornalistas lhe faziam perguntas estúpidas sobre isso e aquilo. Ele se controlou para não ver a cor do sangue daqueles idiotas movidos a hambúrguer e coca−cola. Será que não conseguiam ver a dor que estava estraçalhando a alma do velho escritor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-_QxtNbH_ad8/TvsA9dWJY3I/AAAAAAAACE4/aSXSwC5fADE/s1600/CAZVY0TRCA6BWI2HCAPRBB4HCA6C4EL1CAQT8OHJCAD0FU0ECA9300AMCAC4KSDBCAONLUAZCADH50ZSCAD3Q8MTCA13C76FCAC83PLACAFIV3X5CATNG0IMCAHEIL5ZCANYD4H6CA3HEJ3C.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="285" width="177" src="http://4.bp.blogspot.com/-_QxtNbH_ad8/TvsA9dWJY3I/AAAAAAAACE4/aSXSwC5fADE/s320/CAZVY0TRCA6BWI2HCAPRBB4HCA6C4EL1CAQT8OHJCAD0FU0ECA9300AMCAC4KSDBCAONLUAZCADH50ZSCAD3Q8MTCA13C76FCAC83PLACAFIV3X5CATNG0IMCAHEIL5ZCANYD4H6CA3HEJ3C.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Adianta alguma coisa ter sentimentos?  Sei lá! O fato é que nada incomoda mais o mundo que um homem que prefere ouvir, sozinho, o barulho de apenas uma mão aplaudindo, o eterno "koan" ecoando na mente daqueles que nunca souberam entender o que ele estava pensando e por isso mesmo fizeram acampamento em frente de seus livros, de sua casa, de sua família. Urubus sentindo a carniça, acenderam fogueiras em homenagem aos deuses de barro da literatura. Esforço em vão. Invejosos do seu talento e não podendo escrever tão bem, tão limpidamente quanto ele, o perturbaram e inventaram coisas que ele não fez e que, verdadeiramente, nem importantes eram. Por essas e outras, de vez em quando aparece um (ou mil, é a mesma coisa) desses universitários chatos que − na falta do que fazer − relacionaram Salinger com ícones da mídia, Elvis Presley, Marlon Brando, Thomas Pynchon. Houve comparações com Don DeLillo, embora esse seja de outra estirpe, e também um tímido, e parece ate sacanagem, um dos romances de DeLillo, &lt;b&gt;Mao II&lt;/b&gt;, é baseado em Salinger – o suficiente para mostrar que o mundo é cruel e quer devorar tudo aquilo que não consegue entender ou corromper.       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-go7-gyfWTvs/TvsBLcn0aQI/AAAAAAAACFE/PfQMsp0Qm6o/s1600/CAIPU2ROCA1OX1BACA8AF2DTCAYI78ECCAE923XWCAGN2UP5CAFBH9BCCAZBZVYJCABM58H9CA1VCFYUCAYHR1FCCACDHC2XCAPQXNK4CAUQ0X6JCATC512PCAKVC8OWCA09DPLXCAE1K68G.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="276" width="183" src="http://3.bp.blogspot.com/-go7-gyfWTvs/TvsBLcn0aQI/AAAAAAAACFE/PfQMsp0Qm6o/s320/CAIPU2ROCA1OX1BACA8AF2DTCAYI78ECCAE923XWCAGN2UP5CAFBH9BCCAZBZVYJCABM58H9CA1VCFYUCAYHR1FCCACDHC2XCAPQXNK4CAUQ0X6JCATC512PCAKVC8OWCA09DPLXCAE1K68G.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Nenhuma novidade. A vida adora pregar peças em seus filhos, algumas sem a menor graça. A questão é que – diante dessas histórias – algumas pessoas passam a acreditar na própria genialidade e começaram a criar fantasias e tolices e nem sequer perceberam que o ponto fulcral é outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro? Sim, outro. Qual? Difícil dizer. Talvez nem Salinger soubesse. De qualquer forma, em determinado momento, ele deu um basta nesse conto de fadas que é ficar distribuindo sorrisos protocolares ou freqüentar a mediocridade dos saraus literários, explicitando a hipocrisia social e essas coisas medonhas do elogio mútuo, "Você é ótimo", "Você também", a farsa do talento escondida no reino da mentira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Solitário em seu descompasso, Salinger preferiu se recolher (encolher), fornecer alguma tranqüilidade para os dias que lhe restavam sobre a Terra, essas sutilezas de quem já viu tudo e não gostou das imagens. Claro que, nesses tempos de fúria narcisista, fica difícil entender aquele que decide esconder o rosto e que, a sua maneira, tem procurado ser contra &lt;i&gt;toda essa lengalenga tipo David Copperfield&lt;/i&gt; − embora seja necessário lembrar que foi uma escolha, a sua escolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-INZFBUnrOX0/TvsBdandVXI/AAAAAAAACFQ/tV7H2S3NMbk/s1600/CAU7ETUECAHAFT9CCAAUKNX0CAK96I70CARNAVQSCADGDGC8CAUL4V54CALJ7H44CA65HOCWCACE3OG6CAOUNIAMCAFE53J8CAMC55I7CAG2U9DKCAN9BNZLCAV52ABDCAOENZP2CAB8QIP0.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="272" width="185" src="http://4.bp.blogspot.com/-INZFBUnrOX0/TvsBdandVXI/AAAAAAAACFQ/tV7H2S3NMbk/s320/CAU7ETUECAHAFT9CCAAUKNX0CAK96I70CARNAVQSCADGDGC8CAUL4V54CALJ7H44CA65HOCWCACE3OG6CAOUNIAMCAFE53J8CAMC55I7CAG2U9DKCAN9BNZLCAV52ABDCAOENZP2CAB8QIP0.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Por outro lado, a publicação (perdão, a não publicação) de &lt;b&gt;Hapworth 16, 1924&lt;/b&gt; está longe dessas histórias (feitas exclusivamente para vender jornais e revistas) de que Salinger cansou do ostracismo e resolveu dar um alô cheio de saudades para os bobos que adoram a sua literatura. Não há motivos para perguntar por que ele resolveu sair da toca depois de 34 anos sem publicar. Em 1974, ele declarou ao &lt;b&gt;New York Times&lt;/b&gt;: &lt;i&gt;Há uma paz maravilhosa em não publicar. É pacífico. Publicar significa uma horrível invasão de minha privacidade. Gosto de escrever. Adoro escrever. Mas escrevo apenas para mim e para meu próprio prazer.&lt;/i&gt; Enfim, um escritor vive de escrever ou daquilo que escreveu. E publica quando quer, porque quer. Um livro é um livro é um livro, letras e mais letras descrevendo os sonhos que foram pendurados na página, emoção em forma de poesia, e mesmo quando alguém diz que é prosa, prosa não há, o que há é erro de interpretação, tudo é verso, um único verso, universo, enorme poema, declaração de amor, ilusões que vão sendo reunidas – seja para o escritor, seja para o leitor – pra, quem sabe, formar uma biblioteca muito especial, aquela que nos retrata fielmente, mesmo que seja apenas em ficção. Ou, como escreveu Virgílio, em outro contexto, mas que tem a ver, tem um haver, com este: &lt;i&gt;Navegar é preciso&lt;/i&gt;. Necessário e exato, ler Salinger é uma viagem, "a" viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-YXtHQc2DrE8/TvsBwkmkz8I/AAAAAAAACFc/_wx0VkixpBo/s1600/CAUMCBFHCAHFFXSPCAFYYHKICAMIE736CAB1JHFTCADGCNIDCA1F068SCAVLKKQKCASTQUSACA4VC9JGCAR7DS4BCACT8BMUCA9JBNQ8CABLMGFYCA6MHJPYCAT744LPCAT2OAYCCAEEFCZX.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="230" width="219" src="http://4.bp.blogspot.com/-YXtHQc2DrE8/TvsBwkmkz8I/AAAAAAAACFc/_wx0VkixpBo/s320/CAUMCBFHCAHFFXSPCAFYYHKICAMIE736CAB1JHFTCADGCNIDCA1F068SCAVLKKQKCASTQUSACA4VC9JGCAR7DS4BCACT8BMUCA9JBNQ8CABLMGFYCA6MHJPYCAT744LPCAT2OAYCCAEEFCZX.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;(Versões pré−históricas deste texto foram publicadas em vários jornais, em diferentes circunstâncias. Conservei a essência, mas mudei a forma. Espero não ter cometido estragos irrecuperáveis.)         &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-5284105332676050899?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/5284105332676050899/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2011/12/jerome-david-salinger.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/5284105332676050899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/5284105332676050899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2011/12/jerome-david-salinger.html' title='JEROME DAVID SALINGER'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-YAlVX1mC42o/Tvr8rVTh6_I/AAAAAAAACEI/5aJwz0tql_4/s72-c/CALYDMK2CAJPTVH7CAS9U7QRCA3O3TLHCASID2S0CA05ZMJ5CAOSDU0XCA6Y9KUQCA0NFEE6CAEI2TOTCAXD4C5CCAWTGHGRCA9EZ237CA02O8ATCA539A7DCAH1XAGVCAWGQN2VCA5BZ4C5.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-4682231426315036103</id><published>2011-12-27T09:48:00.001-02:00</published><updated>2011-12-27T10:37:25.050-02:00</updated><title type='text'>SÓ GAROTOS</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-6ChR2Y1UW7U/TvmvFUVhkXI/AAAAAAAACDY/ZYamYHDPA-c/s1600/CAQX9KY2CAUVNN8MCAN92136CAZBM8Z3CA166GK7CAWJTV4GCADE8016CA2KP0QACAEITVKGCAYZY2XMCAAT4Q86CATEH14PCANENMHECAPX5GDDCAGJHEAJCAI7TDONCAI6XP4WCAMIJJKS.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="269" width="187" src="http://2.bp.blogspot.com/-6ChR2Y1UW7U/TvmvFUVhkXI/AAAAAAAACDY/ZYamYHDPA-c/s320/CAQX9KY2CAUVNN8MCAN92136CAZBM8Z3CA166GK7CAWJTV4GCADE8016CA2KP0QACAEITVKGCAYZY2XMCAAT4Q86CATEH14PCANENMHECAPX5GDDCAGJHEAJCAI7TDONCAI6XP4WCAMIJJKS.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Na longa e esburacada estrada que liga o desassossego à loucura, o livro de memórias de Patti Smith, &lt;b&gt;Só garotos&lt;/b&gt; (&lt;b&gt;Just kids&lt;/b&gt;), é parada obrigatória. Basta estacionar na vaga destinada aos curiosos e &lt;i&gt;Un Chant d’Amour&lt;/i&gt; será encenado imediatamente. Coisa fina. Dessas que ensinam &lt;i&gt;que muitas vezes a contradição é o caminho mais claro para a verdade&lt;/i&gt;. Embora − como é fácil de comprovar − ninguém saiba exatamente o que deve ser essa tal de "verdade".  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história da artista plástica − depois, cantora − Patti Smith com o artista plástico − depois, fotógrafo − Robert Mapplethorpe não foi constituída por brincadeiras de criança. Barra pesada. Sexo, drogas e rock and roll, como manda o manual das contravenções. Afinal, a juventude na beira do abismo − protegida pelos espíritos de Arthur Rimbaud e William Blake – costuma escolher qual é o seu medo favorito: cair ou pular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles eram quase crianças quando se conheceram, namoraram um pouco e dividiram a vida como se fosse dádiva divina. Diversão não faltou. Houve excesso de lágrimas, fome nos momentos mais difíceis, alegria descontrolada nos melhores períodos. Muita droga e álcool. Além disso, independente das preferências, bastante sexo. Entre eles e com outras pessoas.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-ZnhSqJdkjeI/TvmvmniKZyI/AAAAAAAACDk/zpKJt_2z2qU/s1600/1.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="281" width="179" src="http://4.bp.blogspot.com/-ZnhSqJdkjeI/TvmvmniKZyI/AAAAAAAACDk/zpKJt_2z2qU/s320/1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Com uma linguagem contida, dessas que ficam devendo os detalhes mais sórdidos, Patti Smith preferi contar alguns dos principais acontecimentos na vida do casal de forma poética. Evidentemente, como compete a quem controla a voz narrativa, usou constante e continuamente das elipses. Esse recurso não compromete o ordenamento do relato, embora contribua para deixar sem preencher algumas lacunas importantes.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que Patti Smith não omitiu foram algumas descrições pitorescas sobre o período em que, na companhia de Robert, morou no lendário Hotel Chelsea – toda a história da contracultura nova-iorquina, em algum momento, esteve hospedada naquele local. Também não economizou detalhes sobre como e porque migrou das artes plásticas para a poesia e depois para a música. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação a Robert, fez diversos comentários sobre alguns de seus tormentos de identidade, inclusive a fixação no sadomasoquismo homossexual. Foi com a ajuda de Samuel Jones Wagstaff Júnior (25 anos mais velho), provavelmente o mais importante dos amantes de Robert, que a carreira de fotógrafo se tornou conhecida. Ao mesmo tempo, as exposições dessas fotos produziram muitos escândalos – que Patti Smith não menciona, pois o seu depoimento não ambiciona a polêmica ou a discussão ideológica sobre alguns conceitos conservadores de arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-xbLOFWQWTgs/TvmvzQc41GI/AAAAAAAACDw/uJ--9CAAV9c/s1600/CA2WW6UQCARQ0AACCA19ZZI1CA6PFLETCAYEZ7L7CADQWJTACAON5EZ3CACJCXZOCAIYGWC2CAWJ4K9HCA1A2DGOCAWV45JMCAWUK8E5CA950PPQCAP9SOH8CANY2PU4CAHYYJDSCA71SUT2.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="185" width="272" src="http://1.bp.blogspot.com/-xbLOFWQWTgs/TvmvzQc41GI/AAAAAAAACDw/uJ--9CAAV9c/s320/CA2WW6UQCARQ0AACCA19ZZI1CA6PFLETCAYEZ7L7CADQWJTACAON5EZ3CACJCXZOCAIYGWC2CAWJ4K9HCA1A2DGOCAWV45JMCAWUK8E5CA950PPQCAP9SOH8CANY2PU4CAHYYJDSCA71SUT2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Nomes de celebridades escorrem limpidamente pelo leito do rio narrativo: Bob Dylan, Jimi Hendrix, Sam Sheppard. Andy Warhol, Janis Joplin, Peggy Guggenheim, Allen Ginsberg, Gregory Corso e milhares de outros menos cotados na bolsa de valores da cultura pop.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas últimas páginas, Patti redige uma espécie de elegia: a morte de Robert. Não são paginas alegres, a Aids corroendo aquele que um dia fora um homem bonito e que, naquele momento, estava estirado em um leito de hospital. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-AlJNaqtMwR0/Tvmv_z-NTsI/AAAAAAAACD8/nVe1wgniTB0/s1600/20.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="225" width="225" src="http://4.bp.blogspot.com/-AlJNaqtMwR0/Tvmv_z-NTsI/AAAAAAAACD8/nVe1wgniTB0/s320/20.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Eu estava dormindo quando ele morreu. Telefonei ao hospital para dar boa−noite outra vez, mas ele já estava embalado, sob camadas de morfina. Segurei o telefone e fiquei ouvindo sua respiração ofegante, sabendo que nunca mais o veria de novo.&lt;/i&gt; (Patti Smith, in &lt;b&gt;Just Kids&lt;/b&gt;) &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-4682231426315036103?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/4682231426315036103/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2011/12/so-garotos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/4682231426315036103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/4682231426315036103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2011/12/so-garotos.html' title='SÓ GAROTOS'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-6ChR2Y1UW7U/TvmvFUVhkXI/AAAAAAAACDY/ZYamYHDPA-c/s72-c/CAQX9KY2CAUVNN8MCAN92136CAZBM8Z3CA166GK7CAWJTV4GCADE8016CA2KP0QACAEITVKGCAYZY2XMCAAT4Q86CATEH14PCANENMHECAPX5GDDCAGJHEAJCAI7TDONCAI6XP4WCAMIJJKS.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-7766561120430752286</id><published>2011-12-26T13:44:00.001-02:00</published><updated>2011-12-26T17:11:48.365-02:00</updated><title type='text'>UM SONHO DE AMOR</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-0PhbVjs-vxY/TviSrIIQZnI/AAAAAAAACB4/P0q7QA0QEzo/s1600/CAWV5DSRCACME1WHCARMBCSUCAMRDFEQCASIGIEJCARYSTLPCAJ0OR1QCAWK87DFCASC8Z0NCAGQOLW2CALL1ESMCA4N8MZGCAG8PX73CAS4K9HNCA2MZ7BYCA63TAUFCAMGI728CAMHBOJE.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="270" width="187" src="http://3.bp.blogspot.com/-0PhbVjs-vxY/TviSrIIQZnI/AAAAAAAACB4/P0q7QA0QEzo/s320/CAWV5DSRCACME1WHCARMBCSUCAMRDFEQCASIGIEJCARYSTLPCAJ0OR1QCAWK87DFCASC8Z0NCAGQOLW2CALL1ESMCA4N8MZGCAG8PX73CAS4K9HNCA2MZ7BYCA63TAUFCAMGI728CAMHBOJE.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Os filmes italianos sobre os conflitos familiares são imbatíveis. &lt;b&gt;Rocco e seus irmãos&lt;/b&gt; (&lt;b&gt;Rocco i suoi fratelli&lt;/b&gt;. Dir. Luchino Visconti, 1960), &lt;b&gt;Teorema&lt;/b&gt; (&lt;b&gt;Teorema&lt;/b&gt;. Dir. Pier Paolo Pasolini, 1968), &lt;b&gt;La luna&lt;/b&gt; (&lt;b&gt;La luna&lt;/b&gt;. Dir. Bernardo Bertolucci, 1979), &lt;b&gt;Parente é serpente&lt;/b&gt; (&lt;b&gt;Parenti serpenti&lt;/b&gt;. Dir. Mario Monicelli, 1992) e &lt;b&gt;O quarto do filho&lt;/b&gt; (&lt;b&gt;La stanza del figlio&lt;/b&gt;. Dir. Nanni Moretti, 2001) são exemplos de um cinema que nunca teve medo de transitar entre temas tão difíceis como a fraternidade, as relações entre os pais e os filhos, a perda, a velhice. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O belíssimo &lt;b&gt;Um sonho de amor&lt;/b&gt; (&lt;b&gt;Io sono l’amore&lt;/b&gt;. Dir. Luca Guadagnino, 2009) é um filme marcado pela influência dos clássicos. A forma sensível com que a narrativa se concentra na implosão familiar poderia ter sido elaborada por Vittorio de Sica ou Michelangelo Antonioni ou Federico Fellini. Cada um desses diretores, é claro, acrescentaria um olhar pessoal, um enquadramento único, mas nenhum deles ignoraria o que a narrativa tem de singular: o mundo italiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O enredo é construído com paciência. Soma de detalhes. Um daqueles momentos em que o cinema flerta – amorosamente – com a lentidão, com os sentimentos mais íntimos, com a serenidade. Durante quase uma hora quase nada acontece. A câmera, sem pressa, procura revelar ao espectador que conflito está germinando, mas também procura mostrar o quanto será difícil identificar o momento em que irromperá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-3p0wmH9HcR8/TviUdP76h0I/AAAAAAAACCo/RzSt5DeMFkk/s1600/CATNE9JZCAZR4AKACA087EHYCA23RVSYCASNUBSZCAE8LKGBCA2OXE35CAWBY8W9CA11480YCAVQJB2NCAYFVDCCCA5GYCLACASH93EPCA4JV27VCAWTU5X1CADB7NQ3CA30PKNRCAD11HLW.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="164" width="307" src="http://1.bp.blogspot.com/-3p0wmH9HcR8/TviUdP76h0I/AAAAAAAACCo/RzSt5DeMFkk/s320/CATNE9JZCAZR4AKACA087EHYCA23RVSYCASNUBSZCAE8LKGBCA2OXE35CAWBY8W9CA11480YCAVQJB2NCAYFVDCCCA5GYCLACASH93EPCA4JV27VCAWTU5X1CADB7NQ3CA30PKNRCAD11HLW.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Quando o patriarca da família Recchi decide se aposentar, delega ao filho, Tancredi, e a um dos netos, Edoardo (interpretado por Flávio Parenti), a responsabilidade pelos negócios familiares. Em tempos de crise econômica, faz−se necessário tentar driblar as diversas formas de pressão do mercado internacional. Os conceitos mais idealistas são arremessados na lata de lixo. Edoardo, que tem noções muito claras de justiça social, não concorda com um sistema econômico que dá mais valor ao dinheiro do que ao bem−estar dos empregados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento de transição social, Edoardo se torna amigo do jovem &lt;i&gt;chef de cuisine&lt;/i&gt; Antonio Biscaglia (interpretado por Edoardo Gabbriellini). Embora seja um personagem que vive marginalmente aos dramas da família Recchi, Antonio, em determinado momento, se transforma em uma reencarnação do anjo da anunciação. E, desta forma abrupta, rompe com o muro de contenção que garante a estabilidade narrativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-HCCVaok24EA/TviTGcprBRI/AAAAAAAACCQ/hp1J-u__E2o/s1600/CA9S3YBVCAU9ETJUCAQT281FCAOIMEO0CAAGZL2BCA2Q39MUCAJT33THCA8JVX7BCAJ3AVHECATP8BSYCAZDZY3LCAGFF3ZUCAWRJ3WYCA0B4UMTCALA1LGVCAMGNT54CASJ8AEWCAN749SD.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="183" width="275" src="http://3.bp.blogspot.com/-HCCVaok24EA/TviTGcprBRI/AAAAAAAACCQ/hp1J-u__E2o/s320/CA9S3YBVCAU9ETJUCAQT281FCAOIMEO0CAAGZL2BCA2Q39MUCAJT33THCA8JVX7BCAJ3AVHECATP8BSYCAZDZY3LCAGFF3ZUCAWRJ3WYCA0B4UMTCALA1LGVCAMGNT54CASJ8AEWCAN749SD.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Emma (interpretada por Tilda Swinton) é uma imigrante russa, mãe de Edoardo, Gianluca e Elizabetta, os três filhos de Tancredi, e encarna o estereotipo da esposa passiva e insatisfeita emocionalmente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa síntese parece igual à de dezenas de outros filmes. Não é. Primeiro porque a carpintaria cinematográfica está expressa em um andamento muito diferente daquele que é proposto pelo cinema comercial. Segundo, porque &lt;b&gt;Um sonho de amor&lt;/b&gt; é um filme admiravelmente erótico. Cada cena é a "essência do sabor", um elemento do jogo amoroso. As refeições, preparadas por Antonio, simbolizam as preliminares, aquele momento sublime que antecede ao sexo. É durante as primeiras carícias, quando os corpos vão descobrindo um ao outro, percebendo texturas e sabores, que a excitação alcança o seu degrau mais alto. Nesse momento mágico, o desejo se bifurca entre o êxtase resultante da união dos corpos ou a frustração. Ou uma coisa ou outra. Não há meio termo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-kHyZeoFO088/TviTT9m7m-I/AAAAAAAACCc/3xS8CRjxxA4/s1600/CASJ8DVNCALUHHSACA313J9QCAAN0GD4CAYIZWB7CAPQY27TCAQMTIAGCA9JTDA7CA3QQP8KCAQTCYB0CAQSOJCJCAI9AW5MCAUWH7DBCARLH800CAO5WL8GCAZXK0MRCAVI9GJOCA89280F.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="166" width="304" src="http://1.bp.blogspot.com/-kHyZeoFO088/TviTT9m7m-I/AAAAAAAACCc/3xS8CRjxxA4/s320/CASJ8DVNCALUHHSACA313J9QCAAN0GD4CAYIZWB7CAPQY27TCAQMTIAGCA9JTDA7CA3QQP8KCAQTCYB0CAQSOJCJCAI9AW5MCAUWH7DBCARLH800CAO5WL8GCAZXK0MRCAVI9GJOCA89280F.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A conquista amorosa se efetiva em uma refeição. Emma, na companhia da sogra, Rori, e de Eva, a noiva de Edoardo, vai ao restaurante em que Antonio trabalha. Ele prepara pratos especiais para cada uma delas. Para Emma, camarões com ratatouille com molho agridoce. A ligação entre o prazer sexual e o prazer gastronômico se efetiva no momento em que o garfo transporta a comida até a boca. A porta de entrada para o prazer sexual é rompida pela excitação, pela possibilidade da entrega. No encontro entre a mulher e o amante, as tentações mais perversas – e, inevitavelmente, as mais deliciosas – estão metaforicamente simbolizadas pelas cores que compõem a comida, pelo formato dos camarões, pelo sabor que embriaga o paladar, pelo enquadramento fotográfico: são sinais de que o orgasmo se aproxima, atingindo com furor a personagem e o espectador. É uma cena emblemática. Extremamente excitante. E que é interrompida abruptamente, como convém ao retratar o proibido. O interdito se pronuncia mais alto, calando qualquer forma de contestação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O destino de Emma não pode mais ser corrigido. A frustração sexual precisa ser anulada. A libido exige outra fonte alimentar. E isso acontece um pouco mais tarde. Mas, em lugar de se sentir saciada, Emma quer mais. Muito mais. É o corpo sexual que passa a estabelecer as regras do jogo de cartas marcadas. Emma se entrega – apaixonadamente. Sem medir as conseqüências. Em cenas de grandiosa plasticidade, relacionando o ato amoroso com flores e frutos, com as forças da natureza, nada é excesso, apenas bom gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Tj9_XKC4LtQ/TviVE8I-bBI/AAAAAAAACDA/KyAGnd_TF8Q/s1600/CAOC1B9JCAFTGY02CAWOEPF1CA95Q5H3CAXC50XTCAGQMME0CAW1EO0ZCA5CI3PUCA4ZV46YCA99WUKUCAIXIE67CAHXDY0NCABZNN2QCAYEHME6CAXHS0JMCA3JD5G5CAXCP6PPCA6X5O63.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="200" width="252" src="http://4.bp.blogspot.com/-Tj9_XKC4LtQ/TviVE8I-bBI/AAAAAAAACDA/KyAGnd_TF8Q/s320/CAOC1B9JCAFTGY02CAWOEPF1CA95Q5H3CAXC50XTCAGQMME0CAW1EO0ZCA5CI3PUCA4ZV46YCA99WUKUCAIXIE67CAHXDY0NCABZNN2QCAYEHME6CAXHS0JMCA3JD5G5CAXCP6PPCA6X5O63.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O que Emma não percebe é que a traição amorosa não suporta a honestidade, não admite que alguém reclame. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um jantar na mansão Recchi, Edoardo percebe a traição da mãe. E sem saber se a dor que o atinge é provocada pela quebra do amor materno ou pela traição da mãe com o amigo, entra em conflito. Sintomaticamente, como que a religar o presente italiano com o passado russo da mãe (que Edoardo adora), na hora da crise, mãe e filho discutem em russo − não em italiano. O calor da paixão está ligado às estepes, à necessidade de sobreviver ao gelo siberiano, não à serenidade dos vinhedos ou das praias do Adriático. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resto do filme é apoteótico e previsível. A contenção, a leveza, a paciência do início, tudo o que havia sido construído lentamente, naufraga com o desaparecimento da união familiar. Com rapidez, com furor, o mundo ordenado da família Recchi desmorona. Nada sobra − exceto desespero, perda e luto.               &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-y4BfTl-Y_aA/TviVUmUmHlI/AAAAAAAACDM/dCGusZBP6wo/s1600/CAOLJ4DDCA0X6AVTCA2K9Y3MCA1FBR5UCAY1YPFMCAZ1Y7LGCAUV96PNCAH16SGMCAMXTTUACA3P9IPHCA9PK1LACAXHRXFJCAVYPE0ACAF5Z75CCA4178P2CAIDEVQSCADN4D05CAP62UMS.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="265" width="190" src="http://3.bp.blogspot.com/-y4BfTl-Y_aA/TviVUmUmHlI/AAAAAAAACDM/dCGusZBP6wo/s320/CAOLJ4DDCA0X6AVTCA2K9Y3MCA1FBR5UCAY1YPFMCAZ1Y7LGCAUV96PNCAH16SGMCAMXTTUACA3P9IPHCA9PK1LACAXHRXFJCAVYPE0ACAF5Z75CCA4178P2CAIDEVQSCADN4D05CAP62UMS.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;P.S:&lt;/b&gt; Também está disponível em DVD outro filme sobre gastronomia: &lt;b&gt;Receitas de amor&lt;/b&gt; (&lt;b&gt;Love’s kitchen&lt;/b&gt;. Dir. James Hacking, 2011). É uma historinha leve, sem muita substância. Na melhor das hipóteses, uma espécie de conto de fadas ambientado no interior da Inglaterra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chef talentoso perde a esposa em um acidente de trânsito e entra em depressão. A vida de todos os envolvidos muda de figura quando ele compra um pub em uma vila do interior da Inglaterra e o transforma em um restaurante acima da média. Além da participação especial do &lt;b&gt;Super chef&lt;/b&gt; Gordon Ransey, não se deve desprezar o charme e a graça de Claire Forlani. No mais, um saco de pipocas de micro−ondas e um bom sofá serão o suficiente para enfrentar esse festival de lugares−comuns e uma fotografia culinária bastante apetitosa.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-7766561120430752286?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/7766561120430752286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2011/12/um-sonho-de-amor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/7766561120430752286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/7766561120430752286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2011/12/um-sonho-de-amor.html' title='UM SONHO DE AMOR'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-0PhbVjs-vxY/TviSrIIQZnI/AAAAAAAACB4/P0q7QA0QEzo/s72-c/CAWV5DSRCACME1WHCARMBCSUCAMRDFEQCASIGIEJCARYSTLPCAJ0OR1QCAWK87DFCASC8Z0NCAGQOLW2CALL1ESMCA4N8MZGCAG8PX73CAS4K9HNCA2MZ7BYCA63TAUFCAMGI728CAMHBOJE.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-323275528239979936</id><published>2011-12-23T11:40:00.001-02:00</published><updated>2011-12-26T14:40:19.022-02:00</updated><title type='text'>A HISTÖRIA INCERTA DOS CINCO REIS MAGROS (versão 2)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-4fwYTURsCHA/TvR9YTetL4I/AAAAAAAACAA/iVsiKjgfUUU/s1600/CAOXCV3WCABWQRJBCAQLSOBXCA1FTYJTCAPPSMWQCALVQGJNCAFI3IEMCA3SK9GLCAXY53JSCA02XJQFCAVA2FWMCAZXD3FECAF81S1FCAKEFPGXCAZO7DVSCAV1IU8KCABMLFIACAVD63LC.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="194" width="259" src="http://1.bp.blogspot.com/-4fwYTURsCHA/TvR9YTetL4I/AAAAAAAACAA/iVsiKjgfUUU/s320/CAOXCV3WCABWQRJBCAQLSOBXCA1FTYJTCAPPSMWQCALVQGJNCAFI3IEMCA3SK9GLCAXY53JSCA02XJQFCAVA2FWMCAZXD3FECAF81S1FCAKEFPGXCAZO7DVSCAV1IU8KCABMLFIACAVD63LC.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;−Três reis magros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz enrolada de Antenor só servia para confirmar o óbvio: estava na "maior água". Bêbado como um gambá, embora ninguém tenha certeza de que os gambás gostam de entornar um monte de cerveja e incontáveis "dois−dedinhos" (o mínimo e o polegar abertos no máximo!) de uma amarelinha especial, puro artesanato, modelo exportação, made in Luiz Alves, lá no interior de Santa Catarina. O fato é que Antenor gostava.  De uns tragos. Muitos! A vida como transfusão de delírios, o contentamento é a prova dos nove, dos dez e, se bobear, dos onze, time de futebol, foi feito para dar espetáculo, qualquer alternativa significa perda de tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− Eu disse magros? Hic! Os caras não eram reis ou magros, hic!, no máximo viajantes pelo deserto, nômades, sei lá, nunca consegui entender o que acontece com aquela gente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eduardo, o compositor oficial da escola de samba do bairro estava tentando explicar, sem muito sucesso, para alguns amigos a idéia que estava desenvolvendo para o próximo carnaval. Interrompido por Antenor, ficou furioso. Com um tom de voz nervoso fez a pior pergunta possível naquela situação: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-mLgxOAqksSc/TvR924ChRLI/AAAAAAAACAM/MFsBLia8N4M/s1600/CACBC4RKCALEJVNVCA37P71YCAU6XZO5CAWO05AVCAAARF5CCA7XBNR4CAFXYHDECA22LSK4CAF5PVFMCAW6VEKCCA5VG7F0CASK98KYCAF0IJYQCAHTVPT8CAI5D3OJCAWB82TKCA3BQNSO.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="166" width="304" src="http://3.bp.blogspot.com/-mLgxOAqksSc/TvR924ChRLI/AAAAAAAACAM/MFsBLia8N4M/s320/CACBC4RKCALEJVNVCA37P71YCAU6XZO5CAWO05AVCAAARF5CCA7XBNR4CAFXYHDECA22LSK4CAF5PVFMCAW6VEKCCA5VG7F0CASK98KYCAF0IJYQCAHTVPT8CAI5D3OJCAWB82TKCA3BQNSO.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;− Desde quanto você entende desse assunto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− Eu? Hic! Eu sei tudo! Tudo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, para espanto geral, se aproximou do grupo, puxou uma cadeira de metal, dessas que são propaganda de cerveja, pediu para o dono do boteco outra dose "daquela que matou o guarda", e começou a contar a sua versão da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− No princípio era, o que era mesmo?, ah, sim, era o verbo, hic, e a verba, que sem algum dindim num dá pra continuar a brincadeira, dez por cento é o de praxe, pode perguntar pra qualquer um, esse é o país da propina, difícil discordar. Mas, perdão, estou indo na outra direção, hic, o que importa aqui é o verbo e o verbo se fez noite de lua cheia, um gato preto cruzou a estrada quando aquele bando de amigos, cinco, entendeu?, cinco, esqueça essa história de trindade ou tridente, isso é lenda, daquelas que algum assessor de imprensa costuma plantar na imprensa livre e independente que costuma vender a alma por algum anúncio de meia página. Eram cinco e eram gordos, gordíssimos, íssimos, íssimos, mas, como sempre acontece nessas paradinhas, eram gentes finas, finérrimas, érrimas, érrimas! Eles saíram de uma daquelas famosas tendas no meio do deserto, sabe?, uma daquelas, luzinha vermelha e tudo. Cara, foi uma festa bárbara, Atila, o Huno, provavelmente se multiplicaria em dois, três, quatro, sei lá quantos, depois de uma noitada daquelas. Hic! O mínimo que rolou foi o super−strip−tease de Sherazade, que deu o bolo no sultão. Naquela noite a gatinha não estava com vontade de ficar sussurrando fábulas bobas no ouvido de um velho senil.Hic! Preferiu construir fantasias eróticas na cabeça dos freqüentadores daquele &lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-pkK2M5sTz2g/TvR-doLxcRI/AAAAAAAACAY/QdUP-ygQTUI/s1600/CAYNM3RWCAKFKPY2CAG6X1B2CATBJ030CAM4JESICAE0OUDOCA7GIGA3CA3WEG98CAYX080TCAUB7VRLCABKN12KCA1MN62HCAR2RRRJCA817CXECAP4SJHLCAFZSBF9CAFN3C3XCAKUK52Q.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="260" width="194" src="http://2.bp.blogspot.com/-pkK2M5sTz2g/TvR-doLxcRI/AAAAAAAACAY/QdUP-ygQTUI/s320/CAYNM3RWCAKFKPY2CAG6X1B2CATBJ030CAM4JESICAE0OUDOCA7GIGA3CA3WEG98CAYX080TCAUB7VRLCABKN12KCA1MN62HCAR2RRRJCA817CXECAP4SJHLCAFZSBF9CAFN3C3XCAKUK52Q.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;antro. Corpaço! Como se viu depois da dança dos sete véus, quando desvendou até a alma, uma loucura! Espetáculo do ano! No mínimo! Depois, duvido que vocês adivinhem o que aconteceu, essa vou contar com a boca cheia d’água, quero um copo de cerveja, isso, assim mesmo, colarinho, ah, delícia, delícia, quando morrer quero passar o resto da eternidade dentro de uma cervejaria, já imaginaram? Tá certo, voltar ao que interessa. Vou. Pô, cara, Mary Madelane era afamada nas sutilezas do negócio, alegrava corações (ou equivalentes) e esvaziava bolsos (ou equivalentes) e às vezes fazia ponto naquele oásis, os beduínos assanhados com aquele material de primeira, hic, que a moça não descuidava da forma física, banquete pra quinhentos talheres e algumas centenas de dinheiros (no mínimo), o prazer de ter prazer custa caro e esse é barato. Impossível não querer provar daquela cachaça! Pois bem, não vamos muito longe nessa lengalenga, to vendo que tem gente irritada, virgem santíssima, desmanchem essa cara feia! Como eu estava contando, hic, a turba, digo, a turma saiu da tenda, logo depois do show da pop star Salomé, que cantou uma seleção dos seus últimos sucessos, inclusive o clássico inesquecível "Quero brincar com a cabeça de João Batista". Isso foi lá pelas cinco da matina, hic, se é que podemos confiar no urro matinal do camelo−despertador. Claro, o quinteto já tava pra lá de Marrakesh (uma grande cidade, se me permitem a observação), e estava vendo as coisas meio assim em duplicata, tá me entendendo?, tudo multicolorido, mor festerê. Alegria, alegria. E não adianta me olhar com essa cara de incrédulo, como se eu estivesse a contar um novo samba do crioulo doido, hic, viu a sutileza, cri−ou−lo, a porra da norma culta, a inculta e bela também gosta de carinhos, chamegos, cafunés e outros parangolés, tá ligado?Onde é que eu tava mesmo?  &lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-w5D_EpPndSU/TvR_DEQiG-I/AAAAAAAACAk/_pk1l3aRBeM/s1600/CARRFGNFCATSBAOECAXH3D7ZCAIYHCF5CA9QLNY1CANUAZQQCAY2ZCQKCA4NJECZCA0JE98HCAS6XL2UCAJREFG3CA2VO0S8CAHAYMX5CA6AI1ZBCAU11VPECA7CHWH3CAYE7P6YCAQ6EV9V.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="259" width="194" src="http://1.bp.blogspot.com/-w5D_EpPndSU/TvR_DEQiG-I/AAAAAAAACAk/_pk1l3aRBeM/s320/CARRFGNFCATSBAOECAXH3D7ZCAIYHCF5CA9QLNY1CANUAZQQCAY2ZCQKCA4NJECZCA0JE98HCAS6XL2UCAJREFG3CA2VO0S8CAHAYMX5CA6AI1ZBCAU11VPECA7CHWH3CAYE7P6YCAQ6EV9V.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Na saída da zona, hic, zona do agrião, um silêncio inconveniente atravessou a madrugada, seguido do choro de uma criança. Todo mundo olhou na direção da estrela do Oriente. Belchior, que vários séculos depois será conhecido como um grande cantor nordestino, era quem estava em melhores (ou piores) condições para avaliar a situação. Por essas e outras, hic, foi nomeado embaixador plenipotenciário. O idiota ali, com aquela cara de sonso, não acreditou que eu pudesse falar ple−ni−po−ten−ci−á−ri−o. Acha que bêbado é burro, o burro. Embaixador plenipotenciário. Foi lá ver o que estava acontecendo. No meio do caminho encontrou o grande campeão do rali Paris−Dakar, Frederick Ali−Babá, que estava combinar uma pequena transação afetivo−sexual com Savannah, bela garota!, bela garota!, depois desses treinos se transformou em grande atriz do cinema pornô, dessas que freqüentam as manchetes das revistas Rostos e Faces. Os amigos dividiram uma garrafa de hidromel, apalparam a mercadoria (que soltou gritinhos histéricos!) e se separaram. Enquanto entoava um mantra contra o medo, o nosso anti−herói se aproximou da estrebaria e espiou lá pra dentro, esperando encontrar as piores coisas e tudo o que viu foi uma criança deitada na anjedoura, digo, manjedoura.Também viu várias pessoas e alguns animais (ou será que foi o contrário?)que estavam se aquecendo ao redor de uma pequena fogueira.Foi recebido por diversos  &lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Br1EJoi147A/TvSBSp5UikI/AAAAAAAACAw/CPhpibv-5TI/s1600/3.bmp" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="180" width="280" src="http://1.bp.blogspot.com/-Br1EJoi147A/TvSBSp5UikI/AAAAAAAACAw/CPhpibv-5TI/s320/3.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;e variados gritos de entusiasmo: Paz e amor, bicho!, Qualéquiera, bróder?, Chega mais!... Como, naquela tchurma, corria de mão−em−mão um vinho maneiro, hic, não houve como resistir, um gole é sempre um gole e quem há−de resistir às tentações da sede? E assim como quem não quer nada, pintou um lance legal, a gente tá prisso ai memo, tá sabendo, mermão? Pois é, enquanto o resto do pessoal ficou a esperar por novas que não vieram, novas ou velhas. Melquiades, que era de pavio curto, foi lá ver o que estava acontecendo. Acompanhado de Mohamed, que estava vestindo uma camiseta de futebol, provavelmente a do Ibis, encontrou o desaparecido dormindo em decúbito dorsal, vestindo organdi azul. Hic! Viadagem pouca é bobagem, dizia minha saudosa avó, que o Senhor a tenha ao seu lado, hallelluiah! Epa, acabei embolando o meio−de−campo, o jogo é outro, goleadas da seleção são peças de ficção, vamos voltar ao que deixamos para trás, apaga essa história de organdi azul e laços de fita cor−de−rosa, detalhes do que acontece entre as quatro paredes de motel vagabundo não interessam para essa crônica dos meus, teus, nossos equívocos. Belchior estava lá, alegre e faceiro, tomando uma taça de Chateau Rothschild, safra nobre, numa fina taça de cristal fino, italiano, lapidado, cantarolando o seu medo de avião. Hic! Por isso mesmo é que quase foi lapidado, o tijolo passou raspando, uns cinco milímetros da orelha esquerda, a big shot, ou melhor, head shot, como dizia o menino, campeão de counter strike, filho do coronel estadunidense, especialista em insegurança nacional e que ancorou em Pindorama,hic, sutilezas do final dos anos 60, &lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-JBufjkge1-w/TvSCYXWtI7I/AAAAAAAACA8/AN-7NWSzqks/s1600/CA5M16YECAMKBE4PCAW8QFB5CAQLTIC3CAFYPN69CAFK2EYYCA5NQBHECARXMZCUCAKW5T61CAXRMXZDCAG6DD9DCA5OD1UTCA3OVB2GCASODDPXCA6T7B1VCAMPO6G8CA3EPHTSCANIGPNO.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="225" width="225" src="http://1.bp.blogspot.com/-JBufjkge1-w/TvSCYXWtI7I/AAAAAAAACA8/AN-7NWSzqks/s320/CA5M16YECAMKBE4PCAW8QFB5CAQLTIC3CAFYPN69CAFK2EYYCA5NQBHECARXMZCUCAKW5T61CAXRMXZDCAG6DD9DCA5OD1UTCA3OVB2GCASODDPXCA6T7B1VCAMPO6G8CA3EPHTSCANIGPNO.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;hic, repressão também é cultura, hic, manjou o potencial do potentado? Não sei não, acho que o cara devia se inscrever em um desses concursos institucionais de tiro ao marginal, ganhava fácil the first prize, não tenho duvidas. E, se corresse algum por fora, sabe?, uma gorgetinha, quem sabe salvasse um pouco das nossas, perdão, das minhas dívidas, hic. Pô, cara, tô de garganta seca, desce mais uma gelada, que essa conversa está muito quente e, pô, preciso de combustível para continuar nessa estrada. Viver é perigoso, já anunciava um personagem do velho Guima, cês tão lembrado? Tá certo, o incerto é lembrar dessas coisas! E, por falar em lembranças, onde é que estava na historia dos gordos? Os cinco reis gordos. Ho, ho, ho! Hic, hic, hic! Ah, sim, o tijolaço, another brick in the wall. Gato que levou tijolada não dorme perto de olaria. Pois é, seu Mané, o Belchior havia se enturmado, uma odalisca aqui, uma musiquinha ali, bandejas de quibes e esfihas sendo servidas para os convivas, e como já estava meio chumbado, hic, ou melhor, hip−hip−hurra!, foi ficando pelos cantos do recinto, mamando o seu alcoólico suquinho de uva, sem lembrar daqueles que haviam ficado a esperar por alvíssaras. Baita irresponsabilidade, concordo. Só voltou ao mundo real quando sentiu o tijolo raspando a orelhinha que mamãe (a dele!) beijos e passou talquinho. Na hora que entendeu que o que estava acontecendo não era nenhum afago amoroso, sentiu frio na barriga, aquela sensação só possível em quem chega atrasado ao cinema, o filme já começou e é preciso um dez minutos para tomar pé dos acontecimentos narrados na tela. Entre uma coisa e outra, Melquiades encontrou um velho conhecido, o ceguinho Aderaldo, célebre cantador da famosa banda de punk rock Philatu’s Guilt. Trocaram figurinhas e fofocas. Hic. &lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-j_urRnwg6Rw/TvSDDKTcjEI/AAAAAAAACBI/stSCGYhuhDo/s1600/CA5ZH3GDCAQC8WL2CAF3DOB2CA3KHUE3CAE90E93CA77VKYTCAYYGJ43CAGYYP85CAB3H02OCAQ458MVCAZ7UWQLCA86QKZDCAESNW3YCAZ3RR86CAUVRL9QCAZX429XCA5UY10DCAF1WSXY.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="183" width="275" src="http://3.bp.blogspot.com/-j_urRnwg6Rw/TvSDDKTcjEI/AAAAAAAACBI/stSCGYhuhDo/s320/CA5ZH3GDCAQC8WL2CAF3DOB2CA3KHUE3CAE90E93CA77VKYTCAYYGJ43CAGYYP85CAB3H02OCAQ458MVCAZ7UWQLCA86QKZDCAESNW3YCAZ3RR86CAUVRL9QCAZX429XCA5UY10DCAF1WSXY.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Mais fofocas que figurinhas, if you understand me? Hic! Saíram coisas do balacobaco, podes crê!, inclusive as últimas da corte de Herodes, o Patético Antipático, que agora estava imerso em medo pânico de que as profecias de Nostradamus se cumprissem. Como o final do mundo ainda vai demorar, houve alguma irregularidade na licitação, hic, e eles não estavam com pressa, o melhor caminho para a felicidade foi chamar o resto da cambada, estava quase iniciando outra rodada de tragos e Zorba, a cueca, ia fazer uma performance artística. Delírios espartanos, o seu último show de ballet estava bombando na internet, milhares de acessos ao incrível talento desse grego falsificado, porém autêntico, como mandam as regras da globalização capitalista. Happy hour às seis da manhã, vê se pode? Pode e phode. E não ligue, pois si non é vero, é bene trovatto. O desconto fica por conta dessas bossas de fusos horários, hábitos culturais e a vontade incansável, insaciável de acabar com o gosto de guarda−chuva que fica na boca depois de uma noite de tragos, tragada como se fosse um montecristo ou uma dose de courvoisier, depois de uma sessão intima de suores e gemidos. De qualquer forma, a desumanidade está três doses abaixo do normal eo motivo daquela reunião social era o nascimento de  &lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-l7pHJnxVEuk/TvSDcPNZRnI/AAAAAAAACBU/xKVthGGAzlc/s1600/CAI8P8LBCAILVUCOCAOY0DEWCAXHS0UTCAHC0504CADG1XMBCALLHTD2CAKMO52KCAM3L9UPCAZJY6Y5CAQ9C4S1CAQQL45JCA09TD80CA11TCDCCAG1UPZKCAGTIIEICAUX85K1CAG3O6CO.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="206" width="245" src="http://4.bp.blogspot.com/-l7pHJnxVEuk/TvSDcPNZRnI/AAAAAAAACBU/xKVthGGAzlc/s320/CAI8P8LBCAILVUCOCAOY0DEWCAXHS0UTCAHC0504CADG1XMBCALLHTD2CAKMO52KCAM3L9UPCAZJY6Y5CAQ9C4S1CAQQL45JCA09TD80CA11TCDCCAG1UPZKCAGTIIEICAUX85K1CAG3O6CO.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;uma criança,que parecia estar gostando do agito, havia parado de chorar e até acenava os bracinhos, como se quisesse sair dançando, pois é, naquela hora a criança devia estar dormindo, felizmente o Conselho Tutelar estava tutelando outras coisas mais importantes, a criança estava acordada, talvez pela algazarra, talvez por não ter nada melhor a fazer, a roda gigante e o balanço estão estragados. Nesse momento os cinco bêbados, hic, êta, essa cervejinha é boa pra afinar o verbo e a língua, eu disse cinco bêbados? Hic! Errei. Cinco gordos. Cara, só de pensar em transportar aqueles caras os dromedários estavam pedindo aposentadoria, sem se importar se o INSS exige comprovação de tempo de serviço! Os cinco gordos ao sentirem o cheiro de churrasco no ar, alguns pombos e o filho de Isaac estavam sendo imolados em augúrio ao parto bem sucedido, resolveram fazer algumas oferendas ao rebento que havia rebentado naquele lugarejo ermo. Belchior entregou um CD com os seus maiores sucessos. Melquiades, uma cópia pirata de algum jogo de computador, desses em que matar se transforma em sinônimo de sucesso. Ananias entregou uma bandeira da Palestina, lembrando que um irmão não deve oprimir o outro. François, que ainda não havia entrado nessa história, &lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-pb1VlUBTKBA/TvSEbRth9ZI/AAAAAAAACBg/L1ceR_LxHSw/s1600/CA7J7C44CANEUSLQCADQPZIVCA4ONETRCAIMPQMYCAUJPZLOCAAJE2G4CAUDCWISCAIQTFDVCAPVYPRPCAX2TTNCCALDGW6ACA54DZJVCAQEZ0B1CALUQ032CAB3KZQYCAIXKQW8CAMY4848.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="164" width="308" src="http://1.bp.blogspot.com/-pb1VlUBTKBA/TvSEbRth9ZI/AAAAAAAACBg/L1ceR_LxHSw/s320/CA7J7C44CANEUSLQCADQPZIVCA4ONETRCAIMPQMYCAUJPZLOCAAJE2G4CAUDCWISCAIQTFDVCAPVYPRPCAX2TTNCCALDGW6ACA54DZJVCAQEZ0B1CALUQ032CAB3KZQYCAIXKQW8CAMY4848.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;entrou de forma triunfante e propôs mais um brinde, dessa vez com cachaça, mas, infelizmente a mente humana é uma caixinha de surpresas e não foi dessa vez que recebeu o Oscar. Retirou−se constrangido. Antes, entregou aos pais do menino uma caixinha de cobre com enfeites de jade. Recomendou que somente fosse aberta quando o menino atingisse a maioridade (duas semanas mais tarde, quando todos foram viver na Galiléia, a caixa desapareceu e o mistério de seu conteúdo perdura até hoje).  Findo o cerimonial, o sol rompeu lá fora, conclamando outros excessos. Como havia acabado o estoque de energéticos, a sede era inesgotável, a solução foi chamar vários taxis e partir para Jerusalém, onde a festa continuou por mil e uma noites. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-j4GMVo8y3UY/TvSF4VmrQUI/AAAAAAAACBs/06aeRxqJilU/s1600/310442_190444197699855_159928490751426_413772_1421103782_n.JPG" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="189" width="266" src="http://3.bp.blogspot.com/-j4GMVo8y3UY/TvSF4VmrQUI/AAAAAAAACBs/06aeRxqJilU/s320/310442_190444197699855_159928490751426_413772_1421103782_n.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(estou republicando esse texto, por diversos motivos. o mais fácil é a data. embora nada tenha a ver, tem com o haver tudo com esse nada. depois, fiz várias mudanças, repaginei o texto, talvez tenha ficado pior, a vida é assim mesmo, uma fieira de equívocos. e quem está chuva corre o risco de ficar com cara de bobo. tomara que seja esse o caso!)          &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-323275528239979936?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/323275528239979936/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2011/12/historia-incerta-dos-cinco-reis-magros.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/323275528239979936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/323275528239979936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2011/12/historia-incerta-dos-cinco-reis-magros.html' title='A HISTÖRIA INCERTA DOS CINCO REIS MAGROS (versão 2)'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-4fwYTURsCHA/TvR9YTetL4I/AAAAAAAACAA/iVsiKjgfUUU/s72-c/CAOXCV3WCABWQRJBCAQLSOBXCA1FTYJTCAPPSMWQCALVQGJNCAFI3IEMCA3SK9GLCAXY53JSCA02XJQFCAVA2FWMCAZXD3FECAF81S1FCAKEFPGXCAZO7DVSCAV1IU8KCABMLFIACAVD63LC.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-7512369608307993414</id><published>2011-12-22T10:12:00.001-02:00</published><updated>2011-12-22T10:39:05.345-02:00</updated><title type='text'>MÁQUINA DE PINBALL</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-5BHtMy2-HqA/TvMbzE0fDeI/AAAAAAAAB-s/DYR1U3xyzik/s1600/2.bmp" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="160" width="160" src="http://1.bp.blogspot.com/-5BHtMy2-HqA/TvMbzE0fDeI/AAAAAAAAB-s/DYR1U3xyzik/s320/2.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Quem é que leu a novela &lt;b&gt;Máquina de Pinball&lt;/b&gt;, de Clarah Averbuck? Você? Apesar das possibilidades de cometer algum tipo de engano, a bola de cristal está no conserto, não é difícil fazer previsão. Na república do bananão, onde a canalha se orgulha do que não leu, os índices de audiência são ridículos e arrisco palpite que quase ninguém saboreou desse néctar. Nenhum esforço desumano, somente 72 páginas. Nitroglicerina. Em alguns momentos o livrinho imita o sentido sem sentido daqueles carinhas sem carinho que enlouqueciam on the road, rota 66, praias da Califórnia, fronteiras com o México, novas formas de alcançar os paraísos artificiais que acenam alegremente daqui e dali com bandeirinhas de siga em frente, os semáforos do prazer liberando o trafego, digo, o trafico. Em outras ocasiões, o nariz empinado, blasé, de quem escorregou pelo tobogã europeu na direção do delírio, &lt;b&gt;algo entre cool, pretensioso e equivocado, com algumas coisas legais e outras de dar pena&lt;/b&gt;. A educação refinada e o refinado desprezo pela working class. As chuvosas e geladas ilhas britânicas. O &lt;b&gt;país da rainha velha e perfumada&lt;/b&gt;. Nenhum desprazer consegue conter o prazer de ter prazer.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/--d50J7t6uCo/TvMcFlIplXI/AAAAAAAAB-4/LXd4rXdFm3A/s1600/CAX97LUTCA5WJIDXCAXL5RJACAHMY6UECAGB3BB4CAS1NOAJCA2JNL79CARL0UXRCASSJN8LCA8ME8L4CAUK6OWTCAQ9CJZCCABCD1PNCA5QB5P5CA9QNBP4CA9ZIIZNCACLZGCUCADT502B.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="275" width="183" src="http://1.bp.blogspot.com/--d50J7t6uCo/TvMcFlIplXI/AAAAAAAAB-4/LXd4rXdFm3A/s320/CAX97LUTCA5WJIDXCAXL5RJACAHMY6UECAGB3BB4CAS1NOAJCA2JNL79CARL0UXRCASSJN8LCA8ME8L4CAUK6OWTCAQ9CJZCCABCD1PNCA5QB5P5CA9QNBP4CA9ZIIZNCACLZGCUCADT502B.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Usei dos benefícios da Internet, Estante Virtual, nem lembro mais quanto precisei desembolsar por uma cópia que, francamente, já teve dias melhores, ou melhor, um dono menos cuidadoso. Agora protegido de maus−tratos, ao lado de outros livros, o exemplar acusa não ter sido amado por leitor apaixonado, ajoelhado diante do texto, a pedir mais, a querer mais, prometendo coisas impossíveis, por exemplo, bom comportamento. Mentira, claro! No transcurso sem recurso da vidinha mais ou menos o procedimento recomendado por nove entre dez estrelas de cinema é negar a paz, namorar a guerra, gostar da narrativa escrita por Clarah, publicado em 2002, fulgor a incendiar as trevas que envolvem a literatura brasileira (depois, muito depois, reunião com parte de &lt;b&gt;Vida de gato&lt;/b&gt; resultou em filme, &lt;b&gt;Nome próprio&lt;/b&gt;, Leandra Leal dando ou negando as histórias clarificadoras de desatinos amorosos, se não assistiu, por favor, passe na locadora mais próxima e exija o filme, mande óliudi pra... prá lá de Bagdá, porque essa festa é nossa e os urubus não foram convidados).   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Camila Chirivino, 22 anos, largou a faculdade de Jornalismo e de Letras pela metade, gosta de gatos, chocolate, vodca, homens magros e sem pêlos, olhos escuros, jazz e rock. Por enquanto, é tudo que você precisa saber.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-tRwURqha9f8/TvMcYcUYeVI/AAAAAAAAB_E/qV1I3Iq6ynQ/s1600/CAQJ4URYCA8W1RICCAT0ZLZZCAV1ZFEACAG641S3CANIJOA8CAQW94U9CA0LYETCCAW9BN86CA5QDRAPCA8MRGZ7CAYTJK77CAZ74PNJCA1WQ50WCAPJGDP4CAW4X3IYCA7Q8CDJCA3ORO14.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="160" width="108" src="http://3.bp.blogspot.com/-tRwURqha9f8/TvMcYcUYeVI/AAAAAAAAB_E/qV1I3Iq6ynQ/s320/CAQJ4URYCA8W1RICCAT0ZLZZCAV1ZFEACAG641S3CANIJOA8CAQW94U9CA0LYETCCAW9BN86CA5QDRAPCA8MRGZ7CAYTJK77CAZ74PNJCA1WQ50WCAPJGDP4CAW4X3IYCA7Q8CDJCA3ORO14.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Camila Chirivino: uma transfiguração das "forças da natureza". Abalo sísmico, tsunami, catástrofe apocalíptica, sinônimos por conta e risco de quem conta e risca. Personagem de estrutura camaleônica, dessas que mudam de humor e domicílio a todo instante. Corroída pelas urgências da carne, pelo narcisismo desvairado da juventude, pela ausência de medo quando experimenta novos pecados. Sem perder tempo com os espaços físicos que freqüenta, segue em frente, mapas rasgados jogados pelo chão, bússolas arremessadas nas paredes. Quem se importa com o que não importa? Porto Alegre, Rio de Janeiro, Londres, São Paulo. Suas necessidades mais imediatas estão em outra dimensão: a intensidade das paixões que consegue extrair dos homens que "come". E ela come a todos os que caem em suas garras, tesão de predadora, vampira insaciável, depois do banquete abandona os corpos esquálidos e cansados, sem utilidade imediata para uso, é hora de buscar outra vítima, o orgasmo é sempre uma meta, um alvo a ser atingido. &lt;b&gt;Disse o meu nome e encheu minha boca de porra.  Mas não era qualquer porra, daquelas que têm gosto de cola tenaz com água sanitária e farinha. A porra dele era doce. Doce mesmo, de verdade, gosto bom. Até me deixou sóbria. Eu, que tinha bebido sei lá quantas doses de uísque, fiquei sóbria quando o rapaz de olhos rasgadinhos gozou na minha boca.    &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-PGsWFEClax4/TvMcqi61oPI/AAAAAAAAB_Q/mQqX8VL2IVQ/s1600/CAKTJGWZCAZ2KG6DCA8TRJL8CAX4MCGBCA99GNJ9CA2JMH6UCAB2B45ACA1S89L6CAXF7O7YCA27WR6YCA41IL8KCAIOLLA1CAWTWEMHCAHDELXECAO3MEG5CAVK54MGCAS2AW8UCAEJM47J.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="225" width="225" src="http://1.bp.blogspot.com/-PGsWFEClax4/TvMcqi61oPI/AAAAAAAAB_Q/mQqX8VL2IVQ/s320/CAKTJGWZCAZ2KG6DCA8TRJL8CAX4MCGBCA99GNJ9CA2JMH6UCAB2B45ACA1S89L6CAXF7O7YCA27WR6YCA41IL8KCAIOLLA1CAWTWEMHCAHDELXECAO3MEG5CAVK54MGCAS2AW8UCAEJM47J.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Conjugando os verbos da fúria amorosa, Camila abandonou a província sulista e foi conhecer as cariocas folias canibalescas: &lt;b&gt;O Rio é uma mulata gostosa que fode tão bem a ponto de deixar os homens todos loucos e eles largam suas mulheres e filhos e empregos e vão pra lá comer camarão e tomar caipirinha. Lindo. Tudo lindo demais.&lt;/b&gt; Não deu certo. Nem mesmo pro cara errado. Essa beleza toda não paga as contas que o amor cobra a todo instante, as faturas não se cansam de chegar pontualmente, um monte de papéis coloridos amontoandos debaixo da porta, a lembrar o quanto a vida é torta, daquelas sem merengue, sem cereja em cima, apenas um gosto amargo, estrago que não quer acaba mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fudida estava, fudida embarcou para London London. Foi bom. Enquanto durou. O dinheiro que tinha levado. Menina levada tentou acertar as carências (afetivas, econômicas) na flauta, não colou, aquela gente − mestres na retenção anal − não conhece a ginga de corpo, não relaxa nem goza, as regras em primeiro lugar, isso não se faz, mamãe não gosta, papai não deixa. Um saco. De qualquer forma, afinou os caninos em alguns pescoços ingleses. Todos gostosos, gozosos, a vida é diversão, nada mais resta senão soltar as emoções e deixar outra música do &lt;b&gt;The Stokes&lt;/b&gt; compor a trilha sonora desse episódio pouco valoroso. &lt;b&gt;Essa sensação de conseguir o que quer é divina. Especialmente quando é na medida certa. Muito não é tudo. E tudo não é demais. Demais é quando enche o saco.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-A_HHfw2FX3M/TvMc7TKhheI/AAAAAAAAB_c/UBHamCSLqhw/s1600/CA26D1HZCA99MX4YCA7N90T3CA9L2DVECA046V2PCA7QHOLMCANXO3RTCAD44R76CAAXCH35CABF43RQCAKIJ5RWCAA3B23PCAF6XKZOCA78D31NCA4N0XAUCAIKYN68CAV8E4GUCATW4WQ4.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="244" width="160" src="http://4.bp.blogspot.com/-A_HHfw2FX3M/TvMc7TKhheI/AAAAAAAAB_c/UBHamCSLqhw/s320/CA26D1HZCA99MX4YCA7N90T3CA9L2DVECA046V2PCA7QHOLMCANXO3RTCAD44R76CAAXCH35CABF43RQCAKIJ5RWCAA3B23PCAF6XKZOCA78D31NCA4N0XAUCAIKYN68CAV8E4GUCATW4WQ4.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Sem mais nada de melhor a fazer, eis que volta à realidade, ou seja, ao Brasil varonil, céu anil. Sem preocupações com a transitoriedade do mundo ou saudade de amores londrinos ou posturas políticas ou o lirismo tropical, Camila soltou um valoroso focof para o que tinha ficado para trás e decidiu que já era hora de iniciar outras aventuras, outros romances. São Paulo, terra da garoa, da garota sapeca, a lubrificar a perereca em paus paulistas, hedonistas. &lt;b&gt;O que posso fazer agora além de esperar sentada, comportada, com as pernas cruzadas e um cigarro na mão?&lt;/b&gt;  O velho Lucky a dar sorte, faca de corte afiado na garganta, repartindo fumaça entre os clichês ambulantes e a música que ensurdece a cidade. Ô cidadão, troca o disco, coloca Ween ou PJ Harvey!    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camila é personagem emblemático de uma geração que vive em função dos prazeres imediatos. Também simboliza a mulher independente − que não fica restrita às limitações sentimentais quando precisa ultrapassar barreiras interpostas em seu percurso. Colchão vagabundo, estendido na sala, horas de sono inquieto enquanto o sol se espicha lá fora. Dona de casa jamais, que não foi feita para esparramar prantos enquanto lava pratos. Nas horas vagas, vagabundas, quando não está bêbada e falando merda, escreve uns textinhos legais, abissais, frilas, jornalismo alternativo nem sempre remunera, muitas vezes renumera a longa fila dos desesperados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-On8087W8OHk/TvMdH5TQiXI/AAAAAAAAB_o/jZSRjrxUuhQ/s1600/4.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="281" width="179" src="http://1.bp.blogspot.com/-On8087W8OHk/TvMdH5TQiXI/AAAAAAAAB_o/jZSRjrxUuhQ/s320/4.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Camila, a que não tem medo. O passaporte ligando passado e presente, terra e história. Sofrer não é coisa simplória, então coloca ai mais uma dose de vódega, um novo disco de rock, um cigarro na boca, loucura na veia, foda−se o drama, que mais um garoto bonito se aproxima, beija bem, bom pra caralho, caralho bem−bom, arrepios e gula. &lt;b&gt;Disse que queria sair com ele limpinha e sóbria, mas ele disse que sujinha e bêbada também era bacana. Bacana. O problema era esse, tudo era bacana. (...) E bacana é mediano. E mediano não me interessa. Extremos, quero extremos.&lt;/b&gt; A platéia, siderada por esse misto de espanto e escândalo, se ajeita na poltrona, arruma os óculos, bebe um gole de suco, sabe que o melhor ainda está por vir, no porvir, pardos são todos os animais noturnos, caçadores de emoções e sensações. &lt;b&gt;Homens, eu os amo mas eles fodem com a minha cabeça. Não entendo. Entendo, claro. Mas não entendo. Ou entendo e quero tornar as coisas mais fáceis e perdoáveis para mim mesma. Argh. Preciso é dar um jeito de arrumar o caos que sou.&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Arrumar. Desarrumar. Deixar andar, seguir em frente, sem amarras, a vaticinar que amarás a quem estiver por perto, incerto é viver sozinho e infeliz. &lt;b&gt;Socorro. Homem, preciso de homem. Carinho. Foder até pingar de suor. Carinho. Socorro.&lt;/b&gt; Qualquer semelhança com a realidade nunca será mera coincidência.       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-CxA79RHlF5w/TvMdTTWtYQI/AAAAAAAAB_0/NJ6-8A2-cf4/s1600/5.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="194" width="259" src="http://4.bp.blogspot.com/-CxA79RHlF5w/TvMdTTWtYQI/AAAAAAAAB_0/NJ6-8A2-cf4/s320/5.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ele tinha cheiro de Xs. Meu perfume preferido.  Olha o nome: Excess, Pronto, dez minutos de conversa e lá estava eu babando por um tal de Daniel. Daniel que era lindo e tinha gostos iguais aos meus. Lindo e cheiroso. Putz. Depois ainda perguntam por que fico na defensiva. Olhaí o que acontece: fico boba, babando, mocoronga olhando para a boca dele. Meu deus, que boca tinha aquele Daniel. Que boca. Que lábios. Que...&lt;br /&gt;− Camila?&lt;br /&gt;− Hmmm oi. Tava aqui fazendo as contas.&lt;br /&gt;− Hein?&lt;br /&gt;− As contas. Me perdi nos pontos, sou um verdadeiro lixo em matemática.&lt;br /&gt;− A conta do bar?&lt;br /&gt;− Não, a minha.   &lt;br /&gt;− Como assim?&lt;br /&gt;− Eu sou uma máquina de pinball.&lt;br /&gt;− Ah...&lt;br /&gt;Ah?&lt;br /&gt;− Tem que apertar os botões certos na hora certa pra ganhar?&lt;br /&gt;Sim!&lt;br /&gt;− Sim! Meu deus, você entendeu.&lt;br /&gt;− Entendi.&lt;br /&gt;− Quer casar comigo?&lt;br /&gt;− Que horas?&lt;br /&gt;− Agora.&lt;br /&gt;− Beleza.&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-7512369608307993414?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/7512369608307993414/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2011/12/maquina-de-pinball.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/7512369608307993414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/7512369608307993414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2011/12/maquina-de-pinball.html' title='MÁQUINA DE PINBALL'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-5BHtMy2-HqA/TvMbzE0fDeI/AAAAAAAAB-s/DYR1U3xyzik/s72-c/2.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-2295425098022724865</id><published>2011-12-21T09:44:00.001-02:00</published><updated>2011-12-21T09:44:47.611-02:00</updated><title type='text'>ELIANA EM LAGES</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-q8CemAPMR_8/TvHGY6h-igI/AAAAAAAAB-U/37Yt5GlqVnU/s1600/doc%2B002.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="210" width="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-q8CemAPMR_8/TvHGY6h-igI/AAAAAAAAB-U/37Yt5GlqVnU/s320/doc%2B002.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;(ARRUDA FILHO, Raul. &lt;i&gt;Referências.&lt;/i&gt; Florianópolis: Paralelo 27, 1993)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-2295425098022724865?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/2295425098022724865/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2011/12/eliana-em-lages.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/2295425098022724865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/2295425098022724865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2011/12/eliana-em-lages.html' title='ELIANA EM LAGES'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-q8CemAPMR_8/TvHGY6h-igI/AAAAAAAAB-U/37Yt5GlqVnU/s72-c/doc%2B002.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-2077697074908528883</id><published>2011-12-20T09:46:00.000-02:00</published><updated>2011-12-20T09:46:02.441-02:00</updated><title type='text'>QUAL É O TEU POEMA FAVORITO?</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-fLjamf8pfu0/TvBzbsTTnDI/AAAAAAAAB9M/9O8PWHtc3Ec/s1600/CA5UNMNBCAHLX1VKCALZWKM9CAG5AXQPCAXNZN9MCAU0WQLKCAMR8RNMCAAB3UUXCAWV7PJPCAE48Y9MCAO4OZNHCALS6HTLCA76XHZFCAE8W6FDCA19376SCAQIM0L3CAV23IP4CAH0NNPF.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="194" width="259" src="http://4.bp.blogspot.com/-fLjamf8pfu0/TvBzbsTTnDI/AAAAAAAAB9M/9O8PWHtc3Ec/s320/CA5UNMNBCAHLX1VKCALZWKM9CAG5AXQPCAXNZN9MCAU0WQLKCAMR8RNMCAAB3UUXCAWV7PJPCAE48Y9MCAO4OZNHCALS6HTLCA76XHZFCAE8W6FDCA19376SCAQIM0L3CAV23IP4CAH0NNPF.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Outro dia, precisando responder uma pergunta incomoda, &lt;b&gt;Qual é o meu poema brasileiro favorito?&lt;/b&gt;, quase perdi a voz. Não houve afasia clínica ou psicológica. Foi indecisão. As alternativas são tantas que nada me restou senão o silêncio. Fez−se o desconforto, desses que colocam em xeque nossas convicções e medos. Depois de alguns segundos constrangedores, desconversei – que é um sinônimo refinado para fugir. Não fui capaz de assumir a responsabilidade de cravar no &lt;b&gt;livro das ignorãças&lt;/b&gt; o nome do meu poema preferido como se fosse uma certeza.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um primeiro momento, quase respondi ao questionamento com algum poema de Manuel Bandeira. Consegui me conter. Gosto tanto da poesia de Bandeira que... O exemplar de &lt;b&gt;Estrela da vida inteira&lt;/b&gt; está precisando visitar algum encadernador, as páginas soltas, algum dia vou perder alguma e conseqüente o volume. Não que deseje essa desgraça, mas é fato comprovado que livro maltratado perde o respeito por seu proprietário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-wfe3kZ-CHto/TvByjwBnm0I/AAAAAAAAB9A/2df1J6YSnO8/s1600/CAL2I4TCCAYY4L1GCAEVOJF3CAWE06MYCAU93T1WCAG6BPWLCA3KR333CAIRSSXRCAIID6HQCAOTHHGQCA39L9DFCA9ZH77KCAOSKKNBCAMJT5VOCAD9W0V3CA8Z291DCAN5AO6WCAI35DM6.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="182" width="277" src="http://1.bp.blogspot.com/-wfe3kZ-CHto/TvByjwBnm0I/AAAAAAAAB9A/2df1J6YSnO8/s320/CAL2I4TCCAYY4L1GCAEVOJF3CAWE06MYCAU93T1WCAG6BPWLCA3KR333CAIRSSXRCAIID6HQCAOTHHGQCA39L9DFCA9ZH77KCAOSKKNBCAMJT5VOCAD9W0V3CA8Z291DCAN5AO6WCAI35DM6.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Poderia citar &lt;b&gt;Poema só para Jaime Ovalle&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Tragédia brasileira&lt;/b&gt; ou &lt;b&gt;Momento num café&lt;/b&gt;. São escolhas sensatas. Ninguém poderia me condenar. Mas, como ignorar essa maravilhosa síntese trágica que é &lt;b&gt;Poema tirado de uma notícia de jornal&lt;/b&gt;? Ou o momento plástico, esplendoroso, retratado em &lt;b&gt;A realidade e a imagem&lt;/b&gt;? E os "achados" que são &lt;b&gt;Antologia&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Poética (I e II)&lt;/b&gt;? Não consigo dizer qual é o melhor. Se acaso, em momento de embriaguez ou insensatez, cometer esse desatino, arrepender−me−ei segundos depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-mdb8yyFzdjA/TvBzu35VyiI/AAAAAAAAB9Y/7dZOVoodXLw/s1600/CARIVU7OCA8OQAUACAYGGMXKCAWT9UNACADTEP65CAFP6E7KCA67UW94CAM68M0XCAH6R10ICA2H01WICAVIB8WVCACEQMC1CASNLE33CA207SADCAPTXPM5CA2BZNSWCA855MIDCAQ3GQI9.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="275" width="183" src="http://3.bp.blogspot.com/-mdb8yyFzdjA/TvBzu35VyiI/AAAAAAAAB9Y/7dZOVoodXLw/s320/CARIVU7OCA8OQAUACAYGGMXKCAWT9UNACADTEP65CAFP6E7KCA67UW94CAM68M0XCAH6R10ICA2H01WICAVIB8WVCACEQMC1CASNLE33CA207SADCAPTXPM5CA2BZNSWCA855MIDCAQ3GQI9.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Definitivamente, não vou estabelecer preferências. E essa resolução vale para todos os outros poetas e poemas. Carlos Drummond de Andrade? &lt;b&gt;Poema das sete faces&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Confidência do itabirano&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;A máquina do mundo&lt;/b&gt; ou &lt;b&gt;Áporo&lt;/b&gt;? Maravilhas assim ninguém consegue produzir da noite para o dia.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Cabral de Melo Neto? Toda vez que alguém lê &lt;b&gt;Psicologia da composição&lt;/b&gt; ou &lt;b&gt;Educação pela pedra&lt;/b&gt; ou &lt;b&gt;Uma faca só lâmina&lt;/b&gt; ou &lt;b&gt;Tecendo a manhã&lt;/b&gt; ou &lt;b&gt;Catar feijão&lt;/b&gt;, o desacerto acerta o peito, como que a dizer que jamais será possível escrever poesia tão bonita.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lado romântico, aquele que roça o enlouquecimento amoroso que herdamos de Portugal, não pode desprezar Vinícius de Moraes. &lt;b&gt;Receita de mulher&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Poética&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Balada das meninas de bicicleta&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Soneto da separação&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Soneto da fidelidade&lt;/b&gt;? Um melhor do que outro − e é preciso escolher? Nunquinha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Ud6Qm7-SZdE/TvBz6dVkH-I/AAAAAAAAB9k/rIDrmtS26VI/s1600/CA974NKXCAFDMW75CAXEUZQYCAHRXRZRCAVWCRJXCA1HHGL5CAU20AYZCA5BCLWYCA2PFV5WCAA37C8UCADYQE6JCAPZFANWCA9U7EA7CAGBZSZJCA5ZMR1JCASYB871CAN3513NCA1ET36R.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="238" width="211" src="http://4.bp.blogspot.com/-Ud6Qm7-SZdE/TvBz6dVkH-I/AAAAAAAAB9k/rIDrmtS26VI/s320/CA974NKXCAFDMW75CAXEUZQYCAHRXRZRCAVWCRJXCA1HHGL5CAU20AYZCA5BCLWYCA2PFV5WCAA37C8UCADYQE6JCAPZFANWCA9U7EA7CAGBZSZJCA5ZMR1JCASYB871CAN3513NCA1ET36R.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;Ora (direis) ouvir Estrelas&lt;/b&gt; (Castro Alves), &lt;b&gt;Psicologia de um vencido&lt;/b&gt; (Augusto dos Anjos), &lt;b&gt;Romanceiro da Inconfidência&lt;/b&gt; (Cecília Meireles), &lt;b&gt;Invenção de Orfeu&lt;/b&gt; (Jorge de Lima), &lt;b&gt;Cobra Norato&lt;/b&gt; (Raul Bopp), estou perdido entre tantos poemas plantados no bosque chamado poesia. Então, ó desatino, não consigo recitar os versos que foram impressos carinhosamente na mente − ao longo do tempo e da vida −, sem perder o rumo, o prumo, os sentidos e a razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, cada vez que penso no assunto, descubro que nessa conversa não é suficiente nomear poemas, há poetas que nos encantam de outras maneiras. Como esquecer a vida – pura poesia em movimento! − de gênios como Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Mário Quintana, Ana Cristina Cesar ou Paulo Leminski? Como ignorar movimentos estéticos e políticos como a poesia concreta, a poesia marginal ou sei eu lá que maravilhas que (por ventura ou desventura) estão sendo escritas pelos integrantes das comunidades marginalizadas que compõem o Brasil? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Yu3GuD0zOaY/TvB0F8QAjzI/AAAAAAAAB9w/a017V4tFxuU/s1600/CA2QJP34CAI2KBRFCA7IHQT1CACS39U6CA6ULOJSCAC9GU3GCA24S182CA9WF8KICADYG97JCA6E5RQ2CASL6DMZCA73UBYCCAQDMOM6CA2CPKKOCA3KB3X3CAHMEIWHCA2IU42LCA1LO3V3.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="225" width="225" src="http://2.bp.blogspot.com/-Yu3GuD0zOaY/TvB0F8QAjzI/AAAAAAAAB9w/a017V4tFxuU/s320/CA2QJP34CAI2KBRFCA7IHQT1CACS39U6CA6ULOJSCAC9GU3GCA24S182CA9WF8KICADYG97JCA6E5RQ2CASL6DMZCA73UBYCCAQDMOM6CA2CPKKOCA3KB3X3CAHMEIWHCA2IU42LCA1LO3V3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Toda vez que cito Hilda Hirst, Adélia Prado, Ferreira Gullar, Manoel de Barros e Cacaso, estou esquecendo centenas de poetas e poemas de qualidade. Minha ignorância soterra qualquer esforço de parecer bem informado. Quase todos os dias encontro na Internet alguma idéia interessante, um ou outro verso invejável, vários poemas acima da média. Como posso − diante desse volume de informações − emitir alguma declaração de favoritismo? Não, não tenho um poema de que gosto mais do que os outros. Não posso ter. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez tenha sido Vinicius de Morais quem estabeleceu o parâmetro a ser seguido: &lt;b&gt;(...) porque a poesia foi para mim uma mulher cruel, em cujos braços me abandonei sem remissão, sem sequer pedir perdão a todas as mulheres que por ela abandonei&lt;/b&gt;. Independente dos interesses pessoais do poeta, mulheres e poemas pedem abraços e beijos, encantam olhares, estabelecem pulsares, derrubam pilares. E qualquer um que queira estabelecer hierarquias está – poeticamente − condenando ao descrédito, ao ridículo.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-i2slopU95ew/TvB0Rv10aGI/AAAAAAAAB98/fHtoCAQRXj8/s1600/CAZ6S0PDCACPNPR2CAP8YDFFCA82FB7ZCAVMUSD7CA6RNI2XCA3T6IUQCANR3EMACAE4JDILCAA1432VCAKLCGMZCATHML5BCAKI0WADCAI9HYDLCALU2J8GCAADUHSUCAKNVPKFCATZDJO6.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="172" width="294" src="http://1.bp.blogspot.com/-i2slopU95ew/TvB0Rv10aGI/AAAAAAAAB98/fHtoCAQRXj8/s320/CAZ6S0PDCACPNPR2CAP8YDFFCA82FB7ZCAVMUSD7CA6RNI2XCA3T6IUQCANR3EMACAE4JDILCAA1432VCAKLCGMZCATHML5BCAKI0WADCAI9HYDLCALU2J8GCAADUHSUCAKNVPKFCATZDJO6.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Esses três (Drummond, Rosa e Bandeira) sabiam que tudo é poesia, não importa a melodia, não importa se alguém confunde prosa com rosa ou carícia, delícia em forma de versos diversos, dispersos pelo mundo que nos protege e agride. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-2077697074908528883?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/2077697074908528883/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2011/12/qual-e-o-teu-poema-favorito.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/2077697074908528883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5461587029980508701/posts/default/2077697074908528883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2011/12/qual-e-o-teu-poema-favorito.html' title='QUAL É O TEU POEMA FAVORITO?'/><author><name>Raul Arruda Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11156140393263637210</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-fLjamf8pfu0/TvBzbsTTnDI/AAAAAAAAB9M/9O8PWHtc3Ec/s72-c/CA5UNMNBCAHLX1VKCALZWKM9CAG5AXQPCAXNZN9MCAU0WQLKCAMR8RNMCAAB3UUXCAWV7PJPCAE48Y9MCAO4OZNHCALS6HTLCA76XHZFCAE8W6FDCA19376SCAQIM0L3CAV23IP4CAH0NNPF.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5461587029980508701.post-4327360073955421157</id><published>2011-12-19T10:36:00.002-02:00</published><updated>2011-12-19T10:36:39.776-02:00</updated><title type='text'>NICK McDONELL</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-bQJwvwh0tpA/Tu8uGNZrOsI/AAAAAAAAB8E/khXnAc74CrU/s1600/CAVO20N5CAB6NX03CAXU19N6CAPANKS0CADJD1TWCAZJ7EZACAOR4NOACAT5NNZQCAOTM4B7CAKKUP3LCAVXP5TSCAH5Y2HXCAFWJICKCAZN18TXCAXDASH6CABHJNUFCAUXRYTTCAU657MG.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="213" width="200" src="http://1.bp.blogspot.com/-bQJwvwh0tpA/Tu8uGNZrOsI/AAAAAAAAB8E/khXnAc74CrU/s320/CAVO20N5CAB6NX03CAXU19N6CAPANKS0CADJD1TWCAZJ7EZACAOR4NOACAT5NNZQCAOTM4B7CAKKUP3LCAVXP5TSCAH5Y2HXCAFWJICKCAZN18TXCAXDASH6CABHJNUFCAUXRYTTCAU657MG.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O maior desafio de quem escreve um livro de sucesso é se superar – qualitativamente − no segundo trabalho. Raras vezes isso acontece. Principalmente quando o(a) autor(a) é um(a) desses(as) crianças prodígios que surgem de vez em quando para amaldiçoar a literatura. A síndrome Françoise Sagan é uma barreira quase intransponível. Mesmo tendo escrito vários romances, a francesa nunca conseguiu superar &lt;b&gt;Bonjour Tristesse&lt;/b&gt;, publicado quando tinha 18 anos.        &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns anos atrás, quando li o primeiro romance de Robert Nicholas (Nick) McDonell, &lt;b&gt;Doze&lt;/b&gt; (que foi publicado em 2002, quando ele tinha 17 anos), não consegui conter a surpresa e, entre inúmeros palavrões, disse para mim mesmo׃ "Esse garoto está fudido!" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-MzEsrew5Zo8/Tu8uPx7ZKJI/AAAAAAAAB8Q/e_sdxUMVCTQ/s1600/CAE6LYIYCAR5IM81CA18KY7OCA2TT7KVCA0RV4UGCAOBPL84CAYLOMB8CA5YVVU0CAR4C0IWCAPWDOJRCA5MGNN1CAEZ3BVRCAXQVPNKCA0ASGRECANEMOU2CAQWUG1YCASY35UFCAMURBCR.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="232" width="160" src="http://2.bp.blogspot.com/-MzEsrew5Zo8/Tu8uPx7ZKJI/AAAAAAAAB8Q/e_sdxUMVCTQ/s320/CAE6LYIYCAR5IM81CA18KY7OCA2TT7KVCA0RV4UGCAOBPL84CAYLOMB8CA5YVVU0CAR4C0IWCAPWDOJRCA5MGNN1CAEZ3BVRCAXQVPNKCA0ASGRECANEMOU2CAQWUG1YCASY35UFCAMURBCR.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;Doze&lt;/b&gt; não é exatamente uma obra−prima, mas consegue trilhar um tema bastante batido com consistência, sensibilidade e elegância estilística. Capítulos curtos, diálogos ágeis e bastante ação constituem os principais elementos de uma narrativa que está centrado no complicado mundo dos adolescentes (descoberta da sexualidade, drogas e violência em cada esquina). Personagens como White Mike, Charlie, Chris, Claude e Hunter reavivam as tragédias que acompanham os perdedores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns críticos mais empolgados compararam &lt;b&gt;Doze&lt;/b&gt; com &lt;b&gt;O apanhador no canto de centeio&lt;/b&gt; (J. D. Salinger). Bobagem. Nem chega perto. Os personagens de McDonnell são superficiais, sem muito conteúdo, inimigos da reflexão − o que está mais do que explícito na horrível versão cinematográfica (&lt;b&gt;Twelve − vidas sem rumo&lt;/b&gt;. Dir. Joel Schumacher, 2010).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-U_H0jhd0SDA/Tu8uasO21DI/AAAAAAAAB8c/WmJYxeJHtPc/s1600/CAF6NBOTCADRW311CAKM8E1XCA1SN03JCAMWCAJPCAJKRUZCCA46N3ICCAYQLZM1CA46S65ECA2CIMFDCA8BW1RUCAA0F9RSCACN734DCA3EVJUECA6NDJ4WCAYKZK8NCAXOPR8XCAX66WPP.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="269" width="188" src="http://2.bp.blogspot.com/-U_H0jhd0SDA/Tu8uasO21DI/AAAAAAAAB8c/WmJYxeJHtPc/s320/CAF6NBOTCADRW311CAKM8E1XCA1SN03JCAMWCAJPCAJKRUZCCA46N3ICCAYQLZM1CA46S65ECA2CIMFDCA8BW1RUCAA0F9RSCACN734DCA3EVJUECA6NDJ4WCAYKZK8NCAXOPR8XCAX66WPP.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Nick McDonell precisou de um intervalo de três anos para uma nova aventura com o romance e publicar o segundo livro. Como sempre acontece com algumas narrativas estadunidenses, &lt;b&gt;O terceiro irmão&lt;/b&gt; foi acompanhado por inúmeros golpes de publicidade (notas plantadas em jornais e revistas literárias, entrevistas, "vazamento" de alguns trechos). Além disso, todos os interessados por literatura ficaram bastante ansiosos porque parte da ação narrativa acontece no dia 11 de setembro de 2001. Independente de discussões sobre os atributos do texto, esse conjunto de ingredientes é suficiente para garantir boas vendas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O terceiro irmão&lt;/b&gt; é um livro estranho, quase desconexo. Dividido em três partes, segue a receita infalível do pré−roteiro. As 253 páginas estão divididas em 108 capítulos, nenhum deles se estende por mais de quatro páginas. Os diálogos são cortantes, eficazes. Nada é desperdício narrativo. Sem se descuidar de questões significativas da carpintaria literária, McDonell se utiliza implacavelmente do contraponto, criando uma dinâmica eficaz para a alternância de cenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vqp--5ndsuE/Tu8uqKG5B7I/AAAAAAAAB8o/G0VPov6-NMU/s1600/CAEWWIF5CA7DU6M5CAJULRTWCAUHS5NSCA85WKS7CA5G6H1NCA2T68CXCABLZNOZCA7PJDE5CACCN9ZICAGGV8OCCAMN9J27CAAQMWCNCA3REE5YCA4SVOMXCA3HH0ZQCAPI1N0ICAHQSBKO.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="272" width="185" src="http://3.bp.blogspot.com/-vqp--5ndsuE/Tu8uqKG5B7I/AAAAAAAAB8o/G0VPov6-NMU/s320/CAEWWIF5CA7DU6M5CAJULRTWCAUHS5NSCA85WKS7CA5G6H1NCA2T68CXCABLZNOZCA7PJDE5CACCN9ZICAGGV8OCCAMN9J27CAAQMWCNCA3REE5YCA4SVOMXCA3HH0ZQCAPI1N0ICAHQSBKO.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O descompasso é de outra ordem. O protagonista, Mike, é um peixe fora d’água. Como a primeira parte da narrativa se passa na Tailândia, todas as cenas estão espelhadas no estranhamento, na falta de sintonia, na ausência de integração. O grande problema do situar uma narrativa em tempo e espaço muito nítido é o &lt;b&gt;déjà vu&lt;/b&gt;. O leitor com alguma formação literária é tomado pela sensação de já ter visto a situação em outros textos. Ou seja, as primeiras cem páginas de &lt;b&gt;O terceiro irmão&lt;/b&gt; parece ter sido "inspiradas" em narrativas mais conhecidas como &lt;b&gt;O americano tranqüilo&lt;/b&gt; (Grahan Greene) ou &lt;b&gt;A ilha&lt;/b&gt; (Alex Garland). Tenha sido proposital – ou não − McDonell beirou perigosamente o plágio.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra questão está na ambientação da segunda parte do romance. Mais uma vez, a comparação surge no horizonte – e de maneira pejorativa. As melhores descrições de um homem caminhando pela região de conflagração do dia 11 de setembro são da autoria de Don DeLillo, em &lt;b&gt;Homem em queda&lt;/b&gt;. Qualquer um que queira seguir essa trilha provavelmente não conseguirá acrescentar algo relevante.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-9TdCLZTNibw/Tu8vM68-N8I/AAAAAAAAB80/kzwKc1mOeS0/s1600/CAYTQ2B1CAU5T7OMCAHLG643CAJHEL58CAVGLOW9CAJFOGYYCAGNS1GACAWDJQA0CAV2WI5UCAFPZEGUCAHK6EXTCAC2UFMDCAK2N1KKCATB17H8CAVAD4QQCAVOLTT7CAW30YSICA2ZX8WD.jpg" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="271" width="186" src="http://3.bp.blogspot.com/-9TdCLZTNibw/Tu8vM68-N8I/AAAAAAAAB80/kzwKc1mOeS0/s320/CAYTQ2B1CAU5T7OMCAHLG643CAJHEL58CAVGLOW9CAJFOGYYCAGNS1GACAWDJQA0CAV2WI5UCAFPZEGUCAHK6EXTCAC2UFMDCAK2N1KKCATB17H8CAVAD4QQCAVOLTT7CAW30YSICA2ZX8WD.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;No final da segunda parte, o texto perde o nexo causal. Nem mesmo a mudança de ponto de vista narrativo (da terceira pessoa para a primeira), a volta do personagem à universidade ou a sutil incorporação da esquizofrenia do irmão suicida servem para estruturar o que parece estar caindo lentamente na direção do colapso narrativo. Falta fôlego e/ou tesão - e sem esses ingredientes é impossível produzir um livro palatável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só nos resta esperar pelo terceiro livro (&lt;b&gt;An Education Expensive&lt;/b&gt;, publicado em 2009, em Estados Unidos). A síndrome Françoise Sagan envolveu e sufocou o segundo.     &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5461587029980508701-4327360073955421157?l=raulealiteratura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/feeds/4327360073955421157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://raulealiteratura.blogspot.com/2011/12/nick-mcdonell.html#comment-form
