O 46º Prêmio Princesa de Astúrias 2026 – literatura, foi concedido ao Julian Patrick Barnes (Leicester,1946). A justificativa para atribuição destaca que o escritor é um extraordinário narrador e ensaísta, dotado de humor, ironia e que pratica um otimismo melancólico e um pessimismo alegre. Nesse sentido, de acordo com o júri espanhol, Barnes reelabora (...) a história da literatura, a arte, a música e a gastronomia, até alcançar um estilo único.
Quase toda a sua obra literária foi publicada no Brasil pela Editora Rocco, exceto Mantendo um olho aberto – ensaios sobre arte (São Paulo: Anfiteatro, 2017).
O primeiro romance de Barnes que chamou a atenção foi O papagaio de Flaubert (Rocco, 1988), uma espécie de reconstrução da biografia de Gustave Flaubert (1821-1880), tendo como fio condutor um papagaio empalhado. Nesse livro fica delineada a paixão pela cultura francesa – o que, de certa forma, o faz transitar entre os dois lados do Canal da Mancha.
Foi casado com a agente literária Pat(ricia) Olive Kavanagh (1940-2008) e, em Altos voos e quedas livres (Rocco, 2014), o luto pela morte da esposa se confunde com a elegia amorosa. Outros dois textos com características autobiográficas, e que se afastam da ficção: Nada a temer (Rocco, 2009), uma discussão sofisticada sobre deus – tendo como parâmetro a cultura literária, a história e a morte, e O pedante na cozinha (Rocco, 2008), onde, com humor e perspicácia, narra a procura pelo sabor perfeito, momento que faz da gastronomia uma fonte de prazer.
Muitos leitores consideram os livros de contos Do outro lado da Mancha (Rocco, 2001), Um toque de limão (Rocco, 2006) e Pulso (Rocco, 2013) como um dos pontos altos da literatura de Julian Barnes. A prosa ácida vai corroendo diversas questões cotidianas e, ao mesmo tempo, revelando o quanto a humanidade está em decomposição. Em versões particulares, os contos discutem temas que constituem as obsessões de um escritor criativo: a ausência amorosa, a culinária, a música, o mundo artístico, a história que poderia ter acontecido, as tensões entre ingleses e franceses, a vontade de reaver os prazeres que a velhice bloqueia, o fim da vida. Muitas vezes são decisões de personagens que se recusam a aceitar o destino inevitável.
No entanto, são os romances que garantiram o lugar de Barnes na história literária de língua inglesa: O porco-espinho (Rocco, 1996), Inglaterra, Inglaterra (Rocco, 2000), Arthur & George (Rocco, 2007), O sentido de um fim (Rocco, 2012), O ruído do tempo (Rocco, 2017), A única história (Rocco, 2018). São histórias que fazem um mapeamento das idiossincrasias do mundo contemporâneo e que abrangem desde as amizades do período escolar, o primeiro amor, um ditador da Europa Oriental, Arthur Conan Doyle (1859-1930) e Dmitri Dmitriyevich Shostakovitch (1906-1975), entre outras questões.
Os últimos livros publicados no Brasil não conseguiram obter relativo sucesso: O homem do casaco vermelho (Rocco, 2021) e Elizabeth Finch (Rocco, 2022). Há quem diga que ele está perdendo o folego.
Junto
com Martin Amis (1949-2023) e Ian McEwan (n. 1948), Julian Barnes compôs o
triunvirato da literatura inglesa entre os séculos XX e XXI.
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| Atrás: Kingsley Amis e Pat Kavanagh; na frente: Martin Amis e Julian Barnes |


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