Páginas

quinta-feira, 28 de abril de 2011

FÁBULA SOBRE O CIÚME

− Pouco importa tuas razões, isso não se faz!

− Não te entendo, Você é, ou não, meu amigo?

− Que pergunta, claro que sou!

− Então, por que você não quer compreender a minha situação?

− Tenha dó! Abandonar a noiva no altar é coisa de adolescente imaturo.

− Não se trata disso! Era uma questão de vida ou morte!

− Por favor, sem exageros!

− Que exagero? Não estou louco!

− Ah... Então tá! Fico feliz em saber disso!

− O que é isso? Ficou cínico, depois de velho?

− Cínico, eu? É você que dá o cano na coitada e eu é que sou cínico? Nada como um dia depois do outro, com uma noite pelo meio!

− Pois bem. De uma vez por todas, vamos esclarecer o que aconteceu. Depois você poderá dizer se eu tinha razão ou não, tá certo?

− Tá certo! Pode começar a história da carochinha.

− Você não quer me levar a sério, não é? Tudo bem, o problema começou quando conheci Andréia. Ela é uma gracinha. Meiga, bonita, inteligente... Aquela mulher tem todas as qualidades com que a gente vive sonhando para a nossa "cara metade".

− Que enrolação! Por favor, vamos ao que interessa!

− Começamos a namorar. No princípio fez−se a luz. Ou melhor, o ardor. Amoroso, é claro. A mulher é um vulcão. E me levou ao Paraíso milhares de vezes. Meu Deus! Depois de algum tempo, me rendi ao inevitável e propus casamento. Foi ai que começou a confusão.

− Meu amigo, todas as mulheres bonitas são sinônimo de confusão. Poupe−me, evitando as redundâncias!

− Acontece que uma nuvem gigantesca de ciúmes pairou sobre nós. Andréia começou a me seguir. No início, pensei em coincidências: oi, meu amor, você aqui, que surpresa! Depois, houve excessos de coincidências. Mas, isso era coisa sem importância. O pior ainda estava para acontecer. Certa vez fui a um aniversário, no apartamento de uma colega de trabalho. Todo o pessoal da repartição estava lá. Andréia, que não havia sido convidada, apareceu no meio da noite.

− E daí?

− Ora, foi a maior baixaria. A mulher entrou gritando: "Traidor! Em vez de ficar comigo, preferiu vir em um aniversário, na casa da amante, seu desgraçado!" E, nesse ritmo de cordialidade, foi ofendendo todo mundo. Nem mesmo o garçom conseguiu escapar. O coitado olhava para mim, apalermado, sem entender nada. Enquanto isso, Andréia o chamava de cafetino, imbecil, débil mental, etc. Uma loucura!

− E o que foi que você fez?

− Eu estava apaixonado: não fiz nada! Quer dizer, conversei com ela, expliquei algumas coisas e...

− Sei. Beijinho pra cá, beijinho pra lá...

− O chato é que a situação se repetiu outras vezes. Tive que mentir para todo mundo que ela estava tomando um remédio muito forte e que às vezes a situação fugia ao controle.

− Sei...

− O pior é que essa agressividade chegou às raias do absurdo. Um dia ela me bateu! Eu estava conversando com a filha do vizinho. Ela viu a cena, endoidou e... Três tapas no rosto. Daqueles que são acompanhados de efeitos sonoros. Baixei a cabeça, não disse uma palavra e fui para casa. No meio da madrugada ela telefonou, pediu desculpas. Além disso, fez juras de amor, prometeu a lua, a felicidade, tudo o que eu quisesse.

− E você aceitou?

− Já disse: eu estava apaixonado!

− Trocando em miúdos: puro masoquismo.

− A gota d’água foi no dia anterior ao casamento. Tínhamos combinado jantar, mas tive problemas no trabalho e atrasei uns quinze minutos. Quando cheguei, fui recebido com unhadas e puxões de cabelo. O segurança do restaurante precisou intervir. Foi um escândalo. Acabei no pronto−socorro. E depois, delegacia. Até Boletim de Ocorrência foi lavrado!

− O que foi que você fez para que ela aprontasse esse estrago todo?

− Veja só: segundo ela, eu estava na farra. Despedida de solteiro, mulheres, strip−tease, bebidas, o pacote completo.

− E não tava?

− Piada tem hora, né? Depois dessa confusão toda não tive escolha: desisti do casamento!

− É, as mulheres são terríveis! Você escapou de uma grande fria, preciso concordar. Vamos fazer o seguinte: ali, na mesa do canto, estão duas amigas minhas. Posso garantir que essas são bem mansinhas! Vamos lá!

3 comentários: