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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

ALGUNS FILMES SOBRE CASAMENTO


Todas as tragédias terminam em morte e todas as comédias em casamento. A tese é de Lord Byron e é difícil refutá−la − embora, sem cinismo ou deboche, seja possível dizer que uma das grandes catástrofes da vida moderna é o casamento. O tema costuma resultar em interessantes girly movies, ou seja, filmes para "mulherzinhas" (no sentido mais preconceituoso do termo).

O noivo da minha melhor amiga ("Something borrowed", Dir. Luke Greenfield, 2011) e O casamento do meu ex ("The romantics", Dir. Galt Niederhoffer, 2011) vestem a máscara das comédias românticas, embora não sejam exatamente filmes divertidos.

Como se fosse uma reprise do poema Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade (João amava Teresa que amava Raimundo que amava...), o enredo de O noivo da minha melhor amiga se desenvolve em torno dos equívocos amorosos. Darcy vai casar com Dexter. Rachel, a melhor amiga de Darcy, que está ajudando nos preparativos do casamento, está apaixonada pelo noivo, mas não consegue revelar esse desastre. Outro amigo, Ethan, sonha com Rachel. Quem acredita que essa história é original precisa – urgentemente − ver um filme mais antigo e muito melhor: Vestida para casar (27 dresses. Dir. Anne Fletcher, 2008). Todos os ingredientes estão lá, parece até cópia, embora as histórias sejam muito diferentes. Enfim, no reino do cinema nada se perde, nada se cria, tudo se transforma (como ensinava Lavoisier).

A comédia de erros está conectada a dois elementos clássicos: a resignação da melhor amiga a um destino de co−adjuvante − submissão ao esmagamento por uma força maior − e à covardia do noivo, que não possui determinação para romper com a autoridade. Embora o final feliz aconteça (e não se pode esperar coisa diferente nesse tipo de filme), o jogo de poder marca todas as cenas, como a dizer que a inércia é a regra do mundo em que estamos vivendo. Qualquer movimento, em qualquer direção, produz caos, produz sofrimento.

Essa regra também vale para O casamento do meu ex. Embora, esse seja um filme mais pretensioso, daqueles que querem "passar uma mensagem", mostrar que dois mais dois raramente são quatro, pois cada um dos elementos da soma está impregnado de pequenas sobras, de detalhes que devem ser acrescidos a cada instante para que o quadro final se mostre próximo do real.

Convidada para ser madrinha de casamento de Lila Hayes, Laura Rosen comparece na cerimônia com a esperança (inconsciente) de estragar o casamento. O mesmo vale para alguns dos outros convidados. Na noite anterior ao grande evento, há um jantar, desses onde todos celebram a inconveniência, onde todos demonstram o poder da amizade e do ressentimento. Na hora em que faz um brinde à felicidade dos noivos, Laura troca o nome da noiva pelo seu, típico ato falho que recebe o troco quase ao final do filme, quando a noiva elabora uma citação digna de manual literário: Amor não correspondido é a situação ideal. Permite a dois covardes ter uma fantasia de amor sem ter que enfrentar as conseqüências.

Depois do jantar, os amigos se perdem na noite. É hora do ajuste de contas. A seriedade tomar conta de tudo e revela o que todos sabem há muito tempo, mas nunca emitiram em voz alta, porque o jogo das aparências é que determina o andamento social. Personagens destinados à grandeza terminam chafurdando na lama. Nenhuma novidade. Afinal, cerimônias de casamento são patéticas.


PS. 1: A atriz Ginnifer Goodwin (O noivo da minha melhor amiga) é muito parecida com uma versão rejuvenescida de Sally Fields.


PS. 2: Há dezenas de filmes sobre casamento. Alguns melhores, outros mais ou menos. Enfim, há para todos os (des)gostos. Alguns são clássicos, como: Cenas de um Casamento (Scener ur ett Äktenskap. Dir. Ingmar Bergman, 1973), Cerimônia de casamento (A wedding. Dir. Robert Altman, 1978), Banquete de casamento (Xi yan. Dir. Ang Lee, 1993), Quatro casamentos e um funeral (Four Weddings and a funeral. Dir. Mike Newell, 1994), Penetras bons de bico (Wedding crashers. Dir. David Dobkin, 2005) e Margot e o casamento (Margot at the wedding. Dir. Noah Baumbach, 2007). Todos, sem excessão, são variações do mesmo tema.

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