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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

SCOTT FITZGERALD (1896−1940)


Francis Scott Key Fitzgerald, filho de família de classe média, nasceu em Saint Paul, Minnesota, em 24 de setembro de 1896. A partir de 1913, freqüentou aulas na Universidade de Princeton. Mais interessado nos esportes e na vida literária, abandonou os estudos antes de concluir a graduação. Mesmo assim, enquanto lá esteve, soube observar acuradamente um mundo que gira em torno de promessas, riquezas e sonhos. São essas imagens que alimentarão parte da literatura que escreverá alguns anos mais tarde. Em fins de 1917, foi convocado pelo exercito. Gore Vidal, com nítida má vontade, definiu esse período da vida de Fitzgerald, em ensaio publicado na coletânea De Fato e de Ficção, como Apressado e estranhamente pouco auspicioso: o soldado que nunca lutou (...) e o atleta que nunca competiu.

Depois do fim da guerra, em 1920, Scott casou com Zelda (nascida Sayre). Scottie (Frances Scott Fitzgerald) nasceu em outubro de 1921, em Saint Paul, Minnesota.

Foi em Paris e na Riviera Francesa, respirando o charme europeu e recriando a vida somente possível nos romances românticos (que alimentavam a fantasia de que a felicidade estava à disposição no bistrô da esquina), que a família Fitzgerald encontrou a literatura estadunidense. A Lost Generation (Geração Perdida) estava acampada entre a Rive Gauche e o bar do Hotel Ritz. Na companhia de Ernest Hemingway, Ford Madox Ford, Gertrude Stein, Sylvia Beach, John dos Passos, Sherwood Anderson, Ezra Pound, Waldo Pierce, e. e. cummings, Hart Crane, entre outros, Scott e Zelda brilharam. Parte dessa brincadeira é retratada, de forma bastante superficial, no filme Meia−noite em Paris (Dir. Woody Allen, 2011).

De volta a Estados Unidos, a doença mental de Zelda (e as sucessivas internações em sanatórios), o consumo excessivo de álcool e inúmeros problemas financeiros resultaram em incontáveis (e incontroláveis) crises. Sem muitas alternativas, Scott se mudou para Hollywood, onde alugou o seu talento para a indústria cinematográfica. Um enfarte o matou em Los Angeles, Califórnia, no dia 14 de dezembro de 1940.

Ars longa, vita brevis, diziam os latinos − principalmente quando queriam justificar as almas desvairadas, aquelas que consumem a existência em momentos de heroísmo ou de degradação. Em apenas 44 anos de vida, Scott Fitzgerald escreveu quatro romances (o quinto ficou inacabado), cerca de 160 contos, alguns fragmentos autobiográficos e uma dúzia de roteiros de cinema. Como disse Gore Vidal: Uma coisa se diga de Scott: ele foi show−biz desde o começo.

Em 1920, ao explicar a publicação de seu primeiro romance, This Side of Paradise (Este Lado do Paraíso), Fitzgerald disse: Eu estava certo de que todos os jovens seriam mortos na guerra e eu queria colocar no papel o registro da estranha vida que eles viveram em seu tempo. Essa tentativa de ficcionalizar a vida resultou em imediato sucesso. Na lista dos mais vendidos, o livro conseguiu rivalizar com Main Street (Rua Principal), de Sinclair Lewis.

Infelizmente, toda essa inesperada fama não foi suficiente para diminuir o escandaloso fracasso de The Beautiful and Damned (Belos e Malditos), de 1922. O ano somente foi salvo pela publicação do maravilhoso Tales of Jazz Era (Contos da Era do Jazz), que contém algumas das melhores histórias curtas escritas por Scott Fitzgerald.

Depois de nova viagem à França, Scott conclui o texto do romance em que a expressão "obra−prima" não é excessiva. The Great Gatsby (O Grande Gatsby), publicado em 1925, é a história de um traficante de bebidas que procura a ascensão social. Com talento e estilo, a narrativa aborda o caráter evanescente da beleza e do dinheiro, a inevitável danação dos indivíduos que procuram fugir das convenções sociais e a fragilidade das histórias pessoais. Unindo romantismo, frustrações e sonhos, O Grande Gatsby anuncia a tragédia. Inclusive para o escritor: o público não entendeu o livro, que se tornou um grande fracasso comercial.

Depois de um período improdutivo, onde os problemas pessoais foram mais significativos do que a literatura, Fitzgerald publica Tender is the Night (Suave é a Noite). Beirando a autobiografia ficcionalizada, o romance aborda a vida social de um grupo de expatriados que procura omitir que a Guerra ainda está presente em suas vidas. Ricos, atraentes, intensos, imaturos, capazes de alternar a brandura com a mais cruel atitude predatória, eles são protagonistas de um mundo hedonista, glamoroso e perverso. Essa loucura está centrada no casal Dick e Nicole Diver, que esconde atrás das aparências sociais o inferno particular em que vivem. Eles acabam sendo arrastados para o centro do furacão − onde o caos os destrói.

Scott Fitzgerald morreu antes de terminar The Last Tycoon (O Último Magnata). O romance deveria contar uma história similar a de Suave é a Noite: as forças inexoráveis da vida destruindo a ingenuidade e a retidão moral. Sem espaço para o heroísmo, o livro está repleto de personagens destituídas de ética, esses mesmos que protagonizam os desastres emocionais.

Alguns críticos e admiradores da obra de Scott Fitzgerald consideram que a grande força do escritor estava nos contos. São essas estruturas concentradas, onde os principais elementos da comédia humana são dissecados com habilidade de relojoeiro suíço, que revelam as áreas sombrias da alma humana. Histórias curtas como Babilônia Revisitada, O Amor à Noite, Domingo Louco, O Diamante do Tamanho do Ritz, O Último Beijo e Os Nadadores justificam o esforço de Edmund Wilson (que era amigo de Fitzgerald desde Priceton) para ressuscitar o escritor nos anos 50. Como lembra Gore Vidal, A partir de 1945. Foram escritos centenas, talvez milhares de biografias, estudos críticos e teses de doutorado sobre Fitzgerald. Junto com a imortalidade literária, Fitzgerald recebeu a iniqüidade das falsas polêmicas e a indiscrição típica de quem – nada tendo de significativo para acrescentar ao debate intelectual – sente prazer em remoer aspectos secundários da vida pessoal do escritor.

De qualquer maneira, Scott Fitzgerald, com suas histórias pessimistas, onde a perda é um elemento importante, foi um escritor do primeiro time. Cada releitura de seus textos é uma chance de provar da adrenalina que está ao alcance daqueles que não se assustam com a aventura literária.



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