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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

PENSAR COM AS MÃOS

 


Confesso: nunca fui fã de estudar teoria literária. O pouco que sei está mais relacionado com a obrigação acadêmica do que com o gostar. E isso vale principalmente para a poesia. Obviamente li o ABC da Literatura (Editora Cultrix, 2014), do Ezra Pound, e meia dúzia de manuais sobre o ofício. Esse caminho foi percorrido com um pouco de desânimo. Prefiro a linguagem coloquial, o “achado” e a fuga das formas e fórmulas canônicas (que são importantes, não nego). Meu olhar filtra o cotidiano e nele se espelha. Mas nunca sei quando devo me aproximar ou me afastar do versejar (velejar nesse mar de livros). De qualquer forma, cabe esclarecer que sou da turma simpática ao Manuel Bandeira, ao Oswald de Andrade e à geração mimeógrafo (poesia marginal) – isso significa que os românticos, parnasianos e outros passadistas não estão no meu radar (eles são importantes, mas não para mim).   

No ano passado, uma recaída. Quer dizer... Uma pequena correção no percurso. Li (devagar e com atenção) o ensaio O ódio pela poesia, do Ben Lerner (Editora Fósforo, 2025. Tradução de Leonardo Fróes). O texto coloca em perspectivas inúmeras questões sobre o significado da leitura e da produção poética. No parágrafo final, um resumo: Tudo o que peço aos odiadores – dos quais eu, também, sou um – é que se esforcem para aperfeiçoar seu desprezo, pensando em levá-lo a se relacionar a poemas, em que ele será aprofundado, não dispersado, e em que, criando um lugar para a possibilidade e as ausências presentes (como as melodias não ouvidas), ele possa chegar a se parecer com amor.   

 


No último mês, mergulhei, com certo atraso, em Pensar com as mãos, da Marília Garcia (Editora WMF Martins Fontes, 2025). São artigos publicados em revistas, jornais e sites sobre os itinerários da escrita, as influências (sem angústia) dos poetas, as dificuldades da tradução, as fendas entre o que se vê e o que se esconde e, sobretudo, a percepção de que, na bolsa de valores culturais (e há tanto tempo que é difícil mensurar), o poema ocupa um lugar de “crise”, lugar de perpétua desvalorização.  

Escrever é uma forma de “pensar com as mãos”, como propõe Jean-Luc Godard? Foi essa a pergunta que fiz antes de começar a leitura. Ainda não sei a resposta. Talvez não exista. Ou talvez se deva seguir pela trilha proposta por Marília: Escrever é olhar com as mãos, manejar, moldar, pensar, procurar as frases (como em Pierre Alferi), anotar os versos, experimentar, testar. Com o livro nas mãos, muitas vezes “pensei” sobre o que li.

Ao usar fragmentos de diversos poemas como ilustração para desenvolver os temas (voz narrativa, in medias res, limites da linguagem, memória, confronto entre imagem e palavra, eu e o outro, desgaste de certas expressões), Marília amplia o diálogo poeta/leitor e, de forma transversal, emite convite para conhecer os poemas e os poetas citados. Não por acaso Wisɬawa Szymborska, Carlos Drummond de Andrade, os irmãos Campos, Paulo Leminski, Wystan Hugh Auden, William Carlos Willians, Charles Baudelaire, entre outros, são referências basilares para quem deseja (con)viver com a poesia. E isso significa – para todos nós – que o exercício poético precisa estar escorado naqueles que contribuíram para a formação da história da literatura. Somente assim (como Marília se refere afetuosamente aos versos de Adília Lopes), uma nova voz entra em circulação dentro do corpo poético de uma língua trazendo elementos estranhos a ela e produzindo, ao mesmo tempo, algumas reverberações.

Ao destacar aspectos da poesia de Alice Sant’Anna, Ledusha, Chico Alvin, Cacaso, Victor Heringer – todos, com perdão da licença poética, contemporâneos – Marília Garcia revela que a poesia, a filosofia e a cultura constroem um ponto de convergência, um encontro entre amigos, uma dessas conversas que se estendem pela tarde, sem se importar com a aproximação da noite ou com o chamado para outras atividades.



Marília Garcia (foto de Renato Parada / divulgação)

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

HISTÓRIAS REAIS

 


A distância entre o fato e a ficção depende da habilidade do narrador. O leitor da edição revisada e ampliada de Histórias reais, de Sophie Calle (Editora Relicário, 2025. Tradução de Marília Garcia), em alguns momentos coloca em dúvida algumas das páginas do livro. Seja por excesso de veracidade, seja por incredulidade. Os trechos que tratam das mortes do pai (Bob), da mãe (Monique) e do gato (Souris) ou do fracasso das relações afetivas mostram que a economia da linguagem (meticulosamente selecionada para esse experimento) quer produzir alguma forma de intimidade, na medida em que expande o seu pensamento através de uma película daquilo que se supõe ser a verdade ou a fantasia.

 

Quando minha mãe morreu, comprei uma girafa embalsamada que batizei com o nome dela. Instalei-a em meu ateliê.

Monique me olha do alto, com ironia e tristeza.

 

Sem subtrair a comédia, sem se esquivar da tragédia, Calle aposta na força da concisão do texto e no impacto das imagens. Nas 66 histórias e fotografias, o encantamento se desdobra em fragmentos que iluminam memória, invenção e performance. Isso não impede a existência das arestas, de avalanches de sentimentos ou do senso de urgência para contar certas coisas. Esse ritual confessional possui, além do efeito estético, importância na balança cósmica, nas sombras produzidas pelo entardecer humano. Estar vivo implica em construir relatos, em destruir certezas e propor novas formas de ver e interpretar a poesia. Estabelecer um ponto fulcral no universo.

 

Nossa união improvisada, à beira da estrada que atravessa Las Vegas, não me deixou realizar o sonho inconfessável que compartilho com tantas mulheres: usar, um dia, um vestido de noiva. Por isso, decidi convidar a família e alguns amigos, no sábado 20 de junho de 1992, para uma foto de casamento nos degraus de uma igreja de bairro em Malakoff. Depois da foto, houve uma falsa cerimônia civil, realizada por um juiz de verdade, e um banquete. Não faltou nada: arroz, confete, véu branco... Coroei com um falso casamento a história mais verdadeira da minha vida.

 

Escrever, fotografar – formas de atravessar a rua (calle, em espanhol) e ver/construir outras paisagens. Exercício de abrir portas e janelas, derrubar muros. A possibilidade de multiplicar vivências, explodir o conformismo, sobreviver aos escombros, nunca se calar. Suprimir quaisquer restrições sobre a própria privacidade, eliminar a culpa, limpar o lixo emocional, expor os detalhes (sórdidos ou não). Estar em guerra consigo mesma.

 

Apagar contato. Difícil.

Quando meu pai morreu, não apaguei o número do seu telefone.

Ontem, sem querer, liguei para ele e, em seguida, desliguei.

Logo depois, sua foto e seu nome surgiram na tela.

Bob me mandou uma mensagem.

 

Narrativas e fotografias que ultrapassam a banalidade do cotidiano – e estabelecem o humano como instrumento narrativo. Cada história projeta algumas singularidades e, ao mesmo tempo, dialoga com a totalidade. A todo instante (com sarcasmo, melancolia e agressividade), o livro avisa sobre a necessidade de recusar o óbvio e o contentamento. No inventário das destruições, o imobilismo caminha ao lado da ilusão romântica.


Sophie Calle

sábado, 22 de agosto de 2026

NO BAILE DO JUÍZO FINAL

 


Manaus une civilizações antigas e violências extremas. Distante do mundo pacato que dizem existir ao sul do Equador, foi refundada na escrita, espaço novo/velho para propor o arejamento dos costumes, o distanciamento de determinados protocolos estéticos. O estranhamento que ousa revelar as entranhas sociais.

Manaus é um lugar encantador. Enganador. Convergência entre a floresta e a metrópole, as ruas periféricas, a lama, a pobreza interminável, o rio Negro, a negação da diversidade étnica, os preconceitos. A vida pulsando em 3000 rotações por minuto, sem dar tempo para o tempo tomar fôlego ou qualquer anestésico. A selvageria incorporada no andar entre as gentes, o desencontro entre os corpos, a luta (destinada ao fracasso) contra os diversos tipos de pressão, opressão, repressão.

A cultura pop como alimento. A linguagem mais fluída, menos engessada pelas nervuras do contentamento. Cavalo Megazord, Coletivo Amargo, terrorismo arquitetônico, vilões de desenho animado, erotismo em estado bruto, abandonar as avenidas iluminadas e entrar em beco escuro, sobreviver, disto ela lembrava: dos fragmentos, papel contra a pele, a sensação que o filme deixa ao subirem os créditos, letras demais para acompanhar, menino melancólico que se transforma em mulher feita de fogo. A performance nos balls, promessas de felicidade em encontros fugazes, películas de fumaça, a trama da verdade costurada pela ficção. (...) as pernocas cruzadas com um pezinho balançando e os brilhos da bota fazendo pirlimpimpim.  

Luana (Lua) Madeira, Bento Ruas, Derick (Mutirão) Silva Madeira, Sorria (Soror, Soraya), Arcana, Demi, Silvina da Silva Bastos, Et El Vynah, Lorenzo (motorista de aplicativo), Renata. Os muitos nomes usados no dia a dia e que (por diversas razões) escondem os nomes reais. O olhar [que] passa [como] uma caneta vermelha, de quem perdeu pontos. A pele escrevendo o desejo na pele do outro, atrito necessário para que a linguagem do prazer rompa o interdito.

O abrigo – Casa Jasytata – para quem quer driblar o fim do mundo, a chance de encontrar uma saída, talvez seja por isso que os personagens flutuam no onírico ou no xamânico (que se não é o mesmo, é quase igual). As imagens compondo outro cenário, universo paralelo, possibilidade de alterar provisoriamente o presente (embrulhado em papel colorido, ilusão e beleza). O terço pendurado no retrovisor do carro rodopiava ao vento.

Bermuda tactel, despejar 12.424 Tartarugas Ninja de plástico na piscina, cerveja em copo americano, cigarros de cravo, bolar um beque, Ferris Bueller reinterpretado. Explosões como meta, metamorfoses antes que o dia termine. Enquanto a chuva radioativa cai sobre as cabeças humanas, o disco voador adeja ao longe (...) o futuro dança uma música que a gente não ouve. Quando a gente dança com ele pela magia, é do jogo ele pisotear.   

O narrador vai passeando pela calçada que separa a primeira e a terceira pessoa, espaço fluido para que este ou aquele personagem possa apresentar a sua versão – seja quem conta a história ou quem a está protagonizando. Momentos desconexos da narrativa – ou de narrativas diferentes que reúnem os mesmos personagens e suas complicações. Mistureba sem compromisso com os mecanismos literários utilizados por quem usa terno, gravata e sapatênis. Exercício que, Com muita resistência, consegue ir contra a cola que fixa tudo no tempo.

Os contos de No Baile do Juízo Final, de Susy Freitas (Editora Todavia, 2026) não foram escritos para todos os paladares. Entre a doçura e o amargo, sempre transgressores. Punk e queer. Estrutura operística que algumas vezes termina com um beijo.


Susy Freitas


terça-feira, 11 de agosto de 2026

A GAROTA QUE VIROU UMA CARPA

 


A literatura japonesa desperta sentimentos complicados. Em alguns momentos, parece brincar com o intangível; em outros, quer agarrar a crueldade e trazê-la para perto dos leitores. No oscilar entre os polos, a carga erótica está presente. Raramente homens e mulheres estão na mesma sintonia, embora não abram mão do prazer (autêntico, agressivo, perverso), como comprovam algumas das narrativas escritas por Jun’ichirō Tanizaki, Osamu Dazai, Yukio Mishima, Ryu Murakami, entre outros.

A coletânea A garota que virou uma carpa (Editora O Quarto dos Livros, 2026), organizada e traduzida por Karen Kazue Kawana, não quer defender tese, embora esteja alicerçada em um recorte. São cinco contos, escritos entre 1907 e 1946, em que as mulheres surgem na escrita masculina e [revelam] o tipo de papel que desempenham nas obras: sedutoras, seduzidas, objetos do desejo e admiração, companheiras, antagonistas, motivo de encanto e frustração. Em todas as narrativas o relacionamento afetivo tangencia o aflitivo.

Kojō Sugita (protagonista de Obsessão por garotas, de Katai Tayama) casou cedo, teve dois filhos e trabalha em uma editora. Isso não é o suficiente. Ele quer mais. Quer o que nunca terá: a atenção de mulheres mais jovens, mais bonitas do que a esposa. Por isso, exerce – pateticamente – o voyerismo, que é a maneira que encontrou para preencher o vazio existencial. São essas mulheres (vultos que surgem e desaparecem com rapidez nos vagões dos trens) que alimentam a sua existência e decretam o desfecho do conto. Seu contraponto, Nomura (de A guerra e uma mulher, de Ango Sakaguchi), tem a possibilidade de estabelecer um relacionamento estável, mas... ele não acredita que essa possibilidade o fará feliz. Envolto no preconceito e na amargura, imagina que o fim da guerra determinou o prazo de validade para estarem juntos. Um homem atormentado, enquanto observava o corpo da mulher com desejo.    

Seikichi (em A tatuagem, de Jun'ichiro Tanizaki) carrega dentro de si o instinto do sadismo. Acredita que a arte compensa as agulhadas que infringe aos corpos alheios. Em paralelo, quer (...) obter a pele radiante de uma beldade e, nela, tatuar sua própria alma. Essa procura se realiza quando uma garota visita o seu estúdio. O tatuador imagina que o seu prazer vai se transformar em gozo (no sentido freudiano). Depois de sedá-la, ele passou algum tempo sentado, em completo êxtase. Contemplar o corpo da mulher antecipa o deleite sexual que surge do desenho impresso na pele. A reviravolta narrativa acontece quando o desejo do tatuador encontra receptividade no desejo da garota de ser tatuada pelo mestre (Se for para me tornar bela, provarei que sou capaz de suportar qualquer coisa). No dia seguinte, quando a dor e a beleza se confundem, o sol da manhã incidiu sobre a superfície da tatuagem, e as costas da mulher resplandeceram com esplendor.

[inevitável comparar a prática da sevícia de Seikichi com a de Shiba, o tatuador de Cobras e Piercings, de Hitomi Kanehara, Editora Geração Editorial, 2007. Tradução de Jefferson José Teixeira].

No jogo de aproximação e afastamento do casal de A primavera chegou numa carruagem (de Riichi Yokomitsu), a esposa, inconformada com a tuberculose, exige total atenção do marido. Ele, por sua vez, se mostra estoico, quer aguentar a provação com o pouco de forças que lhe resta. E isso significa que precisa estar preparado para enfrentar a morte da mulher. Esse fragmento crítico da realidade mostra que ninguém consegue superar esse tipo de provação sem danos psicológicos.

A alegoria proposta por A garota que virou uma carpa (de Osamu Dazai) reflete a ideia de que o corpo pode se transferir para outro corpo depois da morte física. A solidão que acompanha Suwa e a história que seu pai lhe contou certa vez sobre os irmãos lenhadores Saburō e Hachirō resultam em tristeza infindável. Esse sentimento faz com que, em determinado momento, assustada por algo que não está claramente definido, talvez a violência sexual, procure por (...) um inexplicável alívio. Uma grande leveza. É no poço da cachoeira que a liberdade se encontra.       

As descrições literárias das situações vivenciadas pelas mulheres japonesas nos cinco contos revelam que os homens não dispõem da necessária habilidade para conviver com suas companheiras. E que eles transmitem esse mal-estar para a vida diária.   



Karen Kazue Kawana


sexta-feira, 7 de agosto de 2026

A DEFESA CAPADÓCIA

 


Em um dos capítulos de Ex-libris – confissões de uma leitora comum (Editora Zahar, 2002), Anne Fadiman afirma que alguns bibliófilos possuem uma estante excêntrica. Ou seja, uma pequena e misteriosa coleção de volumes, cujos assuntos não têm a menor relação com o restante da biblioteca. No caso de Anne, narrativas sobre explorações polares; no meu, ficção envolvendo o jogo de xadrez.

Como não são muitos os livros sobre o tema, dá para colocá-los em separado, ou melhor, em lugar que é possível acessá-los quando necessário. Foi com o propósito de acrescentar mais um item ao conjunto que adquiri A Defesa Capadócia (Livraria Danúbio Editora, 2026), de Elizeu Xavier. Texto fácil de ler, 166 páginas, uma noite ou duas bastam. Mas... não deve ser considerado um clássico sobre o tema. Nem na relação com o xadrez, nem como novela negra (para os espanhóis), roman noir (para os franceses) ou romance policial (para o Brasil).

O primeiro incômodo surge nas primeiras páginas: inacreditável quantidade de citações. O tom enciclopédico começa com Sun Tzu, avança por Nietzsche, Sófocles, Dostoiévski e desemboca em José Raúl Capablanca, Boris Spassky, Tigran Petrosian e Bent Larsen, passando por dezenas de referências literárias e cinematográficas. O mesmo ocorre com as metáforas. São tantas, tantas. Há momentos em que o leitor, em lugar de se concentrar no enredo, começa a contar as figuras de linguagem.

Quanto a história que está sendo narrada... o começo parece promissor. Depois... ah, lamentavelmente existe o depois! A ideia de jogar xadrez por correspondência entre o detetive Eduardo Botelho e o prisioneiro do Estado Douglas Moreira se esvai. No máximo, uma ou outra jogada do detento são citadas (sempre enviadas por cartão postal, sem qualquer explicação para a existência desse tipo de comunicação com o mundo exterior). Em paralelo, as peripécias sexuais do protagonista são descritas com fervor (o sujeito tem um harém). E os crimes (sim, no plural) parecem penduricalhos em texto que não ata nem desata.

Em outras palavras, o detetive em nada difere dessas figuras de papel que se deslocam em um mundo violento, asfixiante e moldado pela incerteza. No caso, a geografia paulistana – que quase se converte em personagem. A menção a certas regiões, digamos, selvagens, destaca as cores sombrias da cidade.  

Botelho, em muitos aspectos, tenta emular Sam Spade (Dashiell Hammett) e Philip Marlowe (Raymond Chandler). Infelizmente, não convence como o investigador agressivo, capaz de disparar frases cáusticas no meio de alguma cena ou de hostilizar a sociedade burguesa. Falta-lhe aquele je ne sais quoi que faz a diferença. Todo o esforço para parecer o machão que não quebra quando recebe surras ou golpes psicológicos não convence. O mesmo efeito acontece com o consumo industrial de uísque. Para piorar, ele joga mal xadrez. Falta-lhe antecipar as jogadas do adversário ou descobrir os pontos fracos da posição. No máximo, um jogador de segunda (ou terceira) classe.   

No terço final do romance – desfecho da trama – tudo se encaminha para a perda de sentido. A resolução dos enigmas se mostra decepcionante, quase sem forças.

 


Para quem se interessa pelo tema (xadrez em tramas ficcionais), vale destacar, entre outros: Variante Gotemburgo, de Esdras do Nascimento (Editora Nórdica, 1977), A defesa, de Vladimir Nabokov (Editora L&PM, 1986), A variante Lüneburg, de Paolo Maurensig (Editora Companhia das Letras, 1994), A máquina de xadrez, de Robert Löhr (Editora Record, 2007), A jogadora de xadrez, de Bertina Henrichs (Editora Record, 2010), Xadrez, de Luiz Eduardo de Carvalho (Editora Patuá, 2019),  O livro de xadrez, de Stefan Zweig (Editora Fósforo, 2021).