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sexta-feira, 22 de maio de 2026

A MALDIÇÃO DO GATO

 


No dia 07 de dezembro, na Copa do Mundo de futebol de 2022, realizada no Catar, o jornalista Vinicius Rodrigues, que trabalhava como assessor de comunicação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), não gostou de ver um gato, que tinha invadido a coletiva de imprensa da seleção brasileira. De forma abrupta, jogou o animal no chão.

Dois dias depois, a equipe que representava o Brasil empatou com a Croácia no tempo regulamentar (1-1) e foi eliminada da competição na disputa por pênaltis (4-2).

Independente da competência futebolística da equipe “brazuca” ou dos erros dos batedores de pênaltis (Rodrygo e Marquinhos), a culpa pelo fracasso da pátria de chuteiras (na célebre definição de Nelson Rodrigues) foi atribuída a uma suposta vingança do felino. Estava assim formalizada, seguindo a cartilha das teorias conspiratórias, a maldição do gato.

Desde a Idade Média, o imaginário popular identifica os gatos como figuras misteriosas. Nesse constructo fantasioso, algumas pessoas (por motivos religiosos e/ou políticos) associaram os animais com bruxas e magia negra; ou seja, com poderes sobrenaturais. Seguindo essa trilha, ao entender que houve um ato de desrespeito com uma criatura divina, não constitui surpresa atribuir às forças anímicas da natureza a necessidade de instituir um mecanismo de reparação. Em outras palavras, o império da lei de ação e reação (Karma).  

No dia 18 de maio de 2026, o responsável técnico pelo grupo que participará da Copa do Mundo, que será realizada em México, Estados Unidos e Canadá, entre os dias 11 de junho e 19 de julho, anunciou a convocação dos 26 atletas que constituem o “escrete canarinho”. Nada além da vitória será aceito pela patriotada nacional – uniformizada com a camiseta “amarelinha”.

No espírito Cassandra (célebre pitonisa grega), algumas almas agourentas anunciaram que é possível acontecer um novo fracasso nos gramados da América do Norte. Além da vigência da maldição do gato, somam a presença aziaga de alguns jogadores. E complementam essa análise com um provérbio da língua espanhola: cria cuervos y te sacarán los ojos. Ao dar oportunidade para determinadas pessoas (as aves carniceiras), abrem possibilidade para que a ingratidão e a traição se instalem no vestiário e destruam internamente, como cupins, a disciplina da equipe. Alertam que esse desastre não pode ser considerado como ficção e não está longe de acontecer.

Também ressaltam que existe uma visível falta de novos talentos nas artes que orientam o ludopédio raiz. Os campos de várzea deixaram de existir e os jogadores egressos de escolinhas e de equipes que formam as categorias inferiores raramente apresentam aptidão e criatividade. Vide, salvo as exceções que confirmam a regra, os relacionados na lista tupiniquim.

Para compensar essas deficiências, o jogo se transformou em apêndice do marketing – que cria deuses e demônios de acordo com os interesses da mercantilização esportiva. A aparência e a simulação passaram a ser referências e qualidades. Só se ilude quem quer ser iludido (a esperança é a última que morre e outros clichês de autoajuda).

Enfim, em ritmo eu sei o que vocês fizeram no verão passado, ninguém deveria esquecer que a maldição do gato pode ser visualizada como uma metáfora contemporânea da espada de Dâmocles (sempre pronta para degolar os incautos).   

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