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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

RITA LEE: UMA AUTOBIOGRAFIA

Desculpe o auê / Eu não queria magoar você, canta a paulistana com descendência estadunidense, imaginando que o triângulo escaleno “sexo, drogas e rock-and-roll” (em alguns momentos mais drogas do que sexo ou róquinrol) pode definir uma ou várias vidas – principalmente se a(s) vida(s) em questão for(em) de alguma(s) personalidade(s) do mundo musical.

Evidentemente, quando decidiu escrever (?!?!) a sua Autobiografia, Rita Lee Jones deve ter imaginado que alguém (quem?) ficaria ressentido, porque a impunidade não rima com a verdade (ou a mentira). E, em um mundo onde todos têm algum tipo de culpa no cartório, aquele que decide brincar de “verdade ou consequência” costuma cometer o pecado da inconfidência, e inevitavelmente deixa escapar, aqui e ali, alguma historia suja, daquelas que deveriam estar mortas e enterradas. Ressuscitada do esquecimentoessa deslealdade mancha de forma definitiva a reputação que nunca foi imaculada – mas que confiava na pouca memória dos sobreviventes daqueles tempos em que a loucura adolescente se misturava com a irresponsabilidade artística. Pois,...

Para quem não dispõe do necessário conhecimento sobre a cena musical brasileira nos anos 70, 80 e 90 do século passado, a Autobiografia de Rita Lee oferece a oportunidade da leitura como se fosse um texto de ficção. E isso não pode (nem deve) ser considerado um problema. Muito pelo contrário. Ela conseguiu utilizar uma linguagem bastante fluída, costurada por milhares de referências da cultura pop, e entrecortada pela autocomiseração, pela confissão pública de seus excessos com drogas (LSD, maconha, álcool). Os versos Foi quando me pai me disse / “Filha, você é a ovelha negra / da família” compõem a trilha sonora de uma vida agitada, repleta de altos e baixos, provavelmente mais baixos do que altos. Infelizmente, esse truque literário também serve para esconder muitas histórias escabrosas. Principalmente aquelas que se referem à vida familiar. Elogios são distribuídos a granel para o marido, Roberto de Carvalho.  O caso dos três filhos (que, acredite se quiser, jamais cometeram quaisquer deslizes) também não apresenta nenhuma novidade: com a mãe e o pai vivendo na estrada, um show atrás do outro, provavelmente o casal nunca conheceu os herdeiros (que foram criados por "agregados" e empregadas). De qualquer forma, salvo um ou dois momentos em que o filho do meio reclama do modo de vida autodestrutivo da mãe, uma breve separação física do marido e as dezenas de entradas e saídas de clínicas de reabilitação, a ideia geral do texto é a de transmitir a imagem de que a vida doméstica estava domesticada. Só os ingênuos (e os fãs) acreditam nisso.

Por outro lado, as farpas mais perigosas são disparadas contra o grupo Os Mutantes, as cantoras “viciadas no vício” e Ezequiel Neves.

Os Mutantes, 1968 (?)
Sobre os ex-companheiros de bagunça musical, Arnaldo Baptista e Sergio Dias, Rita Lee prefere atacar no varejo. Nas picuinhas. Não perdoa a falta de higiene do grupo (ela tem “nojinhos”!). Também critica (mas não muito!) o desbunde geral, as festas, o excesso. E, casualmente, deixa escapar alguns comentários sobre a vida sexual de Arnaldo (com quem foi casada): Os Mutas ensaiavam na sala da sua casa por ser a mais espaçosa, sempre lotada de instrumentálias e groupies. Nas pausas para “descanso”, Loki comia todas elas, enquanto eu dava umas voltas com Danny e fingia não saber, pois a tática arnaldense de sedução era justamente dar a entender que me corneava escondido. Hum,... O que será que o Sigmundinho diria sobre isso?

No geral, quando o assunto é o início da vida musical do grupo, há um visível pisar no freio. Rita Lee não quer atropelar ninguém. No máximo (!!) dar um susto naqueles que caminham despreocupados pela calçada. E isso ninguém (nem ela) pode negar. 

A expressão “viciadas no vício” foi invenção de Elis Regina. Imediatamente adotada por sua “melhor amiga”, permite adjetivar – sem designar nominalmente – as cantoras lésbicas. O divertido desse drible está na iconografia que acompanha o livro. Entre as páginas 224 e 225 há um dos quatro encartes fotográficos que ilustram o volume. Qualquer um pode somar dois mais dois e ver quem foi “humilhada e ofendida” pelas duas “certinhas” (do Lalau?).

Ezequiel Neves e Nelson Mota, 1979
Ezequiel Neves, diversas vezes citado pelos dois apelidos, Abominável das Neves e Rasputinho (trocadilho que mistura Grigoriy Yefimovich Rasputin [1869-1916] e a opção sexual do famoso produtor e crítico musical), é, definitivamente, o alvo mais visado, caso clássico de ódio à primeira vista. Mútuo. Foi ele que espalhou o boato que Rita estava com leucemia. E que o seu filho mais velho tinha pai desconhecido. Além disso, ele foi o responsável por várias outras maldades. Umas bastante apimentadas; outras, menos palatáveis. Como compete aos ressentidos, a vingança é um prato que se serve frio: Só pra constar: entrei na vaquinha quando o Abominável estava terminal num hospital e precisou da caridade de quem ele detestava, a minha. A gente “somos” ruins, mas a gente “temos” bom coração.

No setor de agrados, carinhos e festinhas, há o endeusamento das figurinhas carimbadas: Elis Regina, João Gilberto, Chacrinha, Rogério Duprat, Chico Buarque, Caetano Veloso e, os mais agraciados de todos, Gilberto Gil e Hebe Camargo. Não há uma linha sobre eles que os desabone ou permita uma leitura mais crítica. Também são criaturas perfeitas as duas irmãs, o pai e a mãe. Na categoria dos seres imprescindíveis estão os inúmeros animais (cães, gatos, onças, tartarugas) que foram adotados pela cantora, com destaque para a cadela Danny.

Jorge Ben, Caetano, Gil, Gal e Os Mutantes
No geral, Rita Lee: Uma Autobiografia é um livro careta. Falta molho. Falta conteúdo. O leitor termina as 269 páginas de texto imaginando quantas centenas de histórias interessantes foram omitidas. O caso da primeira prisão de Rita, por exemplo, está contado de maneira tão suave, tão história da carochinha, que parece que a cantora passou cerca de 50 dias em um spa, mil tratamentos de beleza, o descanso da guerreira. Mesmo se for verdade (e provavelmente o é) que a prisão foi uma armação da polícia, que estava se vingando por um depoimento que Rita fez contra policiais que haviam assassinado um menino durante um show, todo esse trecho do livro parece paranoia de maconheira, pois, nessa época, os índices de consumo da "erva maldita" eram estratosféricos e dia menos dia a casa iria cair, nem mesmo ela é capaz de negar essa obviedade. Em relação à segunda prisão, as páginas 263-264 estão riscadas, a versão da cantora está proibida de vir a publico. Provavelmente, há um processo criminal em andamento.

Outro fator que incomoda é a ostentação. As várias músicas que fizeram parte das trilhas sonoras das novelas da Rede Globo são citadas como se fossem a melhor parte de sua carreira artística. Hum... Essa submissão aos ditames do mercado capitalista parece ser uma confissão enviesada de que as discussões sobre a qualidade (seja lá o que isso for!) musical estão atreladas a um bom padrinho.


E então, terminada a leitura do livro, sobra o quê? Pouco, muito pouco. Umas duas ou três boas piadas e meia dúzia de comentários sobre os bastidores da música popular brasileira. O resto se assemelha a uma plantação de abobrinhas. O leitor merecia mais do que isso.


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

HOMENS SEM MULHERES

Um fato extremamente raro na atualidade: um livro que celebra – sem medo – a masculinidade. Diante dos avanços do feminismo, do reconhecimento dos direitos das comunidades homossexuais e dos mecanismos de cerceamento instituídos pelo politicamente correto, está cada vez mais difícil falar/escrever sobre alguns dos sentimentos que atormentam a heterossexualidade (e que – milhares de vezes – são confundidos com todos os defeitos da falocracia). Não faltam acusações (misoginia, misantropia, homofobia) quando a discussão se concentra nos sentimentos que movimentam o mundo (em crise?) dos homens. Muitos artistas contemporâneos (principalmente escritores e cineastas) preferem esconder essas emoções e tratar o assunto da forma mais superficial possível. 

Os sete contos de Homens sem Mulheres, de Haruki Murakami, constituem interessantes exercícios de solidão em tempos de distanciamento afetivo. Muitos dos personagens escolhem o isolamento (físico, psicológico) porque têm medo de enfrentar os sentimentos mais profundos – e que costumam atormentar naquela “hora neutra da madrugada”, na feliz expressão de Rubem Braga. Ao mesmo tempo, entoam uma espécie de hino às fraquezas dos homens – ratificando a velha tese de que o mundo masculino não resiste ao viver (com e) sem as mulheres. Além disso, são poucos os que conseguem escapar do ridículo, depois de levar a um bom pontapé na bunda (o adensamento da angústia de Kafuku, em Drive My Car, ao descobrir que sua falecida esposa tinha se relacionado sexualmente com vários homens, assusta).

Haruki Murakami e a sua
coleção de discos de jazz (vinil).
São sete histórias tristes. Quase sem brilho. Protagonizadas por viúvos, divorciados, homens traídos (pelas mulheres, pela sorte, por escolhas não muito felizes). Todos eles estão miseravelmente apaixonados. Por várias razões não desejam reconstruir o que se perdeu. No máximo aceitam viver macerando o amargor de ter arruinado a melhor parte de suas vidas por algum motivo qualquer. Reprimir é um verbo bastante conjugado pela masculinidade.

Perder uma mulher é perder todas as mulheres. Assim nos tornamos homens sem mulheres, afirma, em tom melancólico, um dos narradores. Em outro conto, construindo a simetria inesperada, surge a imagem demolidora: Ele teve um encontro com uma mulher por quem estava apaixonado, juntaram os corpos, se despediram, e depois veio uma profunda sensação de perda. Uma sensação asfixiante.

Cada um dos personagens de Homens sem Mulheres parece dizer que não importa o quanto encontre satisfação no prazer sexual, o vazio se faz presente. Sempre falta alguma coisa. Habitualmente, os homens insistem em negar a existência daquela palavra minúscula, quatro letras, que começa com “a”.

Várias abordagens aparecem de forma repetida, confirmando que o livro foi construído com variações do mesmo tema. A que está mais presente é a música, que surge em todos os instantes e situações (seja nas descrições intimas, seja em lugares públicos). Do jazz ao rock, dos clássicos até o pop. No autobiográfico Kino, o dono do bar ouve, quase que em looping, o disco de piano solo de Art Tatum. Além disso, seus clientes são contemplados com audições de Coleman Hawkins, Billie Holiday, Errol Garner e Buddy Franco. Em Drive My Car, Kafuku gosta de ouvir os quartetos de corda de Beethoven (ele também ouve rock estadunidense dos anos 70: Beach Boys, Creedence,...). Em Yesterday, impossível não associar a narrativa com a canção dos Beatles. O cirurgião plástico Tokai (de Órgão Independente) toca piano. No conto homônimo ao título do livro, há referências a Gorillaz, Black Eyed Peas, Henry Mancini (“Moon River”), Percy Faith (“Theme from a Summer Place”), músicas de elevador, uma salada interminável, onde a trilha sonora parece não ter identidade ou talvez seja uma metáfora para uma vida sem rumo.

 Os gatos (cinzentos) aparecem em Drive My Car e em Kino. Talvez seja o mesmo animal, visualizado por personagens diferentes, pois aparece em cenas que se passam dentro de um bar.

As referências literárias são inumeráveis. Hemingway, Kafka, Mil e Uma Noites, Tchekhov. E estão presentes em cada página do livro, multiplicando-se exponencialmente. Muitas vezes se escondem no subtexto, nas citações cifradas que somente “o leitor ideal” consegue encontrar ou associar com a historiografia literária. Em diversas cenas, alguns personagens aparecem com um livro na mão.

Música, gatos e livros são as melhores companhias para quem decide substituir o afeto humano por algo mais tangível, menos doloroso. Movido por uma espécie de romantismo tardio, Tanimura, narrador e testemunha presencial dos fatos em Yesterday e Órgão Independente, costura com leveza e fluidez duas histórias trágicas. Na primeira, o que incomoda é o desejo. Ou melhor, a falta de desejo. Aki Kitaru se recusa a fazer sexo com sua namorada, Erika Kuriya. Algo inexplicável o detém. Em nome da amizade, quer que Tanimura se interesse por Erika – o arranjo não funciona, mas abre as portas para que a mulher faça uma escolha importante. Um dia, talvez depois de descobrir que não controla a situação, Kitaru vai embora – para sempre. Sem grandes explicações. Na segunda narrativa, o desejo também distribui as cartas. Mas, de forma diferente. O cirurgião plástico Tokai tinha cinquenta e dois anos, e nunca foi casado. Não teve sequer a experiência de morar com uma mulher. Convicto que não foi feito para a vida conjugal, se satisfazia com casos rápidos, principalmente com mulheres que tinham outros relacionamentos (maridos, namorados). E certo dia, sem esperar, ele se apaixonou. Como uma raposa esperta que por descuido cai em uma armadilha. Embora o conto faça uma releitura de um clichê, homem velho que se envolve com mulher jovem, o desfecho assusta. Ao ser informado que o relacionamento havia terminado, Tokai entra em estado de inanição. A tristeza o devora, viver não significa mais nada. 

Haruki Murakami, em certo momento, antes de se tornar um escritor profissional, foi proprietário de um bar. Ele transformou em ficção parte dessa história. O enredo de Kino (que é o nome do protagonista) transita entre o realismo e a alucinação (desfecho). Depois de se separar da esposa, Kino resolve abrir um bar. Sem se preocupar com o faturamento, passa os dias lendo e ouvindo jazz. Como companhia, uma gata cinzenta de rua, que o adotou. Era uma fêmea com um belo rabo comprido. Parecia ter gostado de uma prateleira meio escondida no canto do bar e dormia enrolada ali. Um dos fregueses habituais, Kamita, passa as noites lendo e bebendo (primeiro, cerveja; depois, uísque). Um dia, acontece um incidente. Dois fregueses, provavelmente bêbados, começam a discutir. Quando Kino ia interferir, Kamita entra na conversa e promove a expulsão dos sujeitos. Se esse episódio está relacionado com o que se segue, faltam as necessárias conexões. De qualquer forma, algum tempo depois, Kino se envolve com uma cliente. Nada muito significativo, mas... No outono, a gata desapareceu. E começaram a aparecer algumas cobras nas proximidades do bar. Depois Kamita recomenda-lhe fechar o bar. – Você não é uma pessoa que consegue fazer algo errado por vontade própria. Sei muito bem disso. Mas, neste mundo, às vezes, não basta não fazer algo errado. Tem coisas que se aproveitam dessa brecha. O restante da narrativa flerta com elementos persecutórios, com delírios e com o estranhamento. A ausência afetiva se pronuncia como um elemento de dor.

Em um pequeno quarto escuro no profundo interior de Kino, a mão quente de alguém foi estendida e tentou pousar sobre a dele. Com os olhos fortemente cerrados, Kino sentiu o calor dessa mão e sua espessura macia. Era algo de que ele se esquecera havia muito tempo. Era algo que fora afastado dele havia muito tempo. Sim, estou magoado. Muito, profundamente, Kino disse a si mesmo. E chorou. Nesse quarto escuro e profundo.


Em Sherazade, provavelmente o melhor conto do volume, o protagonismo se desloca na direção do feminino. Por algum motivo, Habara precisa ficar confinado em um lugar chamado House. Suas necessidades são atendidas por uma mulher (que ele chama de Sherazade), que o visita duas vezes por semana. Ela é encarregada de comprar mantimentos, livros, revistas, CDs e DVDs. E, a partir da segunda semana que Habara estava na House, ela passou a convidá-lo para a cama como se fosse uma coisa natural. Depois do sexo, imitando o personagem literário clássico, ela gosta de contar para ele algumas histórias. A mais incrível se refere a uma obsessão juvenil. Sherazade (na época, adolescente) estava apaixonada por um colega de escola. Como sói acontecer em casos similares, o rapaz sequer percebe esse interesse. Certo dia, Sherazade faltou à aula sem avisar e foi à casa desse rapaz, que ficava a cerca de quinze minutos a pé da casa dela. Descobriu o lugar onde estava escondida a chave. Entrou na casa e foi ao quarto do rapaz. Roubou um lápis. Quer dizer, trocou o lápis por um absorvente (que escondeu em uma gaveta). Dez dias depois, repetiu o ato. Demorou mais de trinta minutos. Roubou um pequeno escudo de futebol (deixou alguns fios de cabelo). Percebeu que estava ficando viciada em entrar na casa dos outros. Na terceira vez, roubou uma camiseta – ao sentir o cheiro do rapaz, impregnado na roupa, ficou sexualmente excitada. Excitação que se repete, muitos anos depois, quando conta essa história para Habara. Doze dias depois, quando Sherazade foi à casa dele pela quarta vez, a fechadura da porta havia sido trocada por uma nova. (...) A chave não estava mais sob o capacho. Algo havia acontecido. Provavelmente as invasões foram descobertas. A experiência não pode mais ser repetida. Com o passar do tempo, a paixão de Sherazade diminuiu e, por fim, desapareceu. Ouvir essa história não foi bom para Habara, que foi tomado pela sensação de incompletude: – Acho que nunca passei por uma experiência tão especial como essa – ele disse. Depois que Sherazade vai para casa (ela é casada), Habara é tomado pelo medo:

E, uma vez que Sherazade partisse, Habara já não poderia mais ouvir suas histórias. O fluxo seria interrompido, e as várias narrativas fantásticas, desconhecidas, ainda não contadas, desapareceriam.


Ou talvez ele fosse privado de qualquer liberdade e, como consequência, fosse afastado de todas as mulheres, não só Sherazade. Era grande demais a chance de isso acontecer. Assim, ele nunca mais poderia penetrar o interior úmido do corpo feminino. Nem sentir seu tremor sutil. Mas o que era mais difícil para Habara não era a falta de sexo em si, mas a possibilidade de não poder mais compartilhar um momento íntimo com as mulheres. Perdê-las, no final das contas, era isso. Um momento especial, que anula a realidade mesmo fazendo parte dela: era o que as mulheres proporcionavam. E Sherazade lhe oferecia isso de forma abundante e inesgotável. A consciência de que ele poderia perder isso um dia, outra vez, provavelmente o deixava mais triste do que qualquer outra coisa.  

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

AS SOMBRAS DE LONGBOURN

Em Orgulho e Preconceito, o clássico escrito por Jane Austen, um fator muito importante passa despercebido. Envolvido pelo charme e a beleza de Jane e pela inteligência e a determinação de Elizabeth (Lizzy) Bennet, o leitor não percebe que a narrativa conseguiu eliminar a presença da criadagem no andamento ficcional. Em outras palavras, as seis mulheres da família Bennet (a mãe e as cinco filhas) parecem ser autossuficientes. Elas tocam piano, cantam, bordam, cultivam o hábito de ler romances e estão preparadas para casar com homens bonitos e ricos. Ao mesmo tempo, por mais estranho que isso possa parecer, ninguém consegue imaginar qualquer uma das Bennet lavando roupa ou queimando os dedos enquanto preparam costelas de carneiro com hortelã para o clã familiar. Elas não realizam as tarefas domésticas. E isso vai de encontro com um conceito básico da Inglaterra do século XIX, os indivíduos (homens, mulheres) estavam divididos em duas classes sociais bastante distintas: patrões e empregados. Em outras palavras, o grande medo da Sra. Bennet adquire visibilidade no esforço descomunal que realiza para que cada uma de suas filhas consiga obter um bom casamento. O contrato matrimonial deve ser acompanhado por uma quantia substancial de dinheiro. Quanto mais, melhor. Se elas não conseguirem um marido rico (que não precisa ser – necessariamente – bonito ou jovem) possivelmente terão que trabalhar para poder garantir um mínimo de conforto. E isso significa um rebaixamento socioeconômico inadmissível.

Em As Sombras de Longbourn, a inglesa Jo Baker conseguiu realizar uma proeza: recontar Orgulho e Preconceito do ponto de vista dos empregados domésticos. Em muitos pontos, o livro se parece com a série televisiva Dawnton Abbey. Também há pontos de contato com trechos do romance Vestígios do Dia, de Kazuo Ishiguro. No entanto, o grande diferencial está no preenchimento das lacunas do enredo original. Ao criar um mundo paralelo, construindo outra ficção – com personagens que de outra forma continuariam sendo apenas figuras acessórias, subalternas, elementos decorativos –, há o revelar de um novo horizonte romanesco. A luta de classes – que algumas narrativas fingem ignorar – está muito bem delineada, embora não se manifeste de forma ostensiva. Completamente marginalizados em Orgulho e Preconceito, cada um dos empregados de Longbourn (a propriedade da família Bennet, em Hertfordshire) está ciente das limitações impostas pelo lugar que ocupam no mundo ordenado – a repressão política e econômica reduz os indivíduos ao binômio dominador e dominado.

A protagonista de As Sombras de Longbourn, Sarah, em muitos aspectos, encontra em Elizabeth Bennet a sua imagem especular. Ela também é uma feminista avant la lettre – embora suas ações tenham menor alcance, porque limitadas ao ambiente subalterno. Contrariando os padrões da época, Sarah têm anseios de felicidade. E que se completam no entendimento de que não existem elementos capazes de impedir que os sonhos se concretizem. Com coragem e determinação, ela rompe com algumas barreiras – e, de uma maneira muito particular, emerge da tempestade mais livre, mais senhora de sua sexualidade, menos acomodada com a situação de ser apenas uma criada em uma família composta por mulheres mimadas.

Diante dos olhos de Sarah, o mundo se torna menos opaco quando surge em cena James Smith. A partir desse divisor de águas, há uma mudança palpável no comportamento da serviçal submissa que passa a usufruir dos prazeres advindos do contato com o corpo do amante. A sombra humana (sem identidade, sujeito passivo da própria história) se transforma em mulher. E adquire a liberdade que jamais imaginou existir.

James, um soldado sobrevivente das guerras napoleônicas, traz no corpo as cicatrizes da barbárie – acusado de deserção, foi chicoteado cinquenta vezes. Assim como Sarah, não conheceu os pais. Mas, há uma diferença substancial entre as duas histórias e que se reduz à eterna repetição do envolvimento amoroso entre o patrão e a empregada (que fica grávida e precisa entregar o filho para um casal desconhecido). Depois que saiu do exército, James – talvez inconscientemente – vai procurar por uma base de sustentação em Longbourn. É lá que estão seu pai e sua mãe. E é lá que encontra Sarah.

As Sombras de Longbourn não possui aqueles momentos de humor ou de glamour de Orgulho e Preconceito, pois se concentra nas atividades subterrâneas que ocorrem no mundo dos serviçais   atividades fundamentais para que as mulheres do andar de cima possam desempenhar seus papeis sociais com desenvoltura e elegância. A compensação surge através da soma desses fatos corriqueiros, que permitem visualizar um painel socioeconômico da Inglaterra no século XIX. Além disso, o livro conta uma aventura amorosa – que é retratada com delicadeza e paixão.    


TRECHO ESCOLHIDO


E então ela fez uma coisa que nem por um instante ele julgara possível. Deixou a caixa cair com um baque surdo na trilha gelada, deu um passo à frente, passou o braço em torno da cintura dele, ficou na ponta dos pés e o beijou.


Por ser, em muitos aspectos, uma pessoa de espírito prático, Sarah soubera, o tempo todo, que estava agindo com informações insuficientes. Aquele único beijo em Ptolemy, provocado pela bebida, era tudo em que ela podia se basear: não fora muito bom, mas ela simplesmente não tinha como saber se os beijos eram assim mesmo, ou se fora apenas aquele beijo ou aquela pessoa. Não tinha como saber se o que sentira por Tol Bingley – a tontura, sua vaidade recompensada, o desconforto físico – era amor ou qualquer outra coisa em alto grau. E agora ali estava James, com a mão em torno de seu braço, com seu toque, sua proximidade e sua voz grave e ansiosa, e cada elemento desses parecia importante, todos lhe causavam sensações desconhecidas e agradáveis. Ela se sentiu abrandar, distender-se, como uma gata se deleitando, lânguida, diante do fogo. E só existia o agora, só aquele momento, em que ela vacilava junto ao precipício entre o mundo que ela sempre conhecera e o mundo além, e se ela não agisse agora, jamais conheceria o outro lado.


Ela o pegara, por assim dizer, desprevenido. Os lábios de Sarah colidiram com os dele, surpreendendo-o. James cambaleou, apoiando-se no braço que ela passara em sua cintura. Os lábios de Sarah eram macios, quentes e tímidos, e ela apertava com força seu corpinho no dele. Impossível resistir. James passou os braços ao redor da cintura dela, puxou-a para si e deixou-se beijar.


Nada mais havia além do calor da boca de James e o calor do corpo esguio dele contra o dela. Sarah começou a ofegar. Seu corpo tornou-se ansioso, ávido e ela voltou a apoiar os pés no chão, o coração aos saltos. Apoiou-se nele, abalada pelo que estava acontecendo.


“Ah”, arfou.


Sentia as mãos de James em sua nuca, o outro braço em volta de sua cintura, apertando-a contra si. Ela apoiava a cabeça no peito dele e sentia as batidas de seu coração. Piscava no escuro, os olhos úmidos. Ninguém a segurara assim, nunca, desde criancinha.


“Você volta comigo?”, ele perguntou depois de algum tempo, a mão ainda na nuca dela, onde a pele estava quente e o cabelo, frio.


Houve uma longa pausa, ela não se mexeu nem disse nada. Depois James sentiu no peito que ela respondia: Sarah fez que sim com a cabeça.  

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

A NOITE QUE NUNCA ACABA

O trash – no pior sentido da expressão – nunca foi uma proposta estética com grande número de admiradores. Os sete contos que compõem A Noite que Nunca Acaba, do potiguar Carlos Fialho, apostam – de forma radical – no estranhamento, ou melhor, no impacto emocional que acompanha o horror. Além disso, o livro está dividido em duas vertentes temáticas que – por definição – deveriam ser opostas. Ao se utilizar de um “gancho” narrativo, o autor conseguiu realizar a proeza de uni-las de forma coerente, embora o resultado final não seja exatamente agradável.

Os três primeiros contos de A Noite que Nunca Acaba induzem um caminho próximo do realismo agressivo que caracteriza a literatura policial – aquela que bebeu na fonte inaugurada pelo Rubem Fonseca e que, recentemente, foi rejuvenescida pelo paraense Edyr Augusto. A história de três amigos de classe alta, travestidos de justiceiros,que resolvem combater a pedofilia e o tráfico de drogas em Natal, capital do Rio Grande do Norte, potencializa a reação de alguns grupos sociais que – ungidos pelo extremismo moralista – estão descrentes da eficiência do Estado como responsável pelo controle social. Essa postura, gerada por um comportamento político discutível, costuma atrair grupos fascistas que, sob a alegação de obter um mínimo de justiça, cometem crimes tão horrorosos quanto os que dizem combater. Em Anjos, o autor, em ritmo de crônica, introduz os personagens e a motivação para as ações. Caídos narra as ações e a prisão do grupo. Renascidos, o mais longo dos textos, elabora, por vias transversas, uma espécie de redenção religiosa, pois (em razão de um fato incidental) consegue premiar assassinos – que, ao final de algum tempo de encarceramento, são inocentados de todos os crimes que cometeram. A selvageria instrumental é substituída pela selvageria jurídica. Além disso, a cena que ocorre no presídio está absolutamente conectada com a realidade concreta que se reflete na incompetência governamental para controlar o poder “intramuros” que existe no mundo carcerário. 

Em alguns momentos, os textos apresentam repetições nas informações – como se desconfiasse da falta de atenção do leitor ou tivessem sido escritos em períodos cronológicos bem distintos (e, obviamente, não foram revisados depois). Um bom editor evitaria esses deslizes, cortaria vários parágrafos e proporia mudanças estruturais. Apesar disso, os três contos funcionam como artefatos literários.

O segundo bloco também está dividido em três contos. A diferença está na quebra da verossimilhança. A Cidade Morta relata a história de Alex de Sousa, que estava servindo em missão humanitária no Haiti. Antes de voltar para casa, ele vai assistir um ritual de vodu. No meio da cerimônia, acontece algo imprevisto e o sacerdote é morto por seus acólitos – um pouco antes de receber dezenas de tiros, morde o braço de Alex. Na viagem para o Brasil, o soldado se sente mal e morre. Em Natal, durante o velório, ressuscita como zumbi. A partir desse momento, o enlouquecimento se torna a constante. O número de mortos-vivos se multiplica de forma geométrica e atinge mais da metade da população urbana. A situação só readquire alguma normalidade quando as Forças Armadas entram em ação e executam o exército zumbi. Refúgio se concentra no isolamento de alguns dos sobreviventes. Dentro do bar “Cowboy’s”, enquanto esperam por algum tipo de salvação, alguns dos integrantes da fauna alternativa de Natal (inclusive Glauco e Fêfo, dois dos personagens dos três primeiros contos) conversam sobre assuntos variados. A trilogia se completa com Vida Nova. Para surpresa do leitor, o texto relata duas histórias de amor. Para fugir da fúria zumbi, Aurélio e Gibson se escondem dentro de um supermercado – onde cometem várias transgressões para poderem continuar vivendo. Em paralelo, Vivian, também sobrevivente do caos, sonha com noites intensas de sexo com Aurélio – que é seu colega de trabalho. Nesse triangulo, a soma do quadrado dos catetos não corresponde ao quadrado da hipotenusa. A adrenalina resultante da luta contra humanos e zumbis aproxima – afetiva e sexualmente – Aurélio e Gibson. Em um restaurante, ao constatar esse fato, Vivian perdeu o apetite por completo e em vários sentidos. O grand finale é espetacular: uma explosão atômica – que destrói a cidade de Natal –  e une, finalmente, os três personagens. Vivian, em momento anterior, em ironia avant la lettre, comenta que até o apocalipse tem o seu lado bom.

O sétimo conto, Com Outros Olhos, parece ter sido incluído no livro para “fazer volume”.   

Ao terminar a leitura, cabe ao leitor decidir se o autor se utilizou do nonsense de A Noite que Nunca Acaba para se divertir ou se o livro constitui uma cristalização literária de algum tipo de acerto de contas com Natown (sic!), a cidade em que vive, e com alguns segmentos sociais e profissionais (Utilizando o apurado senso de oportunidade que lhes é peculiar, os doutores aproveitaram para fazer talvez a coisa que gostam mais do que salvar vidas e cura doentes: ganhar dinheiro). Independente da resposta ou de outra interpretação que possa ser feita, sobra a ligeira sensação de que a união do terror real (primeira parte) com o terror irreal (segunda parte) apresenta alguma originalidade e muita maluquice. Estômagos mais delicados rejeitarão o volume com a alegação de que os sete contos se caracterizam por profundo mau gosto.

TRECHO ESCOLHIDO


No tempo que passaram encarcerados, os estudantes conviveram com alguns dos piores criminosos do RN. Os relatos do período em que estiveram em Alcaçuz feitos pelos agentes penitenciários e guardas do presídio eram surpreendentes. Os garotos andavam livremente entre a bandidagem. Nos momentos de recreação ou banhos de sol, eram sempre vistos em conversas com os demais detentos, inclusive com alguns de vasto currículo criminal. Era notável, inclusive, a aproximação que os presos vinham tendo com o líder do tráfico que atuava também como chefão do presídio, Augusto da Silva, conhecido como “Cheirinho”. O meliante, sempre taciturno, com cara de poucos amigos, demonstrava especial disposição quando na presença dos três rapazes, até mesmo sorrindo bastante e fazendo brincadeiras com eles. Não era o comum. Outros detentos jovens que chegavam a Alcaçuz costumavam sofrer bastante nas mãos dos mais velhos e, quanto melhores fossem suas condições sociais, mais eram importunados pelos novos colegas, alguns até o limite do suportável, sendo vítimas de intimidações, perseguição sistemática, violências frequentes e até abusos sexuais. Aparentemente, não fora o caso dos universitários.  

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

A VIOLÊNCIA E A MALDADE EM CINQUENTA FRASES.

Honoré de Balzac (1799-1850)
O prazer é o grande incentivo para o mal. (Platão)   

O poder é a escola do crime. (William Shakespeare) 

A covardia é a mãe da crueldade. (Michel de Montaigne)

A violência é a parteira da história. (Karl Marx)

Não há mal que não traga um pouco de bem, e por isso é que o mal é útil, muita vez indispensável, alguma vez delicioso. (Machado de Assis)

Quando se esfola um cliente deve-se deixar que alguma pele cresça no lugar, para que se possa esfolá-lo de novo. (Nikita Kruschev)

Não entendo como alguns escolhem o crime, quando há tantas maneiras legais de ser desonesto. (Laurence J. Peters)

Qual é o pior crime: assaltar um banco ou fundar um banco? (Bertolt Brecht)

A sociedade se compõe de duas classes; uma que tem mais apetite que jantares e outra que tem mais jantares que apetite. (Nicolas Chamfort)

Um monge e um açougueiro brigam no interior de cada desejo. (Emil Cioran)

Eu bem que gostaria de requerer a concessão para operar uma guilhotina. Mas, e os impostos sobre os benefícios? (Karl Kraus)

Joseph Conrad, nascido Józef Teodor
Natecz Korzeniowski, (1857-1924)
Devemos perdoar os inimigos – mas nunca antes deles serem enforcados. (Heinrich Heine)

As pessoas boas dormem muito melhor à noite que as pessoas más. Claro, durante o dia as pessoas más se divertem muito mais. (Woody Allen)

O crime é a extensão lógica de um tipo de comportamento perfeitamente respeitável no mundo dos negócios. (Robert Rice)

Existem dois modos de combater; um com as leis, outro com a força. O primeiro é próprio do homem, o segundo, dos animais; mas, como o primeiro modo muitas vezes não é suficiente, convém recorrer ao segundo. (Nicolau Maquiavel)

Pessoas do mesmo ramo raramente se reúnem para se divertir. Quando o fazem, sob o manto do lazer, a conversa termina numa conspiração contra o público. Geralmente, num conluio para aumentar o preço do consumidor ou abaixar o preço do fornecedor. (Adam Smith)

Em todos os movimentos e cruzadas, é justamente o psicopata que se torna o líder. (Robert Lindner)

A primeira lei da economia é a escassez: nunca há o suficiente de coisa alguma para satisfazer plenamente todos que a querem. A primeira lição da política é desconsiderar a primeira lição da economia. (Thomas Sowell)

O crime não compensa? E de que é que vivem carcereiros, policiais, fabricantes de cofres, advogados e juízes? (Millôr Fernandes)

Por trás de uma grande fortuna há um crime. (Honoré de Balzac)

Eugen Bertholt Friedrich Brecht
(1898-1956)
Não há nada pior que o ressentimento dos medíocres. (Jorge Luis Borges)

Amor, amizade e respeito não unem as pessoas da mesma forma que o ódio comum a alguma coisa. (Anton Tchekhov)

Quando há sangue nas ruas, está na hora de comprar imóveis. (Barão de Rothschild)

Não é o criminoso que ganha com o crime; são os jornais. (Lima Barreto)

Cada vez que preencho um cargo faço cem descontentes e um ingrato. (Luis XIV)

Quando um homem quer matar um tigre, chama a isso de esporte; quando é o tigre que quer matá-lo, chama a isso de ferocidade. A distinção entre crime e justiça não é muito grande (George Bernard Shaw)

Um crime bem sucedido e favorecido pela sorte é chamado de virtude. (Sêneca)

A crença em uma origem sobrenatural da maldade não é necessária. Os homens sozinhos são capazes de qualquer maldade. (Joseph Conrad)

Se quisermos prevenir a violência, não precisamos de menos democracia. Precisamos de mais. (Frederic Wertham)

No pessimista se combinam uma bondade ineficaz e uma maldade insatisfeita. (Emil Cioran)

Alexandre Dumas, pére (1802-1870)
Muitas vezes fazemos o bem para impunemente podermos fazer o mal. (François de La Rochefoucauld)

Todos os homens são fraudes. A única diferença é que alguns admitem isso. Eu mesmo nego. (Henry Louis Mencken)

 Há uma exuberância na bondade que parece ser maldade. (Friedrich Nietzsche)

As pessoas não só aceitam a violência quando perpetuada pela autoridade legítima, como aceitam como legítima a violência contra certas espécies de pessoas, não importa quem a cometa. (Edgar Z. Friedenberg)

A perspicácia da polícia é o dom de considerar todo homem capaz de um furto, e a sorte é que a inocência de muitos não pode ser provada. (Karl Kraus)

A tortura é uma invenção maravilhosa e muito segura de perder um inocente de saúde fraca e salvar um culpado que nasceu robusto. (Jean de La Bruyère)

Há muito tempo cheguei à conclusão de que quase todo crime se deve a um desejo reprimido de expressão estética. (Evelyn Waugh)

O crime de pensar não implica na morte. O crime de pensar é a própria morte (George Orwell)

Mais violência por parte da sociedade gerará mais violência daqueles que ela não consegue controlar. (Karl Menninger)

Emil Cioran (1911-1995)
O médico vê o homem em toda a sua fraqueza; o jurista o vê em toda a sua maldade; o teólogo, em toda a sua imbecilidade. (Arthur Schopenhauer)

Todo crime é vulgar, da mesma maneira que toda vulgaridade é crime. (Oscar Wilde)

O mais irritante no amor é que se trata de um crime que exige um cúmplice. (Charles Baudelaire)

Não é que o crime não compensa. É que, quando compensa, muda de nome. (Millôr Fernandes)

Há serviços tão grandes que só podem ser pagos com a ingratidão. (Alexandre Dumas, père)

O crime do futuro é a fraude. Ele vai exigir maturidade, organização e grande domínio de computação. (Igor Melville)

Como devem temer o castigo aqueles que não perdoam a seus inimigos. (Padre António Vieira)

Adam Smith (1723-1790)
A ambição universal dos homens é viver colhendo o que nunca plantaram. (Adam Smith)

O tambor faz muito barulho, mas é vazio por dentro. (Barão de Itararé)

Vinte mentiras fazem uma verdade. (Benito Mussolini)

Detesto as vítimas que respeitam seus carrascos. (Jean-Paul Sartre)