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terça-feira, 2 de junho de 2026

PEQUENAS COISAS COMO ESTAS

 


A simplicidade de contar uma boa história pelo método tradicional: começo, meio e fim (nesta ordem). Sem truques narrativos, sem surpresas psicológicas, sem ignorar o horror que acompanha o ser humano. Essa estratégia literária foi adotada por Claire Keegan, em Pequenas coisas como estas (Editora Relicário, 2024. Tradução de Adriana Lisboa). 

Alguns dias antes do Natal de 1985, em pleno inverno rigoroso, Bill Furlong precisa levar uma carga de lenha para o convento próximo de New Ross, pequena cidade situada no interior da Irlanda. Acidentalmente, ele descobre algo que – a princípio – parece estranho. Por que as coisas que estavam mais próximas eram com tanta frequência as mais difíceis de ver? Em uma sociedade dominada pela religião católica, onde algumas questões morais são fundamentais, muitas vezes a prática cotidiana vai em direção contrária aos ensinamentos propostos pela igreja.

Bill Furlong, filho de mãe solteira (que engravidou aos 16 anos), criado por uma senhora rica e benevolente, casado com Eileen, cinco filhas, comerciante (lenha, carvão, turfa, antracito e toras de madeira), cidadão respeitado na comunidade. Esses dados biográficos não conseguem resumir as complexidades psicológicas de um personagem que precisa superar um dilema ético. E que, em muitos momentos, se preocupa com essas pequenas coisas (small things like these) que dividem o mundo entre dois grupos antagônicos: os que encaram os problemas e os que olham para o outro lado – para não ver as desgraças, para solidificar o ordenamento hipócrita. Além disso, ele também se sente constrangido por não poder fazer algo mais efetivo por aqueles que são atingidos pelas dificuldades econômicas.

Furlong se surpreende, em determinado momento, ao descobrir que grande parte da população de New Ross segue a normalidade comportamental proposta por um ditado regional: Mantenha o inimigo por perto, o cachorro mau com você, e o cachorro bom não vai te morder. Em outras palavras, não se deve provocar as coisas ruins porque isso atrai a maldade de quem parecia inofensivo. A senhora Kehoe, dona do restaurante, lembra a ele que Pesada é a cabeça que usa a coroa. Mais uma vez, o vocabulário enviesado ecoa como aviso sobre as responsabilidades que podem recair sobre os ombros de quem resolve alterar o que está estratificado.

As questões religiosas induzem ações complicadas, muitas vezes invertendo as noções do certo e do errado. Furlong, nas últimas páginas do texto, toma uma decisão que pode ser descrita como caminhar na contramão – ciente de que O pior ainda estava por vir, ele sabia. Já podia sentir um mundo de problemas esperando por ele atrás da próxima porta, mas o pior que poderia ter acontecido já havia passado: a inação, o que poderia ter acontecido – algo com que teria que conviver pelo resto da vida.

O prêmio por ter tomado uma decisão é o alívio da consciência – embora essa atitude também pode indicar o início da desgraça. Só o tempo responderá sobre os próximos acontecimentos. Mas sobre isso não há respostas narrativas – deixando à imaginação do leitor interpretar os fatos subsequentes (como convém aos finais em aberto).  

O livro de Claire Keegan possui uma versão cinematográfica (Dir. Tim Mielants, 2024).


Claire Keegan


sexta-feira, 22 de maio de 2026

A MALDIÇÃO DO GATO

 


No dia 07 de dezembro de 2022, durante a Copa do Mundo de futebol, que foi realizada no Catar, o jornalista Vinicius Rodrigues, que trabalhava como assessor de comunicação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), não gostou de ver um gato, que tinha invadido a coletiva de imprensa da seleção brasileira. De forma abrupta, jogou o animal no chão.

Dois dias depois, a equipe que representava o Brasil empatou, no tempo regulamentar, com a Croácia (1-1) e foi eliminada da competição na disputa por pênaltis (4-2).

Independente da competência futebolística da equipe “brazuca” ou dos erros dos batedores de pênaltis (Rodrygo e Marquinhos), a culpa pelo fracasso da pátria de chuteiras (na célebre definição de Nelson Rodrigues) foi atribuída a uma suposta vingança do felino. Estava assim formalizada, seguindo a cartilha das teorias conspiratórias, a maldição do gato.

Desde a Idade Média, o imaginário popular identifica os gatos como figuras misteriosas. Nesse constructo fantasioso, algumas pessoas (por motivos religiosos e/ou políticos) associaram os animais com bruxas e magia negra; ou seja, com poderes sobrenaturais. Seguindo essa trilha, ao entender que houve um ato de desrespeito com uma criatura divina, não constitui surpresa atribuir às forças anímicas da natureza a necessidade de instituir um mecanismo de reparação. Em outras palavras, o império da lei de ação e reação (Karma).  

No dia 18 de maio de 2026, o responsável técnico pelo grupo que participará da Copa do Mundo, que acontecerá em México, Estados Unidos e Canadá, entre os dias 11 de junho e 19 de julho, anunciou, em uma cerimônia ridícula e de mau gosto, a convocação dos 26 atletas que constituem o “escrete canarinho”. Nada além da vitória será aceito pela patriotada nacional – uniformizada com a camiseta “amarelinha”.

No espírito Cassandra (célebre pitonisa grega), algumas almas agourentas anunciaram que é possível acontecer um novo infortúnio nos gramados da América do Norte. Além da vigência da maldição do gato, somam as presenças aziagas de alguns jogadores. Essa análise está complementada por um provérbio da língua espanhola: cria cuervos y te sacarán los ojos. Ao dar oportunidade para determinadas pessoas (as aves carniceiras), abriu-se a possibilidade da ingratidão e da traição se instalarem no vestiário e destruírem internamente, como cupins, a disciplina da equipe. O alerta sobre esse desastre não pode ser considerado como delírio e, mais grave, não está longe de acontecer – é o que preveem os videntes do novo apocalipse. 

Também ressaltam que existe uma visível falta de novos talentos nas artes que orientam o ludopédio raiz. Os campos de várzea deixaram de existir e os jogadores egressos de escolinhas e das equipes que formam as categorias inferiores raramente apresentam aptidão e criatividade. Vide, salvo as exceções que confirmam a regra, os relacionados na lista tupiniquim.

Para compensar essas deficiências, o jogo se transformou em apêndice do marketing – que cria deuses e demônios de acordo com os interesses da mercantilização esportiva. A aparência e a simulação passaram a ser referências e qualidades. Só se ilude quem quer ser iludido (a esperança é a última que morre e outros clichês de autoajuda).

Enfim, em ritmo eu sei o que vocês fizeram no verão passado, ninguém deveria esquecer que a maldição do gato pode ser entendida como uma metáfora contemporânea da espada de Dâmocles (sempre pronta para cortar a cabeça dos incautos).   

quinta-feira, 14 de maio de 2026

LINDOLF BELL SUBIU NA MESA E DECLAMOU UM POEMA

 


12 de agosto de 1993. O evento foi organizado pela Editora Paralelo 27 (leia-se, Fábio Brüggemann) e aconteceu no falecido Restaurante Reçaka, na Avenida Beira-Mar, em Florianópolis (Desterro, para os íntimos). O local era famoso reduto dos comunistas ilhéus em um tempo que, sim, ainda existiam comunistas em Florianópolis – poucos, porém suficientes para encher uma van e talvez sobrasse uns dois ou três, aqueles que tinham diploma universitário e carro do ano. Foi lá que os cinco livros (digo, plaquetas) de poesia se tornaram disponíveis ao distinto público. Atualmente são objetos raros, itens de colecionador.

O protocolo foi seguido como manda o figurino: discursos sem entusiasmo, rápidas entrevistas para jornais e televisão e sessão de autógrafos. Cada um dos poetas levou a sua claque particular – a inevitável contribuição ao show. Além dos figurantes, estavam presentes aqueles que frequentam toda e qualquer manifestação artística, os desavisados que foram jantar sem saber que haveria a celebração literária e uns três ou quatro gatos pingados que representaram as “otoridades” (que, [in]felizmente, não puderam comparecer). Enfim, uma pequena multidão.

Não me recordo muito bem dos episódios paralelos e percebo, depois de tanto tempo, que o que sobrou daquele folguedo foram umas poucas lembranças nebulosas. Quer dizer, noves fora zero, a diversão estava a cargo de algumas celebridades que tinham extensa folha corrida na criminalidade poética barriga-verde: C. Ronald (Carlos Ronald Schmidt, 1935-2020), Lindolf Bell (1938-1998), Rodrigo de Haro (1939-2021) e Eloah R. M. Castro (n. 1953). Eu também estava lá, personagem secundário de uma festa estranha com gente esquisita.



Como sempre acontece nesses momentos de júbilo, houve uso e abuso dos acepipes e dos estimulantes alcoólicos. Algumas pessoas ficaram alegres (provavelmente um pouco além da conta). No entanto, todos procuraram seguir os atos civilizatórios. Era possível sentir que os anjos estavam adejando pelo ambiente, tamanha a sacralidade do instante.

Essa assepsia desagradou ao Lindolf Bell, que gostava de praticar – com prazer e afeto – o terrorista cultural. Figura emblemática do movimento Catequese Poética (1964 até, mais ou menos, 1970), ele tinha como proposta básica democratizar a arte através de intervenções públicas. Nesses happenings (se é que a expressão pode ser usada), era comum a leitura poética em voz alta (muitas vezes em cima de uma lata de querosene Jacaré). A “escada” servia para promover a venda dos livros de mão em mão (como compete aos camelôs da cultura). Em síntese: a bagunça fazia parte de uma proposta política que ia em direção contrária às regras impostas pela ditadura militar. 

Então, quando a brincadeira literária parecia estar próxima do tédio e algumas pessoas ensaiavam deixar o restaurante, o poeta (que tinha um vozeirão de locutor esportivo), em imitação de cena clássica do musical Hair (Dir. Milos Forman, 1979), depois de ter afastado a louça e os talheres, subiu em uma mesa. O inusitado da situação serviu para criar um silêncio estranho no recinto. Para surpresa geral, Bell não cantou música de protesto (como no filme) ou leu algum manifesto panfletário. Fez melhor: recitou um poema enorme, não lembro qual. O público aplaudiu e pediu bis.

A performance foi um espetáculo impressionante, expressão de força e potência da poesia. Provavelmente, o zênite da noite. 

Fui para o hotel uma ou duas horas depois – bêbado e em êxtase.        


Lindolf Bell (1938-1998)


segunda-feira, 11 de maio de 2026

O ANO DO COMETA

 


Quatro eventos foram expressivos em 1986. O acidente da nave espacial Challenger (28 de janeiro), a passagem do Cometa Halley (9 de fevereiro), o desastre na Usina Nuclear de Chernobyl (26 de abril) e a Copa do Mundo de Futebol no México (de 31 de maio a 29 de junho). Além da distensão política brasileira (lenta, gradual e segura), todos esses acontecimentos estão registrados – alguns explicitamente, outros alusivamente – em O Ano do Cometa, romance escrito por Maria Brant (Editora Fósforo, 2026).

O núcleo da narrativa envolve três meninas (Íris, Rosa e Violeta), todas com 11 ou 12 anos. Vários meninos orbitam no entorno (Chiquinho, Noah, Emiliano, PP), figurantes em uma história que parece não lhes pertencer.

Seguindo as regras do romance de formação (bildungsroman), O Ano do Cometa se concentra na passagem emocional, moral e social entre a infância e a idade adulta, entre a ingenuidade e o trauma derivado da compreensão das ações humanas. Ninguém escapa ileso desse período de transição.

Alguns anos antes, durante a ditadura militar, Pedro (Peu) Blum foi preso, confundido com o irmão gêmeo. Seguiu-se o de sempre: tortura, mutilação, destruição psicológica. Carlos conseguiu fugir. Foi para a França e mais tarde morou algum tempo em Estados Unidos. Só voltou para o Brasil depois da morte de Pedro.

Grande parte da narrativa está concentrada no momento em que a força do luto se manifesta como uma ferida aberta – e que talvez nunca se feche. As crianças estão imersas em um contexto onde os adultos fumam, dirigem fuscas, ouvem música (Caetano, Mercedes Sosa, The Police, Beatles, The Cramberries, Bee Gees, etc.), assistem o Jornal Nacional e o Globo Repórter, compram na Mappin, acolhem imigrantes, acreditam em mensagens místicas, levam os filhos para a praia e procuram esquecer o passado. Talvez esse seja o problema maior: as meninas percebem que algumas coisas estão distantes das aparências, mas não conseguem descobrir o quê. E também não obtém as necessárias informações. Embora pistas não faltem, espalhadas pelo meio do caminho – mas nenhuma das meninas possui a chave da porta do esclarecimento. Só mais tarde, muito mais tarde, conseguirão compreender o drama que estava se desenrolando ao redor.    

Dividido em doze partes (uma para cada mês do ano), com várias subdivisões, o romance está estruturado na voz de dois narradores. Enquanto o primeiro se mostra onisciente, neutro, modelo de quem constrói o relato, misturando os eventos, explicando situações, criando expectativas; o segundo só aparece no final de cada seção (texto em itálico) – é uma voz adulta, que revê o passado com uma perspectiva particular, consequência de ter ficado à margem dos acontecimentos, ou seja, distante do turbilhão emocional.

Violeta, a segunda narradora, conviveu com Pedro, quando ele foi hospede de Luís e Patrícia (seus pais), que eram amigos de Carlos e Teresa (pais de Rosa e Chiquinho) e Cecília (mãe de Íris). São essas lembranças que lhe permitem acrescentar elementos a um relato que está repleto de elipses, de insinuações, de referências culturais (eu moro naquela casa muito engraçada, por exemplo).

Realista, como compete a um retrato de época, O ano do cometa mostra a vida como um momento fugaz – um fenômeno cósmico que passa rápido e poucos conseguem ver.


Maria Abramo Caldeira Brant


sábado, 2 de maio de 2026

O ÚLTIMO MOVIMENTO

 


Entre as múltiplas lendas que envolvem a música clássica, destaca-se a maldição da nona sinfonia – alguns compositores morreram durante ou após a conclusão da nona sinfonia. Não faltam exemplos: Ludwig van Beethoven (1770-1827), Franz Peter Schubert (1797-1828), Josef Anton Bruckner (1824-1896), Antonín Leopold Dvořák (1841-1904), Ralph Vaughan Williams (1872-1958). Não importa se essas mortes foram apenas coincidências de gosto duvidoso, o nome de Gustav Mahler (1860-1911) também está incluído na lista.    

1911. Mahler está sentado no convés do navio Amerika, que o levará de volta para a Europa. Não é um homem feliz. Está doente (Nunca se sentiu saudável. Sofre crises agudas de enxaqueca). A morte da filha mais velha (Maria) e a perda do amor da esposa são cargas muito pesadas para quem sente que o fim da vida está próximo.

Em O último movimento, de Robert Seethaler (Editora Zain, 2026. Tradução de Karina Jannini), Mahler percebe que as inúmeras glórias conquistadas como um dos grandes músicos de sua época perderam o valor: durante dez anos foi regente – muito rigoroso – da Ópera da Corte, em Viena.

Durante a viagem, a única pessoa que interage com ele é o ajudante de bordo (inominado), quase um menino, e que serve de contraponto para que a carpintaria do texto se sustente. Toda vez que o rapaz aparece na cena, há uma quebra no pensamento de Mahler – uma pausa na avaliação dos acontecimentos, um balanço da vida daquele que abraçou a música com paixão e que, de certa forma, esqueceu que tinha esposa e duas filhas.

Tudo desmorona no momento (talvez o mais crucial) em que Mahler resolve colocar as cartas na mesa e perguntar para Alma Margaretha Maria Schindler (nome de solteira, 1879-1964) qual é o papel do arquiteto Walter Gropius (1883-1969) na história conjugal deles. Não é mais possível esconder o que todos sabem faz algum tempo. Alma queria um marido e recebeu um gênio musical – e isso estabelece um dos motivos que a fazem procurar por algo que não estava disponível em casa. Mahler se humilha diante da situação. Não é o suficiente. Decidem manter um casamento de fachada. Quatro anos depois da morte do músico, Alma casou com Gropius.

Saboreando a infelicidade, envolto em mantas de lã, sentindo a força do vento no rosto, Mahler espera por um espetáculo raro em alto-mar. O mar continuava sereno. Gostaria de ver os peixes. Tinham lhe falado de peixes com asas prateadas que rompiam a superfície e velejavam centenas de metros pelo ar. Às vezes, eram capturados por gaivotas e devorados ainda no voo. Mahler não consegue ver os peixes e as gaivotas – também não percebe a metáfora estranha que unifica a beleza e a morte.

Por um desses descompassos da arte, o cinema se uniu com a música de Gustav Mahler. Jorge Coli, no posfácio de O último movimento, lembra que o Adagietto, da Sinfonia nº 5, faz parte da trilha sonora de Morte em Veneza (Dir. Luchino Visconti, 1971), adaptação cinematográfica do romance de Thomas Mann: A música, em Visconti, invade a imagem, torna-se comentário, juízo, destino. O Adagietto conduz o filme. Na direção oposta, o livro de Robert Seethaler celebra a contenção e o imobilismo. A música mal aflora, como lembrança corporal, fragmentária, quase fisiológica. Não há fascinação nem erotização da decadência. O corpo doente não é símbolo, é apenas um corpo que falha.

Um corpo que se afasta da vida e de todos aqueles por quem um dia ele teve algum tipo de afeto.

 

Gustav Mahler (1860-1911)

 CODA

Em um porto qualquer, o rapaz encontra, próximo da lareira de um café, uma pilha de jornais. Na primeira página do Brooklyn Citizen está estampada a foto de Gustav Mahler. Era o homem que tomava chá no convés do Amérika. Ele pede para o dono do café traduzir o texto, publicado cinco meses antes.

“O homem morreu”, afirmou.

“Foi o que imaginei”, disse o rapaz, assentindo.

“Seu coração não aguentou.”

“Sim”, disse o rapaz em voz baixa.

“Você o conhecia?”, perguntou o dono do café.

“Não”, respondeu o rapaz. “Só um pouquinho”.

O homem olhou para ele com desconfiança, depois voltou a olhar para o jornal.

“O enterro foi no dia 22 de maio. Apareceu uma porção de gente. Muitas personalidades. Além da esposa e uma filha. Choveu, e o vento soprou as flores das árvores.

“Deve ter sido bonito.”

“Aqui está escrito que ele fazia música. Era um músico de verdade, o seu amigo.”

“Era diretor de orquestra.”

“Não é o que está dizendo aqui.”

“Mas era”, afirmou o rapaz com firmeza.

“Pode ser”, comentou o homem. “Mas agora está morto. Está junto do Senhor ou em algum outro lugar. Não há o que fazer”.

“Sim. Não há o que fazer”.


Robert Seethaler