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segunda-feira, 14 de junho de 2021

DIÁRIO DA QUARENTENA (CCII)


Cassandra, filha de Príamo e Hercuba (reis de Troia)


Cassandra (Κασσάνδρα), pitonisa grega que tinha o poder de escutar as vozes dos deuses, foi amaldiçoada por Apolo (Ἀπόλλων) – após rechaçar uma proposta amorosa. Considerada louca, ninguém acreditava em suas profecias.

Como a vida não se resume em prazeres e felicidade, ao longo dos séculos da história humana muitos mensageiros foram desacreditados ou mortos porque não conduziam bons presságios. O objeto do desejo costuma trafegar pelos devaneios produzidos pelo imaginário. O usual é inventar o inimigo, ou seja, reagir agressivamente diante de qualquer bloqueio à produção do gozo.

Em cena de Rei Lear (William Shakespeare), o Bobo da Corte adverte ao governante que Não devias ter ficado velho antes de ter ficado sábio. Esse é um dos maiores impasses que emolduram a vida social contemporânea. Envelhecer não significa adquirir – de forma automática – a sabedoria. Muitas vezes é o contrário. Principalmente quando os indivíduos, no processo de decisão, abandonam a leveza, a delicadeza e o bom senso.

Os troianos, depois de resistirem durante dez anos às investidas gregas, foram destruídos por uma trapaça. Poderiam ter aprendido alguma coisa com o cerco promovido pelos habitantes da península helênica e, de certa forma, se preparado para resistir outra década. Não foi isso o que aconteceu.

Cassandra previu que as muralhas da cidade jamais seriam ultrapassadas. Consequentemente, Ílion (um dos nomes de Troia) poderia ser invadida de outra forma.  Estava com a razão – mas nenhum troiano confiou nesse vaticínio. Os gregos, cansados de uma luta que parecia não ter fim, resolveram a questão com um golpe tático. Ou melhor, encontraram um ponto fraco do esquema defensivo. Homero, na Ilíada, conta que um enorme cavalo de madeira foi deixado na porta da cidade. Acreditando que era uma homenagem à deusa Atena (Αθηνά) e que, de certa maneira, isso constituía um gesto de rendição, os troianos levaram o troféu para dentro da cidade. 

Foi Odisseu (Οδυσσεύς) quem sugeriu a armadilha. Ao anoitecer, as portas da cidade foram abertas por um grupo de soldados que estava escondido dentro do cavalo de madeira. 

A astúcia venceu. Como costuma acontecer diariamente poucos indivíduos conseguem entender a obviedade, o que está ao alcance dos olhos. O horizonte, com suas promessas e delírios, tem um poder de sedução difícil de ser evitado. Nesse universo, que nega as questões mais elementares, Cassandra constitui uma ameaça. Ao avisar sobre o perigo iminente e que é preciso tomar cuidado com o que aparenta ser tranquilidade, rompeu a redoma de ingenuidade que os troianos construíram em torno de si mesmos. Causou desconforto e repulsa.  

O tempo produz acomodação. Os indivíduos envelhecem, não adquirem discernimento do que é essencial e, paradoxalmente, passam a acreditar que ficarão impunes. Esquecem que Tisifone (Castigo), Megera (Rancor) e Alecto (Inominável) – as  Erínias (Ἐρινύες) – personificam a vingança, não tiram férias e estão sedentas de sangue. 

O mito de Cassandra não perdeu a atualidade, embora o exercício das profecias esteja com baixa cotação na bolsa de valores das ilusões descartáveis. O autoengano (que paga bons dividendos ao acionista) nega o desastre e prefere se deslocar pela estrada pavimentada pela cultura narcísica. Sem tomar conhecimento de que o Outro também está agindo, e consequentemente, mudando o cenário em que os fatos ocorrem, os mal-informados provavelmente se transformarão em vítimas do cavalo de Troia.

 



sexta-feira, 4 de junho de 2021

DIÁRIO DA QUARENTENA (CCI)

 


Há uma palavra em japonês que me assusta. Olho para a biblioteca e a vejo – como se fosse um aviso imaginário – escrita nas lombadas dos livros. Em uma tradução ligeira, tsundoku (積ん読) identifica o comprar livros para não lê-los. É uma variação erudita da síndrome de acumulação.

Como assim, alguém compra livros e não os lê? Essa pergunta utilitarista, proferida por quem somente percebe o imediato, costuma ocorrer com bastante frequência. Normalmente está acompanhada pelo espanto. Em um mundo onde há preferência por comprar comida, pagar o aluguel e obter algum conforto, adquirir alguns livros e não os ler pode parecer um desperdício. Livros não enchem a barriga de ninguém, como costumava dizer meu pai toda vez que queria diminuir emocionalmente o seu primogênito.

Mesmo assim,... Para algumas pessoas, acumular livros se faz necessário – independente de qualquer explicação racional. Estar em contato com o objeto do prazer se torna imperativo. Não satisfazer esse desejo significa alimentar uma dor insuportável. Significa um interdito ao gozo.

Ter livros é um exercício voyeurístico. Para poder fruir da potência que está presente em centenas de páginas de papel pintadas com tinta preta (ou de outra cor), urge desfrutar da estética da capa e da encadernação, além dos inúmeros elementos paratextuais que compõem o volume (a textura do papel, o cheiro, o peso). Muitas vezes, o texto em si adquire valor secundário.

Anne Fadiman, em Ex-Libris – confissões de uma leitora comum (Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2002), dedicou um capítulo para contar algumas histórias monstruosas: seu pai, a fim de reduzir o peso das brochuras que lia nos aviões, rasgava os capítulos terminados e os jogava no lixo; seu marido costuma ler na sauna, sem se preocupar com as páginas fendidas pelo calor [e que] caem como pétalas numa tempestade; Thomas Jefferson retalhou uma primeira edição de 1572, em grego, das obras de Plutarco para intercalar entre as páginas uma tradução em inglês. Saber que existe pessoas que praticam esse tipo de mutilação quase me fez procurar por um psicanalista. Prefiro vê-los intactos, mesmo quando estão intocados. Não ler os livros muitas vezes evoca um respeito que muitos leitores desconhecem.

Existem razões para não ler alguns livros. Ou partes deles. Dicionários e manuais técnicos são ferramentas de consultas. Basta tê-los por perto. Quando se faz necessário, procura-se pelo trecho específico e, depois que se obtém a informação, coloca-se o volume de volta na estante, onde ficará até o momento em que a sua ajuda for imprescindível outra vez.     

Ninguém está imune ao que há de nefasto na moda e no marketing. Engana-se quem pensa que somente os clássicos (esse território confuso) possuem lugar privilegiado na vida dos leitores. Ficção científica, tramas policiais, thrillers, pornografia, história em quadrinho (mangás), histórias com final feliz (ou, vá lá, infeliz), todos esses livros merecem alguma atenção. Não há limites para a voracidade de quem procura por algum tipo de entretenimento. Então, se não houver autocontrole, um passeio pelas livrarias (ou pelos sebos) pode resultar em compras compulsivas. E que ficarão intocadas em algum canto da estante.

Não li cerca de 40% dos livros que compõem a biblioteca. Não vou verificar se esse número é maior ou menor – não gosto de reduzir a paixão ao racionalismo da quantidade. Muitos títulos foram adquiridos em função de projetos acadêmicos que não puderam ter continuidade. Algumas ideias se tornaram inviáveis, mas isso só percebi depois de ter comprado 20 ou 30 livros sobre o tema. Em dado momento, resolvi ter um acervo de literatura brasileira – especialmente, a contemporânea. Continuo seguindo esse caminho com dedicação, embora saiba que o labirinto termina em abismo.   

Por fim, alguns livros estão presentes na biblioteca pelo capricho de tê-los. Provavelmente nunca os vou ler. Ou reler. Mas, sem eles a minha vida de leitor seria mais triste.  


quinta-feira, 3 de junho de 2021

DIÁRIO DA QUARENTENA (CC)

 


Os depoimentos das médicas Nise Yamaguchi (oncologista) e Luana Araújo (infectologista) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado Federal, nos primeiros dias de junho, deram vazão a um conjunto de emoções que trafegam pelo mundo binário (bem e mal, certo e errado, inteligente e ignorante, hesitante e convicta). Mas, antes que alguém se apresse em cravar algum juízo de valor, convém lembrar os versos de uma canção antiga do Tunai, as aparências enganam / aos que odeiam e aos que amam.

Nise Yamaguchi e Luana Araújo são água e azeite, não se misturam. Foi essa a impressão geral do público. A primeira (descendente de orientais, voz suave e titubeante, cabelos alvoroçados) está com o pensamento na Idade Média. A segunda (caucasiana, voz firme e assertiva, cabelos que devem custar uma fortuna em salão de beleza) é uma defensora intransigente da ciência. Essa comparação desproporcional (e preconceituosa, por diversos motivos) induz a ilusão de que os apoiadores do governo são pessoas sem grandes atributos intelectuais. 

As duas mulheres resguardaram, cada uma ao seu modo, a neutralidade política da ciência. Disseram que a técnica não possui ideologia e que, nesses termos, tudo o que desejam é servir – da melhor maneira possível – ao país. Uma evidente falacia, típica de quem deseja obter o bônus e fugir do ônus. Contraditoriamente, nenhuma das duas soube explicar porque votou no atual governo, que está sucateando as universidades e, consequentemente, a pesquisa científica independente. No caso de Nise Yamaguchi, que continua acreditando no uso de medicamentos preventivos contra o vírus pandêmico (Hidroxicloroquina, Ivermectina, Nitazoxanida, Dexametasona, REGN-COV2, etc.), não há porque duvidar de sua escolha na hora do voto. Segue uma linha de ação coerente com o seu pensamento reacionário e confuso. O que parece estar fora de tom é a posição de Luana Araújo, que, depois de ter sido rejeitada pelo governo, adotou (adorou?) a estratégia de disparar uma saraivada de argumentos muito bem embasados contra a maneira com que o Ministério da Saúde está conduzindo as medidas sanitárias de combate ao coronavírus.

O massacre promovido pelo Senador Otto Alencar (PSD-BA) no dia anterior não se repetiu no depoimento de Luana Araújo. Ou seja, houve uma diferença de tratamento em relação aos dois testemunhos. E isso é constrangedor. Inúmeros ruídos adquirem relevo no discurso que aclama o que interessa ao ouvinte e repudia – violentamente – o que não agrada. Pouco importa a fraqueza dos argumentos de Nise Yamaguchi ou a sua visível debilidade no domínio dos conceitos elementares de infectologia, o que precisa ser destacado é que a coerência raramente adquire consistência na retórica daqueles que detém o poder (mesmo quando momentâneo).

O intelecto costuma se enganar com as questões estéticas. Uma mulher bonita, com grande conhecimento na sua área de atuação, que sabe cativar o público, costuma ser aplaudida pelo público masculino. E a política, por centenas de razões, é um terreno dominado por homens. Não foi surpresa o alijamento feminino na escolha dos titulares da CPI – uma forma simbólica de dizer que as questões de Estado precisam ser tratadas por quem "conhece o assunto".

A voz de Luana Araújo foi convincente. Disse o que deveria dizer e que todos queriam que alguém dissesse. No entanto, ao dizer o que disse, encobriu as lacunas, escondeu o que queria esconder, e camuflou o que, psicologicamente, lhe obrigou a agir como agiu. Foi performática. Ou melhor, teatral. Sem perceber o poder anestésico do canto da sereia, os espectadores aceitaram com alegria o que lhes foi apresentado.  

A presença das duas mulheres na CPI lembrou um clássico literário que anda esquecido pelos leitores, O médico e o monstro, do Robert Louis Stevenson. Os senadores, entretidos pelos fogos de artifício, não conseguiram distinguir as diferenças (e as semelhanças) que existem entre Henry Jekyll e Edward Hyde. ´




sábado, 8 de maio de 2021

DIÁRIO DA QUARENTENA (CXCIX)


 

Confesso: nunca fui fã do Eça de Queirós. Tenho algumas restrições com os escritores do período de transição entre o romantismo e o realismo. Questiúnculas perfunctórias. Em compensação, cultivo estima por Alves & Cia, sátira de grande potencial destrutivo da moral burguesa. Mas não é desse texto que quero me ocupar. Vi, em lugar incerto, uma referência a uma narrativa quase desconhecida, Um Dia de Chuva. Não me lembrava de tê-la lido algures. Concluí que se tratava de outra lacuna na minha formação literária.

Como compete aos curiosos, fui à estante verificar esse desacerto. Texto pequeno, menos de 20 páginas. Venci resistências e fiz a leitura. Aos poucos, os olhos seguindo o encadeamento das frases da narrativa, fui antecipando os detalhes de uma história que, em outra oportunidade, devo ter ignorado em sua relevância. É isso, foi reencontro.  

A banalidade do tédio. Deve ter sido essa a minha impressão na primeira leitura. Existem centenas de contos sobre o tema, alguns insuportavelmente aborrecidos. Devo ter fechado o livro e ido fazer outras coisas, a vida possui demandas mais urgentes, quem é que quer se deter em lamúrias de um nouveau riche português?

O tempo muda, assim como os costumes. Na segunda leitura, o conto se renova na chave de leitura. José Ernesto quer comprar uma quinta na Freguesia de Loures. Hospedado no casarão, é impedido de conhecer as benfeitorias da propriedade porque está a chover com intensidade. Paira no ar a ameaça do aguaceiro se transformar em dilúvio. E isso resulta no isolamento em um lugar que não possui possibilidades de diversão.  

Outras duas pessoas se fazem presentes na ópera-bufa: Brás, o caseiro, e o Padre Ribeiro. O último, encarregado de mostrar o local ao negociante, era tremendamente maçador. O primeiro não passa de figurante, com direito a umas duas ou três falas antes de desaparecer de cena.

E é isso. Só isso. Quer dizer,... há entrelinhas. Uma vaga análise sobre os modos de vida urbano (agitado, repleto de opções) e rural (tranquilo, sem grandes novidades). José Ernesto, no início, não se adapta a esse contraste. Quer romper a inércia e voltar para a cidade (... uma saudade pungente da sua casa de Lisboa, do ruído das tipoias, dos vizinhos, das ruas que o levavam, seguras e secas, ao Clube, aos amigos, à Avenida). A chuva impede qualquer movimento e alimenta a tristeza. Falta gente, livros, baralhos e cigarros. É o tabaco e o medo de adoecer naquele lugar que o fazem se aproximar do Padre Ribeiro e aguentar a conversa cheia de detalhes e filigranas (E foi uma história medonha, que ele desenrolou devagar, com datas, com nomes, com detalhes, pousado à borda da cadeira, imóvel, com as mãos cabeludas nos joelhos, os imensos óculos cravados no hóspede). 

Em algum momento, acontece o fim do temporal. José Ernesto, mais aliviado em relação à situação, resolve visitar o dono da quinta. Encontra, por assim dizer, o desfecho para as suas angústias. Mas, quem quiser saber o que aconteceu que vá ler o conto, que aqui não é lugar para o esgrimir das banalidades amorosas. O que importa, neste momento, é a possibilidade de estabelecer uma ligação metafórica entre o isolamento forçado de José Ernesto e os tempos sombrios que estamos vivendo. Não sei se haverá um dia de sol no horizonte – depois que todos estiverem imunizados –, o que sei é que a tempestade está nos deixando próximos do desespero.


quarta-feira, 28 de abril de 2021

DIÁRIO DA QUARENTENA (CXCVIII)

 


The economy, stupid! Em tempos de pandemia, o projeto econômico brasileiro transformou o pensamento de James Carville (popularizado por Bill Clinton) em um mantra multiuso. Para qualquer motivo (isolamento social, compra de vacinas, queda de rendimentos nas estruturas comerciais, reformas no serviço público, etc.) a frase ressurge no horizonte com o poder destruidor que caracteriza o movimento das placas tectônicas.

Pisando em degrau inexistente, a equipe econômica que trabalha para o governo está usando de argumentos etéreos para explicar que algumas verbas precisam ser deslocadas de setores essenciais (saúde, educação) para prioridades difusas. A possibilidade de satisfazer a voracidade do deus mercado e o alto custo de manter o poder (todos os dias uma nova fatura é emitida, valores elevadíssimos, o agiota tem pressa em receber, os cofres públicos estão vazios) estão se impondo às necessidades da população. Na falta de metáfora de melhor qualidade, os economistas asseguram que a boa saúde financeira evita que o país se aproxime da beira do precipício.  

A razão econômica neoliberal – baseada na acumulação privada dos bens – considera descartável o ser humano e está alicerçada em um projeto social de exclusão. As tabelas de Excel, nas colunas que mostram as variações entre o custo e o benefício, indicam que os programas de privatização são a solução redentora para qualquer desequilíbrio nas contas públicas. Sintomaticamente, não avisam que existem interesses pouco transparentes por trás dessa ideia. E que grandes fortunas se formam quando mercenários tomam de assalto os bens públicos.

Nada escapa da voracidade predatória das áreas parasitas que, através da destruição, pretendem sanear as finanças públicas com uma versão moderna da fábula da galinha dos ovos de ouro. Ao exterminar a máquina burocrática e, simultaneamente, o contribuinte (aquele que paga as contas) os sicários acabarão desempregados – mas isso não os preocupa de imediato, o trabalho sujo sempre rende bom pagamento.

Em outra chave de leitura, o número de mortes relacionadas com o Covid-19 no Brasil parece ser de agrado do pessoal que finge entender de finanças. Estudos recentes mostram que a Previdência Social pode ser beneficiada com a pandemia. Deixar de pagar aposentadorias e serviço médico (procedimentos, medicação) para cerca de 400 mil pessoas representa um volume financeiro considerável. Esse raciocínio possui vários nomes, a lista é enorme, depende do gosto do freguês: genocídio, eugenia, extermínio, aniquilamento, chacina, necropolítica, aporofobia, “melhoramento social e econômico”, etc.

Em tempos sombrios, a morte é companhia constante. A esperança do prolongar a vida está depositada dentro de um frasco de vacina. O governo federal está ciente dessa situação e parece não ter pressa em resolver o problema. As dificuldades para compra do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) e os constantes insultos aos parceiros comerciais internacionais fazem parte da rotina governamental. 

De um lado, a ameaça constante de reduzir a máquina estatal ao mínimo; de outro, o negacionismo científico. O Brasil está caminhando no fio da navalha e são poucas as chances de sobreviver. Como se isso não bastasse, cabe lembrar que, sem permitir um tubo de oxigênio para quem está sendo asfixiado pela política econômica governamental, isto é, um auxílio emergencial temporário com valores significativos, a incompetência administrativa do governo não passa de uma forma de apagar o brilho no olhar daqueles que amamos.