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terça-feira, 19 de abril de 2011

MILLOR FERNANDES EM GOTAS


− A felicidade conjugal é muito rara. Mas também, quando existe, é extraconjugal!

− Quem cedo madruga fica com sono o dia todo.

− Antes de entregar a sua declaração de Imposto de Renda verifique se você omitiu tudo.

− Todos os caminhos levam a Roma, mas cada dia o engarrafamento é pior.

− Precisamos de reformas drásticas que deixem tudo exatamente como está.

− O pobre trabalha para comer. O rico trabalha para comer fora.

− Que coisa difícil é a gente se livrar de uma mulher fácil!

− Como sexo as mulheres são insuportáveis. Mas na hora do sexo não tem nada melhor.

− Dos males o menor. Ou o que der mais dinheiro.

− Respiração boca−a−boca só nas mais bonitinhas.

− O consumidor nem sempre é um idiota – às vezes o consumidor é a sua mulher e o idiota é você.

− Nunca bata num homem caído, a não ser que você tenha absoluta certeza de que ele não pode se levantar.

− É preciso ter coragem. É preciso dar pseudônimo aos bois.

− A morte é dramática, o enterro é cômico, e os parentes, ridículos.

− Fofoca a gente tem que espalhar rápido porque pode ser mentira.

− Tempo é dinheiro. Contratempo é nota promissória.

− Clássico é um escritor que não se contentou em chatear apenas os contemporâneos.

− Certas coisas não se dizem "nem pro pior inimigo" porque, se você disser, o inimigo te mete um soco na cara.

− O cara que luta até a última gota de sangue por uma causa provavelmente sofre de hemofilia.

− Me dêem mil atos de absoluta moralidade e eu construirei um bordel.

− Uma coisa extremamente favorável aos bêbados: nunca ninguém viu cem mil bêbados de um país querendo estraçalhar cem mil bêbados de outro país.

− Só há duas espécies de patifes: os que admitem e nós.

− Quem casa para ter um teto sobre sua cabeça corre o risco dele desabar em cima.

− Todo dia leio cuidadosamente os avisos fúnebres dos jornais; às vezes a gente tem surpresas agradabilíssimas.

− Casanova não foi o inventor do sexo grupal. Apenas, como ele era muito competente no seu ramo, o pessoal ia se reunindo em volta e tirando a roupa.

− A mais calma das pessoas fica furiosa se você diz que ela é facilmente irritável.

− A discussão pode não trazer a luz, mas liquida com muita ideia imbecil.

− Sansão, sim, é que era um espetáculo. Quando acabou o seu show a casa veio abaixo.

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A tradição do humor no Brasil não é muito extensa, embora seja intensa. Escritores como o Barão de Itararé, Emílio de Menezes e Álvaro Moreyra são sempre mencionados como pioneiros da causa. Com a multiplicação dos jornais e das crônicas, uma nova safra invadiu a literatura: Fernando Sabino, Aldir Blanc, Luis Fernando Veríssimo, etc.
Um dos grandes desafios da literatura humorística está no minimalismo: "Sintetizar em uma (ou poucas) frase(s) o que outros escritores não conseguem traduzir em um livro".
No Brasil, apenas dois escritores conseguiram cultivar o aforismo com graça e talento: Marquês de Maricá (durante o Império) e Millor Fernandes. O "melhor dos Fernandes" (esse qualificativo era utilizado por Nereu Goss) é um mestre na sutil arte que une a profundidade filosófica e o terrorismo humorístico.

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